Apostila gratuita · 57 páginas

Bloqueadores neuromusculares: succinilcolina, TOF e reversão

Junção neuromuscular e receptores, succinilcolina com bloqueio de fase II, número de dibucaína e hipercalemia, adespolarizantes com DE95, Hofmann e doses, TOF, dupla salva e PTC, bloqueio diferencial e reversão com neostigmina e sugamadex. Sete questões comentadas.

PDF de 11,6 MB. Gratuito.

Capa da apostila Transmissão e bloqueio neuromuscular em um tablet
Formato
Apostila · 57 páginas
Área da prova
Farmacologia
Produzido por
Equipe Anest-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de bloqueadores neuromusculares cobre

Da fisiologia da junção neuromuscular à reversão, com doses, tabelas de cada bloqueador e sete quadros De olho na prova, para quem estuda para o TEA e o TSA da SBA.

  • Cada bloqueador com dose e duração

    DE95 dos adespolarizantes e dose de intubação, início de ação, duração e eliminação de atracúrio, cisatracúrio, mivacúrio, rocurônio, vecurônio e pancurônio, mais a succinilcolina com fase I, fase II e efeitos adversos.

  • TOF, PTC e graus de bloqueio

    Corrente supramáxima, modalidades quantitativas, estímulo simples, dupla salva, TOF com razão T4/T1, contagem pós-tetânica e a tabela que separa bloqueio recuperado, mínimo, superficial, moderado, profundo e completo.

  • Sete questões comentadas com gabarito

    Fisiologia da junção, hipercalemia com succinilcolina na UTI, mecanismo dos adespolarizantes, aceleromiografia, dupla salva, genioglosso e reversão do bloqueio completo com sugamadex, cada uma com comentário.

Sumário

O que tem dentro das 57 páginas

As seções na ordem da apostila, da junção neuromuscular à reversão com sugamadex.

  1. 01Resumo em 1 minuto: agentes, bloqueio diferencial, monitorização e reversão
  2. 02Junção neuromuscular, síntese e liberação de acetilcolina
  3. 03Canais de cálcio tipo P e tipo L, magnésio e síndrome de Eaton-Lambert
  4. 04Receptores nicotínicos maduros, imaturos, neuronais (α7) e pré-sinápticos (α3β2)
  5. 05Potencial de placa terminal, contração muscular e receptor de rianodina
  6. 06Acetilcolinesterase e anticolinesterásicos
  7. 07Succinilcolina: mecanismo, bloqueio de fase I e de fase II
  8. 08Pseudocolinesterase, número de dibucaína e dose pela DE95
  9. 09Efeitos adversos da succinilcolina e pré-curarização
  10. 10Bloqueadores não despolarizantes: mecanismo, fadiga, DE95 e latência
  11. 11Benzilisoquinolínicos: liberação de histamina e eliminação de Hofmann
  12. 12Aminoesteroides: rocurônio, vecurônio e pancurônio
  13. 13Monitorização: neuroestimulador, modalidades, estímulo simples e dupla salva
  14. 14TOF, contagem pós-tetânica e classificação do bloqueio
  15. 15Bloqueio diferencial e locais de monitorização
  16. 16Reversão do bloqueio neuromuscular: indicações, potencializadores, neostigmina e sugamadex
Página interna da apostila sobre Transmissão e bloqueio neuromuscular
Página da apostila: tabela dos aminoesteroides, com dose de intubação, início de ação, duração e eliminação, e um quadro De olho na prova com gabarito.

Quais são os tipos de bloqueadores neuromusculares?

Os bloqueadores neuromusculares se dividem em despolarizantes e não despolarizantes. O despolarizante é a succinilcolina, que age como agonista do receptor nicotínico. Os não despolarizantes são antagonistas competitivos e formam duas classes: benzilisoquinolínicos (atracúrio, cisatracúrio e mivacúrio) e aminoesteroides (rocurônio, vecurônio e pancurônio), de duração curta, intermediária ou longa.

A succinilcolina é hidrolisada no plasma pela pseudocolinesterase, e só 10% da dose chega à junção. A despolarização sustentada deixa inativados os canais de sódio perijuncionais e gera o bloqueio de fase I, com fasciculações em 80-90% dos pacientes. Com 1 mg/kg, a transmissão some em até 60 segundos; a ventilação espontânea volta em cerca de 5 minutos e 90% da força, em 9 a 13 minutos.

A succinilcolina eleva o potássio em 0,5 a 1 mEq/L, mas a proliferação de receptores imaturos e α7 pode causar hipercalemia fatal. Fica contraindicada quando esses receptores proliferam: denervação após 48 a 72 horas, grande queimado a partir de 24 horas, trauma extenso após 72 horas e imobilização prolongada; o Miller recomenda evitá-la no paciente de terapia intensiva imobilizado há mais de 24 horas. Também é gatilho clássico de hipertermia maligna.

