Apostila gratuita · 19 páginas

Ângulo pantoscópico, número Abbe e conferência dos óculos

Materiais das lentes pelo número Abbe e pelo índice de refração, antirreflexo, filtros, lentes asféricas, conferência no lensômetro, inclinação pantoscópica e causas de insatisfação com os óculos. Vinte questões do CBO comentadas, de 2010 a 2025.

PDF de 8,1 MB. Gratuito.

Capa da apostila Lentes dos óculos: materiais, número Abbe, conferência e insatisfação em um tablet
Formato
Apostila · 19 páginas
Área da prova
Óptica e refração · Refração
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de lentes dos óculos cobre

Do material da lente à queixa do paciente que volta com os óculos novos, no recorte que a prova do CBO cobra.

  • Materiais pelo número Abbe e índice

    Vidro Crown, resina CR-39, policarbonato, Trivex e plásticos de alto índice, com Abbe, índice de refração, resistência e indicação, além de antirreflexo, filtros UV, fotocromáticos, polarizados e lentes asféricas.

  • Conferência dos óculos no lensômetro

    Distância entre os centros ópticos, efeito prismático no retículo, poder vértice posterior, inclinação pantoscópica de 5 a 15°, distância vértice de 10 a 15 mm e altura do segmento dos bifocais.

  • Vinte questões do CBO comentadas

    CBO de 2010 a 2025 sobre número Abbe, antirreflexo, filtros, lensômetro, refração em sala de 4 m, anisoforia, multifocais e as queixas de quem volta insatisfeito com os óculos.

Sumário

O que tem dentro das 19 páginas

As seções na ordem do capítulo: material das lentes, conferência dos óculos e causas de insatisfação.

  1. 01Aberração cromática e número Abbe: baixa, média e alta constringência
  2. 02Vidro Crown, resina CR-39, policarbonato, Trivex e plásticos de alto índice
  3. 03Tratamento antirreflexo e imagens fantasmas
  4. 04Filtragem ultravioleta, fotocromática e polarizante
  5. 05Lentes filtrantes por transmitância e por cor
  6. 06Lentes espelhadas e lentes asféricas
  7. 07Curvatura das lentes, magnificação e elipse de Tscherning
  8. 08Conferência dos centros ópticos, esferômetro e lensômetro
  9. 09Forias e efeito prismático no retículo do lensômetro
  10. 10Inclinação pantoscópica, distância vértice e bifocais
  11. 11Visão borrada à distância e correção pela distância do teste
  12. 12Olhos que cansam, objetos inclinados e lentes espessas
  13. 13Reflexos, embaçamento e diferença com a sala de refração
  14. 14Dificuldade para perto, bifocais, anisoforia e multifocais
  15. 15Questões do CBO sobre multifocais, aniseiconia e alto míope
Página interna da apostila sobre Lentes dos óculos: materiais, número Abbe, conferência e insatisfação
Página da apostila: forias, efeito prismático no retículo do lensômetro, conferência da inclinação pantoscópica, distância vértice e bifocais, com uma questão do CBO de lensômetro.

O que é o ângulo pantoscópico e qual o valor ideal?

O ângulo pantoscópico é a inclinação vertical das lentes dos óculos, isto é, a inclinação no eixo de 180°, e deve ficar idealmente entre 5 e 15°. O objetivo é reduzir o astigmatismo de incidência oblíqua no olhar para perto e na meia distância; nos multifocais, a apostila indica de 10 a 15°.

Na conferência dos óculos, a inclinação pantoscópica entra ao lado da distância vértice, que varia de 10 a 15 mm e, quando aumenta, reduz os campos visuais de longe e de perto. Uma das principais causas da queixa de que a visão não é tão boa quanto na sala de refração é a diferença de distância vértice ou de inclinação pantoscópica entre os óculos do paciente e o refrator ou a armação de prova.

