Diarreias agudas e abordagem sindrômica, esporos e transmissão hospitalar, toxinas A e B, ribotipo 027, fatores de risco, colite pseudomembranosa, colite fulminante e íleo paralítico, carreador assintomático, algoritmo diagnóstico em duas etapas, fidaxomicina, vancomicina oral, megacólon tóxico, indicações cirúrgicas e recorrências. Oito questões comentadas, entre elas ENARE 2025 e SCMSP 2025.
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Para que serve
Do esporo no quarto do hospital à recorrência, com o que a banca cobra em diagnóstico, tratamento e controle de infecção.
Só fezes líquidas ou amolecidas, algoritmo em duas etapas com GDH ou NAAT seguido de toxinas A e B por EIA e a conduta no resultado discordante, sem teste de cura nem pesquisa de leucócitos fecais.
Fidaxomicina ou vancomicina oral por 10 dias no episódio inicial, vancomicina oral em dose alta com metronidazol intravenoso na doença fulminante, com enema de vancomicina se houver íleo, e transplante de microbiota fecal a partir da 2ª recorrência.
Entre elas ENARE 2025, SCMSP 2025, SES/RJ 2021 e UFRJ 2021, sobre diagnóstico em duas etapas, rastreio, colonização e diarreia após antibiótico, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Das diarreias agudas à recorrência, na ordem em que a apostila ensina.
Clostridioides difficile, o antigo Clostridium difficile, é um bacilo gram-positivo, anaeróbio estrito e formador de esporos, apontado pela apostila como a causa mais comum de diarreia infecciosa nosocomial. A infecção, a CDI, surge tipicamente quando o antibiótico destrói a microbiota do cólon e os esporos ingeridos germinam, se multiplicam e passam a produzir toxinas.
O esporo resiste ao calor, ao ácido gástrico, a quase todos os antibióticos e à maioria dos desinfetantes, inclusive o álcool, e sobrevive por meses em superfícies do hospital. A transmissão é fecal-oral, pelas mãos da equipe, por equipamentos e pelo ambiente. Por isso, depois de examinar o paciente, a higiene das mãos é com água e sabão, e a limpeza do quarto exige agente esporicida, como o hipoclorito.
O dano vem das toxinas A e B, que inativam as Rho GTPases, destroem o citoesqueleto e rompem as junções entre as células do epitélio; a toxina B é cerca de 10 vezes mais potente. Cepas não toxigênicas, de 10% a 30% dos isolados clínicos, não causam doença. O ribotipo 027 produz mais toxina, tem uma toxina binária e resiste às fluoroquinolonas.
O quadro típico é diarreia aquosa, com 3 ou mais evacuações amolecidas ou líquidas em 24 horas, cólica no baixo ventre e febre baixa, em paciente internado ou com antibiótico recente. Sangue vivo nas fezes é raro. Teste positivo sem diarreia indica colonização e não se trata.
Comparativo
A gravidade e o número do episódio decidem o esquema. A tabela resume as faixas como a apostila apresenta.
| Situação | Como reconhecer | Tratamento | O que a banca cobra |
|---|---|---|---|
| Episódio inicial não grave | Diarreia sem leucocitose importante e sem elevação da creatinina | Fidaxomicina 200 mg VO de 12 em 12 horas ou vancomicina 125 mg VO de 6 em 6 horas, por 10 dias | Metronidazol oral só quando faltam as opções de primeira linha |
| Episódio inicial grave | Leucocitose importante ou elevação da creatinina | Fidaxomicina ou vancomicina oral, nas mesmas doses, por 10 dias | Não usar metronidazol |
| Doença fulminante | Hipotensão, choque, íleo paralítico ou megacólon tóxico | Vancomicina 500 mg VO de 6 em 6 horas e metronidazol 500 mg IV de 8 em 8 horas; com íleo ou megacólon, vancomicina também por via retal | Fidaxomicina sai de cena; avaliar cirurgia |
| 1ª recorrência | Volta da diarreia, em geral até 8 semanas após o tratamento | Trocar o esquema: fidaxomicina depois de vancomicina, ou vancomicina em desmame e pulso depois de fidaxomicina | Transplante fecal ainda não é a primeira opção |
| A partir da 2ª recorrência | Terceiro episódio da doença | Transplante de microbiota fecal ou produto baseado em microbiota fecal | Taxas de cura acima de 80% a 90% |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da diarreia no paciente internado à prevenção da recorrência.
