Anatomia sem serosa, CEC e adenocarcinoma, disfagia progressiva, EDA com biópsia, TC, PET-CT e ecoendoscopia, TNM, ESD no T1a, esofagectomia upfront no T1b, neoadjuvância com CROSS e FLOT, paliação com stent, transtorácica e trans-hiatal, complicações do pós-operatório e classificação de Siewert na transição esofagogástrica.
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Para que serve
Dos dois tipos histológicos à escolha entre endoscopia, cirurgia e paliação, com as pegadinhas de estadiamento que a banca usa.
T1a, restrito à mucosa, tem risco de metástase linfonodal menor que 5% e vai para tratamento endoscópico; T1b, na submucosa, passa de 20% e vai para esofagectomia upfront.
Os tipos I e II da transição esofagogástrica são tratados como esôfago, com esofagectomia; o tipo III, de 2 a 5 cm abaixo da linha Z, como estômago, com gastrectomia total e D2.
Fístula traqueoesofágica contraindica a radioterapia e pede stent recoberto. No pós-operatório, fístula de anastomose cervical ou intratorácica, quilotórax e lesão do nervo laríngeo recorrente.
Sumário
Da anatomia que explica a disseminação precoce à via alimentar do paciente que vai ser operado, na ordem em que a apostila ensina.
A classificação de Siewert divide o adenocarcinoma da transição esofagogástrica em três tipos pela posição do centro do tumor em relação à linha Z. O tipo I fica entre 1 e 5 cm acima da linha Z e é o adenocarcinoma do esôfago distal, em geral vindo de um esôfago de Barrett; o tipo II, entre 1 cm acima e 2 cm abaixo, é o tumor da cárdia propriamente dita; o tipo III, entre 2 e 5 cm abaixo, é o tumor subcardial, um câncer gástrico que sobe para a transição.
A classificação decide a cirurgia porque acompanha a drenagem linfática. Os tipos I e II tendem a disseminar para os linfonodos do mediastino e são tratados como câncer de esôfago: esofagectomia subtotal com gastrectomia parcial proximal, reconstrução com tubo gástrico e linfadenectomia que inclui o mediastino inferior e os linfonodos celíacos. O tipo III dissemina para os linfonodos abdominais e é tratado como câncer gástrico: gastrectomia total com linfadenectomia D2 e reconstrução em Y de Roux.
A apostila marca o 2 como o número do estômago: centro do tumor a mais de 2 cm abaixo da linha Z já é Siewert III. O tipo II é a zona cinzenta, e a tendência é agrupá-lo com o tipo I pelo padrão de disseminação linfonodal. Na neoadjuvância, o FLOT, quimioterapia perioperatória sem radioterapia, é exclusivo do adenocarcinoma e entra especialmente nos tipos II e III.
Do tipo I ao tipo II, a cirurgia é a do esôfago; no tipo III, a do estômago.
Comparativo
A profundidade da invasão e o status linfonodal decidem entre endoscopia, cirurgia direta, neoadjuvância e paliação.
| Estadiamento | O que significa | Conduta | Pista na prova |
|---|---|---|---|
| T1a N0 | Tumor restrito à mucosa | Tratamento endoscópico: mucosectomia ou ESD | Risco linfonodal menor que 5%; a ESD só é curativa com lesão restrita à mucosa, bem diferenciada, sem invasão linfovascular e com margens livres |
| T1b N0 | Tumor atinge a submucosa | Esofagectomia upfront, sem neoadjuvância | Risco linfonodal acima de 20%; ESD com invasão de submucosa no laudo vira esofagectomia de resgate |
| T3, T4a ou N+ | Adventícia, estrutura ressecável ou linfonodo positivo | Neoadjuvância (CROSS) e esofagectomia | Esofagectomia direto em T3 ou T4 é erro comum; resposta completa na reavaliação não dispensa a cirurgia |
| T4b | Invasão de aorta, traqueia ou corpos vertebrais | Tratamento paliativo | Tosse ao engolir líquidos (fístula traqueoesofágica); rouquidão por lesão do laríngeo recorrente também aponta irressecabilidade |
| M1 | Metástase à distância, mais comum em fígado, pulmões e ossos | Tratamento paliativo | Stent para a disfagia; com fístula, radioterapia contraindicada |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da queixa de disfagia à via de acesso cirúrgico.