A inclinação também aparece nas soluções das queixas. A falta de inclinação pantoscópica da armação dificulta a visão de perto; mudar a inclinação move o reflexo das imagens fantasmas para fora do eixo visual e é uma das medidas contra o embaçamento, ao lado de afastar a armação, remover o antirreflexo, usar armação menor e curvas posteriores mais acentuadas.

Nas lentes progressivas, as principais causas de desconforto são erros de montagem: distância vértice ao redor de 12 mm, ângulo de inclinação pantoscópica entre 10 e 15° e, de preferência, o desenho e a marca de lente a que o paciente está habituado. Montagem muito alta prejudica a visão de longe e muito baixa, a de perto; no CBO 2021, o paciente abaixava os óculos para enxergar longe porque a cruz de montagem estava alta.

A elipse de Tscherning relaciona o poder dióptrico da lente com o poder da superfície anterior que reduz ao máximo o astigmatismo de incidência oblíqua, ou seja, define a curva base para cada poder, de +7,23 a -22,22. No CBO 2024 do alto míope de -15 DE, quanto maior a ametropia, maior a influência da distância vértice e da inclinação pantoscópica, e a sobrerrefração com os óculos antigos contorna esses fatores.

Página da apostila Lentes dos óculos: materiais, número Abbe, conferência e insatisfação

Comparativo

Materiais das lentes dos óculos: número Abbe e índice de refração

Os cinco materiais da apostila com número Abbe, índice de refração, pontos fortes, limitações e indicação.

Número Abbe é o inverso da dispersão cromática: abaixo de 39, baixa constringência; de 39 a 44, média; 45 ou mais, alta. Lentes com índice de refração acima de 1,53 são consideradas de alto índice. Fonte: apostila Oft-Review, “Lentes dos óculos: materiais, número Abbe, conferência e insatisfação”.
MaterialNúmero AbbeÍndice de refraçãoCaracterísticas e indicação
Vidro Crown591,52 a 1,80Qualidade óptica excelente e alta resistência a riscos; baixa resistência ao impacto e à quebra, atenuada por tratamento térmico e químico; pesado nas prescrições altas
Resina CR-39581,49Qualidade óptica próxima à do Crown, baixo custo, 50% mais leve e 6 vezes mais resistente ao impacto que o vidro; bloqueia 55% de UVA e UVB; risca mais e fica grossa nas altas ametropias
Policarbonato321,59Baixa constringência, com dispersão cromática importante só acima de 4 a 5 D; 10 vezes mais resistente ao impacto que a CR-39; óculos de segurança, esporte e crianças
Trivex431,53Altamente resistente ao impacto e leve; alternativa ao policarbonato em óculos de segurança, esporte e crianças
Plásticos de alto índice35 a 451,54 a 1,80Lentes mais finas e leves nas altas ametropias, sem benefício até 3 D; reflectância maior e mais riscos, com antirreflexo exigido e antirrisco obrigatório

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conferir os óculos e investigar a insatisfação, passo a passo

A sequência das seções 2 e 3 da apostila, da bancada do lensômetro à queixa do paciente.

  1. Confira os centros ópticos

    Marque os centros ópticos no lensômetro: a distância entre eles deve corresponder à distância interpupilar. A não coincidência com os eixos visuais gera efeito prismático; base nasal sobrecarrega a divergência fusional para longe, e base temporal, a convergência fusional para perto.

  2. Leia o prisma no retículo

    O retículo do lensômetro tem círculos concêntricos separados por 1 dioptria prismática. Com efeito prismático, o centro da mira sai do centro do retículo e se desloca para a base do prisma, como no CBO 2021; a mira na marcação de 1 DP acima do centro indica prisma de base superior.

  3. Meça o poder vértice posterior

    Use o lensômetro manual ou automático com a face côncava para baixo; ele não mede a distância focal. O poder de cada meridiano é o valor em que a retícula fica nítida: no CBO 2023, as leituras de +4,00 e +3,00, com eixo a 15°, dão +4,00 DE -1,00 DC x 15°.

