Linhas A e B, lung sliding, lung point e lung pulse, derrame pleural quantificado pelo BLUE-pleural index, consolidação, perfis do protocolo BLUE com análise venosa e ultrassonografia do diafragma: excursão, espessura e fração de espessamento no perioperatório.
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Para que serve
Dos artefatos do pulmão normal ao diafragma no perioperatório, com imagens ultrassonográficas e a acurácia dos principais sinais e perfis.
Pontos BLUE superior, inferior e PLAPS, perfis A, A', B, B', A/B, C e PLAPS, com a sensibilidade e a especificidade dos perfis de pneumonia, fluxograma de decisão e análise venosa com compressão controlada.
Sinal do morcego, lung sliding e sinal da praia, critérios de linha B, septal e ground-glass rockets, falsas linhas B, derrame pelo BLUE-pleural index, consolidação, lung point e lung pulse.
Disfunção após cirurgia cardíaca e torácica e após bloqueio interescalênico e supraclavicular, excursão diafragmática, espessura e fração de espessamento com pontos de corte e predição de falha de extubação.
Sumário
As seções na ordem da apostila: primeiro o pulmão e o protocolo BLUE, depois o diafragma.
O protocolo BLUE (Bedside Lung Ultrasound in Emergency), de Daniel Lichtenstein, é uma abordagem ultrassonográfica sistematizada da insuficiência respiratória aguda. Combina lung sliding, linhas A ou B e consolidações em três pontos por hemitórax com a análise venosa e define perfis ligados a edema pulmonar, pneumonia, pneumotórax, TEP e DPOC ou asma, com acurácia de 90,5%.
O exame usa três pontos por hemitórax, marcados com as mãos do examinador sobre o tórax do paciente: o ponto BLUE superior, entre a raiz do 3º e do 4º dedo da mão superior, o ponto BLUE inferior, no centro da palma da mão inferior, e o ponto PLAPS, na interseção da horizontal do ponto inferior com a linha axilar posterior. O ponto frênico fica fora do protocolo.
Lung sliding com linhas A define o perfil A, de pulmão anterior normal. O passo seguinte é a análise venosa: perfil A com trombose venosa profunda é 99% específico para embolia pulmonar. Sem trombose, o ponto PLAPS decide: consolidação ou derrame sugere pneumonia, e PLAPS normal, o perfil nude, leva a pensar em DPOC ou asma.
Linhas A sem lung sliding formam o perfil A', sugestivo de pneumotórax. A ausência de lung sliding tem sensibilidade próxima de 100%, mas baixa especificidade; com linhas A e sem linhas B, a especificidade sobe para 96,5%. O lung point é o sinal patognomônico, 100% específico e com sensibilidade de 66%, e qualquer linha B ou lung pulse descarta pneumotórax na região examinada.
Linhas B bilaterais com lung sliding, pelo menos 3 por espaço intercostal, formam o perfil B do edema pulmonar hemodinâmico. Abolição do lung sliding com linhas B (perfil B'), consolidação anterior (perfil C), assimetria (perfil A/B) e PLAPS levam à pneumonia: cada perfil é pouco sensível, mas juntos somam sensibilidade de 89% e especificidade de 94%.
Comparativo
Cada perfil com os achados que o definem, o diagnóstico provável e a acurácia ou a observação que a apostila traz.
| Perfil | Achados | Diagnóstico provável | Dado da apostila |
|---|---|---|---|
| Perfil A com trombose | Lung sliding presente e linhas A predominantes; trombose venosa profunda na análise venosa | Embolia pulmonar | 99% específico para TEP |
| Perfil A-não-V-PLAPS | Perfil A sem trombose venosa, com consolidação ou derrame no ponto PLAPS | Pneumonia | 42% sensível e 96% específico |
| Perfil nude | Perfil A sem trombose venosa e com ponto PLAPS normal | DPOC ou asma | A estenose traqueal também se apresenta com perfil A nude |
| Perfil A' | Linhas A com ausência de lung sliding | Pneumotórax, confirmado pelo lung point | Lung point 100% específico, com sensibilidade de 66% |
| Perfil B | Lung sliding presente e linhas B bilaterais, pelo menos 3 por espaço intercostal | Edema pulmonar hemodinâmico | Lung rockets aparecem com POAP acima de cerca de 18 mmHg, sem doença pulmonar |
| Perfil B' | Linhas B bilaterais com abolição do lung sliding | Pneumonia com padrão intersticial bilateral | 11% sensível e 100% específico |
| Perfil C | Consolidação no tórax anterior, de qualquer tamanho | Pneumonia | 21% sensível e 99% específico |
| Perfil A/B | Assimetria látero-lateral ou anteroposterior dos achados | Pneumonia | 14% sensível e 100% específico |
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Na prática
O raciocínio na ordem da apostila, do transdutor ao lung point, com o diafragma no fim.
