Os quatro estágios da recuperação, do despertar à recuperação tardia, o índice de Aldrete e Kroulik modificado para a alta da SRPA-1, o PADSS para a alta ambulatorial, fast-track, as resoluções do CFM 2.174/2017 e 1.886/08 e três questões comentadas.
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Para que serve
Escrita para o anestesiologista que conduz o paciente da sala de cirurgia até a alta, com os escores e as resoluções que o material aponta como cobrados em prova.
Os cinco critérios de cada escore com a pontuação de cada nível, a nota 9 ou 10 para alta e as divergências entre SAESP, Miller, Barash e Longnecker na dor e no sangramento do PADSS.
Despertar, recuperação precoce, intermediária e tardia, onde cada estágio acontece no paciente internado e no ambulatorial, SRPA-1, SRPA-2 e fast-track direto da sala de cirurgia.
Questões de pontuação de Aldrete-Kroulik, de PADSS e de estágios da recuperação, com comentário e gabarito, e os pontos das resoluções 2.174/2017 e 1.886/08 sobre transporte, monitorização e alta.
Sumário
As seções na ordem da apostila, do paciente internado ao ambulatorial, com as divergências entre os livros no fim.
A escala de Aldrete e Kroulik modificada pontua de 0 a 2 cinco critérios: atividade, respiração, consciência, pressão arterial e saturação. A soma de 9 ou 10, com os demais critérios do estágio 2, permite a alta da SRPA-1. Na revisão de 1995, Aldrete trocou a coloração da pele pela oximetria de pulso.
Cada critério tem três níveis: atividade (move 4 membros, 2 ou nenhum), respiração (profunda e com tosse, limitada ou apneia), consciência (acordado, desperta ao chamado ou sem resposta), pressão arterial (variação de até 20%, de 20 a 49% ou de 50% do pré-operatório) e saturação (acima de 92% em ar ambiente, acima de 90% com oxigênio ou abaixo de 90% com oxigênio).
O estágio 1, o despertar, é atingido na sala de cirurgia e libera o transporte para a SRPA-1, supervisionado pelo anestesiologista que acompanhou o caso. Com raras exceções, quem recebeu anestesia geral deve ir com oxigênio suplementar: respirar ar ambiente no transporte é o fator isolado mais ligado à hipoxemia na admissão. O paciente sonolento que ventila bem, sem obstrução e estável, pode seguir, sob cuidado de anestesista até despertar.
Não há tempo mínimo na SRPA-1: a alta acontece quando os critérios são cumpridos. Pelo Barash, PA, FC e perfusão periférica estáveis por pelo menos 15 minutos, observação de 15 minutos após opioide EV ou sedativo e monitorização da SpO₂ por 15 minutos após retirar o oxigênio. Pela Resolução CFM 2.174/2017, a alta da SRPA é responsabilidade exclusiva de médico anestesista ou do plantonista da SRPA.
No paciente ambulatorial, a alta para casa usa o PADSS (escore de Chung): sinais vitais, atividade, náuseas e vômitos, sangramento cirúrgico e dor, com 9 ou 10 pontos para alta. O escore atual não inclui alimentação nem diurese, mas após bloqueio de neuroeixo o paciente precisa urinar espontaneamente antes de ser liberado, e a alta exige acompanhante adulto responsável.
Comparativo
Os cinco critérios com o que vale cada nível. Soma de 9 ou 10, com os demais critérios do estágio 2, libera a alta da SRPA-1.
| Critério | 2 pontos | 1 ponto | 0 ponto |
|---|---|---|---|
| Atividade | Move 4 membros | Move 2 membros | Não move membros |
| Respiração | Profunda, tosse | Limitada, esforço | Apneia |
| Consciência | Acordado | Desperta ao chamado | Sem resposta ao chamado |
| Pressão arterial | ±20% do pré-operatório | ±20 a 49% do pré-operatório | ±50% do pré-operatório |
| Saturação | > 92% em ar ambiente | > 90% com O2 | < 90% com O2 |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência que a apostila descreve para o paciente internado e para o ambulatorial, com o que o anestesiologista verifica em cada transição.
Resposta a comandos verbais, vias aéreas pérvias, SpO₂ normal com ou sem oxigênio e complicações mínimas ou ausentes. O paciente sonolento, mas ventilando bem, sem obstrução e estável, pode seguir para a SRPA-1 sob cuidado de anestesista até despertar.
