HIC profunda hipertensiva e lobar por angiopatia amiloide, causas secundárias, TC sem contraste e sinal do ponto, alvo de PAS de 140 mmHg, reversão da anticoagulação e indicação cirúrgica. Na HSA, cefaleia em trovoada, punção lombar, Hunt-Hess, WFNS, Fisher, nimodipino e isquemia cerebral tardia. Quatro questões comentadas, entre elas UNIFESP 2025 e IAMSPE 2022.
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Para que serve
Os dois compartimentos do AVC hemorrágico, a HIC e a HSA, do diagnóstico no pronto atendimento às complicações na UTI.
Apresentação clínica, principal causa, exame inicial, alvo de PA sistólica, escalas, conduta específica e complicação típica de cada uma, na tabela do que mais cai em prova.
Hunt-Hess e WFNS para a gravidade clínica, Fisher e Fisher modificada para o risco de vasoespasmo, com a frequência de vasoespasmo em cada grau da escala modificada.
IAMSPE 2022 sobre o exame inicial, UNIFESP 2025 sobre o manejo da HIC e sobre a síndrome de Terson e USP 2025 modificada sobre nimodipino, com gabarito e comentário.
Sumário
Primeiro a hemorragia intracerebral, depois a subaracnóidea, na ordem em que a apostila ensina.
Hemorragia subaracnóidea (HSA) é o AVC hemorrágico em que o sangue extravasa para o espaço entre a aracnoide e a pia-máter. Na forma não traumática, a principal causa é a ruptura de aneurisma intracraniano sacular, responsável por cerca de 80% a 85% dos casos espontâneos. É o subtipo menos comum de AVC, entre 1% e 6% do total, mas atinge uma população mais jovem e tem mortalidade em 30 dias de aproximadamente 35%.
O quadro clássico é a cefaleia em trovoada, que atinge a intensidade máxima em até 1 minuto e é descrita como a pior da vida, com náuseas e vômitos, rigidez de nuca e, às vezes, perda transitória da consciência. Cerca de 40% dos pacientes chegam lúcidos e sem déficit focal, e a cefaleia sentinela pode anteceder o sangramento em dias ou semanas.
O exame inicial é a TC de crânio sem contraste. Se ela for negativa e a suspeita persistir, a punção lombar é o próximo passo, em busca de xantocromia. Confirmado o sangramento, a angiotomografia costuma ser o primeiro exame vascular, e a angiografia por subtração digital de quatro vasos é o padrão-ouro. Hunt-Hess e WFNS graduam a gravidade clínica; Fisher e Fisher modificada estimam pela tomografia o risco de vasoespasmo.
Na fase aguda, a PAS fica geralmente abaixo de 160 mmHg e o aneurisma deve ser excluído da circulação o mais cedo possível, de preferência em até 24 horas, por clipagem microcirúrgica ou embolização. A nimodipina, 60 mg por via enteral a cada 4 horas durante 21 dias, é o pilar farmacológico da profilaxia da isquemia cerebral tardia, ao lado da manutenção da euvolemia.
Comparativo
Os dois tipos de AVC hemorrágico diferem na clínica, na causa, no alvo de pressão e na complicação que a banca cobra.
| Ponto de comparação | Hemorragia intracerebral (HIC) | Hemorragia subaracnoide (HSA) |
|---|---|---|
| Apresentação clínica | Déficit focal súbito, que pode progredir em minutos ou horas com a expansão do hematoma | Cefaleia em trovoada, a pior da vida, com rigidez de nuca |
| Principal causa | Hipertensão nas hemorragias profundas; angiopatia amiloide nas lobares do idoso | Ruptura de aneurisma sacular |
| Exame inicial | TC de crânio sem contraste | TC sem contraste; se negativa com alta suspeita, punção lombar |
| Alvo de PA sistólica | 140 mmHg, na faixa de 130 a 150, idealmente na primeira hora, se a PAS estiver entre 150 e 220 | Abaixo de 160 mmHg, evitando hipotensão |
| Conduta específica | Reversão de anticoagulantes e avaliação neurocirúrgica na hemorragia cerebelar | Nimodipino 60 mg a cada 4 horas por 21 dias e exclusão precoce do aneurisma |
| Complicação típica | Expansão do hematoma, prevista pelo sinal do ponto na angio-TC | Vasoespasmo, isquemia cerebral tardia e hidrocefalia |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da tomografia à vigilância do vasoespasmo.
