Cronologia de Murphy, sinais de Blumberg e Rovsing, escore de Alvarado (MANTRELS) com conduta por faixa, TC e USG, fases intraoperatórias e apendicectomia de intervalo. Três questões comentadas: ENARE 2021, HCPA 2022 e SUS (SP) 2021.
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Para que serve
Do quadro clássico à escolha da técnica cirúrgica, com as pegadinhas que a banca repete.
Os oito critérios do Alvarado, com 2 pontos para dor em FID e para leucocitose, e a conduta por faixa: 0 a 4, 5 a 6 e 7 a 10 pontos.
TC com contraste é o padrão-ouro em adultos; USG vem primeiro em crianças, gestantes e mulheres em idade fértil. Diâmetro apendicular acima de 6 mm nos dois exames.
ENARE 2021 (sinal de Rovsing), HCPA 2022 (dor visceral e parietal) e SUS (SP) 2021 (base do apêndice isquêmica), com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da obstrução da luz do apêndice à prescrição do pós-operatório.
O escore de Alvarado soma oito critérios, o mnemônico MANTRELS, num total de 10 pontos: migração da dor, anorexia, náuseas ou vômitos, dor à palpação na FID (2), Blumberg, febre acima de 37,3 °C, leucocitose acima de 10.000/mm³ (2) e desvio à esquerda. De 0 a 4 pontos, baixa probabilidade; 5 a 6, imagem; 7 a 10, alta.
Dois critérios valem 2 pontos: dor à palpação na fossa ilíaca direita e leucocitose acima de 10.000/mm³. Os outros seis valem 1 ponto cada: migração da dor da região periumbilical para a FID, anorexia, náuseas ou vômitos, sinal de Blumberg, febre acima de 37,3 °C e segmentados acima de 75%. A soma máxima é 10.
Com 0 a 4 pontos, a probabilidade é baixa: observação clínica, busca de diagnósticos alternativos ou alta com segurança. Com 5 a 6, o risco é intermediário e indica-se imagem (USG ou TC) ou reavaliação seriada. Com 7 a 10, a probabilidade é alta, e em paciente jovem do sexo masculino com quadro típico a cirurgia pode ser indicada de forma clínica.
Isolado, o Alvarado tem especificidade insuficiente para confirmar apendicite em adultos e alta sensibilidade para excluí-la com escore abaixo de 5. O AIR score, que inclui a proteína C reativa, e o AAS são mais recentes. O AIR está entre os de maior poder discriminatório em adultos e ajuda a separar quem tem risco intermediário e precisa de imagem.
Fora do paciente típico, a imagem decide. A TC de abdome com contraste é o padrão-ouro em adultos, com sensibilidade de 90-100% e especificidade de até 99%, de preferência em baixa dose. A USG é a primeira escolha em crianças, gestantes e mulheres em idade fértil. Nos dois exames, apêndice com diâmetro acima de 6 mm sugere apendicite.
Comparativo
Os oito critérios do escore com o peso de cada um. A soma vai de 0 a 10 e orienta a conduta por faixa.
| Letra | Critério | Pontos |
|---|---|---|
| M | Migração da dor (periumbilical para a FID) | 1 |
| A | Anorexia | 1 |
| N | Náuseas e/ou vômitos | 1 |
| T | Tensão ou dor à palpação na FID | 2 |
| R | Reação dolorosa (sinal de Blumberg) | 1 |
| E | Elevação da temperatura (febre > 37,3 °C) | 1 |
| L | Leucocitose (> 10.000/mm³) | 2 |
| S | Segmentados (desvio à esquerda > 75%) | 1 |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da anamnese à conduta na forma complicada.
A dor começa vaga, periumbilical ou epigástrica, pela distensão do apêndice, com anorexia, náuseas e vômitos; a anorexia é um sintoma muito característico. Com a irritação do peritônio parietal, a dor migra para a fossa ilíaca direita e fica aguda, intensa e bem localizada.