Os não despolarizantes bloqueiam também o receptor pré-sináptico α3β2, o que explica a fadiga no TOF. Quanto menor a potência, menor a latência: o rocurônio, o menos potente dos adespolarizantes em uso, chega rápido à junção e, com 4 vezes a DE95, serve para sequência rápida. Atracúrio e cisatracúrio sofrem eliminação de Hofmann e praticamente não dependem de fígado e rim.

A extubação segura exige razão T4/T1 de 0,9 ou mais no adutor do polegar, um dos últimos músculos a recuperar. A neostigmina tem efeito teto e só reverte com as quatro respostas do TOF presentes, associada à atropina; o sugamadex encapsula rocurônio e vecurônio e reverte qualquer profundidade, com 2, 4 ou 16 mg/kg.

Página da apostila Transmissão e bloqueio neuromuscular

Comparativo

Classificação do bloqueio neuromuscular pelo TOF e pela PTC

Os seis graus de bloqueio da apostila, com a contagem e a razão do TOF, a contagem pós-tetânica e o reversor indicado em cada um.

Classificação do bloqueio e doses de neostigmina e sugamadex reunidas das tabelas da apostila; a neostigmina exige as quatro respostas do TOF. Fonte: apostila Anest-Review, “Transmissão e bloqueio neuromuscular”.
Grau do bloqueioContagem do TOFRazão T4/T1PTCReversão na apostila
Recuperado4≥ 0,9Não se aplicaSem reversão; extubação segura
Mínimo40,4 a 0,9Não se aplicaNeostigmina 15 a 30 mcg/kg com atropina ou sugamadex 2 mg/kg
Superficial4< 0,4Não se aplicaNeostigmina 40 a 50 mcg/kg com atropina ou sugamadex 2 mg/kg
Moderado1 a 30Não se aplicaSugamadex 2 mg/kg a partir da 2ª resposta do TOF; neostigmina só com as quatro respostas
Profundo00≥ 1Sugamadex 4 mg/kg; neostigmina não deve ser usada, pelo efeito teto
Completo000Sugamadex 16 mg/kg com rocurônio, na reversão imediata logo após a injeção; sem dose definida para o vecurônio

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o bloqueio neuromuscular, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da escolha do bloqueador à extubação.

  1. Cheque as contraindicações da succinilcolina

    Afaste denervação, grande queimado, trauma extenso, imobilização prolongada, miopatias e suscetibilidade à hipertermia maligna. A dose de sequência rápida é de 1 a 1,5 mg/kg, pelo peso corporal total, inclusive no obeso. Em crianças pequenas, com uso reservado à intubação de emergência, a dose sobe para 2 a 3 mg/kg.

  2. Escolha o adespolarizante pelo paciente

    Na disfunção hepática ou renal, prefira atracúrio e cisatracúrio, pela eliminação de Hofmann; o cisatracúrio não libera histamina. Para sequência rápida sem succinilcolina, use rocurônio com 4 vezes a DE95. O pancurônio depende do rim e causa taquicardia e hipertensão.

  3. Monte o neuroestimulador

    Posicione os eletrodos no trajeto do nervo ulnar, o negativo distal a cerca de 1 cm da prega do punho e o positivo de 3 a 6 cm proximal. Use corrente constante e supramáxima, acima da que despolariza todas as fibras do nervo, e calibre após a hipnose e antes do bloqueador.

  4. Classifique pelo TOF e pela PTC

    São quatro estímulos a 2 Hz. Sem resposta, o bloqueio é profundo ou completo, separados pela PTC; com uma a três respostas, moderado; com quatro, use a razão T4/T1. Em cirurgias que exigem imobilidade, o alvo de manutenção é de 1 a 3 respostas na PTC.

  5. Considere o bloqueio diferencial

    Diafragma, laringe e corrugador do supercílio são bloqueados e se recuperam primeiro; adutor do polegar e faringe, por último. O corrugador orienta a intubação, o adutor do polegar autoriza a extubação, e a monitorização pelo nervo facial pode não detectar bloqueio residual.

  6. Procure o que potencializa o bloqueio

    Magnésio, hipocalemia, hipocalcemia, hipernatremia, acidose, hipotermia, idade avançada, inalatórios, aminoglicosídeos, clindamicina e miastenia gravis prolongam o bloqueio. O tempo desde a última dose não garante recuperação: sem monitorização, o bloqueio residual na recuperação pode chegar a 60%.

  7. Reverta pelo grau do bloqueio

    Com as quatro respostas do TOF, neostigmina com atropina. Com rocurônio ou vecurônio, sugamadex de 2 mg/kg a partir da 2ª resposta e 4 mg/kg no bloqueio profundo; 16 mg/kg só com rocurônio, na reversão imediata. Extube com razão T4/T1 de 0,9 ou mais.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre bloqueadores neuromusculares, TOF e reversão

Qual a diferença entre bloqueio de fase I e de fase II da succinilcolina?

