Apostila gratuita · 43 páginas

Hantavirose: transmissão, síndrome cardiopulmonar e tratamento com restrição hídrica e ECMO

Hantavírus e roedores silvestres, transmissão por aerossóis, a exceção do vírus Andes, fisiopatologia imunomediada, fases prodrômica e cardiopulmonar, a tríade de hemoconcentração, plaquetopenia e linfócitos atípicos, raio-X com área cardíaca normal, restrição hídrica, aminas vasoativas, ECMO, notificação, biossegurança e diferencial com leptospirose. Três questões comentadas: UNICAMP 2005, UNESC 2026 e USP/RP 2018.

PDF de 6,3 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 43 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Infectologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de hantavirose cobre

Da poeira do paiol à UTI, com o que a banca cobra em epidemiologia, laboratório e conduta.

  • Restrição hídrica, aminas e ECMO

    Balanço hídrico zerado ou levemente negativo, noradrenalina, dobutamina ou dopamina precoces, ventilação protetora e VA-ECMO no choque refratário. Ribavirina e pulso de corticoide sem benefício na fase aguda.

  • Tríade laboratorial e raio-X

    Hemoconcentração, plaquetopenia e linfócitos atípicos, leucocitose com desvio à esquerda sem granulação tóxica e infiltrado intersticial bilateral com área cardíaca normal.

  • Três questões comentadas

    UNICAMP 2005 e UNESC 2026, sobre transmissão e reservatórios, e USP/RP 2018, um caso de síndrome cardiopulmonar com hemoconcentração, com gabarito e comentário de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 43 páginas

Do vírus à UTI e ao diagnóstico diferencial, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela de prioridades da banca
  2. 02Contexto clínico e importância do tema
  3. 03Diagnóstico diferencial das síndromes febris agudas
  4. 04A identidade do invasor: estrutura e genoma do hantavírus
  5. 05Resistência viral no ambiente
  6. 06O ciclo de transmissão: roedor silvestre, excretas e hospedeiro acidental
  7. 07Os vírus e roedores do Brasil: Araraquara e Juquitiba
  8. 08Detalhes da transmissão e a exceção do vírus Andes
  9. 09Questão estratégica: epidemiologia
  10. 10Período de incubação e transmissibilidade
  11. 11Fatores patogênicos: integrinas beta-3 e tempestade de citocinas
  12. 12Questão estratégica: cadeia epidemiológica
  13. 13Apresentação clínica: fase prodrômica
  14. 14Fase cardiopulmonar e o choque misto
  15. 15SCPH, SDRA e edema cardiogênico
  16. 16Fases diurética e de convalescença
  17. 17Avaliação laboratorial: a tríade e os marcadores de mau prognóstico
  18. 18Confirmação: ELISA, RT-PCR e imuno-histoquímica
  19. 19Avaliação por imagem e diagnóstico diferencial no raio-X
  20. 20Questão estratégica: diagnóstico
  21. 21Manejo: transferência, restrição hídrica e suporte ventilatório
  22. 22Terapia de resgate: ECMO
  23. 23Falsas balas de prata e profilaxia pós-exposição
  24. 24Notificação, biossegurança e prevenção
  25. 25A hantavirose da Ásia e da Europa: febre hemorrágica com síndrome renal
  26. 26Hantavirose e leptospirose
  27. 27Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Hantavirose
Página da apostila: como orientar o trabalhador rural, com ventilação do galpão, descontaminação úmida, vegetação baixa ao redor e proteção dos alimentos.

Como é o tratamento da hantavirose?

O tratamento da hantavirose é de suporte intensivo: não existe antiviral nem imunomodulador com eficácia comprovada para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH). A pedra angular é a restrição hídrica, com balanço hídrico zerado ou levemente negativo, associada ao uso precoce de drogas inotrópicas e vasopressoras, como noradrenalina, dobutamina ou dopamina, para manter a perfusão.

A lógica vem da fisiopatologia. O vírus infecta o endotélio sem destruí-lo, e a resposta imune, com linfócitos T CD8+ e citocinas, afrouxa as junções capilares: o plasma vaza para o interstício e os alvéolos e causa edema pulmonar não cardiogênico. O choque é misto, com hipovolemia, depressão miocárdica e resistência vascular periférica elevada. A expansão volêmica agressiva, reflexo comum diante do choque, inunda ainda mais o pulmão.

O caso suspeito deve ser transferido de imediato para hospital com UTI e, idealmente, ECMO, porque a maior parte dos óbitos ocorre nas primeiras 24 horas da fase cardiopulmonar. Aos primeiros sinais de fadiga respiratória, intubação e ventilação protetora; no choque ou na hipoxemia refratários, a VA-ECMO, que dá suporte cardíaco e respiratório.

Na SCPH, a ribavirina não alterou a mortalidade em ensaio randomizado, e o pulso de metilprednisolona não trouxe benefício em estudo no Chile. A ribavirina funciona na febre hemorrágica com síndrome renal da Ásia e da Europa, quando iniciada cedo; na SCPH das Américas, ela não funciona.

