Apostila gratuita · 31 páginas

Interpretação da gasometria arterial: distúrbio primário, compensação, ânion gap e delta/delta

Acidemia e acidose, tampões, pulmão e rim, a equação de Henderson-Hasselbalch, o passo a passo para achar o distúrbio primário, a fórmula de Winter e a regra 1-4-2-5, base excess, ânion gap normal e aumentado, correção pela albumina e razão delta/delta. Três questões comentadas, entre elas ENARE 2022 e UNESP 2024.

PDF de 2,8 MB. Gratuito.

Capa da apostila Gasometria e distúrbios ácido-básicos em um tablet
Formato
Apostila · 31 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Nefrologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de gasometria cobre

Um roteiro de leitura da gasometria arterial, do pH ao distúrbio misto escondido, com as fórmulas que a banca cobra.

  • Roteiro em três perguntas

    Olhe o pH, descubra quem explica a alteração, PaCO2 ou bicarbonato, e confira se a compensação bate com o esperado. Se não bate, há um segundo distúrbio.

  • Fórmulas de compensação e ânion gap

    Fórmula de Winter na acidose metabólica, regra 1-4-2-5 nos distúrbios respiratórios agudos e crônicos, ânion gap corrigido pela albumina e razão delta/delta.

  • Três questões comentadas

    Entre elas, ENARE 2022, sobre o ânion gap nas causas de acidose metabólica, e UNESP 2024, um distúrbio misto no pós-ictal, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 31 páginas

Dos conceitos de ácido e base ao distúrbio misto, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela de conceitos-chave
  2. 02Contexto clínico: o paciente com DPOC em sepse
  3. 03Conceitos iniciais: ácido, base, pH, acidemia e acidose
  4. 04Repercussões clínicas dos distúrbios ácido-base
  5. 05Como o corpo mantém o equilíbrio: tampões, pulmão e rim
  6. 06A equação de Henderson-Hasselbalch
  7. 07Como definir o distúrbio primário, passo a passo
  8. 08A resposta compensatória: fórmula de Winter e regra 1-4-2-5
  9. 09Questão estratégica: diagnosticando o distúrbio primário
  10. 10Base excess
  11. 11Ânion gap e a lei da eletroneutralidade
  12. 12Acidose metabólica com ânion gap normal e aumentado
  13. 13Correção do ânion gap pela albumina
  14. 14Questão estratégica: ânion gap
  15. 15Razão delta/delta
  16. 16Questão estratégica: distúrbio misto e resposta compensatória
  17. 17Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Gasometria e distúrbios ácido-básicos
Página da apostila: as causas de acidose metabólica com ânion gap aumentado e o esquema que compara o mecanismo do ânion gap normal, perda de bicarbonato, com o do aumentado, ganho de novo ácido.

Como interpretar a gasometria arterial?

A interpretação da gasometria arterial segue três passos: olhar o pH, descobrir se a PaCO2 ou o bicarbonato explica a alteração e conferir se a compensação é a esperada. Com pH abaixo de 7,35 há acidemia e o distúrbio primário é uma acidose; acima de 7,45, alcalemia e alcalose. A apostila usa a abordagem descritiva de Boston, baseada na relação entre PaCO2 e HCO3.

Os valores de referência são pH de 7,35 a 7,45, PaCO2 de 35 a 45 mmHg e bicarbonato de 22 a 26 mEq/L. Numa acidose, PaCO2 acima de 45 indica acidose respiratória e bicarbonato abaixo de 22, acidose metabólica. Numa alcalose, PaCO2 abaixo de 35 indica alcalose respiratória e bicarbonato acima de 26, alcalose metabólica. Se os dois explicam o pH, o distúrbio primário é misto.

A compensação atenua o distúrbio sem supercorrigir: pH rigorosamente normal com PaCO2 e bicarbonato muito alterados sugere distúrbio misto. Na acidose metabólica, a fórmula de Winter prevê a PaCO2: 1,5 × HCO3 + 8, com margem de 2. Com bicarbonato de 14, espera-se PaCO2 entre 27 e 31 mmHg; abaixo disso há alcalose respiratória associada, acima, acidose respiratória. Nos distúrbios respiratórios, a regra 1-4-2-5 diz quanto o bicarbonato varia a cada 10 mmHg de PaCO2.

Na acidose metabólica, o passo seguinte é o ânion gap: sódio menos a soma de cloro e bicarbonato, com referência em torno de 12 mEq/L. Ânion gap normal aponta perda de bicarbonato, como na diarreia; aumentado, ganho de ácido, como na acidose lática. Na hipoalbuminemia, o ânion gap precisa ser corrigido pela albumina, e com ânion gap aumentado a razão delta/delta mostra se há outro distúrbio metabólico junto.

Página da apostila Gasometria e distúrbios ácido-básicos

Comparativo

Distúrbios primários e a compensação esperada

Cada distúrbio primário tem uma resposta compensatória previsível. Se o valor medido foge do calculado, há um segundo distúrbio.

