Apostila gratuita · 24 páginas

Constipação intestinal na infância: Roma V, sinais de alarme, Hirschsprung e disquesia do lactente

Constipação aguda e crônica, funcional e orgânica, o ciclo de dor, medo e retenção, escape fecal, Critérios de Roma V e Escala de Bristol, sinais de alarme, doença de Hirschsprung, pseudoconstipação e disquesia do lactente, desimpactação e manutenção com PEG. Duas questões comentadas: SES/PE 2020 e UNIFESP 2022.

PDF de 1,3 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 24 páginas
Área da prova
Pediatria · Gastroenterologia pediátrica
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de constipação cobre

A constipação na pediatria, do diagnóstico clínico pelos Critérios de Roma à conduta por faixa etária.

  • Funcional ou orgânica

    A forma funcional responde por 90% a 95% dos casos na infância e tem diagnóstico clínico. Os sinais de alarme, como eliminação do mecônio após 48 horas de vida e início no primeiro mês de vida, separam quem precisa de investigação.

  • Contraindicações por faixa etária

    Enema de fosfato de sódio evitado abaixo de 2 anos pelo risco de hiperfosfatemia grave e óleo mineral inadequado em crianças pequenas e com risco de aspiração, pela pneumonia lipoídica.

  • Duas questões comentadas

    SES/PE 2020, com três casos para separar pseudoconstipação, Hirschsprung e constipação funcional, e UNIFESP 2022, sobre a conduta inicial diante do fecaloma.

Sumário

O que tem dentro das 24 páginas

Do conceito ao fluxograma de manejo, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova nesse tema
  2. 02Introdução: contexto clínico e o que é constipação intestinal
  3. 03Classificação: aguda e crônica, funcional e orgânica
  4. 04Constipação funcional: o ciclo de dor, medo e retenção
  5. 05Escape fecal por retenção
  6. 06Critérios de Roma V e Escala de Bristol
  7. 07Sinais de alarme: quando suspeitar de constipação orgânica
  8. 08Doença de Hirschsprung: sintomas, investigação e tratamento
  9. 09Diagnóstico diferencial do lactente: pseudoconstipação e disquesia
  10. 10Questão estratégica SES/PE 2020: diagnóstico de constipação
  11. 11Tratamento: desimpactação fecal
  12. 12Manutenção e recondicionamento do hábito intestinal
  13. 13Constipação refratária e fluxograma de manejo
  14. 14Questão estratégica UNIFESP 2022: conduta na constipação
  15. 15Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Constipação intestinal na infância
Página da apostila: o fluxograma de manejo da constipação intestinal, dos sinais de alarme à desimpactação, ao tratamento inicial e à reavaliação.

O que é constipação funcional na criança?

Constipação funcional é a constipação sem alteração anatômica, doença de base ou lesão estrutural, e responde por 90% a 95% dos casos na infância. O diagnóstico é clínico, pelos Critérios de Roma V: pelo menos 2 de 6 critérios no último mês, sem outra condição que explique os sintomas e sem preencher critérios para síndrome do intestino irritável.

Os seis critérios são: em média, duas ou menos evacuações por semana; em média, pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana em quem já tem controle esfincteriano; postura retentiva ou esforço para evacuar; evacuações dolorosas ou fezes endurecidas, Bristol tipos 1 ou 2 (no lactente, Escala de Bruxelas tipos 1 a 3); grande massa fecal no reto; e fezes de grande diâmetro. Diferentemente do Roma IV, o Roma V usa um conjunto único para todas as idades pediátricas, sem separar menores e maiores de 4 anos.

Tudo começa com uma evacuação dolorosa, que gera medo e comportamento de retenção. As fezes ficam no reto, endurecem, ferem a mucosa na saída e reforçam o medo, num ciclo de dor e retenção. Com o tempo, o fecaloma dilata o reto e fezes mais líquidas vazam ao redor dele: é o escape fecal, que a prova costuma disfarçar de diarreia.

Sem sinais de alarme, nenhum exame complementar é necessário: o diagnóstico é clínico, e a conduta começa pela desimpactação quando há fecaloma.

Página da apostila Constipação intestinal na infância

Comparativo

Pseudoconstipação, disquesia e constipação funcional: como diferenciar

A consistência das fezes é a chave para separar os três quadros, segundo a apostila.

Idade típica, fisiopatologia, consistência das fezes e conduta na pseudoconstipação intestinal, na disquesia do lactente e na constipação funcional. Fonte: apostila Med-Review R1, “Constipação”.
CaracterísticaPseudoconstipaçãoDisquesia do lactenteConstipação funcional
Idade típicaLactente jovem em aleitamento materno exclusivoLactente menor de 9 mesesQualquer idade, com picos na introdução alimentar, no desfralde e no início escolar
FisiopatologiaAbsorção quase completa do leite materno, com pouco resíduo fecalIncoordenação: o bebê faz força, mas não relaxa o assoalho pélvicoCiclo de dor, medo, retenção e fezes endurecidas
FezesAmolecidas ou pastosasAmolecidas e normais para a idadeEndurecidas, ressecadas, calibrosas ou em cíbalos
Quadro clínicoDias sem evacuar, sem dor, sem distensão e com crescimento adequadoPelo menos 10 minutos de choro, esforço e rosto vermelho antes de evacuarEvacuações dolorosas e infrequentes, postura retentiva, massa palpável e escape fecal
CondutaTranquilizar a família, sem laxantesOrientar a família; supositório, estimulação retal e laxante são contraindicadosDesimpactação se houver fecaloma, manutenção com PEG e recondicionamento

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir a constipação na criança, passo a passo

O raciocínio da apostila, da anamnese à retirada gradual do laxante.

