Apostila gratuita · 12 páginas

Doença de Coats, síndrome de Terson e outras doenças vasculares da retina

MacTel tipos 1 e 2, retinopatia da radiação, Purtscher e Purtscher-like, síndrome de Terson, retinopatia de Valsalva e doença de Coats com a classificação de Shields. Seis questões do CBO comentadas, de 2017, 2021 e 2025.

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Formato
Apostila · 12 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Doenças vasculares
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de doenças vasculares da retina cobre

Seis doenças vasculares da retina para a prova de título do CBO (PNO), com a doença de Coats estadiada pela classificação de Shields.

  • Classificação de Shields completa

    Estágios 1 a 5 com as subdivisões 2a, 2b, 3a1, 3a2 e 3b, em quadro com o selo Coleção CBO 2023, seguidos das complicações, da angiofluoresceinografia e do tratamento da doença de Coats.

  • Coats ou retinoblastoma

    Estrabismo e leucocoria colocam a doença de Coats no diagnóstico diferencial do retinoblastoma. Ecografia e tomografia computadorizada ajudam nesse diferencial: no retinoblastoma há caracteristicamente calcificação, o que não ocorre na doença de Coats.

  • Seis questões do CBO comentadas

    CBO 2017 (Terson), CBO 2021 (MacTel, radiação e Coats) e CBO 2025 (MacTel e hemorragia macular em dois níveis), com gabarito e comentário dentro do capítulo.

Sumário

O que tem dentro das 12 páginas

As seis seções do capítulo, na ordem do livro Retina, vítreo e genética (páginas 134 a 143).

  1. 01Telangiectasia macular (MacTel): os tipos 1 e 2 e a saída do tipo 3 da classificação
  2. 02MacTel tipo 1: variante da doença de Coats, laser e aflibercept
  3. 03MacTel tipo 2: clínica, angiofluoresceinografia, OCT, OCT-A e tratamento
  4. 04Questões CBO 2021 e CBO 2025: OCT e angiofluoresceinografia na MacTel
  5. 05Retinopatia da radiação: dose, intervalo, clínica, angiofluoresceinografia, complicações e tratamento
  6. 06Questão CBO 2021: com o que a retinopatia da radiação se parece
  7. 07Retinopatia de Purtscher e Purtscher-like: fisiopatologia, clínica, embolia gordurosa e tratamento
  8. 08Síndrome de Terson: mecanismo, localização da hemorragia, prognóstico e conduta
  9. 09Questão CBO 2017: síndrome de Terson
  10. 10Retinopatia de Valsalva: hemorragia sub-MLI, diagnóstico diferencial, conduta e Nd:YAG laser
  11. 11Doença de Coats: epidemiologia e clínica
  12. 12Classificação de Shields
  13. 13Complicações, angiofluoresceinografia e diferencial com retinoblastoma por ecografia e TC
  14. 14Tratamento: fotocoagulação, crioterapia, adjuvantes e cirurgia
  15. 15Questões CBO 2021 e CBO 2025: tratamento inicial de Coats e hemorragia em dois níveis
Página interna da apostila sobre Doença de Coats, síndrome de Terson e outras doenças vasculares da retina
Página da apostila: estágios 3 a 5 da classificação de Shields, complicações, angiofluoresceinografia, diferencial com retinoblastoma e tratamento da doença de Coats.

O que é a doença de Coats?

A doença de Coats é uma doença vascular da retina com telangiectasias, microaneurismas e exsudatos intrarretinianos e sub-retinianos, estes amarelados e ricos em lipídios. Predomina no sexo masculino (85% dos casos), é unilateral em 80%, e 66% dos casos ocorrem antes dos 10 anos. A exsudação sub-retiniana pode causar grandes descolamentos exsudativos de retina.

O paciente costuma ter um ou mais dos três sintomas clássicos: redução importante da acuidade visual, estrabismo e leucocoria ou xantocoria. Por haver estrabismo e leucocoria, a doença de Coats é diagnóstico diferencial importante do retinoblastoma. Ecografia e tomografia computadorizada ajudam no diferencial: no retinoblastoma há caracteristicamente calcificação, o que não ocorre na doença de Coats. No adulto o quadro costuma ser mais leve, sem estrabismo, e pode se associar a hipercolesterolemia.

A classificação de Shields tem cinco estágios: telangiectasia (1); exsudação, extrafoveal (2a) ou foveal (2b); descolamento seroso, extrafoveal (3a1), foveal (3a2) ou total (3b); glaucoma (4); e phthisis bulbi (5). Do estágio 1 ao 4, cada um soma um elemento ao anterior. Catarata, glaucoma neovascular, iridociclite e phthisis bulbi são as complicações descritas na apostila.