Os distúrbios ácido-base primários, a alteração que os define, a compensação esperada e exemplos citados na apostila. Fonte: apostila Med-Review R1, “Gasometria e distúrbios ácido-básicos”.
DistúrbioAlteração primáriaCompensação esperadaExemplo da apostila
Acidose metabólicaHCO3 abaixo de 22 mEq/LPaCO2 = 1,5 × HCO3 + 8 (± 2), pela fórmula de WinterCetoacidose, diarreia
Alcalose metabólicaHCO3 acima de 26 mEq/LPaCO2 = 0,7 × HCO3 + 20 (± 5)Vômitos, diuréticos
Acidose respiratória agudaPaCO2 acima de 45 mmHgHCO3 sobe 1 mEq/L a cada 10 mmHg de PaCO2Hipoventilação no intraoperatório
Acidose respiratória crônicaPaCO2 acima de 45 mmHgHCO3 sobe 4 mEq/L a cada 10 mmHg de PaCO2DPOC retentor de CO2
Alcalose respiratóriaPaCO2 abaixo de 35 mmHgHCO3 cai 2 mEq/L (aguda) ou 5 mEq/L (crônica) a cada 10 mmHg de PaCO2Crise de pânico, crise de asma inicial

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como ler uma gasometria arterial, passo a passo

O roteiro da apostila, do pH ao distúrbio misto escondido.

  1. Olhe o pH

    Abaixo de 7,35 é acidemia, e o distúrbio primário obrigatoriamente é uma acidose; acima de 7,45 é alcalemia, e o primário é uma alcalose. Acidemia e alcalemia descrevem o número; acidose e alcalose, o processo que tende a alterá-lo.

  2. Ache o culpado

    Na acidose, PaCO2 acima de 45 mmHg indica causa respiratória e bicarbonato abaixo de 22 mEq/L, metabólica. Na alcalose, PaCO2 abaixo de 35 aponta o pulmão e bicarbonato acima de 26, o rim. O CO2 age como ácido e o bicarbonato, como base.

  3. Calcule a compensação esperada

    No distúrbio metabólico compensa o pulmão: use a fórmula de Winter na acidose. No respiratório compensa o rim, que leva dias: aplique a regra 1-4-2-5. O base excess ajuda a separar agudo de crônico, normal na fase aguda e alterado quando já houve compensação renal.

  4. Na acidose metabólica, calcule o ânion gap

    Ânion gap = sódio − (cloro + bicarbonato), com referência em torno de 12 mEq/L. Normal indica perda de bicarbonato, como diarreia, fístulas, acetazolamida, acidose tubular renal e excesso de soro fisiológico. Aumentado indica acidose lática, cetoacidose, uremia ou intoxicação por metanol, etilenoglicol e salicilatos.

  5. Corrija pela albumina

    A albumina é o principal componente do ânion gap basal, e a hipoalbuminemia o deixa falsamente normal. Ânion gap corrigido = ânion gap calculado + 2,5 × (4,5 − albumina). Com ânion gap de 12 e albumina de 2,5 g/dL, o corrigido é 17 mEq/L.

  6. Com ânion gap aumentado, faça o delta/delta

    Divida a variação do ânion gap, ânion gap menos 12, pela variação do bicarbonato, 24 menos o bicarbonato. Em torno de 1, e até 2 em alguns livros, distúrbio isolado. Abaixo de 1, há acidose hiperclorêmica associada, como sepse com diarreia; acima de 2, alcalose metabólica associada, como isquemia mesentérica com vômitos.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre gasometria na prova

O que é acidose metabólica?

É o processo que baixa o bicarbonato, abaixo de 22 mEq/L, por perda de bases ou por ganho de ácidos. O pulmão compensa com hiperventilação, e a fórmula de Winter mostra se essa resposta é adequada. O ânion gap divide a acidose metabólica em dois grupos: com ânion gap normal, ou hiperclorêmica, e com ânion gap aumentado, ou normoclorêmica.

Quais são os valores de referência da gasometria arterial?

Segundo a apostila, pH de 7,35 a 7,45, com média de 7,40; PaCO2 de 35 a 45 mmHg, com média de 40; bicarbonato de 22 a 26 mEq/L, com média de 24; e base excess de −3 a +3 mEq/L. Valores de pH abaixo de 7,35 definem acidemia e acima de 7,45, alcalemia.

Como calcular o ânion gap?

Pela fórmula clássica: sódio menos a soma de cloro e bicarbonato, com referência em torno de 12 mEq/L; alguns livros trazem de 8 a 12. Na UNESP 2024 da apostila, com sódio de 141, cloro de 98 e bicarbonato de 14, o ânion gap é 29 mEq/L, e a paciente pós-ictal tem acidose metabólica com ânion gap aumentado associada a acidose respiratória.

Quais são as causas de acidose metabólica?

Com ânion gap normal: diarreia, fístulas biliares e pancreáticas, acetazolamida, acidose tubular renal e infusão excessiva de soro fisiológico. Com ânion gap aumentado: acidose lática no choque, na sepse e na isquemia, cetoacidose diabética ou alcoólica, uremia e intoxicação por metanol, etilenoglicol e salicilatos.

O que é acidose respiratória?

É a acidose causada pela retenção de CO2, com PaCO2 acima de 45 mmHg. O rim compensa retendo bicarbonato, mas leva dias: na forma aguda o bicarbonato sobe 1 mEq/L a cada 10 mmHg de PaCO2, e na crônica, 4 mEq/L. Um paciente com DPOC e PaCO2 de 50 mmHg tem bicarbonato esperado de 28 mEq/L.

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    Davi Khoury

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

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    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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