Apostila gratuita · 46 páginas

Hipocalemia, hipercalemia e distúrbios de cálcio, fosfato e magnésio

Hipocalemia e hipercalemia do ECG ao tratamento, limites de reposição de KCl, cálcio ionizado e citrato das transfusões, síndrome de realimentação, hipofosfatemia no desmame e magnésio no bloqueio neuromuscular, com quatro questões comentadas.

PDF de 8,3 MB. Gratuito.

Capa da apostila Distúrbios hidroeletrolíticos, parte 2: potássio, cálcio, fosfato e magnésio em um tablet
Formato
Apostila · 46 páginas
Área da prova
Fisiologia e clínica
Produzido por
Equipe Anest-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de hipocalemia e hipercalemia cobre

Os quatro íons desta parte, com as situações mais comuns para o anestesiologista: transfusão maciça, circulação extracorpórea, desmame da ventilação, sulfato de magnésio na maternidade e bloqueio neuromuscular.

  • ECG do potássio, cálcio e magnésio

    Na hipocalemia, onda T achatada, infra de ST e onda U proeminente; na hipercalemia, onda T em tenda, perda da onda P, QRS alargado e ritmo sinusoidal por faixa de potássio; QT curto e PR longo na hipercalcemia; PR e QT longos e Torsades de Pointes na hipomagnesemia.

  • Doses e limites em tabelas

    Reposição de potássio até 0,5 mEq/kg/h, ampolas de KCl 10% e 19,1%, gluconato e cloreto de cálcio, solução polarizante, beta-2 agonistas e bicarbonato com início e duração de ação, e a escala de toxicidade do magnésio.

  • Quatro questões comentadas com gabarito

    Limite de reposição de potássio, traçado de ECG da hipercalemia, alteração eletrocardiográfica da hipercalcemia e convulsão por hipocalcemia durante a correção de hipofosfatemia na sala de recuperação pós-anestésica.

Sumário

O que tem dentro das 46 páginas

As seções na ordem da apostila, do resumo em 1 minuto à revisão final.

  1. 01Resumo em 1 minuto: os conceitos mais cobrados
  2. 02Princípios básicos sobre o potássio: distribuição e potencial de repouso
  3. 03Desvio transcelular: insulina, beta-2, aldosterona, alcalose e acidose
  4. 04Regulação renal do potássio
  5. 05Hipocalemia: gravidade, causas e sinais
  6. 06Alterações eletrocardiográficas da hipocalemia e o risco com digoxina
  7. 07Tratamento da hipocalemia: velocidade, concentração e ampolas de KCl
  8. 08Hipercalemia: causas, hemotransfusão e ECG por faixa de potássio
  9. 09Tratamento da hipercalemia: estabilizar, desviar e eliminar
  10. 10Cálcio: frações, albumina, pH e regulação hormonal
  11. 11Hipocalcemia: causas, citrato e diamante da morte, Chvostek e Trousseau
  12. 12Hipercalcemia: causas, quadro clínico, ECG e manejo
  13. 13Fosfato: hipofosfatemia, síndrome de realimentação e hiperfosfatemia
  14. 14Magnésio: funções de interesse para o anestesiologista
  15. 15Hipomagnesemia e hipermagnesemia
  16. 16Revisão final
Página interna da apostila sobre Distúrbios hidroeletrolíticos, parte 2: potássio, cálcio, fosfato e magnésio
Página da apostila: gluconato e cloreto de cálcio na hipercalemia e a tabela da solução polarizante, com dose, mecanismo, início e duração de ação.

Como tratar a hipocalemia?

A hipocalemia, potássio plasmático abaixo de 3,5 mEq/L, é tratada com reposição de potássio: via oral nos casos leves e assintomáticos e intravenosa quando há sintomas, alterações no ECG ou impossibilidade da via oral. A infusão vai até 0,5 mEq/kg/h, com no máximo 40 mEq/L em veia periférica e 60 mEq/L em acesso central, corrigindo também o magnésio.

A apostila agrupa as causas em três mecanismos. Desvio para o intracelular: alcalose aguda, insulina, beta-2 agonistas e hipotermia. Perdas gastrointestinais (vômitos, diarreia, fístulas) ou renais (diuréticos de alça e tiazídicos, hiperaldosteronismo primário, síndrome de Cushing, acidose tubular renal, hipomagnesemia). E ingestão inadequada: desnutrição, etilismo e síndrome de realimentação.

Pela gravidade, a hipocalemia é leve de 3 a 3,5 mEq/L, moderada de 2,5 a 3 e grave abaixo de 2,5. No ECG, a sequência é achatamento ou inversão da onda T, infradesnivelamento do ST e onda U proeminente, que simula um QT longo (intervalo QU); nos casos graves, a onda T desaparece, a onda P cresce e o QRS alarga.