O tratamento busca controlar a exsudação e prevenir o dano retiniano e a formação de neovasos. Estágios iniciais podem ser acompanhados. Com atividade de doença, sobretudo com exsudação ameaçando a visão central ou descolamento significativo, fotocoagulação (preferencial) ou crioterapia nas áreas de não perfusão é efetiva em cerca de 80% dos casos. Anti-VEGF e corticoide intravítreo entram como adjuvantes; drenagem externa ou vitrectomia ficam para o descolamento que impede o laser.

No mesmo capítulo, a síndrome de Terson é a hemorragia vítrea, sub-MLI ou sub-hialoide causada por hemorragia intracraniana ou subaracnoide. A retinopatia de Valsalva é a hemorragia, em geral sub-MLI, que segue o aumento da pressão intratorácica ou intra-abdominal. A MacTel tipo 1, unilateral e de homens jovens, pode ser considerada variante da doença de Coats.

Comparativo

Classificação de Shields da doença de Coats

Os cinco estágios, como no quadro da apostila com o selo Coleção CBO 2023. Do 1 ao 4, cada estágio acrescenta um elemento ao anterior.

Estágios da classificação de Shields, da telangiectasia isolada (1) à phthisis bulbi (5). Fonte: apostila Oft-Review, “Doença de Coats, síndrome de Terson e outras doenças vasculares da retina”.
EstágioO que define o estágioSubdivisões
1Telangiectasia retinianaSem subdivisão
2Telangiectasia retiniana + exsudação2a: extrafoveal; 2b: foveal
3Telangiectasia retiniana + exsudação + descolamento seroso retiniano3a1: extrafoveal; 3a2: foveal; 3b: descolamento seroso total
4Telangiectasia retiniana + exsudação + descolamento seroso retiniano + glaucomaSem subdivisão
5Phthisis bulbiSem subdivisão

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Doença de Coats: do diagnóstico ao tratamento, passo a passo

O raciocínio da seção de doença de Coats, na ordem em que a apostila ensina.

  1. Reconheça o perfil epidemiológico

    Predomina no sexo masculino (85% dos casos), é unilateral em 80%, e 66% dos casos ocorrem antes dos 10 anos, sem predileção por raça. Antes dos 4 anos é mais grave e progride mais. Não foi identificada relação com doença sistêmica nem transmissão genética.

  2. Identifique os sintomas clássicos e o fundo de olho

    Redução importante da acuidade visual, estrabismo e leuco/xantocoria, isolados ou associados. Na fundoscopia, telangiectasias, microaneurismas e exsudatos intrarretinianos e sub-retinianos; os sub-retinianos são amarelados e ricos em lipídios. Pode haver não perfusão periférica e neovascularização, inclusive sub-retiniana. No adulto, o quadro costuma ser mais leve e sem estrabismo.

  3. Estadie pela classificação de Shields

    Telangiectasia (1); exsudação extrafoveal ou foveal (2a, 2b); descolamento seroso extrafoveal, foveal ou total (3a1, 3a2, 3b); glaucoma (4); phthisis bulbi (5). Catarata, glaucoma neovascular, iridociclite e phthisis bulbi são as complicações descritas.

  4. Mapeie a doença na angiofluoresceinografia

    O exame evidencia telangiectasias, aneurismas, comunicações arteriovenosas e extravasamento. Também pode mostrar áreas de não perfusão capilar, para onde se dirige a fotocoagulação no tratamento.

  5. Afaste retinoblastoma por ecografia e TC

    Estrabismo e leucocoria fazem da doença de Coats diagnóstico diferencial importante do retinoblastoma. Ecografia e tomografia computadorizada são os exames de apoio nesse diferencial: a calcificação é característica do retinoblastoma e não ocorre na doença de Coats.

  6. Trate a exsudação ativa

    Estágios iniciais podem ser acompanhados. Com atividade de doença, fotocoagulação (preferencial) ou crioterapia nas áreas de não perfusão, efetivas em cerca de 80% dos casos; fibrose sub-retiniana pode limitar a melhora visual. Anti-VEGF e corticoide intravítreo são adjuvantes. Descolamento seroso que impede o laser pode exigir drenagem externa do líquido sub-retiniano ou vitrectomia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre doença de Coats, Terson, Valsalva e MacTel na prova do CBO

Como diferenciar a doença de Coats do retinoblastoma?