O quadro pode ser indistinguível do AVC isquêmico, e a neuroimagem é obrigatória. A TC sem contraste é rápida, disponível e sensível ao sangue agudo, que aparece hiperdenso.
A angiotomografia identifica aneurismas, MAV e fístulas e é recomendada na HIC lobar abaixo de 70 anos, na profunda ou de fossa posterior abaixo de 45 e na profunda ou de fossa posterior entre 45 e 70 anos sem história de hipertensão. O sinal do ponto prevê expansão precoce do hematoma.
Com PAS entre 150 e 220 mmHg, o alvo é 140 mmHg, na faixa de 130 a 150, idealmente na primeira hora. Reduzir abaixo de 130 não é recomendado, e acima de 220 a redução é cautelosa e individualizada.
Na varfarina, complexo protrombínico de quatro fatores, 25 a 50 U/kg, com vitamina K 10 mg IV, buscando RNI abaixo de 1,3 ou 1,5. O idarucizumabe reverte a dabigatrana, e o andexanet alfa, os inibidores do fator Xa.
PAS geralmente abaixo de 160 mmHg, exclusão do aneurisma de preferência em até 24 horas e nimodipina enteral, 60 mg a cada 4 horas por 21 dias, iniciada em até 96 horas. Mantenha a euvolemia e evite a hipovolemia.
Avaliação neurológica a cada 1 a 2 horas e Doppler transcraniano seriado; velocidade média na artéria cerebral média ≥ 200 cm/s indica vasoespasmo grave. Na deterioração por isquemia tardia, hipertensão induzida e, sem resposta, terapia endovascular de resgate.
Perguntas frequentes
É o sangramento agudo e espontâneo no interior do crânio. Divide-se em hemorragia intracerebral, com sangue no parênquima, e hemorragia subaracnóidea, com sangue entre a aracnoide e a pia-máter. Responde por cerca de 15% a 30% dos AVCs, com mortalidade e morbidade maiores que as do isquêmico.
Na HIC, o déficit pode progredir em minutos ou horas à medida que o hematoma cresce; no AVC isquêmico embólico, costuma ser máximo desde o início. PA muito elevada e uso de anticoagulante aumentam a suspeita de sangramento, mas não bastam para distinguir. A TC sem contraste, em que o sangue agudo aparece hiperdenso, faz a diferenciação.
Na HIC primária, a arteriopatia hipertensiva, nas hemorragias profundas, e a angiopatia amiloide cerebral, nas lobares de idosos. As causas secundárias incluem MAV, cavernomas, tumores e metástases, coagulopatias e anticoagulantes, trombose venosa cerebral e drogas simpaticomiméticas, como cocaína e anfetaminas. Na HSA não traumática, a principal causa é a ruptura de aneurisma sacular.
Cefaleia súbita em trovoada, náuseas e vômitos em 61% dos pacientes, dor cervical ou rigidez de nuca em 75% e perda transitória da consciência em 9%. Nos casos graves, coma, convulsões e morte súbita. A paralisia do III par com acometimento pupilar sugere aneurisma da comunicante posterior, e a síndrome de Terson, uma hemorragia intraocular, é descrita em até cerca de 40% dos casos.
O sangue agudo aparece hiperdenso na TC sem contraste, com atenuação que depende do hematócrito e da hemoglobina. Na HSA, a sensibilidade é máxima nas primeiras horas e cai à medida que o sangue fica isodenso ao parênquima; anemia com hematócrito abaixo de 30% também atrapalha. Por isso, TC normal com suspeita alta pede punção lombar.
A maioria das HICs supratentoriais é manejada clinicamente. A cirurgia costuma ser indicada no hematoma cerebelar volumoso, na compressão do tronco encefálico ou hidrocefalia obstrutiva e na deterioração neurológica progressiva. Na HSA, o aneurisma é excluído da circulação por clipagem ou embolização, e a DVE é indicada com urgência na hidrocefalia aguda sintomática.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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