Blumberg é a dor à descompressão brusca no ponto de McBurney; Rovsing, a dor na FID ao palpar o quadrante inferior esquerdo. Psoas, Obturador, Dunphy e Halban completam o exame. Não existe sinal de McBurney: McBurney é o ponto anatômico.
Pontue os oito critérios do MANTRELS. Com 0 a 4 pontos, busque outro diagnóstico; com 5 a 6, peça USG ou TC ou reavalie de forma seriada; com 7 a 10, em homem jovem com quadro típico, a apendicectomia pode ser indicada sem imagem.
TC com contraste é o padrão-ouro em adultos, de preferência em baixa dose. USG primeiro em crianças, gestantes e mulheres em idade fértil. Na gestante com USG inconclusiva, o próximo passo é a ressonância; a TC fica para quando a RM não está disponível.
Leucocitose com desvio à esquerda é a alteração mais frequente, mas sua ausência não exclui apendicite, sobretudo em idosos e imunocomprometidos. PCR e VHS são inespecíficos. Leucocitúria ou hematúria na urina 1 não afastam o diagnóstico, porque o apêndice inflamado irrita ureter e bexiga.
A apendicectomia laparoscópica é a via preferida nas formas não complicada e complicada. Pelo Guideline de Jerusalém de 2020: ligadura simples do coto, sem bolsa de Ochsner; sucção simples em vez de lavagem; sem dreno de rotina. No instável, estabilize, inicie antibiótico e opere, muitas vezes por laparotomia.
Não complicada: profilaxia em dose única, até 60 minutos antes da incisão. Complicada: terapia por 3 a 5 dias. Abscesso de 4 cm ou mais em paciente estável: antibiótico e drenagem percutânea. Apendicectomia de intervalo não é rotina em jovens; a partir dos 40 anos, colonoscopia e TC com contraste para afastar neoplasia.
Perguntas frequentes
Em quadro típico, o diagnóstico é clínico. Com dúvida diagnóstica, evolução acima de 48 horas ou paciente atípico, a TC de abdome com contraste é o padrão-ouro em adultos, com sensibilidade de 90-100%. A USG é a primeira linha em crianças, gestantes e mulheres em idade fértil; o sinal mais acurado nela é apêndice tubular, não compressível, com mais de 6 mm.
Pelos achados intraoperatórios, a apostila descreve quatro fases: I, edematosa (apêndice edemaciado, hiperemiado, com congestão vascular); II, flegmonosa (exsudato fibrinoso); III, necrose (necrose segmentar e abscesso contido); IV, perfurativa (necrose, perfuração e contaminação da cavidade). Na classificação laparoscópica em graus, a necrose da base do apêndice é o grau 4C.
Com 7 a 10 pontos a probabilidade de apendicite é alta, e em paciente jovem do sexo masculino com quadro típico a apendicectomia pode ser indicada de forma clínica. Em mulheres em idade fértil, gestantes, crianças e idosos, a imagem é mandatória. Com escore abaixo de 5, o Alvarado é muito sensível para excluir a doença.
Blumberg é a dor à descompressão brusca da parede abdominal, classicamente no ponto de McBurney, e indica peritonite localizada. Rovsing é a dor na fossa ilíaca direita provocada pela palpação do quadrante inferior esquerdo. Na questão ENARE 2021 da apostila, dor em FID à compressão do abdome inferior esquerdo é Rovsing: gabarito letra C.
Em casos selecionados: TC confirmando apendicite não complicada, estabilidade clínica e consentimento do paciente sobre o risco de recidiva, que chega a 39% em 5 anos. Apendicolito na tomografia é preditor de falha, e nesse caso a conduta de prova é cirurgia. A apendicectomia segue como tratamento definitivo e preferencial na maioria dos serviços.
O útero desloca o apêndice cranialmente, e a dor pode ficar no flanco ou no hipocôndrio direito no segundo e terceiro trimestres. A USG transabdominal com compressão gradual é o primeiro exame; se inconclusiva, ressonância. A TC deve ser evitada no primeiro trimestre. O tratamento preferencial é a apendicectomia laparoscópica.
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