Apostila gratuita · 20 páginas

Trauma em populações especiais: PECARN e acesso intraósseo na criança, idoso em betabloqueador e cesárea perimortem na gestante

Cabeça proporcionalmente maior, contusão pulmonar sem fratura de costela, coxim sob os ombros, acesso intraósseo após 2 tentativas ou 90 segundos, bolus de 20 ml/kg, PECARN abaixo de 2 anos e a partir de 2 anos, betabloqueador que mascara o choque, TC de crânio no idoso anticoagulado, desvio do útero para a esquerda, DPP traumático, imunoglobulina anti-Rh e histerotomia de ressuscitação pela regra dos 4 minutos. Uma questão comentada: UNICAMP 2021.

PDF de 1,9 MB. Gratuito.

Capa da apostila Trauma em populações especiais: criança, idoso e gestante em um tablet
Formato
Apostila · 20 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Trauma
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de trauma em populações especiais cobre

Criança, idoso e gestante no atendimento ao trauma, com as pegadinhas que a banca monta em cada um.

  • PECARN em dois fluxogramas

    Menores de 2 anos e crianças de 2 anos ou mais, com quem vai para TC imediata, quem fica em observação por 4 a 6 horas e quem recebe alta sem tomografia.

  • Sinais vitais que enganam

    A criança mantém a pressão às custas de taquicardia, o idoso em betabloqueador choca com FC normal e a gestante perde 1.200 a 1.500 ml antes de mostrar sinais de choque.

  • Uma questão comentada

    UNICAMP 2021, sobre o lado do desvio uterino e da inclinação da prancha na gestante de 38 semanas em choque, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 20 páginas

Da criança à gestante, passando pelo idoso, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela-resumo das três populações
  2. 02Trauma pediátrico: cabeça maior e órgãos mais expostos
  3. 03Complacência torácica e contusão pulmonar sem fratura
  4. 04Via aérea da criança: coxim sob os ombros e cartilagem cricoide
  5. 05Acesso intraósseo e reposição volêmica de 20 ml/kg
  6. 06PECARN: quando pedir TC de crânio na criança
  7. 07Trauma geriátrico: reserva fisiológica limitada
  8. 08Via aérea do idoso: prótese dentária e rigidez cervical
  9. 09Betabloqueadores e o choque mascarado
  10. 10Anticoagulantes, antiagregantes e TC de crânio
  11. 11Trauma na gestante: salvar a mãe para salvar o feto
  12. 12Choque oculto e compressão da veia cava inferior
  13. 13Questão estratégica: manejo da compressão da veia cava
  14. 14Descolamento prematuro de placenta traumático
  15. 15Exames de imagem na gestante e imunoglobulina anti-Rh
  16. 16Histerotomia de ressuscitação: a regra dos 4 minutos
  17. 17Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Trauma em populações especiais: criança, idoso e gestante
Página da apostila: o útero comprimindo a veia cava inferior, o deslocamento manual para a esquerda e a questão UNICAMP 2021 sobre a manobra.

O que é o PECARN?

PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) é a regra de predição clínica que decide qual criança precisa de tomografia de crânio depois de um trauma. O objetivo é evitar TC desnecessária, porque o cérebro em desenvolvimento é sensível à radiação, sem deixar passar lesão cerebral traumática importante.

A regra separa as crianças em dois grupos, menores de 2 anos e com 2 anos ou mais. O alto risco vai para TC imediata: Glasgow menor que 15, alteração do nível de consciência, como agitação inexplicável ou sonolência, e sinais de fratura de crânio, palpável no bebê ou de base de crânio na criança maior.

No risco intermediário, a conduta esperada é observação no hospital por 4 a 6 horas: TC se piorar, alta se ficar bem. Entram aqui o mecanismo de trauma grave, o hematoma subgaleal não frontal abaixo de 2 anos e os vômitos ou a cefaleia intensa na criança maior. Sem nenhum critério, com mecanismo leve e pais que garantem comportamento normal, a conduta é alta com observação domiciliar.

No idoso, a lógica se inverte: o limiar para TC é quase zero, e TCE em paciente com anticoagulante ou antiagregante pede TC de crânio precoce mesmo com Glasgow 15 e sem sintomas.

Página da apostila Trauma em populações especiais: criança, idoso e gestante

Comparativo

Criança, idoso e gestante no trauma: o que muda em cada um

Cada população tem uma armadilha fisiológica, e a conduta de prova nasce dela.

