Fosseta loreal, cauda e falsas corais, as ações de cada veneno, o tempo de coagulação, a classificação do botrópico por segmentos do membro, a síndrome vagal do laquético, a fácies miastênica e a IRA do crotálico, a neurotoxicidade pura da coral e o teste da neostigmina, as doses de soro pela gravidade e as condutas que não se fazem. Seis questões comentadas, entre elas UFRJ/RJ 2023 e UFG/GO 2025.
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Para que serve
Da identificação da serpente à dose do soro, com as quatro síndromes que a banca cobra.
SABR no botrópico com 3, 6 ou 12 ampolas, SABL no laquético com 10 ou 20, SAC ou SABC no crotálico com 5, 10 ou 20 e SAELA no elapídico com 5 ou 10.
No botrópico, o membro é dividido em três segmentos e a extensão de dor e edema, somada a choque, IRA ou hemorragia grave, define leve, moderado ou grave.
UFCG/PB 2014, HSD/MA 2020, HIAE/SP 2021, UFRJ/RJ 2023 e UFG/GO 2025, sobre síndrome vagal, crotálico, coral, primeiros socorros e IRA, com gabarito e comentário.
Sumário
Da identificação da serpente às condutas incorretas, na ordem em que a apostila ensina.
Acidente ofídico é o envenenamento pela picada de serpente peçonhenta. No Brasil, a fauna de interesse médico se resume a quatro gêneros e quatro síndromes clínicas: botrópica (Bothrops, a jararaca), laquética (Lachesis, a surucucu), crotálica (Crotalus, a cascavel) e elapídica (Micrurus, a coral verdadeira). O diagnóstico é primariamente clínico, e o tratamento específico é o soro antiveneno, na dose definida pela gravidade.
O acidente botrópico é, de longe, o mais frequente. Os acidentes predominam na população rural, em homens na faixa economicamente ativa, e a maior parte das picadas atinge pés e pernas. Os três gêneros da família Viperidae têm fosseta loreal, um orifício entre o olho e a narina; a coral verdadeira não tem, e as falsas corais imitam sua coloração, por isso o acidente elapídico se diagnostica pela clínica.
Cada veneno define um quadro. O botrópico é proteolítico, coagulante e hemorrágico: dor, edema progressivo, bolhas e sangue incoagulável. O laquético repete esse quadro e acrescenta a síndrome vagal. O crotálico é neurotóxico, miotóxico e coagulante, com pouca dor local, fácies miastênica, mialgia e urina escura. O elapídico é neurotóxico puro, com risco de paralisia respiratória.
A dose do soro é a mesma para adultos e crianças, independentemente do peso, e se baseia apenas na gravidade clínica. A via preferencial é a intravenosa, e torniquete e corte no local da picada são contraindicados.
Comparativo
Ação do veneno, quadro clínico e soroterapia mudam com o gênero. A tabela junta o que a apostila usa para diferenciar e tratar.
| Acidente | Ações do veneno | Quadro que define | Soro e ampolas |
|---|---|---|---|
| Botrópico (jararaca) | Proteolítica, coagulante e hemorrágica | Dor, edema progressivo, bolhas, sangramento e tempo de coagulação alterado | SABR: 3 no leve, 6 no moderado e 12 no grave |
| Laquético (surucucu) | Proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurotóxica vagal | Quadro botrópico-símile com hipotensão, bradicardia, diarreia e cólicas | SABL: 10 no moderado e 20 no grave; não existe forma leve |
| Crotálico (cascavel) | Neurotóxica, miotóxica e coagulante discreta | Pouca dor local, fácies miastênica, mialgia e urina escura | SAC ou SABC: 5 no leve, 10 no moderado e 20 no grave |
| Elapídico (coral verdadeira) | Neurotóxica pura | Ptose, oftalmoplegia, disfagia e risco de paralisia respiratória | SAELA: 5 no moderado e 10 no grave |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do local do acidente à prevenção da IRA e da paralisia respiratória.
