Anatomia do canal anal, coxins vasculares e fatores de risco, hemorroidas internas e externas, classificação de Goligher, tratamento clínico, ligadura elástica, Milligan-Morgan e Ferguson, PPH e THD, trombose hemorroidária antes e depois de 72 horas, retenção urinária e gestante, fissura anal e o ciclo dor, espasmo e isquemia, tríade de Brodie, fissuras atípicas, diltiazem tópico, esfincterotomia lateral interna e sinais de alarme para colonoscopia. Duas questões comentadas: UNESP 2023 e ISCMSP 2020.
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Para que serve
Do sangramento indolor no vaso à dor em lâmina de barbear, com a conduta que a banca cobra em cada degrau.
Graus I e II no tratamento clínico, ligadura elástica quando o sangramento ou o prolapso persistem e hemorroidectomia no grau IV, no grau III volumoso e na falha do tratamento ambulatorial.
Fibras, banho de assento e diltiazem 2% tópico na primeira linha, esfincterotomia lateral interna na fissura crônica refratária e, na fissura atípica, biópsia e investigação antes de qualquer esfincterotomia.
UNESP 2023, sobre hemorroida interna irredutível, e ISCMSP 2020, sobre fissura anal crônica na posição de 6 horas, com gabarito e comentário.
Sumário
Da anatomia do canal anal à cirurgia da fissura, na ordem em que a apostila ensina.
A esfincterotomia anal interna lateral (EIL) é a cirurgia padrão-ouro da fissura anal crônica refratária ao tratamento clínico. Por uma pequena incisão lateral no anoderma, o cirurgião secciona parte da porção distal do esfíncter anal interno, de musculatura lisa e involuntária. A pressão de repouso do canal anal cai de forma imediata e permanente, a comissura posterior volta a ser perfundida e a úlcera cicatriza em mais de 95% dos casos.
A cirurgia ataca o ciclo que mantém a fissura aberta. O trauma das fezes endurecidas lacera o anoderma, a dor somática provoca espasmo reflexo do esfíncter interno, o esfíncter hipertônico comprime os ramos da artéria retal inferior e a ferida, sem perfusão, não cicatriza. A comissura posterior tem irrigação naturalmente mais pobre, por isso 90% das fissuras ficam na linha média posterior.
A EIL entra depois da falha do tratamento clínico. A fissura crônica, com mais de 6 semanas e tríade de Brodie, começa com fibras, banho de assento e diltiazem 2% tópico, a esfincterotomia química; a cirurgia fica para a fissura que não cicatriza após 6 a 8 semanas desse tratamento. Na ISCMSP 2020 da apostila, o paciente de 25 anos com plicoma, úlcera às 6 horas e hipertonia esfincteriana tem como resposta diltiazem 2% tópico.
A complicação mais temida é a incontinência, principalmente a flatos e sujidade, em 5% a 15% dos casos. Em idosos, multíparas com laceração obstétrica ou pacientes com diarreia crônica, a apostila manda esgotar o tratamento clínico ou considerar toxina botulínica. Fissura lateral, múltipla, indolor ou refratária pede biópsia e investigação de Crohn, tuberculose, sífilis, HIV e neoplasia antes de qualquer esfincterotomia.
Comparativo
Os graus de hemorroida pela classificação de Goligher valem só para a hemorroida interna e seguem o comportamento do prolapso. Na apostila, o grau orienta a escolha do tratamento.
| Grau de Goligher | Comportamento do prolapso | Conduta na apostila |
|---|---|---|
| Grau I | Sangra, mas não prolapsa para fora do canal anal | Tratamento clínico: fibras, hidratação e reeducação evacuatória |
| Grau II | Prolapsa ao esforço evacuatório e reduz espontaneamente | Tratamento clínico; ligadura elástica se o sangramento ou o prolapso persistem |
| Grau III | Prolapsa ao esforço e precisa de redução manual | Ligadura elástica; hemorroidectomia se volumosa ou se o tratamento ambulatorial falha |
| Grau IV | Fica prolapsada de forma permanente, irredutível, com risco de estrangulamento | Hemorroidectomia excisional: Milligan-Morgan, aberta, ou Ferguson, fechada |
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Na prática
O raciocínio da apostila, da queixa de sangramento ou de dor anal à escolha da cirurgia.
