Hipermetropia total, latente, manifesta, facultativa e absoluta com exemplos numéricos, quando prescrever na criança, evolução e correção da miopia, pseudomiopia, atropina e lentes defocus, balanço binocular e foróptero. Doze questões do CBO, de 2012 a 2025.
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Para que serve
Os componentes da hipermetropia, as regras de prescrição na criança e o controle da progressão da miopia, com as questões do CBO comentadas ao longo do capítulo.
Total, latente, manifesta, facultativa e absoluta em dois exemplos resolvidos: +8,0 D sob cicloplegia, +7,0 D sem cicloplegia e 5 D de acomodação dão latente de +1,0 D e absoluta de +2,0 D.
Limites de normalidade por idade, critérios para não corrigir, correção total na esotropia e na ambliopia, hipocorreção na astenopia e na exotropia e o desconto simétrico só do esférico, de +1,50 a +2,0 DE aos 6 anos.
Atividades ao ar livre, atropina a partir de 0,01%, lentes de óculos com defocus até -9,50 D e de contato a partir de 8 anos, tratamento com progressão de -0,50 D por ano e seguimento com refração e biometria.
Sumário
As seções na ordem do capítulo, da classificação da hipermetropia ao balanço binocular e às lentes auxiliares do foróptero.
Hipermetropia latente é a parte da hipermetropia total que corresponde ao tônus do músculo ciliar e só aparece no exame sob cicloplegia. Ela é a diferença entre a hipermetropia total, medida com o olho cicloplegiado, e a manifesta, medida sem cicloplegia. Com +8,0 D sob cicloplegia e +7,0 D sem ela, a latente é de +1,0 D.
A hipermetropia manifesta, que aparece mesmo sem cicloplegia, divide-se em facultativa e absoluta. A facultativa pode ser compensada pela acomodação e geralmente não reduz a acuidade visual; a absoluta não pode e geralmente reduz. Assim, total = latente + manifesta, e manifesta = facultativa + absoluta. No exemplo da apostila, acomodar 5 D dos +7,0 D manifestos deixa +2,0 D de absoluta.
No segundo exemplo, a refração sem cicloplegia dá +3,00 D com acuidade 20/20. Com +1,00 D a visão segue 20/20 e com +0,75 cai para 20/25: o paciente compensa +2,00 D, que é a facultativa, e +1,0 D é absoluta. Sob cicloplegia surgem +4,00 D, a hipermetropia total, e o +1,00 D restante é a latente.
Com a idade, a acomodação diminui, a hipermetropia facultativa cai e a absoluta aumenta; no jovem, toda a manifesta pode ser facultativa. Esse foi o gabarito do CBO 2025, que também lembrou que a prescrição se baseia na refração estática. No CBO 2021, a resposta era a definição de latente como a diferença entre a hipermetropia total e a manifesta.
Na criança, a apostila dispensa a correção quando o erro é pequeno, a acuidade é normal e não há astenopia nem estrabismo. Com esotropia, corrige-se a hipermetropia total da refração sob cicloplegia, e geralmente também na ambliopia; com astenopia ou baixa acuidade, sem estrabismo nem ambliopia, hipocorrige-se, e na exotropia a hipocorreção estimula a acomodação e a convergência.
Comparativo
Os cinco componentes da classificação pela ação da acomodação, com os dois exemplos numéricos do capítulo.
| Componente | Definição | No exame ou com a idade | Exemplo 1 da apostila | Exemplo 2 da apostila |
|---|---|---|---|---|
| Total | Latente + manifesta | Medida com o olho cicloplegiado e o músculo ciliar relaxado | +8,0 D | +4,00 D |
| Latente | Tônus do músculo ciliar | Só aparece sob cicloplegia; é a total menos a manifesta | +1,0 D | +1,00 D |
| Manifesta | Facultativa + absoluta | Aparece mesmo sem cicloplegia | +7,0 D | +3,00 D, com acuidade 20/20 |
| Facultativa | Parte da manifesta compensada pela acomodação; geralmente não reduz a acuidade | Diminui com a idade | +5,0 D | +2,00 D |
| Absoluta | Parte da manifesta que a acomodação não compensa; geralmente reduz a acuidade | Aumenta com a idade | +2,0 D | +1,0 D |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
As regras de prescrição na ordem do capítulo, da refração com e sem cicloplegia ao seguimento da miopia em progressão.
