Apostila gratuita · 33 páginas

Ultrassom da via aérea: cricotireoidostomia, bloqueios e intubação

Localização da membrana cricotireoidea pelas técnicas TACA e colar de pérolas, cricotireoidostomia por punção com ventilação a jato e cirúrgica pela técnica bisturi-bougie, medidas preditoras de via aérea difícil, bloqueios para intubação e confirmação do tubo pelo ultrassom.

PDF de 4,8 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 33 páginas
Área da prova
Ultrassom (POCUS)
Produzido por
Equipe Anest-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de ultrassom da via aérea cobre

Da anatomia da via aérea à confirmação do tubo, com as técnicas descritas passo a passo e as imagens ultrassonográficas da localização da membrana e da confirmação da intubação.

  • Membrana cricotireoidea guiada por ultrassom

    Técnicas TACA e colar de pérolas com a imagem ultrassonográfica de cada etapa, o transdutor e a posição do paciente e a marcação da pele com marcador metálico antes da indução.

  • Crico por punção e bisturi-bougie

    Material e ângulo da punção, montagem da ventilação a jato transtraqueal com pressões e relação I:E, e os 18 passos da técnica cirúrgica fure, gire, bougie, tubo.

  • Bloqueios e confirmação da intubação

    Bloqueios do laríngeo superior e translaríngeo guiados por ultrassom, sinais da tempestade de neve e do duplo trato, profundidade do tubo pelos anéis traqueais e intubação seletiva acidental.

Sumário

O que tem dentro das 33 páginas

As seções na ordem da apostila, da anatomia da via aérea à intubação seletiva acidental.

  1. 01Anatomia da via aérea: cavidade nasal e cavidade oral
  2. 02Língua, faringe e inervação sensorial
  3. 03Laringe: as nove cartilagens, a membrana cricotireoidea e a inervação
  4. 04Indicações e preparação do ultrassom da via aérea: transdutor convexo e linear
  5. 05Membrana cricotireoidea: por que a palpação é pouco confiável
  6. 06Como encontrar a membrana pela técnica TACA
  7. 07Técnica longitudinal do colar de pérolas e marcação com marcador metálico
  8. 08Cricotireoidostomia: indicações e contraindicações
  9. 09Crico por punção e ventilação a jato transtraqueal
  10. 10Crico cirúrgica: técnica bisturi-bougie passo a passo e papel do ultrassom
  11. 11Avaliação da via aérea difícil: língua, distância hiomental e distância pele-epiglote
  12. 12Resumo das medidas com sensibilidade, especificidade e ponto de corte
  13. 13Ultrassom para anestesia da via aérea: glossofaríngeo, laríngeo superior e injeção translaríngea
  14. 14Confirmação da intubação: tempestade de neve e duplo trato
  15. 15Profundidade do tubo e intubação seletiva acidental
Página interna da apostila sobre Ultrassom da via aérea: cricotireoidostomia, bloqueios e confirmação da intubação
Página da apostila: cricotireoidostomia cirúrgica, com os cuidados antes do acesso, o material e o início da técnica bisturi-bougie passo a passo.

Quando está indicada a cricotireoidostomia?

A cricotireoidostomia está indicada quando as manobras não invasivas falharam ou quando ela é o plano primário para garantir a via aérea, como intervenção de emergência prevista nos algoritmos de via aérea difícil. Não é via aérea definitiva: depois dela, planeja-se a retirada do cateter ou a conversão para traqueostomia formal.

A palpação da membrana cricotireoidea é imprecisa, principalmente em mulheres, obesos, pescoço curto ou anatomia alterada. Uma revisão sistemática citada na apostila mostrou que a identificação guiada por ultrassom tem maior precisão, maior sucesso e menos complicações, sobretudo na via aérea difícil. A marcação é feita antes da indução, em extensão cervical, a mesma posição do acesso de emergência.

