Apostila gratuita · 36 páginas

Choque hemorrágico no trauma: classificação do ATLS, transfusão maciça e controle de danos

Choque como hipoperfusão, choque oculto com lactato e déficit de base, a classificação do ATLS em quatro classes e a escala atualizada em leve, moderado e grave, índice de choque, as fontes de sangramento com FAST e E-FAST, bolus de 1 litro, hipotensão permissiva, ácido tranexâmico, ABC Score, protocolo 1:1:1, tromboelastograma, diamante letal e controle de danos. Três questões comentadas: PSU MG 2020, ISCMSP 2022 e AMP 2020.

PDF de 6,5 MB. Gratuito.

Capa da apostila Choque no trauma: classificação, transfusão maciça e controle de danos em um tablet
Formato
Apostila · 36 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Trauma
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de choque no trauma cobre

Do paciente frio e taquicárdico na sala vermelha à decisão de parar a cirurgia, com o que a banca cobra em classificação e gatilhos de transfusão.

  • Da tabela clássica à escala nova

    As quatro classes do ATLS por volume perdido, frequência cardíaca, pressão, diurese e consciência, e a classificação atualizada em leve, moderado e grave, que inclui o déficit de base e a resposta ao volume.

  • Quando parar o soro e transfundir

    Índice de choque acima de 1, ABC Score com 2 pontos ou mais e resposta transitória ao cristaloide pedem sangue: hemácias, plasma e plaquetas na proporção 1:1:1, com 1 g de gluconato de cálcio a cada 3 a 4 bolsas.

  • Três questões comentadas

    PSU MG 2020, sobre a pressão arterial como sinal de choque, ISCMSP 2022, sobre índice de choque e transfusão, e AMP 2020, sobre hipotermia no diamante letal, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 36 páginas

Do reconhecimento do choque ao controle de danos, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: o mapa de prioridades
  2. 02O que é choque no trauma: hipoperfusão tecidual
  3. 03Questão estratégica: sinais clínicos de choque
  4. 04Tipos de choque: hemorrágico, obstrutivo e neurogênico
  5. 05Choque oculto: lactato e déficit de base
  6. 06Classificação da gravidade: a tabela clássica do ATLS
  7. 07A classificação atualizada: leve, moderado e grave
  8. 08Índice de choque (shock index)
  9. 09Onde está sangrando: as grandes fontes
  10. 10FAST e E-FAST: o que cada janela vê
  11. 11Conduta: acessos, intraósseo e o bolus de 1 litro
  12. 12Hipotensão permissiva e suas exceções
  13. 13Ácido tranexâmico: CRASH-2 e CRASH-3
  14. 14O paciente que não melhora: a resposta ao volume
  15. 15Protocolo de transfusão maciça e a proporção 1:1:1
  16. 16Como calcular o ABC Score
  17. 17Tromboelastograma (TEG/ROTEM)
  18. 18Questão estratégica: shock index e protocolo de transfusão
  19. 19O cenário catastrófico: o diamante letal
  20. 20Cirurgia de controle de danos
  21. 21Questão estratégica: o diamante letal
  22. 22Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Choque no trauma: classificação, transfusão maciça e controle de danos
Página da apostila: a resposta ao bolus de 1 litro de Ringer lactato, de respondedor a não respondedor, e a definição clássica de transfusão maciça com os gatilhos para ativar o protocolo.

O que é choque hemorrágico?

Choque hemorrágico é a hipoperfusão tecidual causada pela perda de sangue: falta volume para levar oxigênio às células, que passam ao metabolismo anaeróbio, produzem lactato e entram em acidose metabólica. No trauma, a apostila parte de uma regra de prova: todo choque é hemorrágico até que se prove o contrário.

Choque não é sinônimo de hipotensão. O jovem compensa a perda com taquicardia e vasoconstrição, e a pressão arterial pode seguir normal, com a pressão de pulso pinçada. A hipotensão é sinal tardio: na classificação do ATLS, a sistólica cai a partir da classe III, com perda de 30% a 40% da volemia.

Os sinais que a banca descreve são taquicardia, pele fria, pálida e sudoreica, enchimento capilar lento, taquipneia, queda da diurese e alteração da consciência. Quando os sinais vitais ainda parecem normais, lactato alto e déficit de base revelam o choque oculto, também chamado de compensado.

Os outros dois choques do trauma entram no diagnóstico diferencial. O obstrutivo, por pneumotórax hipertensivo ou tamponamento cardíaco, vem com turgência jugular; o neurogênico, por trauma raquimedular, com pele quente e seca e bradicardia ou frequência normal. No hemorrágico, a jugular está colabada.

Página da apostila Choque no trauma: classificação, transfusão maciça e controle de danos

Comparativo

Classificação do choque hemorrágico: as quatro classes do ATLS

A transição de um corpo compensado para um corpo em falência, em um adulto de 70 kg, como a apostila apresenta na tabela clássica.

