TC trifásica e o tempo do contraste, cisto simples e hidático, hemangioma com preenchimento centrípeto e Kasabach-Merritt, hiperplasia nodular focal com cicatriz central e contraste hepatoespecífico, adenoma hepatocelular pelos subtipos moleculares, sinal do atol e conduta por sexo e diâmetro. Duas questões comentadas: USP SP 2019 e UERJ 2016.
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Para que serve
Do incidentaloma no ultrassom à decisão de observar ou operar, lesão por lesão.
Realce periférico nodular com preenchimento centrípeto no hemangioma, cicatriz central com realce tardio na HNF, realce arterial com lavagem no adenoma e lesão anecoica com reforço acústico posterior no cisto simples.
HNF1-α, esteatótico e de menor risco de malignização; inflamatório, o mais comum e o de maior risco de sangramento; β-catenina, mais frequente em homens e considerado lesão pré-neoplásica.
USP SP 2019, sobre o diagnóstico do hemangioma pela TC, e UERJ 2016, sobre o hemoperitônio espontâneo em mulher jovem, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Das lesões císticas às sólidas, na ordem em que a apostila ensina.
O adenoma hepatocelular é um tumor benigno formado por hepatócitos organizados em cordões, sem espaços porta e sem ductos biliares. Mesmo benigno, é o que a apostila chama de vilão dos tumores benignos do fígado, porque carrega os dois maiores riscos da categoria: ruptura espontânea com hemoperitônio e transformação maligna para carcinoma hepatocelular.
A gênese é hormonal. Na mulher, o fator de risco clássico é o anticoncepcional oral por mais de 5 anos; no homem, o esteroide anabolizante. A falta de ductos biliares explica por que o adenoma não retém o contraste hepatoespecífico na fase hepatobiliar da RM e aparece hipointenso, ao contrário da hiperplasia nodular focal.
A conduta segue sexo, diâmetro e subtipo. No homem, a cirurgia é sempre indicada, pela associação com a mutação da β-catenina e o alto índice de malignização. Na mulher, suspende-se o anticoncepcional, orienta-se perda de peso e repete-se a imagem em 6 meses; a decisão de operar segue o diâmetro de 5 cm após a suspensão hormonal. O subtipo β-catenina, quando identificado, leva à cirurgia mesmo em lesões pequenas.
No adenoma roto com instabilidade hemodinâmica, a apostila indica estabilização e embolização arterial seletiva, deixando a ressecção para um segundo tempo, eletivo e programado.
Comparativo
As lesões que a banca coloca lado a lado, com o achado que separa cada uma.
| Lesão | Perfil típico | Imagem característica | Conduta |
|---|---|---|---|
| Hemangioma | Mulher; tumor sólido benigno mais frequente do fígado | Hiperecogênico no ultrassom; realce periférico nodular e descontínuo, com preenchimento centrípeto | Observação; cirurgia só com sintomas compressivos intratáveis ou dor persistente |
| Hiperplasia nodular focal | Mulher, na proporção de 8:1; segunda lesão benigna mais comum | Realce arterial intenso e homogêneo, cicatriz central com realce tardio e captação do contraste hepatoespecífico | Observação; cirurgia na dúvida diagnóstica, nos sintomas persistentes ou no crescimento |
| Adenoma hepatocelular | Mulher com anticoncepcional oral ou homem com anabolizante | Realce arterial intenso, sem retenção do contraste hepatoespecífico; sinal do atol no subtipo inflamatório | Homem: cirurgia. Mulher: suspender o anticoncepcional e repetir a imagem em 6 meses |
| Cisto simples | Mulher acima de 50 anos | Anecoico, de paredes imperceptíveis e com reforço acústico posterior; sem realce na TC | Observação; intervenção só no cisto gigante com sintomas compressivos |
| Cisto hidático | Contato com cães ou zona de criação de ovinos | Cistos-filhos, sinal do lírio d'água e calcificação de parede | Albendazol com PAIR ou cirurgia, sem extravasar o conteúdo |
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Na prática
O raciocínio da apostila, do laudo de ultrassom à decisão de operar.