Dois cuidados acompanham a reposição. A hipomagnesemia causa e perpetua a hipocalemia, por aumentar a excreção renal de potássio e inibir a Na+/K+ ATPase, e por isso o magnésio tem de ser avaliado. Com o potássio baixo, a digoxina se liga mais à bomba e o risco de intoxicação digitálica sobe, com arritmias e bloqueios atrioventriculares.

Na hipercalemia, acima de 5,5 mEq/L, o tratamento segue três etapas: estabilizar a membrana com gluconato ou cloreto de cálcio, desviar o potássio para dentro das células com solução polarizante, beta-2 agonista ou bicarbonato, e eliminá-lo com furosemida, resinas ou diálise. O cálcio não reduz o potássio sérico, e a apostila trata esse ponto como pegadinha de prova.

Página da apostila Distúrbios hidroeletrolíticos, parte 2: potássio, cálcio, fosfato e magnésio

Comparativo

Potássio, cálcio, fosfato e magnésio: definição, ECG e conduta

Os oito distúrbios que a apostila detalha, com o valor que define cada um, o que aparece no ECG e na clínica e a conduta descrita.

Definições, achados de ECG e clínicos e conduta dos distúrbios de potássio, cálcio, fosfato e magnésio, como estão na apostila. Fonte: apostila Anest-Review, “Distúrbios hidroeletrolíticos, parte 2: potássio, cálcio, fosfato e magnésio”.
DistúrbioDefiniçãoECG e clínicaConduta na apostila
HipocalemiaPotássio < 3,5 mEq/L; grave < 2,5 mEq/LOnda T achatada ou invertida, infra de ST, onda U proeminente; fraqueza ascendente e íleo; paralisia respiratória abaixo de 2,0 mEq/LKCl oral nos casos leves; intravenoso até 0,5 mEq/kg/h, 40 mEq/L em veia periférica e 60 mEq/L em acesso central; corrigir o magnésio
HipercalemiaPotássio > 5,5 mEq/L; grave > 7,5 mEq/LOnda T em tenda e QT curto; depois onda P achatada e PR longo; QRS alargado e ritmo sinusoidalCálcio IV se houver alteração no ECG ou potássio > 6,5 mEq/L; solução polarizante, beta-2 agonista ou bicarbonato; furosemida, resina ou diálise
HipocalcemiaCálcio iônico < 1,0 mmol/L ou total < 8,5 mg/dLParestesia perioral, sinais de Chvostek e Trousseau, laringoespasmo, convulsões e QTc prolongado10 mL de gluconato de cálcio em 5 a 10 minutos e infusão de 0,5 a 1,5 mg/kg/h; tratar hipomagnesemia e deficiência de vitamina D
HipercalcemiaCálcio ionizado > 1,5 mmol/L ou total > 10,5 mg/dLDoença óssea, nefrolitíase, dor abdominal, confusão mental; QT curto, bloqueio atrioventricular e PR longoExpansão vigorosa com soro fisiológico, furosemida com cautela e bifosfonatos, como o pamidronato
HipofosfatemiaFosfato < 2,5 mg/dL; grave < 1 mg/dLFraqueza diafragmática e falha de desmame, depressão miocárdica, convulsões, hemólise e rabdomióliseFosfato de potássio ou de sódio IV lento, sem passar de 1 a 3 mEq por hora; evitar a reposição IV se houver hipocalcemia
HiperfosfatemiaFósforo > 4,5 mg/dLManifestações da hipocalcemia secundária, porque o fosfato quela o cálcio ionizado; agrava a acidose metabólicaQuelantes de fosfato no trato gastrointestinal (carbonato de cálcio ou sevelamer), expansão volêmica e hemodiálise em anúricos
HipomagnesemiaMagnésio < 1,8 mg/dLTremores, fasciculações e convulsões; PR e QT longos, QRS alargado e Torsades de PointesSulfato de magnésio de 1 a 2 g por hora durante 3 a 6 horas, guiado pelo nível sérico
HipermagnesemiaMagnésio > 2,5 mg/dLRubor, náuseas e sonolência de 5 a 7 mg/dL; perda do reflexo patelar e hipotensão de 7 a 12; paralisia respiratória e parada acima de 12Suspender a infusão; gluconato de cálcio 10%, 10 a 20 mL, ou cloreto de cálcio 10%, 5 a 10 mL; expansão volêmica, diurético de alça ou hemodiálise

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como tratar hipocalemia e hipercalemia, passo a passo

O raciocínio do potássio na ordem da apostila, da faixa sérica à eliminação do excesso.

  1. Gradue o potássio e faça o ECG

    Hipocalemia: leve de 3 a 3,5 mEq/L, moderada de 2,5 a 3, grave abaixo de 2,5. Hipercalemia: leve de 5,5 a 6,5, moderada de 6,5 a 7,5, grave acima de 7,5. No paciente anestesiado, o ECG é a principal ferramenta para vigiar o ritmo cardíaco.

