Fichas-resumo de clínica médica e infectologia para a prova de residência: definição pelo Sepsis-3, os 6 domínios do SOFA-2, triagem com qSOFA e NEWS 2, pacote da 1ª hora, antibiótico por foco, vasopressores, corticoide e as pegadinhas clássicas de banca.
PDF de 1,6 MB. Gratuito.

Para que serve
Oito fichas que seguem o atendimento, do reconhecimento ao choque refratário, no formato de revisão rápida.
Definição, SOFA-2, triagem, volume e antibiótico, culturas, vasopressores, choque séptico e terapia adjuvante, uma ficha por etapa.
Traz os 6 domínios do SOFA-2 e a recomendação do Surviving Sepsis 2026 contra o qSOFA isolado na triagem, com o NEWS 2 no lugar.
Oito armadilhas clássicas de prova, cada uma apontando para a ficha onde o conceito é explicado.
Sumário
Os temas na ordem das fichas, da definição ao checklist final.
Os critérios de sepse do Sepsis-3 exigem infecção associada a disfunção orgânica, definida como aumento de 2 pontos ou mais no escore SOFA em relação ao basal do paciente. Os critérios de SIRS deixaram de ser necessários ou suficientes para o diagnóstico e funcionam só como alerta. O qSOFA serve para triagem e também não diagnostica sepse.
SOFA-2. O escore vai de 0 a 24 pontos, de 0 a 4 por domínio, em seis domínios: circulação (PAM e uso de drogas vasoativas), consciência (Glasgow), respiração (PaO2/FiO2 ou SatO2/FiO2), renal (creatinina ou diurese), hepático (bilirrubina) e hematológico (plaquetas). O mnemônico da ficha é CirCo ReRe HeHe. INR e lactato ficam de fora.
SIRS. São quatro critérios, e dois bastam: febre ou hipotermia, FC acima de 90 bpm, FR acima de 20 ou PCO2 abaixo de 32 e leucócitos alterados ou mais de 10% de bastões. A SIRS também aparece em causas não infecciosas, como trauma, cirurgia e isquemia, por isso funciona só como alerta.
qSOFA e NEWS 2. O qSOFA usa PAS de até 100 mmHg, FR de 22 irpm ou mais e alteração do sensório; dois itens indicam maior risco de pior prognóstico. Tem baixa sensibilidade, e o Surviving Sepsis 2026 desaconselha o uso isolado, porque o NEWS 2 tem melhor acurácia para rastreio.
Choque séptico. É a sepse que exige vasopressor para manter PAM de 65 mmHg ou mais e cursa com lactato acima de 2 mmol/L apesar de volume adequado. A mortalidade passa de mais de 10% na sepse para mais de 40% no choque séptico, protótipo do choque distributivo e indicação de UTI.
Comparativo
Disfunção orgânica significativa é a variação de 2 pontos ou mais em relação ao basal. Cada domínio vale de 0 a 4 pontos.
| Domínio | Mnemônico | O que o escore usa |
|---|---|---|
| Circulação | Ci | PAM e uso de drogas vasoativas |
| Consciência | Co | Escala de Coma de Glasgow |
| Respiração | Re | PaO2/FiO2 ou SatO2/FiO2 |
| Renal | Re | Creatinina ou diurese |
| Hepático | He | Bilirrubina |
| Hematológico | He | Plaquetas |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência das fichas, do alerta no pronto-socorro ao controle do foco.
Triagem no pronto-socorro antes dos exames, com NEWS 2 ou qSOFA. Qualquer profissional de saúde pode acionar o alerta de sepse, e dois itens do qSOFA já indicam maior risco de pior prognóstico.
O lactato marca hipoperfusão e reflete hipóxia tecidual. Peça na admissão e acompanhe o clareamento: a queda é bom sinal. A elevação pode vir de produção aumentada ou de depuração reduzida por disfunção hepática ou renal.