Mulher jovem aponta para hemangioma, HNF e adenoma, e o anticoncepcional oral se liga ao adenoma. Homem jovem com anabolizante exige excluir adenoma. Viagem a zona de criação de ovinos ou contato com cães leva a pensar em hidatidose diante de lesão cística.
Sem a fase arterial, muitos tumores benignos sólidos ficam isodensos ao parênquima e passam despercebidos. TC simples ou só com fase venosa é insuficiente para investigar nódulo hepático sólido.
Realce periférico em bolotas com preenchimento centrípeto fecha hemangioma. Realce arterial homogêneo com cicatriz central que realça na fase tardia aponta para HNF. Realce arterial intenso em fígado sem estigmas de hepatopatia crônica aponta para adenoma.
Na RM com ácido gadoxético, a HNF retém o contraste na fase hepatobiliar e fica hiperintensa; o adenoma, sem ductos biliares funcionais, não retém e aparece hipointenso. Se a dúvida entre HNF e adenoma persistir, a ressecção se torna mandatória.
No hemangioma, ela é contraindicada pelo risco de hemorragia grave. No adenoma, lesão hipervascularizada e friável, deve ser evitada pelo risco de sangramento e de disseminação se houver malignidade oculta.
Hemangioma e HNF ficam em observação. No adenoma, o homem vai para cirurgia; a mulher suspende o anticoncepcional e repete a imagem em 6 meses, e o diâmetro de 5 cm decide a ressecção. O adenoma roto com instabilidade vai para embolização arterial seletiva.
Perguntas frequentes
É o tumor sólido benigno mais frequente do fígado, com prevalência de até 7% em séries de necropsia. Do ponto de vista patológico, é uma malformação vascular congênita de espaços cavernosos revestidos por endotélio, que cresce por ectasia, a dilatação vascular progressiva. Predomina em mulheres, na proporção de 3:1 a 5:1.
A história natural é benigna, a grande maioria permanece estável ao longo da vida e a conduta padrão é a observação. O risco de ruptura espontânea é ínfimo, e indicar cirurgia profilática só porque a lesão passa de 10 cm é um erro comum em prova. A complicação mais temida em prova é a síndrome de Kasabach-Merritt, coagulopatia de consumo rara dos hemangiomas volumosos, com plaquetopenia grave.
O hemangioma típico das questões é achado de exame em paciente assintomático, como na USP SP 2019 da apostila. A dor só entra na indicação cirúrgica quando é persistente e sem outra causa identificada, ou quando há sintomas compressivos intratáveis; nesses casos, a cirurgia costuma ser enucleação ou ressecção segmentar.
Na TC trifásica, tem realce arterial intenso e precoce, homogêneo nas lesões pequenas e heterogêneo nas maiores, e fica isodenso ou discretamente hipodenso nas fases portal e tardia. A fase pré-contraste pode mostrar áreas de alta atenuação por sangramento recente ou de baixa atenuação por gordura. Como o padrão lembra o do carcinoma hepatocelular, a diferença é clínica: o adenoma surge em fígado sem estigmas de hepatopatia crônica.
É a hidatidose hepática, zoonose causada pelo Echinococcus, cujo ciclo envolve cães e ovelhas, com o homem como hospedeiro acidental. O diagnóstico combina imagem, com cistos-filhos, sinal do lírio d'água e calcificação de parede, e sorologia por ELISA ou hemaglutinação indireta. A ruptura ou a manipulação do cisto pode causar choque anafilático, e o albendazol deve preceder e suceder qualquer intervenção.
É a segunda lesão benigna mais comum do fígado, uma lesão pseudotumoral: resposta hiperplásica regenerativa dos hepatócitos a uma artéria nutridora anômala. Não tem risco de transformação maligna, e a ruptura espontânea é extremamente rara. O marco é a cicatriz central estrelada, e com o diagnóstico fechado pela imagem a conduta é a observação, sem biópsia.
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