Apostila gratuita · 25 páginas

Adaptação de lentes de contato: RGP, esclerais, gelatinosas e complicações

Parâmetros, DK/t e indicações, adaptação de RGP em K, mais plana e mais curva, lente lacrimal, ceratocone, esclerais, ortoceratologia, gelatinosas esféricas e tóricas, presbiopia, manutenção e complicações, com nove questões do CBO comentadas, de 2023 a 2025.

PDF de 4,2 MB. Gratuito.

Capa da apostila Lentes de contato: parâmetros, adaptação e complicações em um tablet
Formato
Apostila · 25 páginas
Área da prova
Lentes de contato
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de adaptação de lentes de contato cobre

Dos parâmetros da lente às complicações, com os cálculos e os padrões fluoresceínicos que a prova cobra; o próprio capítulo prevê de 4 a 5 questões do tema na Prova Teórica II.

  • Rígida ou gelatinosa, com casos

    Curva-base, diâmetro, DK, DK/t e umectabilidade, indicações e contraindicações e casos de refração e ceratometria que mostram quando a RGP corrige o astigmatismo e quando só a gelatinosa serve.

  • Padrão fluoresceínico da RGP à escleral

    Adaptação em K, mais plana e mais curva, lente lacrimal, padrão em halter, três filosofias no ceratocone, Soper, geometria reversa, SAG e vault das esclerais e ortoceratologia.

  • Nove questões do CBO comentadas

    CBO 2023, 2024 e 2025, com gabarito e comentário: lente terapêutica na erosão recorrente, astigmatismo refracional, esclerais, ortoceratologia, monovisão, manutenção e complicações por tipo de lente.

Sumário

O que tem dentro das 25 páginas

As seções na ordem do capítulo, dos conceitos básicos às ceratites infecciosas.

  1. 01Conceitos básicos: curva-base, diâmetro, DK, DK/t e umectabilidade
  2. 02Indicações e contraindicações das lentes de contato
  3. 03Qual lente escolher: gelatinosa ou rígida, com casos de refração e ceratometria
  4. 04Questões do CBO 2023 e 2024: lente terapêutica e astigmatismo refracional
  5. 05Lentes rígidas gás-permeáveis: materiais e adaptação em córneas normais
  6. 06Lente lacrimal e cálculo do grau da RGP, com e sem astigmatismo
  7. 07Adaptação em ceratocone: filosofias, Soper, tricurva e multicurva
  8. 08Lentes de geometria reversa
  9. 09Lentes esclerais: indicações, SAG, vault e problemas de adaptação
  10. 10Ortoceratologia e questões do CBO 2023 a 2025 sobre esclerais e ortoceratologia
  11. 11Lentes gelatinosas: hidrogel, silicone-hidrogel e adaptação da lente esférica
  12. 12Cálculo pela distância vértice e adaptação da gelatinosa tórica (regra LARS)
  13. 13Lentes de contato na presbiopia: monovisão, bifocais, multifocais e questão do CBO 2023
  14. 14Cuidados de manutenção: estojo, limpeza, desinfecção, descarte e regime de uso
  15. 15Complicações: olho seco, depósitos, ptose, conjuntivite papilar gigante, edema, warpage e infiltrados
  16. 16Ceratites infecciosas: fatores de risco, conduta, agentes e questões do CBO 2024 e 2025
Página interna da apostila sobre Lentes de contato: parâmetros, adaptação e complicações
Página da apostila: regra LARS da gelatinosa tórica, cálculo da distância vértice com astigmatismo eixo por eixo, com exemplo, e as técnicas na presbiopia: monovisão, monovisão modificada e lentes bifocais e multifocais.

Como é feita a adaptação de lentes de contato?

A adaptação de lentes de contato rígidas usa ceratometria e topografia para escolher a lente de teste, e o padrão fluoresceínico define a final: filme lacrimal uniforme, sem toque excessivo, troca de 20% a cada piscada e boa centralização. Na gelatinosa, a curva-base é sempre mais plana que K e o diâmetro, maior que a córnea.

A RGP pode ser adaptada em K, quando a curva-base iguala o K mais plano, mais curva ou mais plana que K. A curva-base mais curva que K forma lente lacrimal positiva, e a mais plana, negativa. No exemplo da apostila, curva-base de 44,00 D sobre K de 43,00 D forma lente lacrimal de +1,00 D, que o grau da lente compensa com 1,00 D a mais de negativo.

A rígida sem toricidade anterior corrige o astigmatismo da face anterior da córnea, e não o interno, cristaliniano ou da face posterior. Quando o astigmatismo refracional difere do ceratométrico, a escolha é a gelatinosa: no CBO 2024, refração de -2,00 DE -3,00 DC x 180° com 1,00 D de astigmatismo corneano pede gelatinosa tórica. Nas córneas irregulares e nas ectasias, a rígida é melhor.

