Acidemia e acidose, tampões, pulmão e rim, a equação de Henderson-Hasselbalch, o passo a passo para achar o distúrbio primário, a fórmula de Winter e a regra 1-4-2-5, base excess, ânion gap normal e aumentado, correção pela albumina e razão delta/delta. Três questões comentadas, entre elas ENARE 2022 e UNESP 2024.
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Para que serve
Um roteiro de leitura da gasometria arterial, do pH ao distúrbio misto escondido, com as fórmulas que a banca cobra.
Olhe o pH, descubra quem explica a alteração, PaCO2 ou bicarbonato, e confira se a compensação bate com o esperado. Se não bate, há um segundo distúrbio.
Fórmula de Winter na acidose metabólica, regra 1-4-2-5 nos distúrbios respiratórios agudos e crônicos, ânion gap corrigido pela albumina e razão delta/delta.
Entre elas, ENARE 2022, sobre o ânion gap nas causas de acidose metabólica, e UNESP 2024, um distúrbio misto no pós-ictal, com gabarito e comentário.
Sumário
Dos conceitos de ácido e base ao distúrbio misto, na ordem em que a apostila ensina.
A interpretação da gasometria arterial segue três passos: olhar o pH, descobrir se a PaCO2 ou o bicarbonato explica a alteração e conferir se a compensação é a esperada. Com pH abaixo de 7,35 há acidemia e o distúrbio primário é uma acidose; acima de 7,45, alcalemia e alcalose. A apostila usa a abordagem descritiva de Boston, baseada na relação entre PaCO2 e HCO3.
Os valores de referência são pH de 7,35 a 7,45, PaCO2 de 35 a 45 mmHg e bicarbonato de 22 a 26 mEq/L. Numa acidose, PaCO2 acima de 45 indica acidose respiratória e bicarbonato abaixo de 22, acidose metabólica. Numa alcalose, PaCO2 abaixo de 35 indica alcalose respiratória e bicarbonato acima de 26, alcalose metabólica. Se os dois explicam o pH, o distúrbio primário é misto.
A compensação atenua o distúrbio sem supercorrigir: pH rigorosamente normal com PaCO2 e bicarbonato muito alterados sugere distúrbio misto. Na acidose metabólica, a fórmula de Winter prevê a PaCO2: 1,5 × HCO3 + 8, com margem de 2. Com bicarbonato de 14, espera-se PaCO2 entre 27 e 31 mmHg; abaixo disso há alcalose respiratória associada, acima, acidose respiratória. Nos distúrbios respiratórios, a regra 1-4-2-5 diz quanto o bicarbonato varia a cada 10 mmHg de PaCO2.
Na acidose metabólica, o passo seguinte é o ânion gap: sódio menos a soma de cloro e bicarbonato, com referência em torno de 12 mEq/L. Ânion gap normal aponta perda de bicarbonato, como na diarreia; aumentado, ganho de ácido, como na acidose lática. Na hipoalbuminemia, o ânion gap precisa ser corrigido pela albumina, e com ânion gap aumentado a razão delta/delta mostra se há outro distúrbio metabólico junto.
Comparativo
Cada distúrbio primário tem uma resposta compensatória previsível. Se o valor medido foge do calculado, há um segundo distúrbio.
| Distúrbio | Alteração primária | Compensação esperada | Exemplo da apostila |
|---|---|---|---|
| Acidose metabólica | HCO3 abaixo de 22 mEq/L | PaCO2 = 1,5 × HCO3 + 8 (± 2), pela fórmula de Winter | Cetoacidose, diarreia |
| Alcalose metabólica | HCO3 acima de 26 mEq/L | PaCO2 = 0,7 × HCO3 + 20 (± 5) | Vômitos, diuréticos |
| Acidose respiratória aguda | PaCO2 acima de 45 mmHg | HCO3 sobe 1 mEq/L a cada 10 mmHg de PaCO2 | Hipoventilação no intraoperatório |
| Acidose respiratória crônica | PaCO2 acima de 45 mmHg | HCO3 sobe 4 mEq/L a cada 10 mmHg de PaCO2 | DPOC retentor de CO2 |
| Alcalose respiratória | PaCO2 abaixo de 35 mmHg | HCO3 cai 2 mEq/L (aguda) ou 5 mEq/L (crônica) a cada 10 mmHg de PaCO2 | Crise de pânico, crise de asma inicial |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O roteiro da apostila, do pH ao distúrbio misto escondido.
