Fatores de risco, rastreamento do Ministério da Saúde e da FEBRASGO, tomossíntese, classificação BI-RADS com a conduta de cada categoria, biópsia, lesões precursoras, subtipos moleculares e tratamento. Cinco questões comentadas, entre elas HCPA 2022 e ENARE 2021.
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Para que serve
Do rastreamento da mulher assintomática ao tratamento sistêmico, com as pegadinhas de banca de cada etapa.
Cada categoria com o risco de malignidade e a conduta: complementação no 0, controle semestral por até 3 anos no 3 e biópsia histológica no 4 e no 5, com as subdivisões 4A, 4B e 4C.
Ministério da Saúde (bienal, 50 a 74 anos) contra FEBRASGO, SBM e CBR (anual, 40 a 74), tomossíntese nas mamas densas e RM anual a partir dos 25 anos no alto risco.
HCPA 2022, ENARE 2021, USP-RP 2024 e SES-PE 2023, além de uma questão autoral sobre tomossíntese, com gabarito e comentário das alternativas.
Sumário
Na ordem da apostila, do fator de risco à escolha do tratamento sistêmico.
A classificação BI-RADS padroniza o laudo da mamografia em categorias de 0 a 6, cada uma com uma conduta. BI-RADS 0 é inconclusivo e pede complementação; 1 e 2 seguem o rastreamento de rotina; 3 é provavelmente benigno, com controle semestral; 4 e 5 exigem biópsia histológica; 6 é malignidade já confirmada.
O BI-RADS 3 reúne lesões com risco de malignidade inferior a 2%, como nódulo sólido circunscrito sem calcificações ou cisto espesso. A conduta é controle de imagem semestral por até 3 anos; se a lesão fica estável por 2 a 3 anos, é reclassificada como BI-RADS 2. Na questão ENARE 2021 da apostila, a alternativa correta define a categoria 3 como provavelmente benigna; a categoria 2 é benigna, e não exame normal.
A agulha depende da lesão. A PAAF colhe só citologia e não avalia invasão nem permite imuno-histoquímica. A core biopsy, com agulha 14G, é o padrão-ouro para nódulo sólido suspeito. Microcalcificações pleomórficas agrupadas vão para mamotomia guiada por estereotaxia; nódulo sólido endurecido, para core biopsy guiada por ultrassonografia.
No risco habitual, o Ministério da Saúde e o INCA indicam mamografia bienal dos 50 aos 74 anos; FEBRASGO, SBM e CBR, anual dos 40 aos 74, porque mais de 40% dos casos no Brasil ocorrem antes dos 50. Autoexame não é rastreamento, e ultrassonografia ou RM isoladas não substituem a mamografia. No alto risco, RM anual a partir dos 25 anos e mamografia anual a partir dos 30.
HDA em biópsia percutânea exige setorectomia, pela subestimação de 15-30% (até 50% em alguns estudos), e quimioprevenção. HLA e CLIS clássico admitem seguimento com quimioprevenção; pela 8ª edição do AJCC, o CLIS clássico saiu do pTis e virou marcador de risco. O CDIS pede ressecção com margens de 2 mm ou mais, radioterapia e hormonioterapia; na cirurgia conservadora não há sentinela de rotina, que fica para a mastectomia e o CDIS de alto grau.
Comparativo
As sete categorias da escala BI-RADS com o significado, o risco ou exemplo típico e a conduta que a prova espera.
| Categoria | Significado | Risco ou exemplo | Conduta |
|---|---|---|---|
| BI-RADS 0 | Inconclusivo | Exame insuficiente ou incompleto | Complementação imediata: compressão localizada, ampliação ou ultrassonografia |
| BI-RADS 1 | Normal | Nenhuma alteração | Rastreamento de rotina pela faixa etária |
| BI-RADS 2 | Benigno | Cisto simples, fibroadenoma calcificado em pipoca, linfonodo intramamário | Rastreamento de rotina |
| BI-RADS 3 | Provavelmente benigno | Risco < 2%; nódulo sólido circunscrito sem calcificações, cisto espesso | Controle semestral por até 3 anos; estável por 2 a 3 anos, vira BI-RADS 2 |
| BI-RADS 4 | Suspeito | 4A: 2-10%; 4B: 11-50%; 4C: 51-95% | Biópsia histológica obrigatória |
| BI-RADS 5 | Altamente suspeito | Risco > 95%; nódulo denso espiculado com retração cutânea | Biópsia histológica imediata |
| BI-RADS 6 | Malignidade comprovada | Câncer já confirmado por biópsia prévia | Seguir com a terapêutica oncológica |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da revisão final da apostila: rastrear, ler o BI-RADS, biopsiar, classificar e tratar.