Em crianças menores de 6 anos, a cricotireoidostomia cirúrgica é contraindicada: o ponto mais estreito da via aérea é a cartilagem cricoide, e o istmo da tireoide costuma chegar ao nível da membrana. Nessa faixa etária, a apostila recomenda a punção associada à ventilação a jato transtraqueal. Fratura ou neoplasia laríngea, estenose subglótica, coagulopatia e anatomia cervical distorcida completam as contraindicações.

Na punção, a ventilação só funciona com fonte de alta pressão: oxigênio da parede ou do cilindro, nunca a saída de gás comum da máquina de anestesia, cuja válvula limitadora abre a 5 psi na maioria das máquinas. A pressão mínima para ventilação a jato efetiva é de 15 psi, e a expiração deve sair pela glote, com via aérea superior desobstruída, para evitar barotrauma e pneumotórax.

Antes do acesso cirúrgico, a apostila frisa que o pescoço não deve ser abordado sem bloqueio neuromuscular completo; se o sugamadex já foi usado, o bloqueador seguinte não pode ser rocurônio nem vecurônio. Durante o procedimento, mantém-se oxigênio a 100% pela via aérea superior. A posição olfativa não é ideal para a técnica: a extensão cervical vem de coxim sob os ombros, cabeceira abaixada ou cabeça além do topo do leito.

Página da apostila Ultrassom da via aérea: cricotireoidostomia, bloqueios e confirmação da intubação

Comparativo

Ultrassom na via aérea difícil: medidas e pontos de corte

As medidas que a apostila resume, com a forma de medir, o ponto de corte e a acurácia descrita. O próprio material trata essa seção como curiosidade, por falta de evidência para triagem.

Medidas ultrassonográficas preditoras de via aérea difícil; as evidências ainda não sustentam o uso como triagem padrão na população cirúrgica. Fonte: apostila Anest-Review, “Ultrassom da via aérea: cricotireoidostomia, bloqueios e confirmação da intubação”.
MedidaComo se medePonto de corteSensibilidade / especificidade
Espessura da línguaDo plano superficial ao profundo, na maior largura da língua, com transdutor convexo de baixa frequência> 6,1 cm71% a 75% / 72%
Distância hiomentalDa borda superior do osso hioide à borda inferior do mento, com o pescoço em posição neutra< 4,0 a 5,29 cm (corte de 5,29 cm)96,7% / 71,6%
Razão da distância hiomentalDistância em hiperextensão cervical máxima dividida pela distância em posição neutra; a medida em sniffing não entra no cálculoAbaixo de 1,21 a 1,23100% / 90,5%
Distância pele-epiglote (DPE)Transdutor linear transversal na linha média, acima da cartilagem tireoide, até a epiglote hipoecoica≥ 2,54 cm82% / 91%
Distância da pele às cordas vocaisDa superfície da pele até a comissura anterior, onde as cordas vocais se unemVariável; literatura controversa75% / 72%

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como localizar a membrana e fazer a cricotireoidostomia, passo a passo

A sequência que a apostila descreve, da marcação antes da indução à conversão para via aérea definitiva.

  1. Marque a membrana antes da indução

    Na avaliação pré-operatória, identifique a traqueia e a membrana cricotireoidea e marque a pele com o paciente em extensão cervical, a posição do acesso de emergência. As posições olfativa e neutra mudam a relação da membrana com a pele. Na emergência, use o ultrassom só se já estiver ligado.

  2. Localize a membrana pela técnica TACA

    Com transdutor linear transversal, identifique a cartilagem tireoide hipoecoica em V invertido, deslize caudalmente até a interface ar-mucosa hiperecoica da membrana e depois até o arco hipoecoico da cricoide. Volte em direção cefálica e marque o meio da membrana.

  3. Ou suba pelo colar de pérolas

    Acima da fúrcula esternal, gire o transdutor para o plano sagital e veja os anéis traqueais hipoecoicos. Deslizando em direção cefálica, a cricoide aparece maior e mais superficial, com a membrana acima. Um marcador metálico entre transdutor e pele, com sombra acústica, ajusta o ponto médio.

  4. Confira idade e contraindicações

    Em menores de 6 anos, a técnica indicada é a punção com ventilação a jato transtraqueal. Fratura ou neoplasia laríngea, estenose subglótica, coagulopatia e anatomia cervical distorcida ou não identificável contraindicam o procedimento.

