Ciclo da amônia, gatilhos da encefalopatia, sinais por grau de West-Haven, lactulose e rifaximina, estabilização da HDA varicosa, terlipressina com ceftriaxona, ligadura elástica, cianoacrilato, balão e TIPS, e profilaxia primária e secundária de varizes. Quatro questões comentadas, entre elas HSL 2023 e AMP 2024.
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Para que serve
As duas descompensações da cirrose que costumam chegar juntas ao pronto-socorro, com a ordem de prescrição que a banca cobra.
Hemorragia, constipação, infecção, hipocalemia, alcalose metabólica, hipovolemia e sedativos. A inversão do ciclo sono-vigília é o sinal mais precoce, e o flapping desaparece no coma, o grau IV.
Terlipressina ou octreotide com ceftriaxona antes da endoscopia, transfusão para Hb de 7 a 9 g/dL, endoscopia em até 12 horas e ligadura elástica; cianoacrilato nas varizes de fundo gástrico.
HSL 2023 sobre os gatilhos metabólicos, duas PRMMT 2024 sobre o combo da HDA e a complicação do TIPS, e AMP 2024 sobre os três tempos das varizes, com gabarito e comentário.
Sumário
Da amônia à ligadura seriada, na ordem em que a apostila ensina.
Encefalopatia hepática é a disfunção neuropsiquiátrica do cirrótico causada pelo acúmulo de amônia. As bactérias intestinais produzem amônia a partir das proteínas; normalmente ela segue pela veia porta até o fígado e é metabolizada em ureia e glutamina. Na cirrose, a insuficiência hepatocelular e os shunts portossistêmicos levam a amônia à circulação sistêmica, onde ela atravessa a barreira hematoencefálica e causa neurotoxicidade.
Quase sempre existe um fator precipitante: hemorragia digestiva, constipação, infecções como PBE, ITU e pneumonia, hipocalemia, alcalose metabólica, desidratação e drogas como benzodiazepínicos e opioides. A hipocalemia estimula a produção renal de amônia, e a alcalose favorece a forma NH3, que atravessa a barreira hematoencefálica.
O diagnóstico é clínico, e a gravidade segue a classificação de West-Haven. O sinal mais precoce é a inversão do ciclo sono-vigília; no grau I, o exame neurológico pode parecer normal e muda o comportamento. O flapping aparece nos graus II e III e desaparece no coma, quando surgem hiperreflexia e sinal de Babinski. Na cirrose crônica, a amônia sérica tem papel limitado: pode estar alta sem sintomas, e o valor normal não exclui o diagnóstico.
O tratamento tem três pilares, nesta ordem: tratar o fator precipitante, lactulose de 30 a 45 mL a cada 6 a 8 horas, titulada para 2 a 3 evacuações pastosas por dia, e rifaximina como adjuvante se não houver melhora em 48 horas ou para prevenir recorrência. Sem tratar o gatilho, o remédio não funciona.
Comparativo
A apostila organiza a conduta pela fase do paciente: nunca sangrou, está sangrando ou já sangrou.
| Situação | Conduta | Detalhe que cai | Erro comum |
|---|---|---|---|
| Profilaxia primária (nunca sangrou) | Betabloqueador não seletivo ou ligadura elástica, escolha única | Na hipertensão portal clinicamente significativa, a AASLD indica carvedilol independentemente das varizes | Associar as duas terapias, que nessa fase não mostrou benefício de sobrevida |
| Sangramento agudo | Estabilizar, terlipressina ou octreotide, ceftriaxona e endoscopia com ligadura | Endoscopia assim que estável, idealmente em até 12 horas; vasoativo por 2 a 5 dias | Prescrever betabloqueador na fase aguda, que piora a hipotensão |
| Varizes gástricas de grande curvatura e de fundo (GOV2 e IGV1) | Injeção de cianoacrilato | TIPS se não houver cola ou se ela falhar | Marcar ligadura elástica, que solta e ressangra |
| Sangramento incontrolável | Balão de Sengstaken-Blakemore como ponte e TIPS como resgate | Balão insuflado com ar, por no máximo 24 horas | Esquecer que o TIPS aumenta o risco de encefalopatia hepática |
| Profilaxia secundária (já sangrou) | Betabloqueador mais ligadura elástica seriada | Betabloqueador só depois de suspenso o vasoativo, entre o 5º e o 7º dia | Escolher uma terapia só: sem medida, o ressangramento chega a 60% em 1 ano |
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Na prática
A sequência do caso clínico da apostila, do pronto-socorro à alta.
