Fisiopatologia da ascite, paracentese diagnóstica e GASA, dieta hipossódica com espironolactona e furosemida 100:40, paracentese de grande volume com albumina, ascite refratária, diagnóstico da PBE pelos PMN, bacterascite, peritonite secundária pelos critérios de Runyon, ceftriaxona, albumina e as três profilaxias. Três questões comentadas: UNESC 2020, USP-SP 2018 e USP 2020.
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Para que serve
Do primeiro episódio de ascite à infecção do líquido, com as contas que a banca pede na paracentese.
GASA igual ou acima de 1,1 g/dL indica hipertensão portal; abaixo disso, doença do peritônio. Com GASA alto e proteína total acima de 2,5 g/dL, a apostila aponta insuficiência cardíaca.
Sódio até 2 g por dia, espironolactona e furosemida na proporção 100:40, até 400 e 160 mg, e 6 a 8 g de albumina por litro retirado na paracentese de grande volume.
UNESC 2020 sobre GASA e proteína do líquido, USP-SP 2018 sobre peritonite secundária e USP 2020 sobre PBE com disfunção renal, com gabarito e comentário.
Sumário
Da formação da ascite à profilaxia da PBE, na ordem em que a apostila ensina.
Peritonite bacteriana espontânea é a infecção do líquido ascítico por translocação de bactérias do intestino, sem foco cirúrgico intra-abdominal. Os agentes principais são enterobactérias Gram-negativas, com E. coli à frente e Klebsiella em seguida. O diagnóstico é a contagem de polimorfonucleares igual ou acima de 250/mm³ no líquido, e o antibiótico começa sem esperar a cultura.
A ascite é um caldo de cultura com poucas defesas, com baixa proteína e complemento, e o quadro pode ser sutil: febre baixa, dor abdominal leve ou apenas piora da encefalopatia ou da função renal. Por isso, ascite nova, ascite em piora ou cirrótico descompensado têm indicação de paracentese diagnóstica.
A cultura define o nome do quadro, e na maioria das questões o gatilho do antibiótico é o PMN. PMN igual ou acima de 250 com cultura negativa é ascite neutrofílica, tratada como PBE. Cultura positiva com PMN abaixo de 250 é bacterascite: trata-se se houver sintomas e, sem sintomas, repete-se a punção em 48 horas. PMN na casa dos milhares, cultura polimicrobiana ou pelo menos 2 critérios de Runyon apontam peritonite secundária, que pede tomografia e avaliação cirúrgica.
Na PBE comunitária, a escolha é cefalosporina de 3ª geração: cefotaxima 2 g a cada 8 horas ou ceftriaxona 2 g a cada 24 horas, em geral por 5 dias. Nosocomial, uso recente de antibiótico ou choque séptico pedem carbapenêmico ou piperacilina-tazobactam. A albumina, 1,5 g/kg no 1º dia e 1 g/kg no 3º, previne a síndrome hepatorrenal e é obrigatória nos pacientes de alto risco, como creatinina acima de 1 mg/dL ou bilirrubina acima de 4 mg/dL.
Comparativo
A contagem de polimorfonucleares e a cultura do líquido definem o nome do quadro e a conduta.
| Situação | PMN no líquido | Cultura e outros achados | Conduta |
|---|---|---|---|
| PBE | ≥ 250/mm³ | Cultura positiva | Cefalosporina de 3ª geração já, mais albumina nos pacientes de risco |
| Ascite neutrofílica | ≥ 250/mm³ | Cultura negativa | Tratar como PBE: sem tratamento, a mortalidade é a mesma |
| Bacterascite sintomática | < 250/mm³ | Cultura positiva, com febre ou dor | Tratar como PBE em fase inicial |
| Bacterascite assintomática | < 250/mm³ | Cultura positiva, sem sintomas | Repetir a paracentese em 48 horas e tratar se o PMN subir |
| Peritonite secundária | Muito alto, na casa dos milhares | Polimicrobiana ou 2 critérios de Runyon: proteína total > 1 g/dL, glicose < 50 mg/dL, LDH elevado | Tomografia de abdome e avaliação cirúrgica urgente |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da primeira punção à profilaxia.