  4. Confira inclinação, vértice e bifocais

    A inclinação pantoscópica deve ficar entre 5 e 15° e a distância vértice entre 10 e 15 mm. No bifocal, o topo da adição fica na altura do limbo inferior, com segmento de no mínimo 12 mm de altura, acompanhando eventual assimetria vertical da face.

  5. Corrija a distância do teste

    A tabela de optotipos a 4 m conjuga essa distância, e não o infinito, com a retina. Some -1/distância em metros ao grau do refrator: no CBO 2016, -0,75 DE medido em sala de 4 m vira -1,00 DE. O idoso, que não acomoda a diferença, sente o erro nos óculos prontos.

  6. Ligue a queixa à causa

    Olhos que cansam sugerem distúrbio da binocularidade, como descentração vertical, que não se tolera; objetos inclinados, astigmatismo recém-corrigido; reflexos, imagens fantasmas; dificuldade para perto, excesso de adição ou miopia hipercorrigida. No CBO 2022, diplopia na anisometropia após óculos novos apontou mudança na curva base.

  7. Revise a montagem dos multifocais

    Confira distância vértice ao redor de 12 mm, inclinação pantoscópica de 10 a 15° e o desenho de lente habitual. Quem abaixa os óculos para ver longe tem montagem alta; o míope présbita que levanta o queixo para enxergar longe está com a miopia supercorrigida, como no CBO 2024.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre ângulo pantoscópico e lentes dos óculos na prova do CBO

O que é número Abbe?

É o poder de constringência, o inverso da dispersão cromática: quanto maior o número Abbe, menor a dispersão e melhor a qualidade óptica. Nas lentes de óculos, varia de 30 a 60 e não deve ficar abaixo de 30, para que as franjas coloridas não piorem a visão periférica, sobretudo em lentes acima de 4 D. No CBO 2022, a CR-39 era o material de maior Abbe entre as opções.

Qual a diferença entre policarbonato e resina CR-39?

A CR-39 tem Abbe 58 e índice 1,49: qualidade óptica próxima à do vidro Crown, mas lentes mais grossas e mais curvas nas altas ametropias e menor resistência a riscos. O policarbonato tem Abbe 32 e índice 1,59, é 10 vezes mais resistente ao impacto que a CR-39 e é indicado para crianças, esportes e óculos de segurança, como cobrou o CBO 2025.

Como funciona o tratamento antirreflexo?

Recobre as superfícies da lente com substâncias de índice de refração menor que o do material, próximo à raiz quadrada dele, como o fluoreto de cálcio e o fluoreto de magnésio. Pelo princípio da interferência destrutiva, cobrado no CBO 2024, as reflexões se anulam. Reduz reflexos de faróis e imagens fantasmas, mas piora a fotofobia e faz a lente riscar e sujar mais.

Para que serve a elipse de Tscherning?

É o gráfico que relaciona o poder dióptrico da lente com o poder da superfície anterior que reduz ao máximo o astigmatismo de incidência oblíqua; define a curva base de cada poder para lentes de +7,23 a -22,22. A apostila mostra o esquema e avisa que não é preciso decorá-lo, só reconhecer a imagem se ela aparecer na prova.

Como usar o lensômetro manual?

Com a face côncava da lente para baixo, ajuste o eixo e o dial de poder até a retícula ficar nítida em cada meridiano principal; o valor no dial é o poder daquele meridiano. O aparelho mede o poder vértice posterior, não a distância focal. O retículo, com círculos a cada 1 dioptria prismática, mostra o prisma: a mira se desloca para a base.

Por que o paciente enxerga pior com os óculos novos do que no refrator?

Uma das principais causas é a diferença de distância vértice ou de inclinação pantoscópica entre os óculos e o refrator ou a armação de prova. Outra é a distância do teste: a refração feita em sala de 4 m pede o acréscimo de -0,25 DE para longe, e o idoso, que não acomoda essa diferença, sente ao usar os óculos prontos.

O material é gratuito mesmo?

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    Dr. Iago Bastos

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  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

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    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

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    Dra. Marianna Hollaender

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    Especialista pelo CBO

    Dr. João Lucas Libório

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  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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