Apostila gratuita · 13 páginas

Escorpionismo: tempestade autonômica, gravidade, soroterapia e manejo do caso grave

Tityus serrulatus e o acidente urbano, canais de sódio e a tempestade autonômica, classificação clínica em leve, moderado e grave, o alerta dos vômitos na criança, o escorpião-preto da Amazônia, exames de monitorização, analgesia com bloqueio anestésico, soro antiescorpiônico pela gravidade e o suporte do choque cardiogênico e do edema agudo de pulmão.

PDF de 2,4 MB. Gratuito.

Capa da apostila Escorpionismo: o principal acidente peçonhento do Brasil em um tablet
Formato
Apostila · 13 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Toxicologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de escorpionismo cobre

Do escorpião-amarelo no entulho ao choque cardiogênico, com a classificação e a soroterapia que a banca cobra.

  • Soroterapia antiescorpiônica em números

    3 ampolas no caso moderado e 6 no grave, com a dose definida pela gravidade e não pelo peso, por via intravenosa ou intraóssea, em bolus ou diluída e infundida em 10 a 15 minutos.

  • Tempestade autonômica e caso grave

    Catecolaminas e acetilcolina liberadas pelos canais de sódio abertos explicam vômitos, sudorese, arritmias, choque cardiogênico e edema agudo de pulmão, com a dobutamina como inotrópico de escolha.

  • Escorpião-preto da Amazônia

    O Tityus obscurus causa sensação de choque elétrico, mioclonias, ataxia e disartria, pede diazepam e exige cautela com o bloqueio anestésico, que pode piorar o choque elétrico.

Sumário

O que tem dentro das 13 páginas

Da biologia do escorpião urbano ao manejo do caso grave, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela de pontos-chave
  2. 02O cenário do escorpião no Brasil: Tityus serrulatus, partenogênese e acidente urbano
  3. 03Fisiopatologia: a tempestade autonômica
  4. 04Diagnóstico e classificação: reconhecimento clínico e gravidade
  5. 05O escorpião-preto da Amazônia e as manifestações neuromusculares
  6. 06Exames: laboratório, ECG, imagem e POCUS
  7. 07Conduta geral: tratamento da crise aguda
  8. 08Soroterapia e suporte: qual soro, quantas ampolas e qual via
  9. 09Questão estratégica: classificação e conduta
  10. 10O manejo de casos graves: suporte cardiovascular, a prazosina nas diretrizes internacionais, suporte respiratório, sintomático e neurológico
  11. 11Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Escorpionismo: o principal acidente peçonhento do Brasil
Página da apostila: as complicações do quadro grave e a conduta da crise aguda, com compressas mornas, dipirona e bloqueio com lidocaína a 2% sem vasoconstritor.

O que é escorpionismo?

Escorpionismo é o envenenamento causado pela picada de escorpião, o animal peçonhento que mais causa acidentes registrados no Brasil. O principal agente é o Tityus serrulatus, o escorpião-amarelo. O quadro começa com dor local quase sempre imediata e intensa e, nos casos moderados e graves, evolui para uma tempestade autonômica.

O veneno mantém abertos os canais de sódio, despolariza de forma contínua as terminações nervosas e dispara a liberação maciça de catecolaminas e acetilcolina. Ora predomina o simpático, com taquicardia e hipertensão, ora o parassimpático, com bradicardia, sialorreia e vômitos. Mediadores inflamatórios e a lesão cardíaca direta e indireta podem levar a choque cardiogênico e edema agudo de pulmão.

O acidente é urbano e doméstico e atinge sobretudo os membros superiores, ao manusear entulho, lenha ou material de construção ou ao vestir roupas e calçados. O T. serrulatus e o T. stigmurus vivem em esgotos e entulhos, onde há baratas em fartura, e se reproduzem por partenogênese: uma única fêmea pode colonizar uma área inteira. As manifestações surgem em poucos minutos ou em até duas horas e podem se agravar com o tempo.

A classificação é clínica, em leve, moderado e grave, e define a dose do soro: 3 ampolas no moderado e 6 no grave. Nas crianças, náuseas e vômitos que se repetem são sinal premonitório de gravidade sistêmica.

Comparativo

Classificação do escorpionismo e a conduta em cada grau

A classificação é puramente clínica e decide a soroterapia. A tabela junta o quadro de cada grau à conduta que a apostila indica.

Classificação de gravidade do acidente escorpiônico e conduta, com a particularidade do Tityus obscurus. Fonte: apostila Med-Review R1, “Escorpionismo”.
GravidadeQuadro clínicoSoro antiescorpiônicoConduta
LeveDor local intensa, às vezes com parestesiaNão indicadoAnalgesia e observação clínica por 6 a 12 horas
ModeradoDor com náuseas, alguns vômitos, sudorese, alteração da frequência cardíaca e hipertensão3 ampolasSoro por via intravenosa e observação por pelo menos 24 horas
GraveVômitos persistentes, sudorese profusa, prostração, priapismo, convulsões, choque cardiogênico ou edema pulmonar6 ampolasUTI e monitorização contínua por pelo menos 24 horas
Tityus obscurusSensação de choque elétrico, mioclonias, ataxia e disartriaDose pela gravidade, como nos demais acidentesDiazepam para as mioclonias e cautela com o bloqueio anestésico

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o acidente escorpiônico, passo a passo

O raciocínio da apostila, da chegada ao pronto-socorro ao suporte do caso grave.

