Apostila gratuita · 60 páginas

Ultrassom de pulmão e diafragma: linhas B, pneumotórax e protocolo BLUE

Linhas A e B, lung sliding, lung point e lung pulse, derrame pleural quantificado pelo BLUE-pleural index, consolidação, perfis do protocolo BLUE com análise venosa e ultrassonografia do diafragma: excursão, espessura e fração de espessamento no perioperatório.

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Capa da apostila Ultrassonografia de pulmão e diafragma: linhas B, pneumotórax e protocolo BLUE em um tablet
Formato
Apostila · 60 páginas
Área da prova
Ultrassom (POCUS)
Produzido por
Equipe Anest-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de ultrassom de pulmão e diafragma cobre

Dos artefatos do pulmão normal ao diafragma no perioperatório, com imagens ultrassonográficas e a acurácia dos principais sinais e perfis.

  • Protocolo BLUE perfil por perfil

    Pontos BLUE superior, inferior e PLAPS, perfis A, A', B, B', A/B, C e PLAPS, com a sensibilidade e a especificidade dos perfis de pneumonia, fluxograma de decisão e análise venosa com compressão controlada.

  • Artefatos do pulmão normal e patológico

    Sinal do morcego, lung sliding e sinal da praia, critérios de linha B, septal e ground-glass rockets, falsas linhas B, derrame pelo BLUE-pleural index, consolidação, lung point e lung pulse.

  • Diafragma no perioperatório

    Disfunção após cirurgia cardíaca e torácica e após bloqueio interescalênico e supraclavicular, excursão diafragmática, espessura e fração de espessamento com pontos de corte e predição de falha de extubação.

Sumário

O que tem dentro das 60 páginas

As seções na ordem da apostila: primeiro o pulmão e o protocolo BLUE, depois o diafragma.

  1. 01Preparação: transdutores microconvexo, linear, convexo e setorial
  2. 02Divisão da caixa torácica e posicionamento do paciente
  3. 03Pulmão normal: sinal do morcego, linhas A, lung sliding e sinal da praia
  4. 04Síndrome intersticial: linhas B, septal rockets, ground-glass rockets e falsas linhas B
  5. 05Derrame pleural: sinais típicos, BLUE-pleural index e método multiplanos
  6. 06Tipo de derrame e toracocentese guiada
  7. 07Consolidação: broncograma aéreo, shred sign, linha C e hepatização
  8. 08Pneumotórax: código de barras, lung point e lung pulse
  9. 09Protocolo BLUE: pontos BLUE, perfis e fluxograma diagnóstico
  10. 10Análise venosa: veia ou artéria, trombose e compressão controlada
  11. 11Limitações do protocolo BLUE
  12. 12Disfunção diafragmática: cirurgia, bloqueios e fatores anestésicos
  13. 13Ultrassom do diafragma: preparação, janelas e interpretação
  14. 14Excursão diafragmática: técnica, limites de normalidade, desmame e curarização residual
  15. 15Espessura, fração de espessamento e relato de caso
Página interna da apostila sobre Ultrassonografia de pulmão e diafragma: linhas B, pneumotórax e protocolo BLUE
Página da apostila: medida da excursão diafragmática, com a tabela de limites inferiores da normalidade e a predição de falha de extubação.

O que é o protocolo BLUE?

O protocolo BLUE (Bedside Lung Ultrasound in Emergency), de Daniel Lichtenstein, é uma abordagem ultrassonográfica sistematizada da insuficiência respiratória aguda. Combina lung sliding, linhas A ou B e consolidações em três pontos por hemitórax com a análise venosa e define perfis ligados a edema pulmonar, pneumonia, pneumotórax, TEP e DPOC ou asma, com acurácia de 90,5%.

O exame usa três pontos por hemitórax, marcados com as mãos do examinador sobre o tórax do paciente: o ponto BLUE superior, entre a raiz do 3º e do 4º dedo da mão superior, o ponto BLUE inferior, no centro da palma da mão inferior, e o ponto PLAPS, na interseção da horizontal do ponto inferior com a linha axilar posterior. O ponto frênico fica fora do protocolo.

