Da fisiologia glicêmica aos critérios diagnósticos: tipos de diabetes (DM1, DM2, LADA, MODY e 3c), rastreamento com FINDRISC e cortes de glicemia de jejum, HbA1c e TTGO para diabetes e pré-diabetes. Inclui quatro questões comentadas de IAMSPE, UFPA, PSU-MG e SMS.
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Para que serve
Recorte do tema pelo que as bancas de residência perguntam: fisiopatologia, tipos de diabetes, rastreamento e diagnóstico.
O quadro de abertura resume DM1, DM2, LADA e MODY por mecanismo, faixa etária, peso, anticorpos e história familiar.
GJ ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, TTGO de 1 h ≥ 209 ou 2 h ≥ 200 mg/dL, glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL no sintomático e a conduta quando os exames divergem.
IAMSPE 2025, UFPA 2024, PSU-MG 2026 e SMS 2026 resolvidas dentro do conteúdo, com comentário, gabarito e a conexão com o tópico.
Sumário
Da fisiologia glicêmica ao pré-diabetes, na ordem da apostila. O foco é fisiopatologia, classificação e diagnóstico; tratamento e complicações crônicas ficam fora do recorte.
Os critérios diagnósticos do diabetes mellitus são glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5% e TTGO com 1 h ≥ 209 mg/dL ou 2 h ≥ 200 mg/dL. No assintomático, o diagnóstico exige dois resultados alterados, na mesma amostra ou em amostras diferentes. No sintomático, basta uma glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL. Glicemia capilar não é critério.
Quando só um exame cai na faixa de diabetes, repita o que veio alterado. Se a repetição confirmar, o diagnóstico está fechado; se vier normal, não se faz o diagnóstico e o paciente segue acompanhado de perto. Na questão da PSU-MG 2026, GJ de 117 mg/dL com HbA1c de 6,7% leva a repetir a HbA1c.
A HbA1c reflete a glicemia média dos últimos 3 a 4 meses, porque a hemácia vive cerca de 120 dias. O que prolonga a vida da hemácia eleva o valor: anemia ferropriva e esplenectomia. O que aumenta o turnover reduz: anemias hemolíticas, hemorragia aguda e cirrose. Transfusão nos últimos 3 meses, hemoglobinopatias e suplementação de vitaminas C e E também interferem.
O TTGO, com 75 g de dextrosol após jejum de 8 a 10 horas, é o teste mais sensível: detecta até 31% dos diabéticos que a glicemia de jejum deixa passar. Com GJ ou HbA1c na faixa de pré-diabetes, a SBD recomenda complementar com TTGO. Na questão da SMS 2026, GJ de 104 mg/dL e HbA1c de 5,8% em paciente de alto risco levam ao TTGO.
Na classificação, o resumo da apostila separa os tipos assim: DM1 é autoimune, via de regra anti-GAD positivo, catabólico e com peptídeo C baixo; DM2 soma resistência insulínica, com obesidade, inflamação e acantose nigricans, à falha da célula beta. Jovem com menos de 25 anos, magro, anticorpos negativos, peptídeo C normal e DM na família em 3 gerações sugere MODY.
Comparativo
O corte de cada exame para diabetes e pré-diabetes, com o que observar na coleta e na interpretação.
| Exame | Diabetes | Pré-diabetes | O que observar |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum | ≥ 126 mg/dL | 100 a 125 mg/dL | Jejum de 8 a 12 h; estresse agudo, infecção e atividade física recente podem elevar falsamente |
| HbA1c | ≥ 6,5% | 5,7 a 6,4% | Média de 3 a 4 meses; anemia ferropriva e esplenectomia podem elevar; hemólise, hemorragia aguda e cirrose podem reduzir |
| TTGO 1 h | ≥ 209 mg/dL | 155 a 208 mg/dL | 75 g de dextrosol após jejum de 8 a 10 h, com coletas em 0, 1 h e 2 h |
| TTGO 2 h | ≥ 200 mg/dL | 140 a 199 mg/dL | Mesmo teste da linha acima, o mais sensível; a execução é mais complexa |
| Glicemia ao acaso | ≥ 200 mg/dL com sintomas | — | Um resultado basta no paciente sintomático |
| Glicemia capilar | Não é critério | — | Só valem exames séricos |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência do material, da suspeita clínica à confirmação.