Risco habitual: Ministério da Saúde indica mamografia bienal dos 50 aos 74 anos, e FEBRASGO, SBM e CBR, anual dos 40 aos 74. Alto risco (BRCA1/2, irradiação torácica antes dos 30 anos, risco ao longo da vida acima de 20%): RM anual a partir dos 25 anos e mamografia anual a partir dos 30.
Mama densa derruba a sensibilidade da mamografia de 70-88% para 30% a 48%. A tomossíntese, sempre combinada à mamografia 2D padrão ou sintetizada, aumenta a detecção e reduz reconvocações. Ultrassonografia ou RM isoladas não servem de rastreamento de rotina no risco habitual.
BI-RADS 0 pede complementação imediata; 1 e 2 voltam ao rastreamento de rotina; 3 segue com controle semestral por até 3 anos; 4 e 5 vão para biópsia histológica; 6 segue para o tratamento oncológico. Marcar repetição em 6 meses no BI-RADS 0 é pegadinha clássica.
Nódulo sólido suspeito: core biopsy com agulha 14G guiada por ultrassonografia. Microcalcificações suspeitas: mamotomia (9G a 11G) guiada por estereotaxia. PAAF só dá citologia e fica para cisto sintomático, coleções e linfonodo axilar. Distorção vista só na tomossíntese: tomobiópsia.
HDA na biópsia percutânea vai para setorectomia, com quimioprevenção. HLA e CLIS clássico admitem seguimento com quimioprevenção; CLIS florido ou pleomórfico pede excisão com margem negativa. CDIS: ressecção com margens de 2 mm ou mais, radioterapia adjuvante e hormonioterapia.
A imuno-histoquímica com RE, RP, HER2 e Ki-67 define o subtipo molecular. Cirurgia conservadora cabe em tumor menor que 3,5 cm e abaixo de 20% do volume mamário, sempre com radioterapia adjuvante. Axila clinicamente negativa: linfonodo sentinela; axila positiva: linfadenectomia axilar.
Quimioterapia neoadjuvante no carcinoma inflamatório, no triplo-negativo acima de 1,0 cm, no HER2-positivo acima de 2,0 cm e na axila positiva. Receptor hormonal positivo: tamoxifeno na pré-menopausa ou inibidor de aromatase na pós. HER2-positivo: trastuzumabe por 1 ano.
Perguntas frequentes
Controle de imagem semestral por até 3 anos. O BI-RADS 3 reúne lesões provavelmente benignas, com risco de malignidade inferior a 2%, como nódulo sólido circunscrito sem calcificações ou cisto espesso. Se a lesão fica estável por 2 a 3 anos, é reclassificada como BI-RADS 2. Indicar biópsia imediata ou exérese de rotina antes do seguimento semestral é a pegadinha de prova.
O BI-RADS 4 cobre risco de malignidade de 2% a 95% e se divide em 4A (baixa suspeita, 2-10%), 4B (moderada suspeita, 11-50%) e 4C (alta suspeita, 51-95%). A conduta é a mesma nas três: investigação histológica obrigatória por biópsia, com core biopsy para nódulo sólido e mamotomia para microcalcificações.
O BI-RADS 5 indica lesão altamente suspeita, com probabilidade de malignidade acima de 95%, como nódulo denso espiculado com retração cutânea, e pede biópsia histológica imediata. O BI-RADS 6 é a malignidade comprovada: câncer já confirmado por biópsia, em exame feito para estadiamento ou planejamento cirúrgico ou neoadjuvante. A conduta no 6 é seguir com o tratamento oncológico.
Modificáveis: obesidade na pós-menopausa, sedentarismo, álcool (dose-dependente), tabagismo e radiação torácica na juventude. Reprodutivos: menarca antes dos 12 anos, menopausa após os 55, nuliparidade, primeira gestação tardia e ausência de amamentação. Genéticos: BRCA1, BRCA2, Li-Fraumeni, Cowden e Peutz-Jeghers. Na questão HCPA 2022 da apostila, a resposta é nuliparidade e consumo regular de álcool.
O Ministério da Saúde e o INCA indicam mamografia bienal dos 50 aos 74 anos no risco habitual, com exame clínico anual a partir dos 40 e decisão individualizada entre 40 e 49. FEBRASGO, SBM e CBR indicam mamografia anual dos 40 aos 74, porque mais de 40% dos casos no Brasil ocorrem antes dos 50. Acima dos 75, o rastreamento segue se a expectativa de vida for de 7 anos ou mais.
A imuno-histoquímica (receptor de estrogênio, receptor de progesterona, HER2 e Ki-67) separa luminal A, luminal B, luminal HER2-positivo, HER2-superexpresso e triplo-negativo. Cerca de 80% dos tumores ligados ao BRCA1 são triplo-negativos, e cerca de 75% dos ligados ao BRCA2 são luminais. HER2 2+ é duvidoso e pede FISH ou CISH.
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Cirurgia Geral
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Medicina Preventiva
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