A refração sem cicloplegia dá a hipermetropia manifesta; sob cicloplegia, a total, e a diferença entre as duas é a latente. A prescrição se baseia no que se encontra na refração estática, ponto cobrado no CBO 2025.
Cerca de 90% dos olhos de recém-nascidos têm hipermetropia inferior a +5,0 D. Na criança pré-verbal, o limite superior da normalidade é de +3,5 D; ao redor dos 6 anos, no início da idade escolar, toleram-se hipermetropias de até +1,75 D.
Com erro pequeno, acuidade normal, sem astenopia e sem estrabismo, não se corrige. No CBO 2022, a criança de 6 anos com +2,00 DE, acuidade 1,0 e sem desvio não recebe óculos: a tolerância acomodativa nessa idade fica em torno de +4,0 D.
Na esotropia, corrige-se a hipermetropia total da refração sob cicloplegia, para diminuir a demanda acomodativa e, pela sincinesia acomodação-convergência, a convergência. Na ambliopia refracional, a prescrição também é total; com relação CA/A aumentada, considera-se adição.
Com astenopia ou baixa acuidade, sem estrabismo nem ambliopia, desconta-se parte da hipermetropia, só do esférico e de forma simétrica entre os olhos: em torno de +1,50 a +2,0 DE aos 6 anos, como no CBO 2023. Na exotropia, a hipocorreção estimula acomodação e convergência.
Até 2 anos, não se corrige miopia de até -3,0 D; na idade pré-escolar, de até -1,50 D. No escolar, a correção é necessária, e geralmente se prescreve toda a miopia da refração estática sob cicloplegia, porque a acomodação não a compensa.
Incentive atividades ao ar livre e evite o excesso de atividades de perto. A atropina em baixa concentração começa em 0,01%, independentemente do grau. Há lentes de óculos e de contato com defocus periférico. Acompanhe com refração sob cicloplegia semestral e biometria óptica anual.
Perguntas frequentes
As duas formam a hipermetropia manifesta. A facultativa pode ser compensada pela acomodação e geralmente não reduz a acuidade visual; a absoluta não pode e geralmente reduz. Com a idade, a capacidade de acomodação cai, a facultativa diminui e a absoluta aumenta, como cobrou o CBO 2025. No jovem, toda a hipermetropia manifesta pode ser facultativa.
Hipermetropia latente é a hipermetropia total menos a manifesta, gabarito do CBO 2021. A total vem da refração sob cicloplegia; a manifesta, da refração sem cicloplegia. No segundo exemplo da apostila, +4,00 D sob cicloplegia e +3,00 D sem ela dão latente de +1,00 D, que corresponde ao tônus do músculo ciliar.
Corrige-se a hipermetropia total da refração sob cicloplegia na esotropia e, geralmente, na ambliopia. Com astenopia ou redução da acuidade, sem estrabismo nem ambliopia, hipocorrige-se. Sem queixas, com acuidade normal e erro pequeno, não se prescreve: no CBO 2012, a criança de 4 anos com +3,50 DE sem queixas não recebe correção, e a de 6 anos com +5,00 DE e esotropia recebe a refração estática.
Ocorre pelo excesso de esforço acomodativo para perto, como no uso de computador, celular e leitura. O paciente refere borramento para longe, flutuação visual, astenopia, cefaleia e aproximação do ponto próximo, e pode ter miose pela sincinesia acomodação-convergência-miose. É míope na refração dinâmica e emétrope ou hipermétrope na estática, como no CBO 2013. O tratamento combina descanso visual, prescrição da hipermetropia e, em alguns casos, colírio cicloplégico noturno.
A atropina diluída de uso diário, de 0,01 a 0,05%, reduz a progressão da miopia em até 30 a 60%, com efeitos adversos toleráveis e menor rebote após a suspensão. O tratamento começa em 0,01%, independentemente do grau, e o aumento da concentração é avaliado se a progressão persistir; 0,05% teve muitos efeitos colaterais, e 0,025% parece bem tolerada. O CBO 2025 cobrou o tema.
A 4 m, os raios dos optotipos chegam ao olho com vergência de -0,25 D, e a refração encontrada fica com +0,25 DE em excesso. Ao final da refração, adiciona-se -1/d, em que d é a distância em metros entre a tabela e o refrator: -1/4 = -0,25 D. O tema caiu no CBO 2012 e no CBO 2021, e o raciocínio é análogo ao desconto da distância de trabalho na esquiascopia.
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