Poliúria, polidipsia, polifagia e perda ponderal. Quando a glicemia passa de cerca de 180 mg/dL, o limiar de reabsorção renal, a glicose sai na urina e puxa água por diurese osmótica. Com esse quadro, o paciente entra na trilha do sintomático.
Rastreie adultos a partir dos 35 anos; em qualquer idade, adultos com IMC ≥ 25 kg/m² e um fator de risco ou FINDRISC ≥ 12; crianças e adolescentes a partir dos 10 anos ou da puberdade, com sobrepeso ou obesidade e fator de risco. Com exames normais, repita em 3 anos; alto risco, todo ano.
São os exames iniciais de escolha, pela praticidade. A GJ exige jejum de 8 a 12 horas e pode subir falsamente com estresse agudo, infecção e atividade física recente. Na HbA1c, confira anemia ferropriva, esplenectomia, hemólise, sangramento, cirrose e transfusão recente.
No assintomático, o diagnóstico exige dois resultados alterados: GJ ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5% ou TTGO com 1 h ≥ 209 ou 2 h ≥ 200 mg/dL, na mesma amostra ou em amostras diferentes. No sintomático, basta uma glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL.
Se só um resultado está na faixa de diabetes, repita esse exame. Se confirmar, o diagnóstico está fechado; se vier normal, não se faz o diagnóstico e o paciente segue acompanhado de perto. Glicemia capilar nunca entra como critério.
GJ de 100 a 125 mg/dL ou HbA1c de 5,7 a 6,4% pedem TTGO, por recomendação da SBD. TTGO na faixa de diabetes revela o DM que os outros exames não mostraram; normal ou na faixa de pré-diabetes confirma o pré-DM, com GJ e HbA1c repetidas todo ano.
Perguntas frequentes
Poliúria, polidipsia, polifagia e perda ponderal. Acima de cerca de 180 mg/dL a glicose ultrapassa o limiar de reabsorção renal e sai na urina, puxando água por diurese osmótica. A desidratação ativa a sede, a fome celular aumenta o apetite e o catabolismo de gordura e músculo leva à perda de peso.
O DM1 é autoimune, associado aos haplótipos HLA DR3 e DR4, com deficiência absoluta de insulina, início súbito e peptídeo C baixo; via de regra, anti-GAD positivo. O DM2 soma resistência à insulina e falha progressiva da célula beta, com instalação insidiosa, obesidade e história familiar. No diagnóstico, o paciente com DM2 muitas vezes já perdeu cerca de 50% da função das células beta.
Anti-GAD65, o mais frequente e persistente no adulto; anti-IA2, associado a destruição mais agressiva; anti-insulina, mais comum em crianças, que perde utilidade depois do início da insulina exógena; e anti-ZnT8, útil quando os outros vêm negativos. Deficiência absoluta de insulina com anticorpos negativos é o DM1B, a forma idiopática.
LADA é um DM1 de início tardio, acima dos 30 anos, de evolução lenta, com anticorpos positivos, principalmente anti-GAD; no começo pode dispensar insulina e parecer DM2. Suspeite em adulto magro com outras doenças autoimunes e falha rápida aos antidiabéticos orais. MODY é monogênico e autossômico dominante: jovem com menos de 25 anos, magro, anticorpos negativos, peptídeo C normal e DM na família em 3 gerações.
Diabetes tipo 3c é o diabetes secundário a doença do pâncreas exócrino, como pancreatite crônica, neoplasia pancreática, fibrose cística ou hemocromatose. A lesão estrutural destrói células beta e alfa. Sem glucagon, o paciente perde a principal defesa contra a queda da glicose, e o diabetes fica lábil, com alto risco de hipoglicemia grave.
Basta um único resultado em uma destas faixas: glicemia de jejum de 100 a 125 mg/dL, HbA1c de 5,7 a 6,4%, TTGO de 1 h entre 155 e 208 mg/dL ou de 2 h entre 140 e 199 mg/dL. O pré-DM já confere maior risco cardiovascular e de evolução para DM. Com GJ ou HbA1c nessa faixa, a SBD recomenda complementar com TTGO; no pré-DM, GJ e HbA1c são repetidas todo ano.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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