Parâmetros, DK/t e indicações, adaptação de RGP em K, mais plana e mais curva, lente lacrimal, ceratocone, esclerais, ortoceratologia, gelatinosas esféricas e tóricas, presbiopia, manutenção e complicações, com nove questões do CBO comentadas, de 2023 a 2025.
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Para que serve
Dos parâmetros da lente às complicações, com os cálculos e os padrões fluoresceínicos que a prova cobra; o próprio capítulo prevê de 4 a 5 questões do tema na Prova Teórica II.
Curva-base, diâmetro, DK, DK/t e umectabilidade, indicações e contraindicações e casos de refração e ceratometria que mostram quando a RGP corrige o astigmatismo e quando só a gelatinosa serve.
Adaptação em K, mais plana e mais curva, lente lacrimal, padrão em halter, três filosofias no ceratocone, Soper, geometria reversa, SAG e vault das esclerais e ortoceratologia.
CBO 2023, 2024 e 2025, com gabarito e comentário: lente terapêutica na erosão recorrente, astigmatismo refracional, esclerais, ortoceratologia, monovisão, manutenção e complicações por tipo de lente.
Sumário
As seções na ordem do capítulo, dos conceitos básicos às ceratites infecciosas.
A adaptação de lentes de contato rígidas usa ceratometria e topografia para escolher a lente de teste, e o padrão fluoresceínico define a final: filme lacrimal uniforme, sem toque excessivo, troca de 20% a cada piscada e boa centralização. Na gelatinosa, a curva-base é sempre mais plana que K e o diâmetro, maior que a córnea.
A RGP pode ser adaptada em K, quando a curva-base iguala o K mais plano, mais curva ou mais plana que K. A curva-base mais curva que K forma lente lacrimal positiva, e a mais plana, negativa. No exemplo da apostila, curva-base de 44,00 D sobre K de 43,00 D forma lente lacrimal de +1,00 D, que o grau da lente compensa com 1,00 D a mais de negativo.
A rígida sem toricidade anterior corrige o astigmatismo da face anterior da córnea, e não o interno, cristaliniano ou da face posterior. Quando o astigmatismo refracional difere do ceratométrico, a escolha é a gelatinosa: no CBO 2024, refração de -2,00 DE -3,00 DC x 180° com 1,00 D de astigmatismo corneano pede gelatinosa tórica. Nas córneas irregulares e nas ectasias, a rígida é melhor.
No ceratocone, a Série Brasileira descreve três filosofias: livramento apical, toque apical e três pontos de apoio. A Soper tem curva central em geral de 48,00 a 59,00 D e periférica fixa de 45,00 D. As esclerais não tocam a córnea: a escolha considera white-to-white, formato prolado ou oblado e SAG, com vault ideal de 100 a 300 micrômetros.
A ortoceratologia usa lentes rígidas de uso noturno para remodelar temporariamente o epitélio: geometria reversa na miopia e asféricas na hipermetropia. Os candidatos têm miopia ou hipermetropia leve a moderada, astigmatismo até 1,75, córnea regular com astigmatismo a favor da regra e ceratometria entre 40 e 48 D. No Brasil, há lentes só para miopia de -1,75 a -6,00 D.
Comparativo
Diâmetro, curva-base, padrão de adaptação, material, indicação e problemas de cada tipo de lente, como descritos no capítulo.
| Parâmetro | RGP corneana | Escleral | Gelatinosa |
|---|---|---|---|
| Diâmetro | Menor que a córnea (corneana: 8 a 12,5 mm) | Maior que a córnea: miniescleral de 15 a 18 mm, escleral de 18 a 25 mm | Maior que a córnea; cobre e ultrapassa o limbo em 360° |
| Curva-base | Em K, mais curva ou mais plana que o K mais plano (K1) | Escolha por white-to-white, formato da córnea e SAG; a topografia tem menor importância | Sempre mais plana que K |
| Adaptação ideal | Filme lacrimal uniforme, sem toque excessivo, troca de 20% ao piscar, boa centralização | Ausência de toque na córnea, vault de 100 a 300 micrômetros, limbo sem toque, sem compressão conjuntival | Centralizada, com mobilidade de 0,5 a 1 mm ao piscar |
| Material | Acrilato de fluorsilicone, como o hexafocon A | Os mesmos materiais da RGP | Hidrogel (HEMA) ou silicone-hidrogel, de DK mais elevado |
| Indicação | Córneas irregulares e ectasias; astigmatismo da face anterior da córnea | Óptica: ceratocone avançado, degeneração marginal pelúcida, pós-anel, pós-ceratoplastia, pós-RK; terapêutica: olho seco grave, penfigoide, Stevens-Johnson | Astigmatismo interno; maior conforto e estabilidade, esportes |
| Problema de adaptação | Lente esférica no ceratocone: toque na região central, sem padrão uniforme | SAG muito elevado, compressão de vasos conjuntivais, diâmetro pequeno, toque central por SAG insuficiente | Frouxa: descentração e visão que borra ao piscar; apertada: mobilidade reduzida e visão que melhora ao piscar |
| Risco ou complicação | Ptose, warpage e ceratite às 3 e 9 horas | Hipóxia pela troca lacrimal quase inexistente; cautela com baixa contagem endotelial e distrofia de Fuchs | Conjuntivite papilar gigante, 10 vezes mais comum que com a rígida |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência do capítulo, da indicação à correção da rotação da lente tórica.