Sangue vermelho vivo no vaso, sem dor, aponta para hemorroida interna. Dor em lâmina de barbear ao evacuar, com sangue em estrias no papel, aponta para fissura anal. Nódulo violáceo, endurecido e muito doloroso na margem anal é trombose hemorroidária externa.
Hemorroida ou fissura não protegem contra câncer colorretal nem doença inflamatória intestinal. Idade a partir de 45 a 50 anos com sangramento recente, parente de 1º grau com câncer colorretal, perda de peso, mudança do hábito intestinal e anemia ferropriva indicam colonoscopia.
Graus I e II começam com fibras, 2 a 3 litros de água por dia e reeducação evacuatória. Se o sangramento ou o prolapso persistem, ligadura elástica, aplicada 1 a 2 cm acima da linha pectínea, na zona de inervação visceral, para ser indolor. Grau IV ou falha do tratamento vão para hemorroidectomia.
Com menos de 72 horas, excisão local ou trombectomia sob anestesia local alivia a dor de imediato. Com mais de 72 horas, a dor está em regressão e o trombo em reabsorção: analgésicos, anti-inflamatórios, banho de assento e laxante formador de bolo. A apostila avisa que a conduta antes de 72 horas varia conforme a referência.
No quadro agudo, o toque retal é contraindicado; o diagnóstico é feito pela inspeção com afastamento suave das nádegas. Abaixo de 6 semanas, corte linear de bordas limpas; acima, úlcera com fibras do esfíncter interno, plicoma sentinela e papila hipertrófica, a tríade de Brodie.
Fibras, psyllium, banho de assento morno e diltiazem 2% ou nifedipino 0,2% tópicos, com cicatrização de 70% a 80%. Fissura crônica refratária após 6 a 8 semanas vai para esfincterotomia lateral interna. Fissura fora da linha média pede biópsia e investigação antes de qualquer esfincterotomia.
Perguntas frequentes
Pela classificação de Goligher, que vale só para a hemorroida interna, são quatro. No grau I há sangramento sem prolapso; no II, prolapso com redução espontânea; no III, prolapso que exige redução manual; no IV, prolapso permanente e irredutível. O grau orienta a conduta, do tratamento clínico à hemorroidectomia.
Depois de 72 horas, em geral sim: o pico inflamatório passou, a dor está em regressão e o organismo já iniciou a reabsorção espontânea do trombo. Por isso, nessa fase a conduta é conservadora, com analgésicos, anti-inflamatórios, banho de assento morno e laxantes formadores de bolo fecal. Antes de 72 horas, a apostila indica excisão local sob anestesia local para alívio imediato.
O tratamento indicado é a hemorroidectomia excisional, que resseca os coxins doentes com ligadura do pedículo vascular. Entre as técnicas, a hemorroidectomia tem a menor taxa de recidiva a longo prazo, ao custo de dor pós-operatória significativa. Na UNESP 2023 da apostila, o botão hemorroidário com origem acima da linha pectínea, prolapsado e sem redução manual é hemorroida interna grau IV, com indicação de hemorroidectomia.
Na técnica de Milligan-Morgan, aberta e a mais realizada no Brasil, as feridas no anoderma ficam abertas e cicatrizam por segunda intenção, separadas por pontes mucocutâneas que evitam estenose. Na de Ferguson, fechada e mais popular nos Estados Unidos, as feridas são suturadas e cicatrizam por primeira intenção, um pouco mais rápido, com risco de deiscência. O mnemônico da apostila é Milligan-Morgan, Mesmo Aberta, e Ferguson, Fechada.
A primeira linha é clínica: fibras de 25 a 30 g por dia com psyllium, 2 a 3 litros de água, banho de assento morno 2 a 3 vezes ao dia, analgesia e vasodilatador tópico, diltiazem 2% ou nifedipino 0,2%. Na fissura crônica que não cicatriza após 6 a 8 semanas de tratamento bem conduzido, a cirurgia padrão-ouro é a esfincterotomia lateral interna.
A apostila cita a toxina botulínica como alternativa à esfincterotomia nos pacientes com risco aumentado de incontinência, como idosos, multíparas com laceração obstétrica e portadores de diarreia crônica. Nesses casos, a orientação é esgotar o tratamento clínico ou considerar a toxina, já que a principal complicação da cirurgia é a incontinência a flatos e fezes.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
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Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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