As duas podem se apresentar com estrabismo e leucocoria, por isso a doença de Coats entra no diagnóstico diferencial do retinoblastoma. A apostila aponta ecografia e tomografia computadorizada como os exames importantes nesse diferencial: no retinoblastoma há caracteristicamente calcificação, o que não ocorre na doença de Coats. Na fundoscopia, Coats mostra telangiectasias, aneurismas e exsudação sub-retiniana amarelada.

Qual o tratamento inicial da doença de Coats?

Fotocoagulação a laser nas áreas de não perfusão capilar, gabarito da questão CBO 2021 da apostila, sobre um menino de 8 anos com baixa visual unilateral e quadro de Coats. Fotocoagulação (preferencial) ou crioterapia está indicada quando há atividade de doença, principalmente com exsudação ameaçando a visão central ou descolamento de retina significativo, e é efetiva em cerca de 80% dos casos. Estágios iniciais podem ser acompanhados clinicamente.

O que caracteriza a síndrome de Terson?

Hemorragia vítrea, sub-limitante interna ou hemorragia sub-hialoide causada por hemorragia intracraniana ou subaracnoide. Acredita-se que o aumento súbito da pressão intracraniana eleve a pressão venosa retiniana e rompa capilares peripapilares. Um terço dos pacientes com hemorragia subaracnoide ou subdural tem hemorragia retiniana. A conduta costuma ser expectante, com vitrectomia nas hemorragias vítreas densas e persistentes. Na questão CBO 2017, o gabarito é hemorragia vítrea e subaracnoide.

Qual a conduta na retinopatia de Valsalva?

Na maior parte das vezes, expectante, com melhora espontânea da visão em alguns meses. Casos com mais de 3 meses, lesões muito extensas ou necessidade de recuperação visual rápida podem ser tratados com Nd:YAG laser aplicado sobre a MLI, na porção inferior da hemorragia, o que dispersa o sangue para o vítreo. Alternativas: deslocamento pneumático com gás e vitrectomia com peeling de MLI. Hemorragia sub-retiniana indica intervenção precoce.

Como é a OCT na MacTel tipo 2?

A OCT mostra afilamento da região central da mácula com cavitação na retina interna, e pode haver interrupção da zona elipsoide. É o padrão da imagem correta na questão CBO 2021 da apostila. Na angiofluoresceinografia, o típico é o extravasamento de contraste temporal à fóvea, gabarito do CBO 2025. A principal complicação é a neovascularização macular, tratada com anti-VEGF.

Qual a diferença entre retinopatia de Purtscher e Purtscher-like?

A retinopatia de Purtscher ocorre após trauma torácico ou encefálico. A Purtscher-like tem fundoscopia idêntica, sem trauma, em pancreatite aguda, insuficiência renal, doenças do colágeno, pós-parto imediato e embolia amniótica. Nas duas, a ativação do complemento leva a leucoembolização e oclusão de pequenas arteríolas, com manchas algodonosas, Purtscher-Flecken e hemorragias retinianas. Não há tratamento específico.

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Confira abaixo alguns dos professores especialistas que você vai encontrar no Extensive, o curso preparatório da Oft-Review para a prova de título do CBO.

  • USPDr. Daniel Costa

    Especialista pelo CBONota recorde na PNO

    Dr. Daniel Costa

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma pela USP. Bateu recorde de nota na PNO. Co-Fundador do Grupo Med-Review.

  • USPDr. Bernardo Moraes

    Especialista pelo CBONota recorde na PNO

    Dr. Bernardo Moraes

    Oftalmologista pela USP. Preceptor da Clínica Oftalmológica do HC-USP. Bateu recorde de nota na PNO. 1º colocado na PNO 2019. Co-fundador do grupo OFT-Review.

  • USPUFSCarDra. Ana Letícia Darcie

    Especialista pelo CBO

    Dra. Ana Letícia Darcie

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pela USP. Médica no HU-UFSCar. Médica do setor de estrabismo no Hospital das Clínicas da USP.

  • USPDr. Flávio Moura

    Especialista pelo CBO

    Dr. Flávio Moura

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Catarata e Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • UNIFESPDr. Guilherme Macedo

    Especialista pelo CBO

    Dr. Guilherme Macedo

    Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

  • USPDr. Iago Bastos

    Especialista pelo CBO

    Dr. Iago Bastos

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

    Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

  • UNIFESPDr. Lucas Pereira

    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

    Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

  • USPDra. Marianna Hollaender

    Especialista pelo CBO

    Dra. Marianna Hollaender

    Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

  • USPDr. João Lucas Libório

    Especialista pelo CBO

    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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