Página da apostila Hantavirose

Comparativo

Hantavirose ou leptospirose: o que separa as duas

As duas atingem o trabalhador rural e podem evoluir com insuficiência respiratória e infiltrado bilateral. A tabela junta as diferenças que a apostila usa para decidir.

Diferenças entre a síndrome cardiopulmonar por hantavírus e a leptospirose pulmonar grave. Fonte: apostila Med-Review R1, “Hantavirose”.
ParâmetroHantavirose (SCPH)Leptospirose pulmonar grave
O que vaza no pulmãoPlasma, por extravasamento capilarSangue, por hemorragia pulmonar
HematócritoElevado, por hemoconcentraçãoNormal ou baixo
VHSNormal ou levemente aumentadaMuito elevada
Linfócitos atípicosPresença marcanteAusentes
IcteríciaSem icterícia francaIcterícia grave, na síndrome de Weil
Roedor envolvidoSilvestre, o rato-do-matoUrbano

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como reconhecer e tratar a hantavirose, passo a passo

O raciocínio da apostila, da história epidemiológica à notificação.

  1. Busque a cena epidemiológica

    Trabalhador rural ou ecoturista que limpou galpão ou paiol fechado, colheu grãos ou esteve perto de roedores silvestres. A infecção vem da inalação de poeira com urina, fezes e saliva secas desses roedores; o rato urbano não transmite a SCPH no Brasil.

  2. Reconheça o pródromo

    Febre alta, mialgia, cefaleia e sintomas gastrointestinais fortes, às vezes com dor abdominal que simula abdome agudo, sem coriza nem dor de garganta. Nessa fase o raio-X é normal e não descarta a doença.

  3. Antecipe a virada cardiopulmonar

    Tosse seca e dispneia surgem de forma abrupta, em horas, com hipoxemia e choque. O raio-X mostra infiltrado intersticial bilateral, com destaque em hilos e bases, derrame pleural e área cardíaca normal; condensação lobar unilateral aponta para pneumonia.

  4. Peça hemograma e sorologia

    Hemoconcentração, plaquetopenia e linfócitos atípicos, formam a tríade, ao lado de leucocitose com desvio à esquerda sem granulação tóxica. A confirmação é pelo ELISA IgM; colhido nas primeiras 72 horas, pode vir falso-negativo e deve ser repetido se a suspeita for forte.

  5. Restrinja líquidos e use aminas

    Transfira para hospital com UTI e, idealmente, ECMO, mantenha balanço hídrico zerado ou levemente negativo e inicie aminas vasoativas cedo. Plaquetas abaixo de 40.000/μL e proteinúria na admissão estão entre os critérios para transferir a um centro com ECMO.

  6. Notifique e proteja a equipe

    A hantavirose é de notificação compulsória imediata, em até 24 horas. A equipe usa avental, luvas, máscara cirúrgica e óculos, e máscara N95 ou PFF3 em procedimentos que geram aerossóis, como a intubação.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre hantavirose na prova

O que é hantavirose?

É a doença causada pelo hantavírus, transmitido por roedores silvestres ao ser humano, que entra no ciclo como hospedeiro acidental. Nas Américas, ela se manifesta como síndrome cardiopulmonar por hantavírus, com edema pulmonar não cardiogênico e choque de evolução abrupta. Na Ásia e na Europa, a forma é a febre hemorrágica com síndrome renal.

A hantavirose é transmissível de pessoa para pessoa?

Via de regra, não. No Brasil, nunca houve registro de transmissão pessoa a pessoa. A exceção é o vírus Andes, que circula no sul da Argentina e no Chile e passa por contato íntimo e prolongado com secreções. Mesmo assim, a apostila indica máscara N95 em procedimentos que geram aerossóis.

A hantavirose é causada por vírus ou bactéria?

Por vírus. O hantavírus é um vírus de RNA de fita simples e sentido negativo, da família Hantaviridae e do gênero Orthohantavirus, com envelope lipídico e genoma em três segmentos, L, M e S. O envelope o torna sensível à luz solar e a desinfetantes comuns, como hipoclorito de sódio e álcool 70%.

Qual rato transmite a hantavirose?

Roedores silvestres da subfamília Sigmodontinae. O Necromys lasiurus, o rato-do-mato do Cerrado, carrega o vírus Araraquara, considerado o mais letal do Brasil; o Oligoryzomys nigripes, da Mata Atlântica, carrega o vírus Juquitiba. Ratos urbanos do gênero Rattus são os vilões da leptospirose e podem carregar o vírus Seoul, que não causa a SCPH.

A hantavirose mata em quanto tempo?

A passagem do pródromo para a fase cardiopulmonar é abrupta, em questão de horas, e a maior parte dos óbitos ocorre nas primeiras 24 horas dessa fase. Queda acentuada das plaquetas, abaixo de 40.000/mm³, e hematócrito excessivamente elevado são marcadores clássicos de mau prognóstico.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

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    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

    Cirurgia Geral

    Vitor Arienzo

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    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

  • Juliana Araújo

    Ginecologia e Obstetrícia

    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

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    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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