Camadas da bolsa escrotal, vascularização e drenagem linfática, torção intravaginal e extravaginal, reflexo cremastérico, sinal de Prehn, sinais de Brunzel e de Angel, Doppler e escore TWIST, tempo de isquemia e destorção manual, orquidopexia ou orquiectomia, torção da hidátide de Morgagni e sinal do blue dot, orquiepididimite por IST e por germes entéricos, antibiótico empírico e quando internar. Duas questões comentadas: ENARE 2021 e USP/RP 2023.
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Para que serve
Os três diagnósticos que a banca cruza por faixa etária, tempo de dor, sinais do exame físico e conduta imediata.
Dor súbita com reflexo cremastérico abolido e Prehn negativo, dor insidiosa no polo superior com blue dot e dor progressiva com febre, disúria e Prehn positivo.
Pontuação de 0 a 7 com conduta por faixa de risco, do Doppler à exploração direta, e a queda da viabilidade testicular de mais de 90% antes de 6 horas para quase zero após 24 horas.
ENARE 2021, sobre o adolescente com dor testicular intensa e vômitos, e USP/RP 2023, sobre o jovem com disúria e Prehn positivo, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da anatomia da bolsa escrotal ao antibiótico da orquiepididimite, na ordem em que a apostila ensina.
O sinal de Prehn é a resposta da dor à elevação manual suave do testículo em direção ao canal inguinal. Na orquiepididimite, a elevação alivia a tensão sobre o cordão espermático e reduz a estase venosa, e a dor melhora: Prehn positivo. Na torção testicular, a elevação não altera ou até agrava a dor: Prehn negativo.
O sinal anda junto com o reflexo cremastérico, pesquisado ao estimular a face súpero-medial da coxa: o cremáster contrai e o testículo sobe. Na torção, o reflexo está abolido, o achado físico mais sensível; na orquiepididimite e na torção da hidátide de Morgagni, está presente. Completam o exame a posição do testículo, elevado e horizontalizado na torção, e os sinais epônimos de Brunzel e de Angel.
A apostila resume em um mnemônico: Prehn positivo, pode passar para a enfermaria; Prehn negativo, não alivia e a necrose é iminente. Na ENARE 2021 da apostila, o menino de 13 anos com dor testicular forte há 4 horas, vômitos e sem febre tem torção testicular, e a alternativa correta é a de que a ausência do sinal de Prehn é esperada. Na USP/RP 2023, o homem de 21 anos com dor insidiosa, disúria, epidídimo endurecido e Prehn positivo vai para anti-inflamatório e antibiótico empírico.
Dor súbita no adolescente, com reflexo cremastérico abolido e Prehn negativo, é torção até prova em contrário: exploração cirúrgica de urgência, sem esperar Doppler quando a suspeita é alta.
Comparativo
As três causas de escroto agudo da apostila se separam pela idade, pelo jeito da dor, pelo exame físico e pelo Doppler.
| Critério | Torção testicular | Torção de apêndice testicular | Orquiepididimite aguda |
|---|---|---|---|
| Faixa etária | Pico neonatal e na adolescência, de 12 a 18 anos | Crianças em idade escolar, de 7 a 12 anos | Homem jovem sexualmente ativo ou homem mais velho com uropatia |
| Dor | Súbita e lancinante, muitas vezes desperta o paciente, com náuseas e vômitos | Insidiosa, leve a moderada, focal no polo superior do testículo | Progressiva ao longo de dias, com febre, disúria e polaciúria |
| Exame físico | Reflexo cremastérico abolido, Prehn negativo, testículo elevado e horizontalizado | Reflexo cremastérico preservado e sinal do blue dot no polo superior | Reflexo cremastérico presente, Prehn positivo e epidídimo aumentado e doloroso |
| Doppler | Fluxo ausente ou acentuadamente reduzido | Nódulo hipo ou avascular no polo superior, com fluxo testicular preservado | Hiperfluxo no epidídimo e no testículo |
| Conduta | Exploração cirúrgica de urgência e orquidopexia bilateral; orquiectomia se o testículo estiver inviável | Conservadora: repouso relativo, elevação escrotal, compressas frias e AINEs | Antibiótico empírico: ceftriaxona com doxiciclina na suspeita de IST; quinolona no perfil entérico |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da dor na bolsa escrotal no pronto-socorro à cirurgia ou ao antibiótico.