Antibiótico nos últimos 30 dias, sobretudo clindamicina, fluoroquinolonas, cefalosporinas e penicilinas, idade avançada, internação recente e uso de inibidor de bomba de prótons. A diarreia aquosa com 3 ou mais evacuações em 24 horas sustenta a suspeita, e cerca de 30% dos casos comunitários ocorrem sem exposição prévia a antibiótico.
Precaução de contato imediata, com avental e luvas vestidos antes de entrar, quarto e banheiro privativos e prioridade aos incontinentes. Higiene das mãos com água e sabão, porque o álcool em gel não remove o esporo.
Comece por GDH ou NAAT, de alta sensibilidade, e confirme com toxinas A e B por EIA. A amostra que vai demorar segue refrigerada a 4 °C, porque as toxinas degradam em temperatura ambiente. Na suspeita de íleo paralítico, o swab retal é a amostra de escolha.
Retire o antibiótico incitante sempre que possível e evite antidiarreicos como a loperamida, que retêm a toxina na luz e podem precipitar megacólon. Leucocitose, creatinina, hipotensão, choque, íleo paralítico e megacólon tóxico definem se o caso é não grave, grave ou fulminante.
Fidaxomicina ou vancomicina oral por 10 dias no episódio inicial; a vancomicina intravenosa não alcança a luz do cólon. Na doença fulminante, vancomicina oral em dose alta com metronidazol intravenoso, enema de vancomicina se houver íleo e cirurgia diante de falha em 3 a 5 dias, perfuração, necrose ou choque refratário.
Na 1ª recorrência, troque o esquema; a partir da 2ª, transplante de microbiota fecal. Se o paciente com CDI recente precisar de novo antibiótico, a apostila descreve a profilaxia secundária com vancomicina oral 125 mg uma vez ao dia durante o tratamento e por mais uma semana.
Perguntas frequentes
Diarreia aquosa de início agudo, com 3 ou mais evacuações amolecidas ou líquidas em 24 horas, dor ou cólica no baixo ventre e febre baixa. Sangue vivo nas fezes é raro e, quando predomina, aponta para outros invasores ou para isquemia intestinal. Na colite fulminante, a diarreia pode parar de repente por íleo paralítico, com distensão abdominal, taquicardia e toxemia.
É o nome clássico da infecção por C. difficile e descreve o achado endoscópico: placas elevadas, amareladas ou branco-amareladas, de 2 a 5 milímetros até cerca de 2 centímetros, formadas por proteínas, muco e células inflamatórias sobre úlceras da mucosa do cólon. As pseudomembranas podem faltar na doença leve, no caso parcialmente tratado e na doença inflamatória intestinal, e a colonoscopia completa não é o exame de escolha pelo risco de perfuração.
Pode ser. A maioria dos pacientes tem doença leve a moderada, mas parte evolui para colite fulminante, com hipotensão ou choque, necessidade de vasopressor, falência de órgãos, íleo paralítico ou megacólon tóxico. Nesse cenário, o tratamento combina vancomicina oral em dose alta e metronidazol intravenoso, e a cirurgia pode ser necessária.
Primeiro, suspender o antibiótico incitante sempre que possível. No episódio inicial, grave ou não, a escolha é fidaxomicina 200 mg de 12 em 12 horas ou vancomicina 125 mg de 6 em 6 horas, ambas por via oral e por 10 dias. O metronidazol oral ficou restrito ao caso não grave, quando as outras opções não estão disponíveis.
Pela via fecal-oral, com ingestão de esporos que sobrevivem por meses em superfícies, mãos, roupas e equipamentos do hospital. Portadores assintomáticos, até 20% dos adultos internados e 50% dos residentes de instituições de longa permanência, também eliminam esporos. O inibidor de bomba de prótons facilita a passagem dos esporos pelo estômago.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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