O ideal é o microconvexo de 5 MHz. Na falta dele, use o linear na região anterior, onde importam os artefatos da pleura, e o convexo na posterior, para o parênquima. Posicione o transdutor no espaço intercostal, em orientação longitudinal, e procure o sinal do morcego.
Mão superior logo abaixo da clavícula e mão inferior abaixo dela, sem os polegares, com o dedo mínimo na linha frênica. O ponto superior fica entre a raiz do 3º e do 4º dedo; o inferior, no centro da palma; o PLAPS, na linha axilar posterior.
Com lung sliding e linhas A, o perfil é A; com linhas B bilaterais, pelo menos 3 por espaço intercostal, é B, de edema pulmonar. Sem lung sliding, linhas B bilaterais formam o perfil B' e linhas A, o A'. Confirme a abolição no modo M pelo sinal do código de barras.
Examine bilateralmente, na ordem da apostila, femoral comum, femoral distal, veias da panturrilha, jugular interna e subclávia, com compressão controlada, leve ou nenhuma. Trombose com perfil A aponta embolia pulmonar; o exame pode parar na primeira veia trombosada e leva cerca de 2 a 3 minutos.
Consolidação ou derrame no ponto PLAPS sugere pneumonia (perfil A-não-V-PLAPS); PLAPS normal, o perfil nude, leva a pensar em DPOC ou asma. Direcione o transdutor o mais posterior possível e, sem achados, desça: após dois espaços intercostais, ele costuma alcançar o abdome.
A transição entre área com e sem lung sliding, mais fácil de ver no modo M, confirma o pneumotórax. Sem lung point, considere derrame pleural, SDRA, grandes consolidações, aderências, atelectasia, intubação seletiva ou paralisia do frênico; no pneumotórax grande sem instabilidade, complemente com radiografia.
Fora do protocolo BLUE, sem suporte ventilatório e com PEEP mínima, meça a excursão diafragmática no modo M, pela janela hepática ou esplênica, com a média de 3 a 5 ciclos. Para muitos autores, excursão abaixo de 10 mm em respiração tranquila define disfunção.
Perguntas frequentes
É o movimento de vai e vem na linha pleural, que representa o deslizamento entre a pleura visceral e a parietal. No modo M, aparece como sinal da praia; sua ausência gera o sinal do código de barras, ou da estratosfera. Lung sliding presente descarta pneumotórax na região examinada, e a ausência, embora quase 100% sensível, tem muitas outras causas.
São artefatos verticais hiperecogênicos que nascem na linha pleural, chegam à borda inferior da tela, movem-se com o lung sliding e apagam as linhas A. Indicam espessamento ou líquido nos septos interlobulares, e pelo menos 3 por espaço intercostal definem síndrome intersticial. Septal rockets, com intervalo de 6 a 7 mm, equivalem às linhas B de Kerley; ground-glass rockets, abaixo de 3 mm, ao vidro fosco.
Perfil A (lung sliding e linhas A), A' (linhas A sem lung sliding), B (lung sliding e linhas B bilaterais), B' (linhas B sem lung sliding), C (consolidação anterior), A/B (assimetria) e PLAPS (perfil A anterior com consolidação ou derrame posterior). Edema pulmonar é perfil B; pneumotórax, A' com lung point; TEP, perfil A com trombose venosa; DPOC ou asma, perfil A sem trombose e sem PLAPS.
Pelo BLUE-pleural index: mede-se a distância entre os folhetos pleurais na região posterolateral, ao final da expiração e com o transdutor perpendicular à parede. No pulmão aerado, 1 cm corresponde a 70 a 150 ml e 2 cm, a 300 a 600 ml; no consolidado, aplica-se fator de correção de 1,1 a 2. O método multiplanos multiplica a área pelo comprimento do derrame.
É a amplitude do movimento do diafragma na respiração, medida no modo M entre o final da expiração e o final da inspiração, com a média de 3 a 5 ciclos e sem suporte ventilatório. O limite inferior em respiração tranquila é 0,9 cm em mulheres e 1 cm em homens; excursão menor que 10 mm define disfunção para muitos autores, e movimento paradoxal indica paralisia.
O bloqueio interescalênico causa paresia diafragmática ipsilateral em 100% dos pacientes, porque o frênico corre na fáscia sobre o escaleno anterior, e a forma bilateral deve ser evitada. No supraclavicular, um estudo encontrou paralisia completa em 34%, ou 44% com disfunção parcial; o infraclavicular reduz a paralisia completa para 3%. O ultrassom do diafragma confirma a disfunção à beira do leito.
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