Rickettsia rickettsii e R. parkeri, os quatro perfis ecoepidemiológicos, capivara e cavalo na cadeia de transmissão, exantema centrípeto, escara de inoculação, plaquetopenia e hiponatremia, RIFI pareada, doxiciclina imediata, cloranfenicol, profilaxia e diagnóstico diferencial das síndromes febris hemorrágicas. Quatro questões comentadas, entre elas ENARE 2025 e USP/RP 2025.
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Para que serve
Da picada do carrapato à doxiciclina, com o que a banca cobra em epidemiologia, diagnóstico e conduta.
100 mg de 12 em 12 horas no adulto e 2,2 mg/kg/dose na criança com menos de 45 kg, por pelo menos 7 dias ou até 3 dias após o fim da febre, sem esperar sorologia nem exantema.
Clássico e metropolitano, graves, pela R. rickettsii com A. sculptum e A. aureolatum; Mata Atlântica e Pampa, leves, pela R. parkeri com A. ovale e A. tigrinum.
ENARE 2025, REVALIDA 2023, USP/RP 2025 e FM/ABC 2022, sobre hospedeiro amplificador, RIFI pareada, tratamento e exantema centrípeto, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da bactéria ao diagnóstico diferencial, na ordem em que a apostila ensina.
O tratamento da febre maculosa é a doxiciclina, iniciada imediatamente na suspeita clínica, em todos os casos suspeitos, independentemente da gravidade ou da idade. No adulto, a dose é de 100 mg de 12 em 12 horas, por via oral ou endovenosa; na criança com menos de 45 kg, 2,2 mg/kg/dose de 12 em 12 horas. O tratamento dura pelo menos 7 dias ou até 3 dias após o fim da febre e a melhora clínica.
A regra de ouro da apostila é não esperar exames nem o exantema. A RIFI, sorologia padrão-ouro, só detecta anticorpos a partir do 7º ao 10º dia de sintomas, e as hemoculturas de rotina vêm negativas porque a Rickettsia é intracelular obrigatória e não cresce em meio acelular. A letalidade aumenta muito quando o tratamento é adiado para além do 5º dia de sintomas.
No caso grave, sem via oral, usa-se a doxiciclina endovenosa; se ela não estiver disponível, a alternativa é o cloranfenicol. A doxiciclina deve ser priorizada também na criança, porque o benefício supera o risco de descoloração dentária. A ceftriaxona não age contra riquétsias.
Quem foi picado e está assintomático não recebe antibiótico profilático: ele não previne a doença e pode prolongar a incubação, mascarando os sintomas iniciais. A conduta é retirar o carrapato com pinça, com leves torções, e orientar observação clínica por 14 dias.
Comparativo
A espécie de riquétsia e o vetor mudam conforme a região, e com eles a gravidade. A tabela resume os quatro perfis como a apostila apresenta.
| Perfil | Bactéria | Vetor | Gravidade e animais envolvidos |
|---|---|---|---|
| Clássico (Sudeste) | Rickettsia rickettsii | Amblyomma sculptum, o carrapato-estrela | Grave; capivara como hospedeiro amplificador e cavalo como hospedeiro de manutenção |
| Metropolitano (Grande São Paulo) | Rickettsia rickettsii | Amblyomma aureolatum | Grave; cães e gatos trazem o carrapato da mata para casa |
| Mata Atlântica (Sul, Sudeste e parte do Nordeste) | Rickettsia parkeri, cepa Mata Atlântica | Amblyomma ovale | Leve, sem letalidade associada, com escara de inoculação; cães como carreadores |
| Pampa (Rio Grande do Sul) | Rickettsia parkeri sensu stricto | Amblyomma tigrinum | Leve; cães com acesso ao campo levam o carrapato ao peridomicílio |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da anamnese epidemiológica à orientação dos contatos.
Febre alta de início súbito, cefaleia e mialgia com trilha, pesca, acampamento ou área rural com capivaras e cavalos nos 2 a 14 dias anteriores formam a suspeita. A ausência de relato de picada não descarta a doença: a ninfa, o micuim, é quase imperceptível a olho nu.
O exantema maculopapular surge entre o 2º e o 5º dia e tem progressão centrípeta: começa em punhos e tornozelos, acomete palmas e plantas e depois vai para o tronco. Em formas fulminantes ou na pele negra, ele pode não aparecer ou não ser visto.
Plaquetopenia progressiva, hiponatremia e elevação de transaminases, CPK e DHL, com leucócitos normais ou baixos, sustentam a hipótese. Hemoculturas sem crescimento são o achado esperado e ajudam a afastar bacteremias como a meningococcemia.
Doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas no adulto, por via oral ou endovenosa, logo na suspeita. No paciente grave, sem via oral, a doxiciclina vai pela veia; sem ela disponível, entra o cloranfenicol.
A primeira amostra é colhida no atendimento e a segunda, 14 a 21 dias depois. A confirmação é a soroconversão, com aumento de pelo menos quatro vezes no título de IgG, e o caso suspeito é de notificação compulsória. Na R. parkeri, a PCR é feita de preferência no swab ou na crosta da escara.
Contatos assintomáticos não recebem quimioprofilaxia: a conduta é observação clínica por 14 dias. O carrapato é retirado com pinça e leves torções, sem espremer e sem encostar objetos aquecidos.
Perguntas frequentes
É uma doença infecciosa febril aguda e sistêmica, causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida ao homem pela picada de carrapatos infectados. A Rickettsia rickettsii invade o endotélio e causa uma vasculite disseminada, responsável pelo exantema, pelo edema e pela plaquetopenia. Nas formas graves do Sudeste e do Sul, a letalidade pode passar de 50% sem tratamento no tempo oportuno.
No Brasil, carrapatos do gênero Amblyomma. O carrapato-estrela, Amblyomma sculptum, transmite a forma clássica e grave do Sudeste, e o Amblyomma aureolatum, a forma grave da região metropolitana de São Paulo. As formas leves, pela R. parkeri, são transmitidas pelo Amblyomma ovale e pelo Amblyomma tigrinum. Nos Estados Unidos, a febre das Montanhas Rochosas é transmitida pelo Dermacentor.
Não. A apostila afirma que a transmissão para o ser humano ocorre exclusivamente pela picada do carrapato infectado, sem transmissão de pessoa para pessoa e sem relatos por ingestão de carne de animais caçados. O carrapato precisa ficar aderido e sugando por horas para liberar a bactéria.
A doxiciclina é a primeira escolha para todos os casos suspeitos, em qualquer idade, iniciada na suspeita clínica. O cloranfenicol é a alternativa clássica no caso grave quando não há doxiciclina endovenosa. A ceftriaxona não age contra riquétsias, e o sulfametoxazol-trimetoprima também não tem espectro contra elas.
Na forma por R. rickettsii, de 2 a 14 dias, com média de 7. Na forma leve por R. parkeri, de 4 a 11 dias. A definição de caso suspeito do Ministério da Saúde considera a exposição nos últimos 15 dias.
Não existe vacina disponível. A prevenção é física e comportamental: roupas claras e de mangas compridas, calça por dentro da bota de cano longo vedada com fita, repelente como a icaridina e inspeção do corpo a cada três horas em área de risco, retirando o carrapato o quanto antes.
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Quem ensina
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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