Infecção ativa, como ceratite infecciosa, canaliculite e dacriocistite, e incapacidade de aderir aos cuidados de manuseio são contraindicações absolutas. Blefarite, disfunção de glândulas de Meibomius, atopia e alergias oculares são relativas e devem ser tratadas e controladas antes do uso.
Compare o astigmatismo refracional com o ceratométrico. Se coincidem, gelatinosa ou RGP servem; se divergem, como nos casos de Marcos e Antônio da apostila, há componente interno, e a indicação é só a gelatinosa, porque a rígida sem toricidade anterior deixaria ou induziria astigmatismo. Córnea irregular ou ectasia pede rígida.
Ceratometria e topografia orientam a lente de teste, com o K1 como referência para a curva-base; a lente final sai do padrão fluoresceínico. No astigmatismo elevado, a lente esférica forma padrão em halter, e a face posterior tórica melhora o encaixe.
Curva-base igual a K dá lente lacrimal zero; mais curva, positiva; mais plana, negativa. No astigmatismo, use só a esfera: refração -1,75 DE -1,75 DC x 180, K 43,25 x 45,00 D e curva-base de 45,00 D geram lente lacrimal de +1,75 D e grau final de -3,50 D.
Use grau LC = grau dos óculos / (1 – grau dos óculos x distância vértice em metros). A correção tem relevância a partir de 4,5 DE; abaixo disso, a diferença é menor que 0,25 D. O míope usa lente de grau menor que os óculos, e o hipermétrope, maior. No astigmatismo, calcule por eixo.
A lente ideal fica centralizada, cobre e ultrapassa o limbo em 360° e se move de 0,5 a 1 mm ao piscar. A frouxa descentra, tem mobilidade excessiva, bolhas e visão que borra ao piscar; a apertada quase não se move e incomoda após horas.
A marca às 6 horas mostra a rotação; até 30°, compense no eixo pela regra LARS, em qualquer olho. Uma lente de -2,50 DE -1,25 DC x 180° que roda 10° para a esquerda do examinador deve ser pedida com eixo de 10°.
Perguntas frequentes
É a curvatura da face posterior da lente, a que fica em contato com a córnea, medida em milímetros de raio e conversível em dioptrias: menor raio, lente mais curva (45 D equivalem a 7,5 mm); maior raio, lente mais plana (41 D, a 8,23 mm). A RGP pode ser adaptada em K, mais curva ou mais plana que K1; a gelatinosa é sempre mais plana que K.
O DK mede a permeabilidade do material ao oxigênio, com D de coeficiente de difusão e K de solubilidade. O DK/t divide o DK pela espessura e é propriedade da lente: com o mesmo material, a lente mais fina passa mais oxigênio. Na lente terapêutica para erosão recorrente, o CBO 2023 pediu DK/t alto e pouca movimentação, para poupar o epitélio frágil.
A indicação óptica vale para irregularidade corneana: ceratocone avançado, degeneração marginal pelúcida, pós-anel intraestromal, pós-ceratoplastia e pós-RK. A terapêutica aproveita o reservatório líquido no olho seco grave, no penfigoide e na Stevens-Johnson. Baixa contagem endotelial e incapacidade de manusear a lente são as principais contraindicações; pinguécula não contraindica, como cobrou o CBO 2023, que também pediu aumentar o SAG diante de toque central.
Pela questão do CBO 2025, ptose, por afinamento e desinserção do tendão do MEPS, warpage e ceratite às 3 e 9 horas são mais frequentes com a rígida. A conjuntivite papilar gigante, imunomediada e mais comum em atópicos, é 10 vezes mais frequente com a gelatinosa; a conduta troca o material da lente e o sistema de higiene e associa anti-histamínico e estabilizador de mastócitos.
Suspensão imediata da lente. Úlcera grande ou que compromete o eixo visual pede coleta e colírios fortificados; pequena e fora do eixo, quinolona de 4ª geração, tratando a princípio como bacteriana. O principal agente é gram negativo, a Pseudomonas; cerca de 80% dos casos de Acanthamoeba ocorrem em usuários de lente, e fungos são menos frequentes.
A limpeza remove resíduos: surfactantes tiram lipídios, muco, restos celulares e cosméticos, e enzimáticos tiram depósitos proteicos. A desinfecção pode ser térmica, a 80 °C por no mínimo 10 minutos, contraindicada para RGP e lentes cosméticas; com peróxido de hidrogênio a 3%, que exige neutralização completa, de cerca de 6 horas; ou química não oxidativa, com soluções multipropósito, que no gabarito do CBO 2024 atuam inclusive contra Acanthamoeba. Água corrente não entra em nenhuma etapa.
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Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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