A disfagia do câncer é mecânica e progressiva, de sólidos para pastosos e depois líquidos; quando aparece, a luz já está reduzida em 50% a 70%. Perda de peso, odinofagia e rouquidão são sinais de alarme, e a rouquidão sugere irressecabilidade.
A endoscopia digestiva alta é o padrão-ouro: vê a lesão, mede a distância dos incisivos e permite biópsia, com pelo menos 6 a 8 fragmentos. No CEC precoce, a cromoscopia com lugol mostra as áreas neoplásicas que não coram. O esofagograma não substitui a EDA.
TC de tórax, abdome e pelve para todos. No candidato a tratamento curativo, o PET-CT é o exame de escolha e muda a conduta em até 20% a 30% dos pacientes, por achar metástases que a TC não viu.
A ecoendoscopia é o padrão-ouro do estadiamento locorregional: separa as cinco camadas da parede e permite punção aspirativa do linfonodo suspeito. A TC é cega para o T precoce.
T1a vai para ESD, T1b para esofagectomia upfront e a doença localmente avançada para neoadjuvância. O CROSS associa carboplatina, paclitaxel e radioterapia e serve para CEC e adenocarcinoma; o FLOT é só para adenocarcinoma. Não há protocolo de observação: quem respondeu à neoadjuvância vai para a cirurgia.
Tumor de terço médio ou paciente com boa condição clínica vai para a transtorácica, Ivor-Lewis ou McKeown, com linfadenectomia mediastinal completa. Tumor de terço distal ou paciente frágil ou com DPOC favorece a trans-hiatal, com menor agressão pulmonar.
Perguntas frequentes
O principal é a disfagia progressiva, que começa com sólidos, passa aos pastosos e chega aos líquidos. Somam-se perda de peso, odinofagia, rouquidão por invasão do nervo laríngeo recorrente, hipoalbuminemia e anemia. Quando os sintomas aparecem, a doença em geral já está avançada.
No carcinoma espinocelular, tabagismo e etilismo, que juntos multiplicam o risco, além de bebidas muito quentes como o chimarrão, ingestão de cáusticos, acalásia e tilose palmar e plantar. No adenocarcinoma, a escada é DRGE crônica, esôfago de Barrett, displasia e câncer, com obesidade como fator associado.
São duas doenças com o mesmo nome. O CEC predomina nos terços superior e médio, no homem de 50 a 70 anos etilista e tabagista; o adenocarcinoma fica no terço inferior, no paciente branco e obeso com pirose crônica e Barrett. Na endoscopia, a lesão costuma ser infiltrativa, ulcerada ou vegetante.
É a retirada do esôfago com os linfonodos ao redor. A cirurgia pode atravessar abdome, tórax e pescoço e reconstrói o trânsito com um tubo feito do estômago, que depende da integridade e da vascularização da grande curvatura. Vai direto para a cirurgia no T1b e, na doença localmente avançada, depois da neoadjuvância.
A transtorácica abre o tórax, nas técnicas de Ivor-Lewis ou McKeown, esta em três campos com anastomose cervical; dá visão direta e linfadenectomia completa, com mais complicações respiratórias. A trans-hiatal abre abdome e pescoço e libera o esôfago pelo hiato sem toracotomia, com dissecção às cegas e linfadenectomia torácica limitada.
A fístula de anastomose cervical drena pela ferida e costuma se resolver com abertura e curativos; a intratorácica causa mediastinite e sepse, e se suspeita dela com taquicardia, febre e dor torácica no 3º ao 5º dia. O quilotórax tem triglicerídeos acima de 110 mg/dL no dreno, e a lesão do laríngeo recorrente deixa o paciente rouco.
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
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Pediatria
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Medicina Preventiva
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Oftalmologia
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