No ceratocone, a Série Brasileira descreve três filosofias: livramento apical, toque apical e três pontos de apoio. A Soper tem curva central em geral de 48,00 a 59,00 D e periférica fixa de 45,00 D. As esclerais não tocam a córnea: a escolha considera white-to-white, formato prolado ou oblado e SAG, com vault ideal de 100 a 300 micrômetros.

A ortoceratologia usa lentes rígidas de uso noturno para remodelar temporariamente o epitélio: geometria reversa na miopia e asféricas na hipermetropia. Os candidatos têm miopia ou hipermetropia leve a moderada, astigmatismo até 1,75, córnea regular com astigmatismo a favor da regra e ceratometria entre 40 e 48 D. No Brasil, há lentes só para miopia de -1,75 a -6,00 D.

Página da apostila Lentes de contato: parâmetros, adaptação e complicações

Comparativo

Adaptação de lentes de contato: RGP, escleral e gelatinosa

Diâmetro, curva-base, padrão de adaptação, material, indicação e problemas de cada tipo de lente, como descritos no capítulo.

RGP corneana, escleral e gelatinosa lado a lado; as complicações por tipo de lente seguem a questão do CBO 2025 comentada no capítulo. Fonte: apostila Oft-Review, “Lentes de contato: parâmetros, adaptação e complicações”.
ParâmetroRGP corneanaEscleralGelatinosa
DiâmetroMenor que a córnea (corneana: 8 a 12,5 mm)Maior que a córnea: miniescleral de 15 a 18 mm, escleral de 18 a 25 mmMaior que a córnea; cobre e ultrapassa o limbo em 360°
Curva-baseEm K, mais curva ou mais plana que o K mais plano (K1)Escolha por white-to-white, formato da córnea e SAG; a topografia tem menor importânciaSempre mais plana que K
Adaptação idealFilme lacrimal uniforme, sem toque excessivo, troca de 20% ao piscar, boa centralizaçãoAusência de toque na córnea, vault de 100 a 300 micrômetros, limbo sem toque, sem compressão conjuntivalCentralizada, com mobilidade de 0,5 a 1 mm ao piscar
MaterialAcrilato de fluorsilicone, como o hexafocon AOs mesmos materiais da RGPHidrogel (HEMA) ou silicone-hidrogel, de DK mais elevado
IndicaçãoCórneas irregulares e ectasias; astigmatismo da face anterior da córneaÓptica: ceratocone avançado, degeneração marginal pelúcida, pós-anel, pós-ceratoplastia, pós-RK; terapêutica: olho seco grave, penfigoide, Stevens-JohnsonAstigmatismo interno; maior conforto e estabilidade, esportes
Problema de adaptaçãoLente esférica no ceratocone: toque na região central, sem padrão uniformeSAG muito elevado, compressão de vasos conjuntivais, diâmetro pequeno, toque central por SAG insuficienteFrouxa: descentração e visão que borra ao piscar; apertada: mobilidade reduzida e visão que melhora ao piscar
Risco ou complicaçãoPtose, warpage e ceratite às 3 e 9 horasHipóxia pela troca lacrimal quase inexistente; cautela com baixa contagem endotelial e distrofia de FuchsConjuntivite papilar gigante, 10 vezes mais comum que com a rígida

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Na prática

Como adaptar a lente de contato e calcular o grau, passo a passo

A sequência do capítulo, da indicação à correção da rotação da lente tórica.

  1. Confirme indicação e contraindicações

    Infecção ativa, como ceratite infecciosa, canaliculite e dacriocistite, e incapacidade de aderir aos cuidados de manuseio são contraindicações absolutas. Blefarite, disfunção de glândulas de Meibomius, atopia e alergias oculares são relativas e devem ser tratadas e controladas antes do uso.

  2. Escolha entre rígida e gelatinosa

    Compare o astigmatismo refracional com o ceratométrico. Se coincidem, gelatinosa ou RGP servem; se divergem, como nos casos de Marcos e Antônio da apostila, há componente interno, e a indicação é só a gelatinosa, porque a rígida sem toricidade anterior deixaria ou induziria astigmatismo. Córnea irregular ou ectasia pede rígida.

  3. Teste a RGP pelo K mais plano

    Ceratometria e topografia orientam a lente de teste, com o K1 como referência para a curva-base; a lente final sai do padrão fluoresceínico. No astigmatismo elevado, a lente esférica forma padrão em halter, e a face posterior tórica melhora o encaixe.

