Apostila gratuita · 15 páginas

Araneísmo: loxoscelismo, foneutrismo, latrodectismo e a conduta em cada acidente

Os três gêneros de importância médica no Brasil, a esfingomielinase-D e a placa marmórea, as formas cutânea e cutâneo-visceral do loxoscelismo, classificação, prednisona e soro antiaracnídico, a dor imediata e o priapismo do foneutrismo, o bloqueio com lidocaína, os espasmos e o falso abdome agudo do latrodectismo, a caranguejeira e os acidentes por abelhas, águas-vivas e Lonomia. Uma questão comentada: HFR 2019.

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Formato
Apostila · 15 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Toxicologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de araneísmo cobre

Da aranha-marrom à viúva-negra, com o que a banca cobra em diagnóstico, classificação e conduta.

  • Loxoscelismo do leve ao grave

    Lesão incaracterística, sugestiva ou característica, hemólise intravascular na forma cutâneo-visceral, prednisona por 5 dias e soro antiaracnídico com 5 ampolas no moderado e 10 no grave.

  • Três gêneros, três quadros

    Dor tardia com necrose na aranha-marrom, dor imediata com tempestade autonômica e priapismo na armadeira, espasmos musculares e falso abdome agudo na viúva-negra.

  • Uma questão comentada

    HFR 2019, sobre o gênero de veneno proteolítico e hemolítico que causa anemia, icterícia e insuficiência renal, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 15 páginas

Dos três gêneros de importância médica aos outros acidentes peçonhentos, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela dos três gêneros
  2. 02Contexto clínico e importância epidemiológica
  3. 03Loxosceles: reconhecimento clínico e fisiopatologia
  4. 04Forma cutânea: lesão incaracterística, sugestiva e característica
  5. 05Forma cutâneo-visceral: a hemólise intravascular
  6. 06Classificação e tratamento do loxoscelismo
  7. 07Questão estratégica: diagnóstico de loxoscelismo
  8. 08Phoneutria: reconhecimento clínico e tempestade autonômica
  9. 09Conduta no foneutrismo: do bloqueio à soroterapia
  10. 10Latrodectus: espasmos e o falso abdome agudo
  11. 11Conduta no latrodectismo: relaxamento e suporte
  12. 12A aranha-caranguejeira e as cerdas urticantes
  13. 13Outros acidentes peçonhentos: abelhas, águas-vivas e caravelas, Lonomia
  14. 14Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Araneísmo: acidente com aranhas nas provas
Página da apostila: a forma cutânea do loxoscelismo, com a dor tardia em queimação, as lesões incaracterística, sugestiva e característica com a placa marmórea, e o início da forma cutâneo-visceral.

O que é loxoscelismo?

Loxoscelismo é o envenenamento pela picada da aranha-marrom, do gênero Loxosceles, o acidente mais comum entre as aranhas identificadas de importância médica no país e o que domina as questões de araneísmo. O veneno tem a enzima esfingomielinase-D, que ativa o sistema complemento e as cascatas de coagulação e gera inflamação intensa, com obstrução de pequenos vasos e isquemia tecidual.

A aranha-marrom pica para se defender, quando é comprimida contra o corpo, em geral enquanto o paciente se veste ou dorme, e por isso as lesões costumam ser proximais, em coxas, braços ou tronco. A Loxosceles intermedia é a principal espécie, sobretudo no Sul do Brasil. Ao contrário das outras aranhas, a dor é tardia: começa horas depois, como queimação.

A forma cutânea é a evolução da maioria dos casos. Em 24 a 72 horas, a lesão pode ser incaracterística, sugestiva ou característica. Na característica, lesões hemorrágicas focais se mesclam a áreas pálidas de isquemia, a placa marmórea, e a isquemia progride para necrose seca, que pode deixar uma úlcera de difícil cicatrização. A forma cutâneo-visceral, mais comum com a L. laeta, causa hemólise intravascular com anemia, icterícia e hemoglobinúria, e a gravidade sistêmica não tem relação direta com o tamanho da lesão.

A principal causa de óbito é a insuficiência renal aguda por necrose tubular, causada pela deposição de hemoglobina nos túbulos renais. O tratamento usa prednisona nos casos moderados e graves e soro antiaracnídico, com 5 ampolas no moderado e 10 no grave.

Comparativo

Aranha-marrom, armadeira e viúva-negra: o que separa os acidentes

Só três gêneros têm real importância médica no Brasil, e cada um tem uma dor, uma complicação e uma conduta. A tabela junta o que a apostila usa para decidir.