Colha duas amostras antes do antibiótico, sem esperar estabilidade e sem atrasar o antibiótico pela coleta. A cultura é o que permite o descalonamento depois.
Até 1 hora na sepse provável ou no paciente instável; até 3 horas na sepse possível com paciente estável. O esquema empírico segue o foco e a origem comunitária ou hospitalar, com ceftriaxona como base no comunitário.
30 mL/kg nas primeiras 3 horas se houver hipotensão ou lactato alto, de preferência cristaloide balanceado como o Ringer lactato. Sem coloide, albumina ou amido. Ajuste por exame físico seriado e POCUS, com cuidado no idoso, no cardiopata e no nefropata.
Se a PAM seguir abaixo de 65 mmHg, a noradrenalina entra junto com a expansão, sem esperar correr todo o volume. Pode iniciar em acesso periférico proximal e calibroso. No idoso, tolerar PAM de 60.
Controle do foco é mandatório: drenar ou desobstruir, como na pielonefrite obstruída vista no ultrassom à beira do leito. Com o antibiograma, estreite o espectro do empírico amplo para o antibiótico dirigido.
Perguntas frequentes
Sepse é a resposta desregulada à infecção que leva a disfunção orgânica. Choque séptico é a sepse que precisa de vasopressor para manter PAM de 65 mmHg ou mais e tem lactato acima de 2 mmol/L apesar de volume adequado. A mortalidade passa de mais de 10% para mais de 40%. Sem volume adequado ainda, o quadro não fecha como choque séptico.
O qSOFA funciona só como alerta na triagem: PAS de até 100 mmHg, FR de 22 irpm ou mais e alteração do sensório, com dois itens indicando pior prognóstico. Tem baixa sensibilidade e não diagnostica sepse nem disfunção orgânica. O Surviving Sepsis 2026 desaconselha o uso isolado, e o NEWS 2 tem melhor acurácia para rastreio.
O lactato fica fora do SOFA: marca hipoperfusão e é usado à parte, na admissão e no acompanhamento do clareamento. O INR também não entra no escore, mesmo com a coagulopatia da sepse. As duas ausências são pegadinha clássica de prova. O Ringer lactato não eleva a lactatemia.
A ceftriaxona é a base do esquema empírico, ajustada pelo foco: em dose dobrada com vancomicina no neurológico, com macrolídeo no pulmonar, com metronidazol no abdominal, isolada no urinário e com clindamicina em pele e partes moles. Na infecção hospitalar, o esquema segue a CCIH. O tempo de tratamento é individualizado.
A noradrenalina é a primeira escolha, com alvo de PAM de 65 mmHg. A vasopressina entra como segundo vasopressor, pelo receptor V1, a partir de noradrenalina entre 0,25 e 0,50 mcg/kg/min. A adrenalina fica como terceira droga no choque refratário, e a dobutamina entra se houver disfunção cardíaca.
Só no choque séptico refratário, com dose alta de aminas e hipotensão persistente. O esquema é hidrocortisona 200 mg por dia, em infusão contínua ou 50 mg de 6 em 6 horas, com ou sem fludrocortisona. O racional é a insuficiência adrenal relativa. O corticoide não é rotineiro e não trata coagulopatia nem CIVD.
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Onde aprofundar
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Quem ensina
Confira abaixo alguns dos professores especialistas que você vai encontrar no Extensive, o curso preparatório da Med-Review para a residência médica.

Clínica Médica
Raquel Khoury
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Juliana Lacerda
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Diego Luz
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Tiarlles Miller
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Davi Khoury
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Vitor Arienzo
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Phellipe Fabrini
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Luiz Sposito
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Paulo Tonaco
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Stephanie Lahat
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Roberto Guimarães
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Juliana Araújo
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Natalia Cardin
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Isabella Zanfra
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Daniel Costa
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Flávio Moura
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Giovani Pacífico
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Victor Sechin
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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