Enterormônios, critérios de indicação do CFM, cirurgia metabólica no IMC de 30 a 34,9, contraindicações, balão intragástrico, sleeve, bypass em Y de Roux e duodenal switch, fístula e o sinal da taquicardia, sangramento e TEP, dumping precoce e tardio, hérnia de Petersen, deficiências nutricionais e Wernicke. Questões comentadas, entre elas HSL 2024 e USP 2020.
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Para que serve
Da indicação pela resolução do CFM às complicações tardias, com o raciocínio que a banca usa para escolher a técnica.
IMC a partir de 40 com indicação direta, de 35 a 39,9 com comorbidade agravada pela obesidade e de 30 a 34,9 na cirurgia metabólica, sempre após falha comprovada do tratamento clínico.
O sleeve preserva antro e piloro e derruba a grelina; o bypass é a escolha no DM2 grave e na DRGE severa. Esofagite erosiva grave e esôfago de Barrett contraindicam o sleeve.
HSL 2024, sobre a escolha da técnica na paciente com refluxo Los Angeles C e diabetes, e USP 2020, sobre taquicardia no 3º dia de pós-operatório, com gabarito e comentário.
Sumário
Da fisiologia da obesidade ao seguimento nutricional, na ordem em que a apostila ensina.
Síndrome de dumping é o conjunto de sintomas causado pela chegada abrupta de quimo hiperosmolar, rico em carboidratos simples, ao intestino delgado proximal depois de uma cirurgia que altera ou remove o mecanismo pilórico de esvaziamento gástrico. É uma das complicações tardias mais cobradas da cirurgia bariátrica, frequente sobretudo após o bypass gástrico em Y de Roux.
O dumping precoce aparece de 15 a 30 minutos após a refeição. O quimo hiperosmolar puxa líquido do compartimento intravascular para a luz intestinal, distende a alça e libera peptídeos vasoativos, como serotonina e bradicinina. O quadro soma sintomas gastrointestinais, como cólica, náuseas, borborigmos e diarreia explosiva, a sintomas vasomotores: palpitação, taquicardia, rubor facial, sudorese profusa e hipotensão.
O dumping tardio aparece de 1 a 3 horas após comer. A absorção acelerada de glicose gera um pico glicêmico e uma liberação desproporcional de insulina, que continua circulando e provoca hipoglicemia reativa: sudorese fria, tremor, tontura, visão turva, confusão mental e síncope. O tratamento inicial das duas formas é dietético: fracionar as refeições, cortar carboidratos simples e não beber líquidos junto com os sólidos, esperando de 30 a 40 minutos após comer. Nos casos refratários, octreotide.
Cólica e palpitação até 30 minutos depois de comer é dumping precoce; hipoglicemia de 1 a 3 horas depois do doce é dumping tardio.
Comparativo
A banca dá o tempo de pós-operatório e um sinal clínico. A tabela junta as complicações da apostila com a conduta inicial.
| Complicação | Quando aparece | Pista na prova | Conduta |
|---|---|---|---|
| Fístula ou deiscência | Do 2º ao 5º dia | Taquicardia sustentada acima de 120 bpm, antes da febre e da dor; no sleeve, logo abaixo do ângulo de His | Estável: TC de abdome com duplo contraste; instável ou com peritonite: reoperação |
| Sangramento da linha de grampeamento | Primeiras 24 a 48 horas | Hematêmese ou melena, ou queda de hemoglobina e sangue vivo no dreno | Estável: expansão e suspensão temporária da profilaxia antitrombótica; instável: reoperação laparoscópica |
| TEP | Pós-operatório | Dispneia súbita, dor torácica pleurítica e hipoxemia | Angio-TC de tórax e anticoagulação plena |
| Dumping tardio | De 1 a 3 horas após comer | Tontura, sudorese fria e desmaio depois de um doce | Dieta: fracionar e cortar carboidratos simples |
| Hérnia interna (Petersen) | Meses a anos após o bypass | Cólica recorrente após comer ou obstrução; sinal do redemoinho na TC | Cirurgia de emergência e fechamento dos defeitos mesentéricos |
| Encefalopatia de Wernicke | Após vômitos refratários | Ataxia de marcha, confusão mental e alteração da motilidade ocular | Tiamina EV em altas doses antes de qualquer soro glicosado |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da elegibilidade pelo CFM à vigilância do pós-operatório.