Quadro típico, complicação e conduta principal de cada aranha de importância médica, com a caranguejeira. Fonte: apostila Med-Review R1, “Araneísmo”.
GêneroQuadro típicoComplicaçãoConduta principal
Loxosceles, a aranha-marromDor tardia em queimação e placa marmóreaHemólise intravascular e insuficiência renal agudaPrednisona e soro antiaracnídico nos casos moderados e graves
Phoneutria, a armadeiraDor imediata e intensa, sudorese e manifestações autonômicasPriapismo; edema pulmonar e choque, rarosCompressas mornas, dipirona e bloqueio com lidocaína a 2% sem vasoconstritor
Latrodectus, a viúva-negraDor local que evolui para queimação, espasmos musculares e tremoresDisautonomia e choque, raros no Brasil; dor abdominal com ventre em tábua que simula abdome agudoAnalgesia, diazepam e gluconato de cálcio; o soro antiaracnídico não neutraliza o veneno
CaranguejeiraCerdas urticantes lançadas quando se sente ameaçadaCoceira, irritação de mucosas ou reação alérgicaNão é considerada de importância médica no Brasil

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como reconhecer e tratar o acidente por aranha, passo a passo

O raciocínio da apostila, da conduta geral à conduta de cada gênero.

  1. Faça a conduta geral

    Não fazer torniquete, não cortar e não sugar o local. Lavar com água e sabão e levar o paciente ao atendimento médico precocemente.

  2. Use a dor para separar os gêneros

    Dor tardia em queimação, horas depois, aponta para a aranha-marrom. Dor imediata e muito intensa, que pode irradiar para o membro com sudorese e edema, aponta para a armadeira. Dor local que vira queimação em 15 a 60 minutos e depois espasmos musculares aponta para a viúva-negra.

  3. Classifique o loxoscelismo e observe

    Leve é a lesão incaracterística sem manifestação sistêmica nem alteração laboratorial, e esse paciente fica em observação por pelo menos 72 horas, porque a lesão pode virar característica. Moderado é a lesão sugestiva ou característica, com ou sem rash, cefaleia e mal-estar. Grave é a lesão característica com alterações clínico-laboratoriais de hemólise intravascular. O laboratório inclui hemograma, reticulócitos, bilirrubina, haptoglobina, potássio, creatinina, ureia e coagulograma.

  4. Trate a aranha-marrom

    Prednisona oral, 40 mg/dia no adulto e 1 mg/kg/dia na criança, por 5 dias nos casos moderados e graves, e soro antiaracnídico com 5 ampolas no moderado e 10 no grave. Com necrose já instalada há vários dias, o soro perde a eficácia e o foco passa a ser o debridamento cirúrgico e os cuidados locais.

  5. Controle a dor da armadeira

    Compressas mornas, porque o veneno é termolábil, e dipirona. Se a dor for persistente e intensa, acima de 7 na escala, a conduta de escolha é o bloqueio anestésico local com lidocaína a 2% sem vasoconstritor. Os casos graves, raros e quase exclusivos de crianças, são conduzidos em terapia intensiva.

  6. Relaxe a musculatura na viúva-negra

    Analgesia, diazepam para o relaxamento muscular e gluconato de cálcio intravenoso para as contraturas. O soro antiaracnídico não neutraliza esse veneno; o soro antilatrodético é específico, raramente disponível e importado para casos extremamente graves, na dose de 1 a 2 ampolas por via intramuscular.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre araneísmo na prova

A aranha-marrom é venenosa?

Sim. O veneno da Loxosceles é dermonecrótico e hemolítico, pela ação da esfingomielinase-D, e pode causar necrose de pele e hemólise intravascular. Ela não é agressiva: pica para se defender quando é comprimida contra o corpo, ao se vestir ou dormir.

O que fazer na picada de aranha?

Não fazer torniquete, não cortar e não sugar. Lavar com água e sabão e procurar atendimento precocemente. No serviço, a conduta depende do gênero: prednisona e soro antiaracnídico no loxoscelismo moderado e grave, bloqueio com lidocaína na dor intensa da armadeira e diazepam com gluconato de cálcio nos espasmos da viúva-negra.

A aranha-marrom mata?

Pode matar na forma cutâneo-visceral, que causa hemólise intravascular com anemia, icterícia e hemoglobinúria. A principal causa de óbito é a insuficiência renal aguda por necrose tubular, pela deposição de hemoglobina nos túbulos. Uma picada pequena pode causar hemólise maciça, porque a gravidade sistêmica não depende do tamanho da lesão.

Como identificar a picada de aranha-marrom?

A dor é tardia, em queimação, e começa horas depois da picada, em geral em coxas, braços ou tronco. Entre 24 e 72 horas, a lesão é incaracterística, com bolha serosa, edema, calor e rubor, sugestiva, com enduração, bolha e equimoses, ou característica, com a placa marmórea de áreas hemorrágicas e isquêmicas que evolui para necrose.

A picada de aranha armadeira mata?

É rara a evolução grave. Mais de 90% dos casos são leves, só com dor local. Nos moderados aparece a tempestade autonômica, com sudorese, taquicardia, agitação e vômitos ocasionais. Os graves, quase exclusivos de crianças, evoluem com prostração, bradicardia, choque e edema pulmonar agudo e são conduzidos em terapia intensiva.

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