Abaixo de 7,35 é acidemia, e o distúrbio primário obrigatoriamente é uma acidose; acima de 7,45 é alcalemia, e o primário é uma alcalose. Acidemia e alcalemia descrevem o número; acidose e alcalose, o processo que tende a alterá-lo.
Na acidose, PaCO2 acima de 45 mmHg indica causa respiratória e bicarbonato abaixo de 22 mEq/L, metabólica. Na alcalose, PaCO2 abaixo de 35 aponta o pulmão e bicarbonato acima de 26, o rim. O CO2 age como ácido e o bicarbonato, como base.
No distúrbio metabólico compensa o pulmão: use a fórmula de Winter na acidose. No respiratório compensa o rim, que leva dias: aplique a regra 1-4-2-5. O base excess ajuda a separar agudo de crônico, normal na fase aguda e alterado quando já houve compensação renal.
Ânion gap = sódio − (cloro + bicarbonato), com referência em torno de 12 mEq/L. Normal indica perda de bicarbonato, como diarreia, fístulas, acetazolamida, acidose tubular renal e excesso de soro fisiológico. Aumentado indica acidose lática, cetoacidose, uremia ou intoxicação por metanol, etilenoglicol e salicilatos.
A albumina é o principal componente do ânion gap basal, e a hipoalbuminemia o deixa falsamente normal. Ânion gap corrigido = ânion gap calculado + 2,5 × (4,5 − albumina). Com ânion gap de 12 e albumina de 2,5 g/dL, o corrigido é 17 mEq/L.
Divida a variação do ânion gap, ânion gap menos 12, pela variação do bicarbonato, 24 menos o bicarbonato. Em torno de 1, e até 2 em alguns livros, distúrbio isolado. Abaixo de 1, há acidose hiperclorêmica associada, como sepse com diarreia; acima de 2, alcalose metabólica associada, como isquemia mesentérica com vômitos.
Perguntas frequentes
É o processo que baixa o bicarbonato, abaixo de 22 mEq/L, por perda de bases ou por ganho de ácidos. O pulmão compensa com hiperventilação, e a fórmula de Winter mostra se essa resposta é adequada. O ânion gap divide a acidose metabólica em dois grupos: com ânion gap normal, ou hiperclorêmica, e com ânion gap aumentado, ou normoclorêmica.
Segundo a apostila, pH de 7,35 a 7,45, com média de 7,40; PaCO2 de 35 a 45 mmHg, com média de 40; bicarbonato de 22 a 26 mEq/L, com média de 24; e base excess de −3 a +3 mEq/L. Valores de pH abaixo de 7,35 definem acidemia e acima de 7,45, alcalemia.
Pela fórmula clássica: sódio menos a soma de cloro e bicarbonato, com referência em torno de 12 mEq/L; alguns livros trazem de 8 a 12. Na UNESP 2024 da apostila, com sódio de 141, cloro de 98 e bicarbonato de 14, o ânion gap é 29 mEq/L, e a paciente pós-ictal tem acidose metabólica com ânion gap aumentado associada a acidose respiratória.
Com ânion gap normal: diarreia, fístulas biliares e pancreáticas, acetazolamida, acidose tubular renal e infusão excessiva de soro fisiológico. Com ânion gap aumentado: acidose lática no choque, na sepse e na isquemia, cetoacidose diabética ou alcoólica, uremia e intoxicação por metanol, etilenoglicol e salicilatos.
É a acidose causada pela retenção de CO2, com PaCO2 acima de 45 mmHg. O rim compensa retendo bicarbonato, mas leva dias: na forma aguda o bicarbonato sobe 1 mEq/L a cada 10 mmHg de PaCO2, e na crônica, 4 mEq/L. Um paciente com DPOC e PaCO2 de 50 mmHg tem bicarbonato esperado de 28 mEq/L.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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