Classes de choque hemorrágico por perda estimada, frequência cardíaca, pressão arterial e conduta. Fonte: apostila Med-Review R1, “Choque no trauma”.
ClassePerda estimadaFC e pressão arterialConduta
Classe IMenos de 15%, abaixo de 750 mLFC abaixo de 100, pressão normalSem necessidade de sangue
Classe II15% a 30%, de 750 a 1.500 mLFC acima de 100, pressão normal e pressão de pulso pinçadaCristaloide pode bastar, com o sangue já preparado
Classe III30% a 40%, de 1.500 a 2.000 mLFC acima de 120, hipotensãoSangue: concentrado de hemácias tipo específico
Classe IVMais de 40%, acima de 2.000 mLFC acima de 140, hipotensão grave ou indetectávelProtocolo de transfusão maciça

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o choque hemorrágico no trauma, passo a passo

O raciocínio da apostila, do primeiro olhar ao paciente à decisão pelo controle de danos.

  1. Reconheça a hipoperfusão antes da hipotensão

    Pele fria, taquicardia e pressão de pulso pinçada já indicam choque. Calcule o índice de choque, a frequência cardíaca dividida pela sistólica: acima de 1, acenda o alerta de transfusão. Lactato alto e déficit de base desmascaram o choque oculto.

  2. Procure para onde o sangue foi

    Olhe o chão e os curativos, o tórax com E-FAST, o abdome com FAST no instável e TC no estável, a pelve, que sangra para o retroperitônio sem aparecer no FAST, e os ossos longos: cada fêmur fraturado sequestra de 1 a 1,5 litro. TCE isolado não causa choque no adulto.

  3. Acesso curto e grosso e 1 litro aquecido

    Dois acessos periféricos de 14G ou 16G nas fossas antecubitais. Se falharem em duas tentativas ou 90 segundos no instável, vá para o intraósseo. Faça bolus inicial de 1 litro de solução isotônica aquecida, de preferência Ringer lactato, e 20 mL/kg na criança. Soro glicosado nunca.

  4. Segure a pressão no mínimo aceitável

    Na hipotensão permissiva, o alvo é sistólica de 80 a 90 mmHg até o sangramento ser controlado. As exceções são o TCE moderado ou grave, com sistólica acima de 110 mmHg, o trauma raquimedular e a gestante. Ácido tranexâmico 1 g em 10 minutos e 1 g em 8 horas, nas primeiras 3 horas do trauma.

  5. Leia a resposta ao volume e ative o protocolo

    O respondedor rápido segue a investigação; o transitório precisa de sangue e de definição cirúrgica rápida; o não respondedor, de transfusão maciça e cirurgia imediata, ou de tratar a causa se o choque não for hemorrágico. Com ABC Score de 2 pontos ou mais, ative o protocolo de transfusão maciça 1:1:1 sem esperar a prova cruzada, reponha cálcio e, se houver, guie pelo tromboelastograma.

  6. No diamante letal, controle de danos

    Hipotermia, acidose, coagulopatia e hipocalcemia se alimentam. Diante do paciente frio, ácido e coagulopata, pare a cirurgia complexa: laparotomia abreviada para conter sangramento e contaminação, peritoneostomia, reanimação na UTI e reoperação programada em 24 a 48 horas.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre choque hemorrágico na prova

O que é choque hipovolêmico?

É o choque por falta de volume circulante, que deixa as células sem oxigênio. No trauma, a grande maioria dos choques é hipovolêmica hemorrágica, e a apostila ensina a tratar como hemorrágico todo choque do politraumatizado até que se prove o contrário. Obstrutivo e neurogênico são as exceções que a banca usa para confundir.

Quais são os sinais de choque hipovolêmico?

Taquicardia, pele fria, pálida e úmida, enchimento capilar lento, taquipneia, queda da diurese, alteração da consciência e veias colabadas. A hipotensão é tardia. Na PSU MG 2020 da apostila, o valor da pressão arterial é justamente o achado que não pode ser considerado, sozinho, sinal de choque.

Qual a classificação do choque hemorrágico?

A tabela clássica do ATLS divide em quatro classes pela perda estimada: abaixo de 15%, de 15% a 30%, de 30% a 40% e acima de 40%. A diferença entre as classes II e III é a pressão sistólica: pressão normal com taquicardia é classe II, hipotensão com taquicardia é classe III. A classificação atualizada do ATLS agrupa o paciente em leve, moderado e grave, incluindo o déficit de base e a resposta ao volume.

Qual o tratamento do choque hipovolêmico no trauma?

Controlar o sangramento e repor sangue, sem inundar o paciente de cristaloide. A apostila orienta acesso calibroso, bolus de 1 litro de cristaloide aquecido, hipotensão permissiva, ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas e, se não houver resposta sustentada, transfusão com hemácias, plasma e plaquetas em 1:1:1, levando o paciente para cirurgia ou angioembolização.

Quando ativar o protocolo de transfusão maciça?

Pelo ABC Score, que soma mecanismo penetrante, FAST positivo, hipotensão e taquicardia, sem exame laboratorial: com 2 pontos ou mais, a probabilidade de transfusão maciça é alta. Choque grave e resposta transitória ou ausente ao cristaloide também indicam o protocolo. Na ISCMSP 2022 da apostila, o índice de choque de 1,75 leva à transfusão hemostática com hemácias O, plasma AB, plaquetas e ácido tranexâmico.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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