Dioptria prismática, posição de Prentice e prisma oblíquo, efeito prismático das lentes esféricas e cilíndricas, descentração em relação à DIP, salto da imagem e película ideal nos bifocais e lentes progressivas, com 13 questões do CBO comentadas.
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Para que serve
Do desvio da luz no prisma à escolha da película bifocal, com o cálculo que a prova do CBO cobra e questões comentadas em cada seção.
P = d.D com a descentração em centímetros, efeito prismático de base nasal ou temporal pela DIP e a descentração que corrige esotropia, exotropia e insuficiência de convergência.
Ultex, Kryptok, Panoptik e Executive pelo poder no meridiano de 90°, salto e deslocamento da imagem, prisma slab-off na anisometropia e erros de montagem das lentes progressivas.
CBO 2011, 2013, 2014, 2015, 2021, 2023, 2024 e 2025, com gabarito e comentário, além de exercícios da equipe sobre foria induzida por prismas e efeito prismático na leitura.
Sumário
As três seções na ordem do capítulo, dos prismas às lentes progressivas.
Pela regra de Prentice, o efeito prismático, em dioptrias prismáticas, é a distância em centímetros entre o eixo visual e o centro óptico multiplicada pelo poder da lente em dioptrias: P = d.D. Uma lente de +10 D com o eixo visual 10 mm abaixo do centro óptico gera 10 DP; uma de +5 D descentrada 1 cm, 5 DP.
Lentes convergentes funcionam como prismas unidos pela base, e divergentes, como prismas unidos pelo ápice. Com o eixo visual abaixo do centro óptico, a lente convergente dá prisma de base superior, e a divergente, de base inferior; acima, o inverso. Ao deslocar a lente, a imagem anda em sentido contrário na convergente e no mesmo sentido na divergente.
Na confecção dos óculos, a diferença entre a DIP e a distância entre os centros ópticos induz efeito prismático. Na lente convergente, DIP menor dá base temporal, que exige convergência para longe, e DIP maior dá base nasal, que alivia a convergência para perto; na divergente, o contrário. No CBO 2023, lente de +4 DE, DIP de 60 mm e centros a 65 mm induziram 2 DP de base temporal.
Para corrigir um desvio, o ápice do prisma aponta para ele: exotropia pede base interna, e esotropia, base externa. No CBO 2015, míope de -4,0 D com esotropia de 4 DP corrige com 5 mm de descentração nasal em cada lente, porque o 1 cm total se divide entre os olhos; no CBO 2021, exotropia de 20 DP com -10,00 DE pede 10 mm temporal em cada olho.
Na lente cilíndrica, não há efeito prismático no meridiano do eixo do cilindro. Para o efeito vertical na leitura, conta o poder no meridiano de 90°. No exercício da apostila, com OD +2,50 +1,00 x 90° e OE -1,50 +1,50 x 180°, a leitura 10 mm abaixo do centro óptico induz 2,5 DP de base superior no OD e nenhum efeito no OE.
Comparativo
Como cada segmento se comporta na posição de leitura e quando a apostila indica cada película.
| Segmento | Base prismática | Salto da imagem | Indicação na apostila |
|---|---|---|---|
| Ultex ou Balux | Inferior, com o centro óptico na base do segmento, longe do topo | Máximo | Lente positiva com poder para longe maior que a adição; bifocal de menor custo |
| Kryptok | Central, em película circular de índice de refração maior que o da lente de longe | Intermediário: maior que no topo reto e menor que no Ultex | Lente positiva com poder para longe igual à adição; boa estética |
| Flat top ou Panoptik | Superior, com o centro óptico próximo ao topo do segmento | Mínimo | Poder para longe menor que a adição, lentes negativas, emétropes e graus fracos para longe |
| Executive | Superior, com o centro óptico no topo do segmento | Nenhum | Mesmas indicações do Panoptik, com menor distância entre os centros ópticos de longe e de perto |
| Lente progressiva | Sem segmento; corredor progressivo inclinado nasalmente | Nenhum | Evitar em anisometropias maiores que 2 D, pelo efeito prismático vertical na leitura |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência que a apostila usa nos comentários das questões, da unidade da descentração à foria induzida.