Ascite nova, febre, dor abdominal ou encefalopatia no cirrótico indicam paracentese diagnóstica. Avalie o aspecto do líquido, a celularidade com diferencial, as proteínas totais e a albumina.
Albumina sérica menos albumina do líquido. GASA igual ou acima de 1,1 g/dL indica hipertensão portal, como cirrose, insuficiência cardíaca e Budd-Chiari; abaixo de 1,1, carcinomatose, tuberculose peritoneal, ascite pancreática ou síndrome nefrótica. Com GASA alto e proteína total acima de 2,5 g/dL, pense em causa cardíaca.
Sódio até 2.000 mg por dia, sem restringir água, salvo hiponatremia grave, e sem restringir proteína. Espironolactona e furosemida na proporção 100:40, com perda de peso de até 0,5 kg por dia sem edema e de até 1 kg por dia com edema de membros inferiores.
Com desconforto respiratório, faça paracentese de alívio. Na paracentese de grande volume, reponha 6 a 8 g de albumina por litro, contando os 5 primeiros: quem retira 4 litros não repõe, quem retira 6 litros recebe 36 a 48 g. Na ascite refratária, as opções são paracenteses seriadas, TIPS e transplante hepático.
Multiplique a celularidade pelo percentual de polimorfonucleares. Com 250/mm³ ou mais, inicie cefalosporina de 3ª geração sem esperar a cultura; suspeita de peritonite secundária pede tomografia. Prescreva albumina no 1º e no 3º dia, obrigatória nos pacientes de alto risco, e suspenda os diuréticos.
Na HDA, ceftriaxona venosa ou norfloxacino oral por 7 dias para todos. Na ascite com proteína baixa e disfunção renal ou hepática, norfloxacino contínuo. Depois do primeiro episódio de PBE, norfloxacino ou sulfametoxazol-trimetoprima por toda a vida ou até o transplante.
Perguntas frequentes
A apostila descreve três mecanismos de Starling: aumento da pressão hidrostática pela hipertensão portal, queda da pressão oncótica pela hipoalbuminemia e aumento da permeabilidade em inflamação ou câncer. Na cirrose, a vasodilatação esplâncnica por óxido nítrico cria hipovolemia efetiva, e o rim ativa SRAA, simpático e ADH, retendo sódio e água que vazam para o peritônio. A cirrose responde por cerca de 85% dos casos nos Estados Unidos.
Restrição de sódio a 2.000 mg por dia e espironolactona com furosemida na proporção 100:40, até 400 e 160 mg. A espironolactona ataca o hiperaldosteronismo, e a furosemida potencializa o efeito e previne a hipercalemia. Na ascite tensa, paracentese de alívio; na refratária, paracenteses seriadas, TIPS ou transplante.
GASA é a albumina sérica menos a albumina do líquido. Igual ou acima de 1,1 g/dL indica hipertensão portal, com acurácia de 97%; abaixo disso, doença do peritônio. Na UNESC 2020 da apostila, albumina sérica de 3,4 e do líquido de 2,1 dão GASA de 1,3, e a proteína total de 2,8 g/dL leva à resposta doença cardíaca.
Na paracentese de grande volume, para evitar a disfunção circulatória pós-paracentese. A dose é de 6 a 8 g de albumina por litro retirado, incluindo os 5 primeiros. Pelos exemplos da apostila, quem retira 4 litros não repõe, e quem retira 6 litros recebe 36 a 48 g.
Em três cenários. Cirrótico com HDA recebe ceftriaxona venosa ou norfloxacino oral por 7 dias, a medida que mais impacta a sobrevida na HDA. Quem nunca teve PBE, mas tem proteína baixa no líquido e disfunção renal ou hepática, recebe norfloxacino contínuo. Quem já teve PBE, com recidiva de quase 70% em 1 ano, recebe norfloxacino ou sulfametoxazol-trimetoprima por toda a vida ou até o transplante.
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Clínica Médica
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Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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