Apostila gratuita · 22 páginas

Encefalopatia hepática e HDA varicosa: gatilhos, West-Haven, terlipressina e profilaxia de varizes

Ciclo da amônia, gatilhos da encefalopatia, sinais por grau de West-Haven, lactulose e rifaximina, estabilização da HDA varicosa, terlipressina com ceftriaxona, ligadura elástica, cianoacrilato, balão e TIPS, e profilaxia primária e secundária de varizes. Quatro questões comentadas, entre elas HSL 2023 e AMP 2024.

PDF de 5,4 MB. Gratuito.

Capa da apostila Complicações da cirrose: encefalopatia hepática e HDA varicosa em um tablet
Formato
Apostila · 22 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Gastroenterologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de encefalopatia hepática e HDA cobre

As duas descompensações da cirrose que costumam chegar juntas ao pronto-socorro, com a ordem de prescrição que a banca cobra.

  • Gatilhos e graus da encefalopatia

    Hemorragia, constipação, infecção, hipocalemia, alcalose metabólica, hipovolemia e sedativos. A inversão do ciclo sono-vigília é o sinal mais precoce, e o flapping desaparece no coma, o grau IV.

  • O combo da HDA varicosa

    Terlipressina ou octreotide com ceftriaxona antes da endoscopia, transfusão para Hb de 7 a 9 g/dL, endoscopia em até 12 horas e ligadura elástica; cianoacrilato nas varizes de fundo gástrico.

  • Quatro questões comentadas

    HSL 2023 sobre os gatilhos metabólicos, duas PRMMT 2024 sobre o combo da HDA e a complicação do TIPS, e AMP 2024 sobre os três tempos das varizes, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 22 páginas

Da amônia à ligadura seriada, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela das descompensações
  2. 02Contexto clínico: encefalopatia e HDA no mesmo paciente
  3. 03Encefalopatia hepática: a fisiopatologia da amônia
  4. 04Os gatilhos da encefalopatia
  5. 05Diagnóstico: do ciclo sono-vigília ao flapping e a escala de West-Haven
  6. 06Conduta: fator precipitante, lactulose e rifaximina
  7. 07Questão estratégica: gatilhos da encefalopatia
  8. 08HDA varicosa: fisiopatologia da hipertensão portal
  9. 09Abordagem inicial: a estabilização
  10. 10Terapia farmacológica: vasopressor esplâncnico e antibiótico
  11. 11Terapia endoscópica: ligadura elástica, escleroterapia e varizes gástricas
  12. 12Gastropatia hipertensiva portal
  13. 13Falha terapêutica e resgate: balão de Sengstaken-Blakemore e TIPS
  14. 14Questões estratégicas: conduta na HDA e complicação do TIPS
  15. 15Profilaxia primária de varizes e hipertensão portal clinicamente significativa
  16. 16Profilaxia secundária: betabloqueador e ligadura seriada
  17. 17Questão estratégica de tudo um pouco: os três tempos das varizes
  18. 18Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Complicações da cirrose: encefalopatia hepática e HDA varicosa
Página da apostila: a tabela do que mais cai em prova, dos gatilhos da encefalopatia ao início do betabloqueador na profilaxia secundária.

O que é encefalopatia hepática?

Encefalopatia hepática é a disfunção neuropsiquiátrica do cirrótico causada pelo acúmulo de amônia. As bactérias intestinais produzem amônia a partir das proteínas; normalmente ela segue pela veia porta até o fígado e é metabolizada em ureia e glutamina. Na cirrose, a insuficiência hepatocelular e os shunts portossistêmicos levam a amônia à circulação sistêmica, onde ela atravessa a barreira hematoencefálica e causa neurotoxicidade.

Quase sempre existe um fator precipitante: hemorragia digestiva, constipação, infecções como PBE, ITU e pneumonia, hipocalemia, alcalose metabólica, desidratação e drogas como benzodiazepínicos e opioides. A hipocalemia estimula a produção renal de amônia, e a alcalose favorece a forma NH3, que atravessa a barreira hematoencefálica.

O diagnóstico é clínico, e a gravidade segue a classificação de West-Haven. O sinal mais precoce é a inversão do ciclo sono-vigília; no grau I, o exame neurológico pode parecer normal e muda o comportamento. O flapping aparece nos graus II e III e desaparece no coma, quando surgem hiperreflexia e sinal de Babinski. Na cirrose crônica, a amônia sérica tem papel limitado: pode estar alta sem sintomas, e o valor normal não exclui o diagnóstico.

O tratamento tem três pilares, nesta ordem: tratar o fator precipitante, lactulose de 30 a 45 mL a cada 6 a 8 horas, titulada para 2 a 3 evacuações pastosas por dia, e rifaximina como adjuvante se não houver melhora em 48 horas ou para prevenir recorrência. Sem tratar o gatilho, o remédio não funciona.

Página da apostila Complicações da cirrose: encefalopatia hepática e HDA varicosa

Comparativo

Os três tempos das varizes esofágicas: o que prescrever em cada um

A apostila organiza a conduta pela fase do paciente: nunca sangrou, está sangrando ou já sangrou.