A regra de Prentice usa P = d.D, com d em centímetros e D em dioptrias. O erro clássico é usar milímetros: 10 mm abaixo do centro óptico de uma lente de +10 D são 1 cm, e o efeito é de 10 DP.
O cilindro não tem poder no meridiano do próprio eixo. Para o efeito vertical, use o poder no meridiano de 90°: +4,00 -2,00 x 180° vale +2,00 nesse meridiano; com o cilindro a 90°, só a esférica conta.
A lente convergente age como prismas unidos pela base, e a divergente, unidos pelo ápice. Olhando abaixo do centro óptico, a convergente dá base superior e a divergente, base inferior; para os lados, base nasal ou temporal conforme o olho.
Na lente convergente, DIP menor que a distância entre os centros ópticos dá base temporal, e DIP maior, base nasal; na divergente, o contrário. No CBO 2023, lente de +4 DE com DIP de 60 mm e centros a 65 mm: 2 DP de base temporal.
Exotropia pede base nasal, e esotropia, base temporal; descentre a lente para obter essa base. No CBO 2014, a insuficiência de convergência de 4 DP com lente de +5 D pediu 8 mm de descentração nasal; no CBO 2015, a esotropia de 4 DP foi dividida entre os olhos, 5 mm em cada lente.
Prismas que apontam em direções opostas somam a foria induzida; na mesma direção, subtraem. Base externa de 1 DP no OD e de 2 DP no OE induz 3 DP de exoforia; base superior de 10 DP no OD e de 7 DP no OE, hiperforia direita de 3 DP.
Lentes positivas diminuem o desvio medido, e negativas aumentam, pela regra 3M (minus measures more). Na anisometropia, a diferença vertical entre os olhos causa anisoforia na leitura: óculos separados para longe e perto ou prisma slab-off na lente mais negativa.
Perguntas frequentes
É a unidade do poder do prisma: o deslocamento, em centímetros, de um raio de luz medido a 100 cm do prisma. Um prisma de 15 DP desloca o raio 15 cm a essa distância. Para ângulos menores que 45°, cada grau de desvio vale cerca de 2 DP; 45° correspondem a 100 DP, como no CBO 2025, e acima disso a relação não vale.
O prisma desvia a luz em direção à base, sem alterar a vergência dos raios. A imagem de um objeto real é virtual e se desloca para o ápice, resposta do CBO 2011; imagens reais, como as formadas por lentes convergentes, deslocam-se para a base. Na dispersão cromática, a luz violeta sai mais próxima da base, e a vermelha, mais distante.
São pequenas tiras de prisma colocadas lado a lado, que podem ser acopladas às lentes dos óculos. A vantagem sobre o prisma convencional é o peso menor; a desvantagem é a difração da luz na interface, que reduz a acuidade. Na superposição, prismas de mesma base num olho somam mais que a soma aritmética, e acima de 50 DP prefere-se dividir entre os olhos.
O bifocal tem um segmento de perto cujo poder prismático surge de repente no topo e produz o salto da imagem, máximo no Ultex, mínimo no flat top e ausente no Executive. A progressiva, ou multifocal, tem corredor de potência progressiva e não tem salto, mas tem aberrações por astigmatismo irregular nas laterais, cobradas no CBO 2013, maiores nos quadrantes inferiores interno e externo.
Em lente positiva, compare o poder da lente de longe no meridiano de 90° com a adição: maior, Ultex; igual, Kryptok; menor, Panoptik ou Executive. Em lente negativa, a apostila prefere sempre as de base superior e topo reto, Panoptik ou Executive. No CBO 2021, o paciente com grau para longe menor que a adição recebeu película de base superior.
A distância vértice deve ficar em torno de 12 mm e a inclinação pantoscópica entre 10 e 15°. Montagem alta prejudica a visão de longe, e baixa, a de perto; descentração horizontal dos centros ópticos borra a visão por efeito prismático. No CBO 2021, o paciente que abaixava os óculos para ver de longe tinha a cruz de montagem deslocada para cima.
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Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

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Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

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Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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