Adolescente com dor súbita e vômitos sugere torção testicular; criança de 7 a 12 anos com dor gradual e sem vômitos, torção da hidátide; homem com dor que piora há dias, febre e sintomas urinários, orquiepididimite.
Pesquise o reflexo cremastérico, eleve o testículo para o sinal de Prehn e observe a posição: testículo elevado e horizontalizado reforça a suspeita de torção. Um ponto azulado no polo superior é o blue dot da hidátide.
Edema testicular e testículo endurecido valem 2 pontos cada; reflexo cremastérico ausente, náuseas ou vômitos e testículo elevado, 1 ponto cada. De 0 a 2, investigue outros diagnósticos; de 3 a 4, Doppler prioritário; de 5 a 7, exploração cirúrgica sem ultrassom prévio.
Antes de 6 horas, o testículo é preservado em mais de 90% dos casos; entre 12 e 24 horas, em torno de 10% a 20%; após 24 horas, praticamente nunca. Enquanto o centro cirúrgico é preparado, tente a destorção manual em abrir o livro, de medial para lateral, mas opere mesmo se ela der certo.
Após a destorção e o aquecimento com compressas mornas, testículo róseo e sangrante recebe orquidopexia; necrótico e sem sangramento, orquiectomia. Em ambos os casos, a orquidopexia contralateral é obrigatória, porque o badalo de sino costuma ser bilateral.
Suspeita de IST: ceftriaxona 500 mg IM em dose única com doxiciclina 100 mg VO de 12/12 horas, tratando as parcerias sexuais. Perfil entérico: levofloxacino ou ciprofloxacino por 10 a 14 dias. Interne se houver sepse, vômitos que impeçam a via oral, falha em 48 a 72 horas ou abscesso.
Perguntas frequentes
É a dor aguda na bolsa escrotal, um quadro de pronto-socorro em que a banca cruza faixa etária, tempo de instalação da dor, sinais do exame físico e conduta imediata. A apostila trabalha os três diagnósticos centrais: torção testicular, torção do apêndice testicular, a hidátide de Morgagni, e orquiepididimite aguda.
É o giro do cordão espermático sobre o próprio eixo vascular, com oclusão venosa, edema, trombose arterial e necrose hemorrágica do testículo. A forma intravaginal, mais de 90% dos casos, ocorre em adolescentes e adultos jovens com a deformidade em badalo de sino; a extravaginal ocorre no feto ou no primeiro mês de vida. É emergência cirúrgica.
É a infecção do epidídimo e do testículo, quase sempre por ascensão de patógenos da uretra pelo ducto deferente até a cauda do epidídimo. No homem jovem sexualmente ativo, predominam Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae; no homem mais velho ou com uropatia, Escherichia coli e outras bactérias entéricas. O tratamento é clínico e, na maioria dos casos, ambulatorial.
Estimule suavemente a face súpero-medial da coxa com uma haste ou com a ponta dos dedos. A resposta normal é a contração rápida do cremáster, com subida do testículo do mesmo lado. Na torção testicular, o reflexo está abolido; na orquiepididimite e na torção da hidátide, está presente.
Por incisão escrotal, o testículo é exteriorizado, o cordão é destorcido e a gônada é envolvida em compressas com soro morno. Se recupera a cor rósea e sangra, faz-se a orquidopexia com fixação em três pontos; se segue necrótico, a orquiectomia. A orquidopexia do testículo contralateral é obrigatória nos dois casos.
A torção tem dor súbita e lancinante, vômitos, reflexo cremastérico abolido, Prehn negativo e fluxo ausente ao Doppler, e vai para cirurgia. A orquiepididimite tem dor progressiva ao longo de dias, febre e sintomas urinários, reflexo presente, Prehn positivo e hiperfluxo ao Doppler, e é tratada com antibiótico.
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
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Pediatria
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Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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