  4. Calcule o grau pela lente lacrimal

    Curva-base igual a K dá lente lacrimal zero; mais curva, positiva; mais plana, negativa. No astigmatismo, use só a esfera: refração -1,75 DE -1,75 DC x 180, K 43,25 x 45,00 D e curva-base de 45,00 D geram lente lacrimal de +1,75 D e grau final de -3,50 D.

  5. Corrija a distância vértice na gelatinosa

    Use grau LC = grau dos óculos / (1 – grau dos óculos x distância vértice em metros). A correção tem relevância a partir de 4,5 DE; abaixo disso, a diferença é menor que 0,25 D. O míope usa lente de grau menor que os óculos, e o hipermétrope, maior. No astigmatismo, calcule por eixo.

  6. Avalie a gelatinosa na biomicroscopia

    A lente ideal fica centralizada, cobre e ultrapassa o limbo em 360° e se move de 0,5 a 1 mm ao piscar. A frouxa descentra, tem mobilidade excessiva, bolhas e visão que borra ao piscar; a apertada quase não se move e incomoda após horas.

  7. Compense a rotação da tórica

    A marca às 6 horas mostra a rotação; até 30°, compense no eixo pela regra LARS, em qualquer olho. Uma lente de -2,50 DE -1,25 DC x 180° que roda 10° para a esquerda do examinador deve ser pedida com eixo de 10°.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre lentes de contato na prova do CBO

O que é a curva-base da lente de contato?

É a curvatura da face posterior da lente, a que fica em contato com a córnea, medida em milímetros de raio e conversível em dioptrias: menor raio, lente mais curva (45 D equivalem a 7,5 mm); maior raio, lente mais plana (41 D, a 8,23 mm). A RGP pode ser adaptada em K, mais curva ou mais plana que K1; a gelatinosa é sempre mais plana que K.

Qual a diferença entre DK e DK/t?

O DK mede a permeabilidade do material ao oxigênio, com D de coeficiente de difusão e K de solubilidade. O DK/t divide o DK pela espessura e é propriedade da lente: com o mesmo material, a lente mais fina passa mais oxigênio. Na lente terapêutica para erosão recorrente, o CBO 2023 pediu DK/t alto e pouca movimentação, para poupar o epitélio frágil.

Quando indicar lente escleral?

A indicação óptica vale para irregularidade corneana: ceratocone avançado, degeneração marginal pelúcida, pós-anel intraestromal, pós-ceratoplastia e pós-RK. A terapêutica aproveita o reservatório líquido no olho seco grave, no penfigoide e na Stevens-Johnson. Baixa contagem endotelial e incapacidade de manusear a lente são as principais contraindicações; pinguécula não contraindica, como cobrou o CBO 2023, que também pediu aumentar o SAG diante de toque central.

Quais complicações são mais ligadas à lente rígida e à gelatinosa?

Pela questão do CBO 2025, ptose, por afinamento e desinserção do tendão do MEPS, warpage e ceratite às 3 e 9 horas são mais frequentes com a rígida. A conjuntivite papilar gigante, imunomediada e mais comum em atópicos, é 10 vezes mais frequente com a gelatinosa; a conduta troca o material da lente e o sistema de higiene e associa anti-histamínico e estabilizador de mastócitos.

Qual a conduta na ceratite infecciosa em usuário de lente de contato?

Suspensão imediata da lente. Úlcera grande ou que compromete o eixo visual pede coleta e colírios fortificados; pequena e fora do eixo, quinolona de 4ª geração, tratando a princípio como bacteriana. O principal agente é gram negativo, a Pseudomonas; cerca de 80% dos casos de Acanthamoeba ocorrem em usuários de lente, e fungos são menos frequentes.

Qual a diferença entre limpeza e desinfecção da lente de contato?

A limpeza remove resíduos: surfactantes tiram lipídios, muco, restos celulares e cosméticos, e enzimáticos tiram depósitos proteicos. A desinfecção pode ser térmica, a 80 °C por no mínimo 10 minutos, contraindicada para RGP e lentes cosméticas; com peróxido de hidrogênio a 3%, que exige neutralização completa, de cerca de 6 horas; ou química não oxidativa, com soluções multipropósito, que no gabarito do CBO 2024 atuam inclusive contra Acanthamoeba. Água corrente não entra em nenhuma etapa.

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    Dr. Guilherme Macedo

    Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

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    Dr. Iago Bastos

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

    Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

  • UNIFESPDr. Lucas Pereira

    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

    Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

  • USPDra. Marianna Hollaender

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    Dra. Marianna Hollaender

    Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

  • USPDr. João Lucas Libório

    Especialista pelo CBO

    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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