Remova o paciente do perigo, limpe o local com água e sabão, eleve o membro, retire anéis e pulseiras e transporte rápido para o serviço de referência. Não faça torniquete, não corte nem perfure o local e não aplique pó de café, querosene, álcool ou plantas. Não se recomenda capturar ou matar a serpente; fotografe a distância segura.
Fosseta loreal presente indica Viperidae: Bothrops com cauda lisa, Crotalus com guizo e Lachesis com escamas eriçadas. A coral verdadeira não tem fosseta loreal, mas as falsas corais também não, e a coloração pode ser idêntica: o acidente elapídico se confirma pela clínica.
Quadro local exuberante com coagulopatia aponta para o botrópico; o mesmo quadro com hipotensão, bradicardia e diarreia, para o laquético. Pouca dor com ptose, diplopia, mialgia e urina escura é crotálico; neurotoxicidade sem miotoxicidade é elapídico. O tempo de coagulação fica prolongado acima de 10 minutos e incoagulável acima de 30.
No botrópico, conte os segmentos do membro com dor e edema: um é leve, dois é moderado, três ou choque, IRA ou hemorragia grave é grave. Todo laquético é ao menos moderado. No crotálico, a IRA define o grave; no elapídico, ptose e queda de força sem paralisia são moderado, e paralisia evidente, disfagia e respiração superficial são grave.
Via intravenosa, ou intraóssea sem acesso venoso oportuno, na mesma dose para adulto e criança, mesmo após alimentação e sem pré-medicação com anti-histamínico ou corticoide. No botrópico, se o tempo de coagulação continuar alterado 24 horas depois do soro, dê mais duas ampolas.
No crotálico, hidrate para manter fluxo urinário de 1 a 2 mL/kg/h na criança e 30 a 40 mL/h no adulto e alcalinize a urina com bicarbonato até pH acima de 6,5. No elapídico, priorize o suporte ventilatório e, no veneno pós-sináptico, faça o teste da neostigmina, sempre precedida de atropina. No botrópico, antibiótico só com infecção local.
Perguntas frequentes
Pela clínica, que separa as quatro síndromes: dor, edema e sangramento no botrópico, o mesmo quadro com síndrome vagal no laquético, pouca dor com ptose, mialgia e urina escura no crotálico e neurotoxicidade pura no elapídico. Se a serpente foi vista, a fosseta loreal separa as Viperidae da coral verdadeira, e a cauda ajuda: lisa na jararaca, com guizo na cascavel e eriçada na surucucu.
Remover o paciente da área de perigo, limpar o local com água e sabão, elevar o membro, retirar anéis e pulseiras e levá-lo rápido ao serviço que faz soroterapia. Torniquete, corte ou perfuração do local e substâncias como pó de café, querosene ou álcool pioram o quadro e aumentam o risco de infecção, necrose e síndrome compartimental.
É o soro antiveneno, feito de imunoglobulinas heterólogas, em geral de origem equina, que neutralizam o veneno circulante. Deve ser dado o mais cedo possível, de preferência por via intravenosa, e a dose depende só da gravidade clínica, igual para adulto e criança. Reações de hipersensibilidade são cada vez mais raras, e a pré-medicação com anti-histamínico ou corticoide não é preconizada.
Cada síndrome tem seu soro. O botrópico usa o antibotrópico (SABR), e o laquético, o antibotrópico-laquético (SABL). O crotálico usa o anticrotálico (SAC) ou o antibotrópico-crotálico (SABC), e o elapídico, o antielapídico (SAELA). Por isso a identificação da síndrome clínica orienta a escolha do antiveneno.
Pode matar: o acidente crotálico é o segundo mais letal, embora responda por uma parcela pequena dos acidentes ofídicos. A principal complicação e causa de óbito é a insuficiência renal aguda por necrose tubular, consequência da rabdomiólise, e a segunda complicação mais frequente é a insuficiência respiratória. Por isso, além do soro, a prioridade é prevenir a IRA com hidratação e alcalinização da urina.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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