O bloqueio de fase I é o clássico: despolarização inicial com fasciculações e paralisia flácida curta, sem fadiga no TOF. O de fase II se parece com o dos adespolarizantes: mais prolongado, sem despolarização inicial e com fadiga. Aparece com doses muito altas, doses repetidas em curto intervalo, infusões prolongadas ou pseudocolinesterase atípica ou deficiente.

O que é o número de dibucaína?

É a porcentagem da pseudocolinesterase inibida pela dibucaína, usada para identificar variantes genéticas da enzima. No homozigoto típico, fica entre 70 e 80, com resposta normal à succinilcolina; no heterozigoto atípico, entre 50 e 60, com bloqueio prolongado em 50% a 100%; no homozigoto atípico, entre 20 e 30, com bloqueio de 4 a 8 horas.

O que é o train of four (TOF) na anestesia?

É a sequência de quatro estímulos a 2 Hz aplicada ao nervo, que gera as respostas T1 a T4. Com adespolarizantes, T4 fica menor que T1 pela fadiga, causada pelo bloqueio do receptor pré-sináptico α3β2. A razão T4/T1 de 0,9 ou mais indica recuperação e permite extubar; a avaliação só tátil ou visual falha quando a razão está entre 0,4 e 0,9.

Qual a dose de sugamadex para reverter o rocurônio?

Depende da profundidade do bloqueio: 2 mg/kg no reaparecimento da 2ª resposta do TOF, 4 mg/kg quando só há respostas pós-tetânicas e 16 mg/kg para reversão imediata logo após o rocurônio, útil no cenário não intubo, não oxigeno. As doses do vecurônio são as mesmas, exceto no bloqueio completo. O sugamadex não reverte benzilisoquinolínicos nem succinilcolina.

Quando usar neostigmina para reverter o bloqueio neuromuscular?

Só com sinais avançados de recuperação espontânea, classicamente as quatro respostas do TOF presentes, porque o efeito teto impede reverter bloqueio profundo e pode piorar a paralisia. Reverte aminoesteroides e benzilisoquinolínicos, leva de 15 a 20 minutos para a recuperação completa e exige atropina contra bradicardia, broncoespasmo e hipersecreção. Não reverte a succinilcolina.

Por que a succinilcolina causa hipercalemia?

A despolarização faz o potássio sair das fibras musculares e eleva a concentração em 0,5 a 1 mEq/L, aumento bem tolerado pela maioria. Com proliferação de receptores imaturos e α7, como na denervação, no grande queimado a partir de 24 horas, no trauma extenso e na imobilização prolongada, a saída de potássio é maciça e pode levar à parada cardíaca.

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  • UFMGDr. Marcello Albuquerque

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    Dr. Marcello Albuquerque

    Anestesiologista pelo IPSEMG. Instrutor do HC-UFMG. Mestrado pela UFMG.

  • UFMGDr. Rafael Queiroz

    TSA/SBA

    Dr. Rafael Queiroz

    Médico pela UFMG. Especialista em Anestesiologia pelo CET – GAAP Hospital São Camilo.

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    Dra. Iara Teixeira

    Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Dra. Mariana Mozzaquatro

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    Dra. Mariana Mozzaquatro

    Anestesista com formação no SANE-POA. Pós-graduada em anestesia para cirurgia de alta complexidade (Hospital Albert Einstein).

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    Dr. Felipe Rodrigues

    Médico pela UNESP. Anestesiologista pela USP.

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    TSA/SBA

    Dr. Felipe Medeiros

    Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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    Dra. Larissa Martins

    Anestesiologista pela Santa Casa de BH. Instrutora do SAVA/SBA e do ACLS/AHA. Pós em Clínica da Dor (IPEMED).

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    Dra. Caroline Loz da Rosa

    Anestesiologista pelo HC-Porto Alegre.

  • UFMGDr. Davi Brasil Khouri

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    Dr. Davi Brasil Khouri

    Residência em Anestesiologia pelo HC-UFMG.

  • Dra. Laura Tassis

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    Dra. Laura Tassis

    Médica pela Faculdade de Ciências Médicas de Ipatinga. Anestesiologista pelo Hospital Márcio Cunha.

  • Dra. Patrícia Grobe

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    Dra. Patrícia Grobe

    Anestesiologista do Serviço de Anestesiologia de Joinville. Instrutora do CET/SBA Renato A. C. Castro.

  • PUC-PRDra. Patrícia Kreling

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    Dra. Patrícia Kreling

    CET Hospital Cajuru — PUC/PR.

  • UFMGDr. Francisco Biagio

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    Dr. Francisco Biagio

    Médico pela UFMG. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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    Dra. Mayara Araújo

    Médica pela UFSJ. Anestesiologia pelo IPSEMG.

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