Lung sliding com linhas A define o perfil A, de pulmão anterior normal. O passo seguinte é a análise venosa: perfil A com trombose venosa profunda é 99% específico para embolia pulmonar. Sem trombose, o ponto PLAPS decide: consolidação ou derrame sugere pneumonia, e PLAPS normal, o perfil nude, leva a pensar em DPOC ou asma.

Linhas A sem lung sliding formam o perfil A', sugestivo de pneumotórax. A ausência de lung sliding tem sensibilidade próxima de 100%, mas baixa especificidade; com linhas A e sem linhas B, a especificidade sobe para 96,5%. O lung point é o sinal patognomônico, 100% específico e com sensibilidade de 66%, e qualquer linha B ou lung pulse descarta pneumotórax na região examinada.

Linhas B bilaterais com lung sliding, pelo menos 3 por espaço intercostal, formam o perfil B do edema pulmonar hemodinâmico. Abolição do lung sliding com linhas B (perfil B'), consolidação anterior (perfil C), assimetria (perfil A/B) e PLAPS levam à pneumonia: cada perfil é pouco sensível, mas juntos somam sensibilidade de 89% e especificidade de 94%.

Página da apostila Ultrassonografia de pulmão e diafragma: linhas B, pneumotórax e protocolo BLUE

Comparativo

Perfis do protocolo BLUE e diagnóstico provável

Cada perfil com os achados que o definem, o diagnóstico provável e a acurácia ou a observação que a apostila traz.

Perfis do protocolo BLUE na insuficiência respiratória aguda; somados, os perfis de pneumonia têm sensibilidade de 89% e especificidade de 94%. Fonte: apostila Anest-Review, “Ultrassonografia de pulmão e diafragma: linhas B, pneumotórax e protocolo BLUE”.
PerfilAchadosDiagnóstico provávelDado da apostila
Perfil A com tromboseLung sliding presente e linhas A predominantes; trombose venosa profunda na análise venosaEmbolia pulmonar99% específico para TEP
Perfil A-não-V-PLAPSPerfil A sem trombose venosa, com consolidação ou derrame no ponto PLAPSPneumonia42% sensível e 96% específico
Perfil nudePerfil A sem trombose venosa e com ponto PLAPS normalDPOC ou asmaA estenose traqueal também se apresenta com perfil A nude
Perfil A'Linhas A com ausência de lung slidingPneumotórax, confirmado pelo lung pointLung point 100% específico, com sensibilidade de 66%
Perfil BLung sliding presente e linhas B bilaterais, pelo menos 3 por espaço intercostalEdema pulmonar hemodinâmicoLung rockets aparecem com POAP acima de cerca de 18 mmHg, sem doença pulmonar
Perfil B'Linhas B bilaterais com abolição do lung slidingPneumonia com padrão intersticial bilateral11% sensível e 100% específico
Perfil CConsolidação no tórax anterior, de qualquer tamanhoPneumonia21% sensível e 99% específico
Perfil A/BAssimetria látero-lateral ou anteroposterior dos achadosPneumonia14% sensível e 100% específico

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como aplicar o protocolo BLUE, passo a passo

O raciocínio na ordem da apostila, do transdutor ao lung point, com o diafragma no fim.

  1. Escolha o transdutor

    O ideal é o microconvexo de 5 MHz. Na falta dele, use o linear na região anterior, onde importam os artefatos da pleura, e o convexo na posterior, para o parênquima. Posicione o transdutor no espaço intercostal, em orientação longitudinal, e procure o sinal do morcego.

  2. Marque os pontos BLUE com as mãos

    Mão superior logo abaixo da clavícula e mão inferior abaixo dela, sem os polegares, com o dedo mínimo na linha frênica. O ponto superior fica entre a raiz do 3º e do 4º dedo; o inferior, no centro da palma; o PLAPS, na linha axilar posterior.

  3. Comece pelo lung sliding

    Com lung sliding e linhas A, o perfil é A; com linhas B bilaterais, pelo menos 3 por espaço intercostal, é B, de edema pulmonar. Sem lung sliding, linhas B bilaterais formam o perfil B' e linhas A, o A'. Confirme a abolição no modo M pelo sinal do código de barras.