Conduta nas varizes por fase, com o detalhe que cai e o erro que a banca explora. Fonte: apostila Med-Review R1, “Complicações da cirrose: encefalopatia hepática e HDA varicosa”.
SituaçãoCondutaDetalhe que caiErro comum
Profilaxia primária (nunca sangrou)Betabloqueador não seletivo ou ligadura elástica, escolha únicaNa hipertensão portal clinicamente significativa, a AASLD indica carvedilol independentemente das varizesAssociar as duas terapias, que nessa fase não mostrou benefício de sobrevida
Sangramento agudoEstabilizar, terlipressina ou octreotide, ceftriaxona e endoscopia com ligaduraEndoscopia assim que estável, idealmente em até 12 horas; vasoativo por 2 a 5 diasPrescrever betabloqueador na fase aguda, que piora a hipotensão
Varizes gástricas de grande curvatura e de fundo (GOV2 e IGV1)Injeção de cianoacrilatoTIPS se não houver cola ou se ela falharMarcar ligadura elástica, que solta e ressangra
Sangramento incontrolávelBalão de Sengstaken-Blakemore como ponte e TIPS como resgateBalão insuflado com ar, por no máximo 24 horasEsquecer que o TIPS aumenta o risco de encefalopatia hepática
Profilaxia secundária (já sangrou)Betabloqueador mais ligadura elástica seriadaBetabloqueador só depois de suspenso o vasoativo, entre o 5º e o 7º diaEscolher uma terapia só: sem medida, o ressangramento chega a 60% em 1 ano

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o cirrótico com encefalopatia e HDA, passo a passo

A sequência do caso clínico da apostila, do pronto-socorro à alta.

  1. Procure o gatilho da confusão

    Em cirrótico com alteração de comportamento, busque hemorragia, infecção, constipação, hipocalemia, alcalose, hipovolemia e sedativos. Na HDA, o sangue no tubo digestivo é uma carga de proteína para as bactérias e eleva a amônia.

  2. Estabilize antes da endoscopia

    Proteja a via aérea se houver rebaixamento, como na encefalopatia grau III ou IV ou no choque. Dois acessos calibrosos, cristaloide criterioso e transfusão para Hb entre 7 e 9 g/dL; volume em excesso aumenta a pressão portal e o ressangramento.

  3. Prescreva vasoativo e antibiótico juntos

    Cirrótico com HDA é tratado como varicoso: terlipressina, ou octreotide ou somatostatina, por 2 a 5 dias, e ceftriaxona 1 g IV por 7 dias. O IBP venoso entra até a endoscopia mostrar a origem, porque a úlcera péptica também é causa frequente no cirrótico.

  4. Faça a endoscopia em até 12 horas

    Com o paciente estável, a ligadura elástica é o padrão-ouro nas varizes esofágicas e nas GOV1. Nas varizes de grande curvatura e de fundo gástrico, a escolha é o cianoacrilato; na gastropatia hipertensiva portal, o foco é reduzir a pressão portal.

  5. Trate a encefalopatia com lactulose

    A lactulose acidifica o lúmen intestinal e é titulada para 2 a 3 evacuações pastosas por dia, sem diarreia excessiva, que desidrata e piora o quadro. A rifaximina entra se não houver melhora em 48 horas. A dieta não restringe proteína.

  6. Programe a profilaxia secundária

    Betabloqueador não seletivo, iniciado só depois de suspenso o vasoativo, em geral entre o 5º e o 7º dia, mais ligadura seriada a cada 2 a 4 semanas até erradicar as varizes. Se voltar a sangrar com as duas medidas, o resgate é o TIPS.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre encefalopatia hepática e HDA na prova

Quais são os graus da encefalopatia hepática?

A apostila usa a classificação de West-Haven. Grau 1: alterações do sono e desatenção; grau 2: flapping, letargia e confusão; grau 3: confusão grave, estupor, sonolência e fala incoerente; grau 4: coma, quando o flapping desaparece. No Child-Pugh, os graus III e IV recebem a pontuação máxima nesse critério.

Qual o tratamento da encefalopatia hepática?

Primeiro, tratar o fator precipitante: controlar o sangramento, dar antibiótico na infecção, fazer enema na constipação. Depois, lactulose como primeira linha farmacológica, com alvo de 2 a 3 evacuações pastosas por dia. A rifaximina é adjuvante se não houver melhora em 48 horas ou para prevenção secundária; a neomicina caiu em desuso por oto e nefrotoxicidade.

Como a lactulose age na encefalopatia hepática?

A lactulose é um dissacarídeo não absorvível que acidifica o lúmen intestinal e converte NH3 em NH4+, forma que não é absorvida. Ela também tem efeito catártico, que elimina a amônia. A dose da apostila é de 30 a 45 mL a cada 6 a 8 horas.

Qual a diferença entre hemorragia digestiva alta varicosa e não varicosa?

A varicosa vem da ruptura das varizes formadas pela hipertensão portal, e a apostila lembra que a úlcera péptica é a principal causa de HDA também no cirrótico. Por isso, toda HDA recebe IBP venoso, e no paciente hepatopata ou com estigmas de hepatopatia associa-se terlipressina ou octreotide até a endoscopia. Depois dela, mantém-se só o indicado: vasoativo se varizes, IBP se úlcera.

O que são varizes esofágicas?

São colaterais que se formam no esôfago e no estômago para desviar o sangue quando a cirrose eleva a pressão portal. A hipertensão portal começa acima de 5 mmHg, as varizes se formam acima de 10 mmHg, a hipertensão clinicamente significativa, e acima de 12 mmHg a parede fina pode se romper. O rastreio é por endoscopia na cirrose descompensada, com elastografia acima de 20 kPa ou com plaquetopenia.

Quando usar terlipressina na hemorragia digestiva alta?

Na suspeita de HDA varicosa, logo na admissão e antes da endoscopia, junto com a ceftriaxona e por 2 a 5 dias. É a droga de escolha entre os vasopressores esplâncnicos. Na PRMMT 2024 da apostila, o cirrótico com hematêmese aguardando endoscopia tem como resposta terlipressina e ceftriaxona; o propranolol fica para a profilaxia secundária.

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    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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