Em cirrótico com alteração de comportamento, busque hemorragia, infecção, constipação, hipocalemia, alcalose, hipovolemia e sedativos. Na HDA, o sangue no tubo digestivo é uma carga de proteína para as bactérias e eleva a amônia.
Proteja a via aérea se houver rebaixamento, como na encefalopatia grau III ou IV ou no choque. Dois acessos calibrosos, cristaloide criterioso e transfusão para Hb entre 7 e 9 g/dL; volume em excesso aumenta a pressão portal e o ressangramento.
Cirrótico com HDA é tratado como varicoso: terlipressina, ou octreotide ou somatostatina, por 2 a 5 dias, e ceftriaxona 1 g IV por 7 dias. O IBP venoso entra até a endoscopia mostrar a origem, porque a úlcera péptica também é causa frequente no cirrótico.
Com o paciente estável, a ligadura elástica é o padrão-ouro nas varizes esofágicas e nas GOV1. Nas varizes de grande curvatura e de fundo gástrico, a escolha é o cianoacrilato; na gastropatia hipertensiva portal, o foco é reduzir a pressão portal.
A lactulose acidifica o lúmen intestinal e é titulada para 2 a 3 evacuações pastosas por dia, sem diarreia excessiva, que desidrata e piora o quadro. A rifaximina entra se não houver melhora em 48 horas. A dieta não restringe proteína.
Betabloqueador não seletivo, iniciado só depois de suspenso o vasoativo, em geral entre o 5º e o 7º dia, mais ligadura seriada a cada 2 a 4 semanas até erradicar as varizes. Se voltar a sangrar com as duas medidas, o resgate é o TIPS.
Perguntas frequentes
A apostila usa a classificação de West-Haven. Grau 1: alterações do sono e desatenção; grau 2: flapping, letargia e confusão; grau 3: confusão grave, estupor, sonolência e fala incoerente; grau 4: coma, quando o flapping desaparece. No Child-Pugh, os graus III e IV recebem a pontuação máxima nesse critério.
Primeiro, tratar o fator precipitante: controlar o sangramento, dar antibiótico na infecção, fazer enema na constipação. Depois, lactulose como primeira linha farmacológica, com alvo de 2 a 3 evacuações pastosas por dia. A rifaximina é adjuvante se não houver melhora em 48 horas ou para prevenção secundária; a neomicina caiu em desuso por oto e nefrotoxicidade.
A lactulose é um dissacarídeo não absorvível que acidifica o lúmen intestinal e converte NH3 em NH4+, forma que não é absorvida. Ela também tem efeito catártico, que elimina a amônia. A dose da apostila é de 30 a 45 mL a cada 6 a 8 horas.
A varicosa vem da ruptura das varizes formadas pela hipertensão portal, e a apostila lembra que a úlcera péptica é a principal causa de HDA também no cirrótico. Por isso, toda HDA recebe IBP venoso, e no paciente hepatopata ou com estigmas de hepatopatia associa-se terlipressina ou octreotide até a endoscopia. Depois dela, mantém-se só o indicado: vasoativo se varizes, IBP se úlcera.
São colaterais que se formam no esôfago e no estômago para desviar o sangue quando a cirrose eleva a pressão portal. A hipertensão portal começa acima de 5 mmHg, as varizes se formam acima de 10 mmHg, a hipertensão clinicamente significativa, e acima de 12 mmHg a parede fina pode se romper. O rastreio é por endoscopia na cirrose descompensada, com elastografia acima de 20 kPa ou com plaquetopenia.
Na suspeita de HDA varicosa, logo na admissão e antes da endoscopia, junto com a ceftriaxona e por 2 a 5 dias. É a droga de escolha entre os vasopressores esplâncnicos. Na PRMMT 2024 da apostila, o cirrótico com hematêmese aguardando endoscopia tem como resposta terlipressina e ceftriaxona; o propranolol fica para a profilaxia secundária.
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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