  1. Reconheça a cena e evite o erro comum

    O diagnóstico é clínico-epidemiológico: dor local imediata e intensa após contato com entulho, lenha, roupas ou calçados, sobretudo em membro superior. Não se faz torniquete, não se fura o local e não se chupa o veneno, porque isso só aumenta o risco de infecção e necrose.

  2. Controle a dor primeiro

    Compressas mornas ajudam no alívio inicial. Dipirona por via oral no caso leve e intravenosa no moderado; na dor intensa, bloqueio anestésico com lidocaína a 2% sem vasoconstritor e, se a dor persistir, opioide fraco. A dexametasona não é recomendada.

  3. Classifique pela clínica

    A classificação brasileira é puramente clínica, em leve, moderado e grave. O moderado soma à dor náuseas, alguns vômitos, sudorese, alteração da frequência cardíaca e hipertensão; o grave pode ter vômitos incoercíveis, sudorese profusa, prostração, convulsões, choque cardiogênico ou edema pulmonar. O caso leve recebe só analgesia e fica em observação rigorosa por 6 a 12 horas, para o caso de evoluir com manifestações sistêmicas.

  4. Indique o soro pela gravidade

    Soro antiescorpiônico, ou o antiaracnídico na falta dele ou quando não se distingue o acidente por Phoneutria: 3 ampolas no moderado e 6 no grave, a quantidade máxima. Via intravenosa ou intraóssea, em bolus de 8 a 12 mL/min ou diluído de 1:1 a 1:5 em 10 a 15 minutos (20 a 60 minutos se for o antiaracnídico), sem pré-medicação com corticoide ou anti-histamínico.

  5. Monitore com exames

    Glicemia, eletrólitos para a hipocalemia, amilase, hemograma, troponina, CK-MB e NT-proBNP nos casos moderados e graves. ECG na admissão e seriado, porque pode simular infarto, radiografia de tórax, ecocardiograma e POCUS para flagrar cedo a disfunção ventricular e o edema agudo de pulmão.

  6. Dê suporte ao caso grave

    Dobutamina no choque, noradrenalina com cautela no choque misto, nitroglicerina com dobutamina no edema agudo de pulmão e hidratação muito cautelosa. Oxigênio, ventilação não invasiva ou invasiva e furosemida conforme a congestão, diazepam nas convulsões e profilaxia antitetânica conforme a situação vacinal.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre escorpionismo na prova

O que fazer na picada de escorpião?

Não fazer torniquete, não furar o local e não chupar o veneno. No serviço de saúde, o primeiro passo é controlar a dor, com compressas mornas, dipirona e, na dor intensa, bloqueio com lidocaína a 2% sem vasoconstritor. Depois o paciente é classificado: o caso leve fica em observação por 6 a 12 horas, e o moderado e o grave recebem soro antiescorpiônico por via intravenosa.

Picada de escorpião mata?

Pode, e as crianças são o grupo de risco, com letalidade quatro vezes maior que a dos adultos. Nos casos graves, a tempestade autonômica pode evoluir para choque cardiogênico e edema agudo de pulmão, e na criança as náuseas e os vômitos que se repetem são sinal premonitório de gravidade sistêmica. O paciente grave vai para a UTI, recebe 6 ampolas de soro e fica monitorado por pelo menos 24 horas.

Como é a picada de escorpião?

A dor local é quase sempre imediata e intensa e pode vir com parestesia, eritema e sudorese discreta. As manifestações sistêmicas surgem em poucos minutos ou em até duas horas e podem se agravar. No escorpião-preto da Amazônia, o Tityus obscurus, o quadro é neuromuscular: sensação de choque elétrico, mioclonias, ataxia e disartria.

Como identificar a picada de escorpião?

Pela clínica e pela epidemiologia: dor intensa e imediata após manusear entulho, lenha ou material de construção, ou ao vestir roupas e calçados, em ambiente urbano e doméstico. Nos casos moderados e graves, os exames ajudam a acompanhar a evolução: hiperglicemia, hipocalemia, amilase elevada, leucocitose com neutrofilia, troponina e CK-MB elevadas e um ECG que pode simular infarto.

Qual o remédio para picada de escorpião?

Para a dor, dipirona, bloqueio anestésico com lidocaína a 2% sem vasoconstritor e, se a dor persistir, opioide fraco. O tratamento específico é o soro antiescorpiônico, com 3 ampolas no caso moderado e 6 no grave, e a dose segue a gravidade, não o peso do paciente. A dexametasona não é recomendada, e não há indicação de antibiótico profilático.

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  • Raquel Khoury

    Clínica Médica

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    Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

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    Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

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    Diego Luz

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

  • Tiarlles Miller

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

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    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

    Cirurgia Geral

    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Phellipe Fabrini

    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Luiz Sposito

    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

    Pediatria

    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

  • Roberto Guimarães

    Pediatria

    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

  • Juliana Araújo

    Ginecologia e Obstetrícia

    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Medicina Preventiva

    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Isabella Zanfra

    Medicina Preventiva

    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Daniel Costa

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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