Autonomia da zona glomerulosa e hiperaldosteronismo hiporreninêmico, hipertensão resistente com hipocalemia e onda U, rastreio pela relação aldosterona/renina, teste de sobrecarga salina, TC e cateterismo de veias adrenais, adrenalectomia unilateral e espironolactona. Três questões comentadas: UERJ 2019, SUS/SP 2026 e SCMBH 2022.
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Para que serve
Da fisiologia do SRAA à escolha entre cirurgia e espironolactona, para a causa mais comum de hipertensão secundária refratária na prova de residência.
Rastreio pela relação aldosterona/renina acima de 30, confirmação pelo teste de sobrecarga salina sem queda da aldosterona e lateralidade por TC e cateterismo de veias adrenais.
Adenoma unilateral vai para adrenalectomia unilateral completa por laparoscopia; hiperplasia bilateral, para espironolactona, ou eplerenona se houver efeitos antiandrogênicos.
UERJ 2019, sobre o ECG da hipocalemia, SUS/SP 2026, sobre o algoritmo diagnóstico, e SCMBH 2022, sobre o manejo do aldosteronoma, com gabarito e comentário.
Sumário
Da fisiopatologia à conduta, na ordem do algoritmo.
Hiperaldosteronismo primário é a produção autônoma de aldosterona pela zona glomerulosa, independente da angiotensina II. A apostila atribui 70% dos casos à hiperplasia bilateral e 30% ao adenoma produtor de aldosterona, a síndrome de Conn.
Com volume expandido e pressão alta, o rim para de produzir renina. A marca da doença é o hiperaldosteronismo hiporreninêmico: aldosterona alta com renina suprimida. No hiperaldosteronismo secundário, como na estenose de artéria renal, a renina está alta.
A aldosterona age no túbulo contorcido distal e no ducto coletor, reabsorvendo sódio e água e excretando potássio e hidrogênio. Daí a hipertensão resistente, a hipocalemia com fraqueza proximal, cãibras, poliúria e polidipsia, e a alcalose metabólica. No ECG, a hipocalemia grave achata ou inverte a onda T, aumenta o QT e faz surgir onda U.
Na triagem, a maioria dos pacientes tem potássio normal. Por isso a apostila orienta rastrear todo paciente com hipertensão resistente, hipertensão com incidentaloma adrenal ou hipertensão de início precoce, mesmo com eletrólitos normais.
Comparativo
A dupla aldosterona e renina separa o hiperaldosteronismo primário dos diferenciais que a apostila cita.
| Situação | Aldosterona | Renina | Pista na prova |
|---|---|---|---|
| Hiperaldosteronismo primário | Alta | Suprimida | Relação aldosterona/renina acima de 30 e teste salino sem queda da aldosterona |
| Hiperaldosteronismo secundário, como na estenose de artéria renal | Alta | Alta | Raramente dá hipocalemia tão grave a ponto de gerar onda U proeminente |
| Síndrome de Liddle | Suprimida | Suprimida | Canais de sódio renais hiperativos: hipertensão e hipocalemia com aldosterona baixa |
| Insuficiência adrenal primária | Baixa | Alta | Hipoaldosteronismo hiperreninêmico, com hipovolemia e hipercalemia |
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Na prática
O algoritmo da apostila, da suspeita à conduta.
Hipertensão resistente, hipertensão com incidentaloma adrenal ou de início precoce entram no rastreio, com ou sem hipocalemia. Jovem com hipertensão grave, hipocalemia espontânea e onda U no ECG é o retrato clássico de prova.
Dose aldosterona e atividade de renina plasmática juntas. Aldosterona acima de 10 a 15 ng/dL com renina abaixo de 1 ng/mL/h e relação acima de 30, ou 20 conforme o laboratório, é rastreio positivo. A espironolactona deve ser suspensa 4 a 6 semanas antes.
Infunda 2 litros de soro fisiológico 0,9% IV em 4 horas: se a aldosterona não cair, a autonomia está provada. Fludrocortisona, captopril e furosemida são testes alternativos. Em jovem com quadro clínico e bioquímico exuberante, o teste pode ser pulado.
A TC de abdome é o primeiro exame, mas o cateterismo de veias adrenais é o padrão-ouro, com o gradiente de cortisol confirmando a canulação. Pode ser dispensado no paciente com menos de 35 anos, quadro exuberante, nódulo unilateral e adrenal contralateral normal.
Adrenalectomia unilateral completa por laparoscopia, nunca a simples enucleação, pelo risco de persistência ou recidiva. No pré-operatório, a espironolactona controla a pressão e normaliza o potássio.
A espironolactona é a escolha. Se houver ginecomastia, disfunção erétil, irregularidade menstrual ou mastalgia, troque pela eplerenona, mais seletiva. Depois do tratamento, a recuperação da renina pode demorar e exige acompanhamento.
Perguntas frequentes
É o excesso de aldosterona. No primário, a adrenal produz aldosterona de forma autônoma e a renina fica suprimida; no secundário, como na estenose de artéria renal, a renina está alta. A apostila trata do primário, causado por hiperplasia bilateral ou por adenoma, a síndrome de Conn.
Hipertensão resistente e, pela perda de potássio, fraqueza muscular proximal, astenia, cãibras, poliúria e polidipsia, com alcalose metabólica. Na hipocalemia grave, o ECG mostra onda T achatada ou invertida, QT aumentado e onda U. A maioria dos pacientes, porém, tem potássio normal na triagem.
No laboratório, aldosterona alta com renina suprimida, o hiperaldosteronismo hiporreninêmico. Na clínica, hipertensão resistente com hipocalemia espontânea. Na UERJ 2019 da apostila, o achado foi um jovem com hipertensão de difícil controle, fraqueza proximal, CPK elevada e onda U no ECG.
Divide-se a aldosterona plasmática pela atividade de renina plasmática, colhidas juntas. Com aldosterona acima de 10 a 15 ng/dL e renina abaixo de 1 ng/mL/h, a relação acima de 30, ou 20 conforme o laboratório, é rastreio positivo. O diagnóstico ainda depende do teste confirmatório.
Na doença bilateral, em que a cirurgia é contraindicada, e no pré-operatório do adenoma, para controlar pressão e potássio. Ela bloqueia o receptor mineralocorticoide, mas também receptores de andrógeno e progesterona; com efeitos antiandrogênicos, troca-se pela eplerenona. Antes do rastreio, deve ser suspensa por 4 a 6 semanas.
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Oftalmologia
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Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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