Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, adrenalite autoimune e síndromes poliglandulares, tuberculose, Waterhouse-Friderichsen, supressão por corticoide, crise adrenal, cortisol basal e teste com ACTH sintético, reposição e regra do dia doente. Nove questões comentadas, entre elas USP/SP 2026 e SUS/SP 2026.
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Para que serve
Da fisiologia do eixo ao choque refratário, com o raciocínio que separa a forma primária da central na prova de residência.
Na doença de Addison caem cortisol e aldosterona, o ACTH sobe e a pele escurece. Na central, o ACTH é baixo ou inapropriadamente normal e a aldosterona fica preservada.
Cortisol matinal ≤ 3 mcg/dL confirma e ≥ 18 mcg/dL exclui; entre os dois, teste de estimulação com 250 mcg de ACTH sintético. Depois, o ACTH basal define a origem.
SES/DF (R+ PED) 2021, SES/PB 2023, SCM/SP 2025, UFRJ 2025, USP/RP 2022, USP/SP 2026, SUS/SP 2026 e duas autorais, com gabarito e comentário.
Sumário
Da classificação ao tratamento da crise, na ordem em que a apostila ensina.
Insuficiência adrenal é a falta de cortisol. Quando o defeito está na própria glândula, é primária, a doença de Addison. Quando está na hipófise, que deixa de produzir ACTH, é secundária, e no hipotálamo, que deixa de produzir CRH, é terciária; a apostila agrupa as duas últimas como insuficiência adrenal central.
Na forma primária, o córtex inteiro é destruído e caem cortisol, andrógenos e aldosterona. Sem feedback negativo, a hipófise produz muito ACTH e, junto, MSH, ambos derivados da POMC, o que escurece pele e mucosas. A falta de aldosterona leva a hipercalemia, acidose metabólica leve e desejo de sal. A adrenalite autoimune responde por 70 a 90% dos casos nos países desenvolvidos.
Na forma central, a zona glomerulosa continua sob o comando do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Não há hiperpigmentação nem hipercalemia, mas a hiponatremia aparece nas duas formas, porque a falta de cortisol tira o freio do ADH. A causa mais comum é a suspensão abrupta de corticoterapia crônica.
O quadro comum às duas é de fadiga, anorexia, emagrecimento, hipotensão postural, hipoglicemia e eosinofilia. No extremo está a crise adrenal: choque refratário a volume e aminas, febre, vômitos e dor abdominal que pode simular abdome agudo. A conduta é hidrocortisona 100 mg IV em bolus e soro fisiológico, sem esperar exames.
Comparativo
O nível do eixo que falhou define ACTH, aldosterona, pele e tratamento.
| Característica | Primária (doença de Addison) | Central (secundária ou terciária) |
|---|---|---|
| Onde está o defeito | Córtex da adrenal, destruído | Hipófise ou hipotálamo |
| ACTH | Alto, em geral mais de 2 vezes o limite superior | Baixo ou inapropriadamente normal |
| Aldosterona | Baixa, com renina alta | Normal, sob o comando da renina |
| Pele e eletrólitos | Hiperpigmentação, hiponatremia e hipercalemia | Pele pálida ou normal, hiponatremia isolada |
| Causa mais comum | Adrenalite autoimune; tuberculose em áreas endêmicas | Suspensão abrupta de corticoide exógeno |
| Tratamento crônico | Glicocorticoide e fludrocortisona | Apenas glicocorticoide |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O algoritmo da apostila, do cortisol matinal à prevenção da crise.
O pico fisiológico ocorre no início da manhã, quando o cortisol deveria estar alto. Valor ≤ 3 mcg/dL confirma a insuficiência e ≥ 18 mcg/dL a exclui. Atenção à CBG: estrogênio e gravidez elevam o cortisol total; cirrose e síndrome nefrótica o reduzem.
Entre 3 e 18 mcg/dL, faça o teste com 250 mcg de ACTH sintético e dose o cortisol em 30 e 60 minutos; sem subida acima de 18 mcg/dL, o diagnóstico está confirmado. Se a perda de ACTH tem menos de 4 a 6 semanas, a adrenal ainda não atrofiou e o teste pode vir normal.
ACTH alto aponta a forma primária: peça anti-21-hidroxilase e, se negativo, TC de abdome; em homem sem causa definida, dose ácidos graxos de cadeia muito longa. ACTH baixo ou inapropriadamente normal aponta a central: investigue corticoide nos últimos três meses antes de pedir ressonância de sela.
Todo paciente recebe glicocorticoide, de preferência hidrocortisona oral, 15 a 25 mg por dia, com a maior parte ao acordar. Na primária, associe fludrocortisona, 0,05 a 0,1 mg/dia. Ajuste a dose pela clínica, sem guiar pelo ACTH.
Em estresse leve a moderado, como infecção com febre acima de 38 °C, dobre ou triplique o glicocorticoide oral por cerca de três dias. A fludrocortisona não muda. Com vômitos, a hidrocortisona vai por via intramuscular ou subcutânea, 100 mg no adulto, e o paciente procura o pronto-socorro.
Hidrocortisona 100 mg IV em bolus, depois 50 mg IV a cada 6 horas nas primeiras 24 horas, e 2 a 3 litros de soro fisiológico nas primeiras 12 a 24 horas. Corrija hipoglicemia e eletrólitos e trate o gatilho, em geral uma infecção.
Perguntas frequentes
É a insuficiência adrenal primária: o córtex da adrenal é destruído e faltam cortisol, aldosterona e andrógenos. O ACTH sobe e, com ele, o MSH, o que escurece dobras, cicatrizes, gengivas e aréolas. Nos países desenvolvidos, a adrenalite autoimune responde por 70 a 90% dos casos; a tuberculose destruiu as adrenais dos pacientes originais descritos por Thomas Addison.
Na primária, o defeito está na adrenal: ACTH alto, aldosterona baixa, hiperpigmentação e hipercalemia. Na secundária, a hipófise deixa de produzir ACTH e a zona glomerulosa segue sob o comando da renina, então não há hipercalemia nem pele escura. As duas causam hiponatremia, e só a primária precisa de fludrocortisona.
É a forma aguda e letal: diante de um estresse grande, o corpo não produz o pico de cortisol necessário e o paciente entra em choque refratário a volume e noradrenalina, com febre, vômitos, dor abdominal, hipoglicemia e hiponatremia. Infecção é o gatilho mais comum. Na crise primária o potássio sobe; na central, fica normal.
Hidrocortisona 100 mg IV em bolus imediatamente, seguida de 50 mg IV a cada 6 horas nas primeiras 24 horas, e 2 a 3 litros de soro fisiológico. Os exames podem ser colhidos no acesso venoso, sem atrasar o tratamento. Sem hidrocortisona, a apostila cita metilprednisolona 40 mg IV ou dexametasona 4 a 6 mg IV, lembrando que a dexametasona não tem efeito mineralocorticoide.
Primeiro, cortisol sérico matinal: ≤ 3 mcg/dL confirma e ≥ 18 mcg/dL exclui. Entre esses valores, faz-se o teste de estimulação com ACTH sintético. Confirmada a falta de cortisol, o ACTH basal define a origem: alto na primária, baixo ou inapropriadamente normal na central.
ACTH e MSH derivam da mesma proteína precursora, a POMC. Sem cortisol para o feedback negativo, a hipófise produz muito ACTH e, junto, muito MSH, que estimula os melanócitos. Na insuficiência central o ACTH está baixo, e a pele fica normal ou pálida.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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