Armadilhas fisiológicas e condutas por população. Fonte: apostila Med-Review R1, “Trauma em populações especiais”.
PopulaçãoArmadilha fisiológicaPista na provaConduta
Criança em choqueMantém a pressão às custas de taquicardia; hipotensão é sinal tardioVeia periférica que falha em 2 tentativas ou 90 segundosAcesso intraósseo na tíbia proximal e bolus de 20 ml/kg de cristaloide aquecido; sem resposta rápida ao 2º bolus, concentrado de hemácias 10 ml/kg
Tórax da criançaCostelas cartilaginosas e muito complacentesContusão pulmonar grave com raio X sem fratura de costelaNão descartar lesão torácica pela ausência de fratura
IdosoReserva fisiológica limitada e uso de betabloqueadorFC normal e PA de 110x70 mmHg num hipertenso grave: hipotensão relativaAssumir choque oculto se houver má perfusão; TC de crânio precoce se usa anticoagulante ou antiagregante
Gestante em choqueVolume plasmático 45 a 50% maior; perde 1.200 a 1.500 ml antes de mostrar choqueHipotensão em decúbito dorsal a partir de 20 semanasDeslocar o útero para a esquerda ou inclinar a prancha 15 a 30 graus para a esquerda
Gestante e fetoPlacenta inelástica sobre útero complacenteDor abdominal e útero em tábua, com ou sem sangramento vaginalSuspeitar de DPP e acionar a obstetrícia; anti-Rh em até 72 horas se a mãe for Rh negativa

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o trauma na criança, no idoso e na gestante, passo a passo

O raciocínio da apostila, do ABCDE à histerotomia de ressuscitação.

  1. Comece pelo ABCDE de sempre

    O atendimento inicial não muda em nenhuma das três populações. Na gestante, a melhor forma de salvar o feto é salvar a mãe: a avaliação fetal detalhada fica para o exame secundário.

  2. Ajuste a via aérea à anatomia

    Na criança, coxim sob os ombros para alinhar os eixos, lembrando que o ponto mais estreito é a cartilagem cricoide. No idoso, mantenha a prótese dentária para ventilar com bolsa-válvula-máscara e retire-a só na laringoscopia.

  3. Garanta a circulação com a regra certa

    Criança sem veia em 2 tentativas ou 90 segundos recebe acesso intraósseo e bolus de 20 ml/kg; sem resposta ao 2º bolus, sangue. Na gestante a partir de 20 semanas, desloque o útero para a esquerda antes de esperar efeito do volume.

  4. Desconfie de sinais vitais normais

    Betabloqueador trava a frequência cardíaca do idoso, e uma PA aparentemente boa pode ser hipotensão relativa. A gestante compensa até perder muito sangue enquanto o feto já sofre: com mecanismo importante, trate como perda volêmica.

  5. Decida a TC de crânio

    Na criança, aplique o PECARN pela faixa etária: TC imediata no alto risco, observação de 4 a 6 horas no intermediário e alta no baixo risco. No idoso com TCE em uso de anticoagulante ou antiagregante, TC precoce em todos.

  6. Na gestante em PCR, conte 4 minutos

    Sem retorno da circulação após 4 minutos de RCP adequada e com útero acima da cicatriz umbilical, inicie a histerotomia de ressuscitação na própria sala de trauma. O objetivo primário é devolver o retorno venoso para a RCP materna funcionar.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre trauma em populações especiais na prova

Quando pedir TC de crânio pelo PECARN?

TC imediata no alto risco: Glasgow menor que 15, alteração do nível de consciência e sinais de fratura de crânio. No risco intermediário, a conduta é observar no hospital por 4 a 6 horas e tomografar só se piorar. Sem critérios, com mecanismo leve e criança agindo normalmente, alta sem TC.

O que muda no protocolo PECARN entre menores e maiores de 2 anos?

Abaixo de 2 anos, a apostila destaca a fratura de crânio palpável, o hematoma subgaleal occipital, temporal ou parietal e a alteração de comportamento. A partir de 2 anos, entram os sinais de fratura de base de crânio, os vômitos e a cefaleia intensa. Em ambos, mecanismo de trauma grave pesa para a observação.

Quando usar o acesso intraósseo na criança?

Quando o acesso venoso periférico não sai em 2 tentativas ou em até 90 segundos. O local clássico de prova é a face anteromedial da tíbia proximal, 1 a 3 cm abaixo da tuberosidade. Funciona como veia calibrosa não colapsável: medicação, sangue e fluido entram com a mesma dose.

O que é cesárea perimortem e quando indicar?

É a histerotomia de ressuscitação, feita na gestante em parada cardiorrespiratória para esvaziar o útero, liberar a veia cava e tornar a RCP materna eficaz; salvar o feto é objetivo secundário. Indica-se com útero acima da cicatriz umbilical e sem retorno da circulação após 4 minutos de RCP, para a extração ocorrer no 5º minuto, na própria sala de trauma.

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  • Raquel Khoury

    Clínica Médica

    Raquel Khoury

    Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

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    Juliana Lacerda

    Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

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    Diego Luz

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

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    Tiarlles Miller

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

  • Davi Khoury

    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

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    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Phellipe Fabrini

    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Luiz Sposito

    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

    Pediatria

    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

  • Roberto Guimarães

    Pediatria

    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

  • Juliana Araújo

    Ginecologia e Obstetrícia

    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

  • Natalia Cardin

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    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Isabella Zanfra

    Medicina Preventiva

    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Daniel Costa

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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