  4. No perfil A, faça a análise venosa

    Examine bilateralmente, na ordem da apostila, femoral comum, femoral distal, veias da panturrilha, jugular interna e subclávia, com compressão controlada, leve ou nenhuma. Trombose com perfil A aponta embolia pulmonar; o exame pode parar na primeira veia trombosada e leva cerca de 2 a 3 minutos.

  5. Sem trombose, avalie o PLAPS

    Consolidação ou derrame no ponto PLAPS sugere pneumonia (perfil A-não-V-PLAPS); PLAPS normal, o perfil nude, leva a pensar em DPOC ou asma. Direcione o transdutor o mais posterior possível e, sem achados, desça: após dois espaços intercostais, ele costuma alcançar o abdome.

  6. No perfil A', procure o lung point

    A transição entre área com e sem lung sliding, mais fácil de ver no modo M, confirma o pneumotórax. Sem lung point, considere derrame pleural, SDRA, grandes consolidações, aderências, atelectasia, intubação seletiva ou paralisia do frênico; no pneumotórax grande sem instabilidade, complemente com radiografia.

  7. Avalie o diafragma quando houver risco

    Fora do protocolo BLUE, sem suporte ventilatório e com PEEP mínima, meça a excursão diafragmática no modo M, pela janela hepática ou esplênica, com a média de 3 a 5 ciclos. Para muitos autores, excursão abaixo de 10 mm em respiração tranquila define disfunção.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre ultrassom pulmonar e protocolo BLUE

O que é lung sliding?

É o movimento de vai e vem na linha pleural, que representa o deslizamento entre a pleura visceral e a parietal. No modo M, aparece como sinal da praia; sua ausência gera o sinal do código de barras, ou da estratosfera. Lung sliding presente descarta pneumotórax na região examinada, e a ausência, embora quase 100% sensível, tem muitas outras causas.

O que são linhas B no ultrassom pulmonar?

São artefatos verticais hiperecogênicos que nascem na linha pleural, chegam à borda inferior da tela, movem-se com o lung sliding e apagam as linhas A. Indicam espessamento ou líquido nos septos interlobulares, e pelo menos 3 por espaço intercostal definem síndrome intersticial. Septal rockets, com intervalo de 6 a 7 mm, equivalem às linhas B de Kerley; ground-glass rockets, abaixo de 3 mm, ao vidro fosco.

Quais são os perfis do protocolo BLUE?

Perfil A (lung sliding e linhas A), A' (linhas A sem lung sliding), B (lung sliding e linhas B bilaterais), B' (linhas B sem lung sliding), C (consolidação anterior), A/B (assimetria) e PLAPS (perfil A anterior com consolidação ou derrame posterior). Edema pulmonar é perfil B; pneumotórax, A' com lung point; TEP, perfil A com trombose venosa; DPOC ou asma, perfil A sem trombose e sem PLAPS.

Como estimar o volume do derrame pleural pelo ultrassom?

Pelo BLUE-pleural index: mede-se a distância entre os folhetos pleurais na região posterolateral, ao final da expiração e com o transdutor perpendicular à parede. No pulmão aerado, 1 cm corresponde a 70 a 150 ml e 2 cm, a 300 a 600 ml; no consolidado, aplica-se fator de correção de 1,1 a 2. O método multiplanos multiplica a área pelo comprimento do derrame.

O que é excursão diafragmática?

É a amplitude do movimento do diafragma na respiração, medida no modo M entre o final da expiração e o final da inspiração, com a média de 3 a 5 ciclos e sem suporte ventilatório. O limite inferior em respiração tranquila é 0,9 cm em mulheres e 1 cm em homens; excursão menor que 10 mm define disfunção para muitos autores, e movimento paradoxal indica paralisia.

Quais bloqueios causam paralisia do diafragma?

O bloqueio interescalênico causa paresia diafragmática ipsilateral em 100% dos pacientes, porque o frênico corre na fáscia sobre o escaleno anterior, e a forma bilateral deve ser evitada. No supraclavicular, um estudo encontrou paralisia completa em 34%, ou 44% com disfunção parcial; o infraclavicular reduz a paralisia completa para 3%. O ultrassom do diafragma confirma a disfunção à beira do leito.

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    Dr. Francisco Biagio

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