  1. Procure os sinais de alarme

    Eliminação do mecônio após 48 horas de vida, início no primeiro mês, vômitos biliosos, febre, déficit de crescimento, sangue nas fezes sem fissura, distensão grave e alterações anatômicas, neurológicas ou lombossacrais indicam investigação dirigida. Sem eles, o diagnóstico é clínico pelos Critérios de Roma.

  2. Pense em Hirschsprung no recém-nascido

    Atraso do mecônio, distensão e vômitos biliosos com toque retal de ampola vazia e saída explosiva de fezes e gases sugerem aganglionose. O enema opaco mostra o cone de transição, a manometria mostra ausência do reflexo inibitório retoanal e a biópsia retal confirma. O tratamento é cirúrgico.

  3. No lactente, olhe a consistência das fezes

    Fezes pastosas sem dor no bebê em aleitamento exclusivo são pseudoconstipação. Esforço e choro de pelo menos 10 minutos antes de fezes amolecidas, abaixo de 9 meses, são disquesia. Nos dois casos, a conduta é orientar a família, sem laxante.

  4. Desimpacte antes de manter

    Com fecaloma na palpação ou no toque retal, a primeira etapa é a desimpactação, de preferência com PEG oral de 1,0 a 1,5 g/kg/dia. Enemas são alternativa; o de fosfato de sódio é evitado abaixo de 2 anos. Iniciar manutenção sem desimpactar é erro clássico de alternativa.

  5. Mantenha por pelo menos 2 meses

    PEG de 0,4 a 0,8 g/kg/dia, ajustado pela consistência das fezes, com lactulose como alternativa. Sentar no vaso por 5 a 10 minutos após as refeições, com redutor de assento e apoio para os pés, aproveita o reflexo gastrocólico. Fibras e líquidos adequados para a idade, sem suplementação extra de fibras.

  6. Reavalie e só então reduza

    A resposta é reavaliada em 4 a 8 semanas. A redução gradual só entra em pauta depois de pelo menos 2 meses de manutenção, com os sintomas controlados há pelo menos um mês. Sem melhora, confira adesão e dose antes de pedir exames; refratária é a falha de dois laxantes de classes diferentes, em dose máxima tolerada e com boa adesão, por pelo menos 3 meses.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre constipação na prova

Quais são os tipos de constipação intestinal?

A apostila classifica por tempo de evolução e por etiologia. A aguda surge de forma abrupta, como numa doença febril, e costuma melhorar sozinha; a crônica persiste por mais de 30 dias. A primária ou funcional responde por 90% a 95% dos casos na infância, e a secundária ou orgânica, por 5% a 10%, com causas anatômicas, neurogênicas, endócrino-metabólicas, medicamentosas e imunológicas.

Quais são os critérios de Roma para constipação funcional?

Pelo Roma V, pelo menos 2 de 6 critérios no último mês: duas ou menos evacuações por semana, incontinência fecal semanal, postura retentiva, evacuações dolorosas ou fezes endurecidas, grande massa fecal no reto e fezes de grande diâmetro. Os sintomas não podem ser explicados por outra condição. O Roma V usa um conjunto único para todas as idades pediátricas, sem o corte de 4 anos do Roma IV.

Quais são os sintomas da doença de Hirschsprung?

Começam no período neonatal: atraso na eliminação do mecônio, sobretudo além de 48 horas, obstrução intestinal com distensão progressiva e vômitos biliosos, constipação desde as primeiras semanas e baixo ganho ponderal. No toque retal, a ampola está vazia e a retirada do dedo provoca saída explosiva de fezes e gases. A complicação mais temida é a enterocolite associada ao Hirschsprung.

Qual o tratamento da doença de Hirschsprung?

É cirúrgico, porque a aganglionose é uma obstrução estrutural que não responde a laxantes. O cirurgião resseca todo o segmento aganglionar e abaixa o cólon normoganglionar até o canal anal, com anastomose colorretal ou coloanal. A enterocolite é emergência e exige descompressão retal, hidratação venosa e antibiótico de largo espectro.

O que fazer na disquesia do lactente?

Orientar e acalmar a família. A disquesia é uma incoordenação benigna de lactentes menores de 9 meses, que fazem força sem relaxar o assoalho pélvico, com fezes amolecidas. Supositórios, estimulação retal e laxantes são contraindicados, porque atrasam o aprendizado do reflexo evacuatório.

O que fazer com uma criança com constipação intestinal?

Primeiro, separar funcional de orgânica pelos sinais de alarme. Na funcional com fecaloma, desimpactar com PEG oral antes de qualquer manutenção, como na questão UNIFESP 2022. Depois, PEG em dose de manutenção por no mínimo 2 meses, treinamento de toalete após as refeições e fibras e líquidos adequados para a idade.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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