  2. Procure o mecanismo

    Na hipocalemia, desvio para dentro da célula, perdas gastrointestinais ou renais e ingestão inadequada. Na hipercalemia, excreção renal reduzida (injúria renal, espironolactona, IECA, BRA, heparina), saída celular (acidose, deficiência de insulina, succinilcolina) e lise celular ou transfusão rápida de bolsas próximas ao vencimento.

  3. Reponha potássio dentro dos limites

    Use a via oral nos casos leves e a intravenosa com sintomas ou ECG alterado. Velocidade de até 0,5 mEq/kg/h pelo Miller, ou 20 mEq/h em veia periférica e 40 mEq/h em acesso central; concentração de até 40 mEq/L na periférica e 60 mEq/L na central. A ampola de KCl 19,1% tem 25 mEq.

  4. Corrija o magnésio junto

    A hipomagnesemia perpetua a hipocalemia e a hipocalcemia refratárias à reposição isolada e acomete até 65% dos pacientes de UTI. Nos casos sintomáticos ou graves, reponha sulfato de magnésio de 1 a 2 g por hora durante 3 a 6 horas, guiado pelo nível sérico.

  5. Na hipercalemia, estabilize a membrana

    Com qualquer alteração no ECG ou potássio acima de 6,5 mEq/L, dê gluconato de cálcio 10%, 20 a 30 mL em 10 minutos, ou cloreto de cálcio 10%, 10 mL em 10 minutos, este por acesso central. Na ampola de 10 mL, o cloreto tem 272 mg de cálcio elementar, e o gluconato, 90 mg.

  6. Desvie o potássio para dentro das células

    Solução polarizante: 10 UI de insulina regular com 25 a 50 g de glicose em 10-30 minutos, início em 10 a 20 minutos e duração de 4 a 6 horas. Salbutamol inalatório de 10 a 20 mg ou 0,5 mg IV. Bicarbonato 1 mEq/kg, com evidência limitada sem acidose.

  7. Elimine o excesso

    Furosemida de 40 a 80 mg EV quando há diurese. Poliestirenossulfonato de cálcio de 15 a 30 g, de ação lenta, sobretudo na doença renal crônica. A diálise de urgência é o método mais eficaz e definitivo, com a hipercalemia refratária entre as indicações clássicas.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre hipocalemia, hipercalemia, cálcio e magnésio

Quais as alterações de ECG na hipercalemia?

A primeira é a onda T em tenda, alta, simétrica e apiculada, com QT curto, na faixa de 5,5 a 6,5 mEq/L. De 6,5 a 7,5, a onda P achata até desaparecer e o PR se prolonga. Acima de 7,5, o QRS alarga e pode se fundir à onda T em padrão sinusoidal, ritmo pré-parada, com risco de bloqueios, bradicardia e assistolia.

Por que os diuréticos causam hipopotassemia?

A excreção de potássio nas células principais do néfron distal e do túbulo coletor cortical aumenta com a velocidade do fluxo urinário e com a oferta de sódio ao néfron distal, que os diuréticos de alça e tiazídicos elevam. A furosemida bloqueia o cotransportador Na+/K+/2Cl- na alça espessa de Henle e, por esse mecanismo, estimula a excreção renal ativa de potássio.

O que é a solução polarizante na hipercalemia?

É a glicoinsulina: 10 UI de insulina regular com 25 a 50 g de glicose, como 100 mL de glicose a 50%, IV em 10-30 minutos. A insulina ativa o trocador Na+/H+ e estimula a Na+/K+ ATPase a captar potássio. Age em 10 a 20 minutos, com pico em 60 e duração de 4 a 6 horas, mas não elimina o potássio do corpo.

Por que a transfusão maciça causa hipocalcemia?

O citrato das bolsas de hemácias, plaquetas e plasma quela o cálcio ionizado. O fígado metaboliza até 3 gramas de citrato a cada 5 minutos, mas na hipotermia, na acidose metabólica e na fase anepática do transplante hepático esse metabolismo cai. O cálcio livre baixo compromete a contratilidade e a coagulação, e a hipocalcemia entrou como quarto fator no diamante da morte.

O que é síndrome de realimentação?

Após inanição prolongada, o fosfato corporal total está depletado mesmo com dosagem plasmática normal. A oferta súbita de carboidrato, como soro glicosado 5% ou nutrição parenteral, provoca liberação maciça de insulina e entrada de glicose, potássio, magnésio e principalmente fosfato nas células, com queda abrupta desses íons e falência orgânica multissistêmica de alta letalidade.

Como o magnésio potencializa os bloqueadores neuromusculares?

O magnésio bloqueia os canais de cálcio voltagem-dependentes do terminal pré-sináptico, o que reduz a liberação de acetilcolina, e diminui a sensibilidade da placa motora à acetilcolina. Por isso o sulfato de magnésio potencializa os relaxantes adespolarizantes e despolarizantes, e a apostila recomenda monitorizar o bloqueio com TOF sempre que possível.

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