Acompanhe o transporte e avalie a patência da via aérea e o esforço respiratório pela excursão torácica, pelos ruídos respiratórios ou sentindo o ar expirado. Com raras exceções, quem recebeu anestesia geral vai com oxigênio; no ambulatorial, acima de 60 anos ou de 100 kg o risco de dessaturação em ar ambiente aumenta.
Oxímetro de pulso e ao menos um ECG de derivação única em todos os pacientes. Registre os sinais vitais a cada 5 minutos nos primeiros 15 minutos e depois a cada 15 minutos; a Resolução CFM 2.174/2017 pede intervalos não superiores a 15 minutos na primeira hora.
Aldrete 9 ou 10, acordado e alerta, sinais vitais estáveis, SpO₂ normal em ar ambiente, reflexos de tosse e deglutição presentes e ausência de complicações cirúrgicas definem o estágio 2. Não há tempo mínimo de permanência: a alta vem quando os critérios são cumpridos.
O internado segue para a enfermaria, onde alcança os estágios 3 e 4. O ambulatorial vai para a SRPA-2, sem monitorização contínua, ou direto da sala de cirurgia em fast-track, quando atinge os critérios de alta da SRPA-1 ao fim do procedimento.
Exija PADSS 9 ou 10 e acrescente diurese espontânea após neuroeixo, realimentação sem forçar, bloqueio regional totalmente ausente e acompanhante adulto responsável. No ambulatorial, o estágio 3 costuma ser alcançado entre 60 e 180 minutos após o término da cirurgia.
O estágio 4 se completa em casa no ambulatorial e na enfermaria no internado, com o retorno das funções psicomotoras e cognitivas. O tempo varia muito entre pacientes, e a apostila adota uma postura conservadora: aguardar pelo menos 24 horas para retomar atividades como dirigir.
Perguntas frequentes
Quando atinge o estágio 2: Aldrete 9 ou 10, acordado e alerta, sinais vitais estáveis, SpO₂ normal em ar ambiente, reflexos de tosse e deglutição presentes e sem complicações cirúrgicas. A apostila descarta o tempo mínimo obrigatório, como a tradição de 1 hora. A alta é responsabilidade exclusiva de médico anestesista ou do plantonista da SRPA, pela Resolução CFM 2.174/2017.
O Aldrete-Kroulik avalia atividade, respiração, consciência, pressão arterial e saturação e serve para a alta da SRPA-1. O PADSS, descrito por Frances Chung em 1991, avalia sinais vitais, atividade, náuseas e vômitos, sangramento e dor e serve para a alta do paciente ambulatorial para casa. Nos dois, a soma máxima é 10, e 9 ou 10 pontos indicam condição de alta.
Sinais vitais: PA e FC com variação de até 20% do pré-operatório valem 2, de 20 a 40% valem 1, acima de 40% valem 0. Atividade: marcha firme e sem tontura vale 2. Náuseas e vômitos mínimos, tratados por via oral, valem 2. Sangramento sem troca de curativo vale 2. Dor controlada com analgesia oral e aceitável vale 2, e não controlada vale 1, na versão do Barash.
Quatro: despertar da anestesia, alcançado na sala de cirurgia; recuperação precoce, na SRPA-1; recuperação intermediária, na SRPA-2 do ambulatorial ou na enfermaria do internado; e recuperação tardia, em casa ou na enfermaria. A apostila mostra que o SAESP descreve três fases em um capítulo e quatro estágios em outros, e adota os quatro, com o despertar como estágio 1.
A SRPA-1 é a sala de recuperação clássica do centro cirúrgico, com normas rígidas de estrutura e equipamentos. A SRPA-2 é a unidade ambulatorial, sem monitorização contínua, para onde vai o paciente ambulatorial após a alta da SRPA-1 até atingir o estágio 3. No fast-track, o ambulatorial que cumpre os critérios ainda na sala de cirurgia vai direto para a SRPA-2.
A 2.174/2017 determina que o anestesista acompanhe o transporte para a SRPA, define a monitorização mínima, pede registros em intervalos de até 15 minutos na primeira hora e recomenda, sem obrigar, um anestesista na SRPA. A 1.886/08 lista os critérios de alta ambulatorial, como sinais vitais estáveis por pelo menos 60 minutos, ausência de náuseas e vômitos, ingestão de líquidos e ausência de retenção urinária.
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TSA/SBA
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Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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Anestesiologista pela Santa Casa de BH. Instrutora do SAVA/SBA e do ACLS/AHA. Pós em Clínica da Dor (IPEMED).

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Médica pela Faculdade de Ciências Médicas de Ipatinga. Anestesiologista pelo Hospital Márcio Cunha.

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