  5. Na punção, ventile com alta pressão

    Use jelco calibre 12 a 16 no adulto, no terço inferior da membrana, a 30° a 45° em direção caudal, sob pressão negativa até surgirem bolhas de ar. Ventile com oxigênio da parede ou do cilindro, relação I:E de 1:4 a 1:5 e FR de 10 a 12 irpm.

  6. Na cirúrgica, fure, gire, bougie, tubo

    Com bloqueio neuromuscular completo e oxigênio a 100% pela via aérea superior, faça incisão transversal com bisturi nº 10, gire a lâmina 90 graus com o fio para os pés, deslize o bougie e avance-o 10 a 15 cm. Passe o tubo com cuff de 6 mm e confirme pela capnografia.

  7. Planeje a via aérea definitiva

    A cricotireoidostomia não é via aérea definitiva: depois do acesso, planeja-se a retirada do cateter ou a conversão para traqueostomia formal. Na punção, garanta tempo de expiração passiva pela glote, com elevação do mento ou cânula faríngea, para evitar barotrauma por aprisionamento aéreo.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre cricotireoidostomia e ultrassom da via aérea

Qual a diferença entre cricotireoidostomia e traqueostomia?

A cricotireoidostomia é o acesso invasivo de emergência pela membrana cricotireoidea, previsto nos algoritmos de via aérea difícil para quando as manobras não invasivas falham. A apostila frisa que ela não é via aérea definitiva: depois do acesso, planeja-se a retirada do cateter ou a conversão para traqueostomia formal. Facilitar os dois acessos infraglóticos está entre as indicações do ultrassom da via aérea.

Como é feita a cricotireoidostomia por punção?

Com seringa de 3 a 10 mL cheia de salina até a metade e conectada ao jelco, calibre 12 a 16 no adulto e 16 a 18 em crianças pequenas, punciona-se o terço inferior da membrana a 30° a 45° em direção caudal, sob pressão negativa, até surgirem bolhas de ar. O cateter avança sobre a agulha, e a ventilação exige fonte de oxigênio de alta pressão, com risco de barotrauma.

Como é a técnica bisturi-bougie da cricotireoidostomia cirúrgica?

É a sequência fure, gire, bougie, tubo, com bisturi nº 10, bougie de ponta angulada e tubo com cuff de 6 mm. Com a laringe estabilizada pela mão esquerda, faz-se incisão transversal pela membrana, gira-se o bisturi 90 graus com o fio para os pés, desliza-se o bougie pela lâmina e avança-se o tubo sobre ele. A ventilação é confirmada pela capnografia.

Como localizar a membrana cricotireoidea com ultrassom?

Com transdutor linear e pescoço em extensão. Na técnica TACA, o transdutor transversal parte da cartilagem tireoide em V invertido, desce até a interface ar-mucosa da membrana e até o arco da cricoide e volta para marcar o meio da membrana. Na técnica do colar de pérolas, parte dos anéis traqueais no plano sagital e sobe até a cricoide, maior e mais superficial.

Quais medidas do ultrassom predizem via aérea difícil?

A apostila resume espessura da língua acima de 6,1 cm, distância hiomental abaixo de 4,0 a 5,29 cm, razão da distância hiomental abaixo de 1,21 a 1,23 e distância pele-epiglote de 2,54 cm ou mais. A distância da pele às cordas vocais tem literatura controversa. O material avisa que a evidência ainda não sustenta essas medidas como triagem padrão na população cirúrgica.

Como o ultrassom confirma a intubação traqueal?

Com o transdutor transversal na fúrcula esternal, a passagem do tubo gera o sinal da tempestade de neve; na intubação esofágica, aparece o sinal do duplo trato. Em adultos, o ultrassom transtraqueal tem sensibilidade de 99% e especificidade de 97%. A intubação seletiva é identificada pelo lung sliding, pela excursão diafragmática e pelo lung pulse, e o balonete entre o segundo e o oitavo anel traqueal indica profundidade adequada.

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