É o ponto de partida obrigatório: falta de resposta aos protocolos clínicos conduzidos por equipe multidisciplinar, com concordância de que o manejo clínico isolado deixou de ser eficaz para aquela gravidade de doença.
IMC a partir de 40 tem indicação direta, com ou sem comorbidade. De 35 a 39,9, exige ao menos uma doença agravada pela obesidade que melhore com a perda de peso. A partir de 60, o paciente é elegível, mas o hospital precisa de estrutura física e equipe preparadas.
Com IMC de 30 a 34,9 e refratariedade clínica, a indicação vem de condições como DM2, doença cardiovascular grave com lesão de órgão-alvo, doença renal crônica precoce com DM2, apneia grave, doença hepática gordurosa (MASLD) com fibrose comprovada, indicação de transplante, DRGE com indicação cirúrgica ou osteoartrose grave.
A partir de 16 anos valem os critérios do adulto; de 14 a 16 incompletos, só em caráter excepcional, com IMC acima de 40 e risco iminente à vida. Contraindicam: doença ainda controlável clinicamente, abuso ativo de álcool ou drogas, gestação e incapacidade de aderir ao seguimento. Déficit cognitivo não é contraindicação absoluta.
DRGE grave, esôfago de Barrett ou DM2 grave apontam para o bypass. O sleeve serve a IMC menos elevado, extremos de idade, múltiplas aderências e a quem precisa de vigilância endoscópica futura do estômago e do duodeno. Banda gástrica e cirurgia de Scopinaro não são recomendadas pelo CFM.
Taquicardia sustentada acima de 120 bpm é fístula até prova em contrário. Toda cirurgia bariátrica exige reposição de vitaminas e minerais por toda a vida, e o paciente com vômitos recebe tiamina antes de soro glicosado.
Perguntas frequentes
A gastrectomia vertical, ou sleeve, é restritiva pura: retira a grande curvatura e o fundo, de 70% a 80% do estômago, preserva antro e piloro e não desvia o trânsito. O bypass em Y de Roux é misto: soma um pouch de cerca de 30 ml ao desvio do duodeno e do jejuno proximal, com forte efeito incretínico.
O pouch gástrico pequeno limita a ingestão, a alça alimentar leva o alimento sem contato com as secreções e a alça biliopancreática se junta a ela na anastomose jejunojejunal, onde começa a alça comum. A chegada rápida do quimo ao íleo distal eleva GLP-1 e PYY, e a melhora do DM2 aparece dias após a cirurgia, antes da perda de peso.
É a ligação cirúrgica entre dois segmentos do tubo digestivo. No bypass há duas: a gastrojejunal, entre o pouch e a alça alimentar, e a jejunojejunal, entre a alça biliopancreática e a alça alimentar. A gastrojejunal é o ponto crítico das fístulas no bypass; no sleeve, a fístula aparece na linha de grampeamento, logo abaixo do ângulo de His.
A hérnia interna é uma emergência cirúrgica. Com a perda de peso, some a gordura mesentérica que ocupava os defeitos criados no Y de Roux, e a alça de delgado pode migrar e estrangular. O atraso na conduta impõe risco crítico de necrose extensa de alça e de ressecções intestinais massivas.
Segundo as diretrizes do CFM citadas na apostila, abuso de álcool ou de drogas ilícitas ativo, não tratado ou mal controlado é contraindicação. Entram na mesma lista a gestação em curso, a obesidade ainda controlável com tratamento clínico e a incapacidade do paciente ou da rede de apoio de aderir ao seguimento.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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