Classificação das síndromes hipertensivas, fisiopatologia em dois estágios, rastreio e profilaxia com AAS e cálcio, critérios de pré-eclâmpsia, sFlt-1/PLGF, crise hipertensiva, Zuspan e Pritchard, momento do parto e HELLP. Seis questões comentadas, entre elas ENARE 2022 e ENARE 2023.
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Para que serve
Da placentação deficiente à via de parto na HELLP, com as doses e os cortes que as bancas cobram.
Hipertensão crônica, gestacional, pré-eclâmpsia, sobreposta, eclâmpsia, sineclâmpsia e HELLP com a definição de cada uma e os valores de LDH, bilirrubina, transaminases e plaquetas.
Hidralazina, nifedipino de liberação rápida, os esquemas de Zuspan e Pritchard, os três parâmetros checados antes de cada dose e o gluconato de cálcio na intoxicação.
UFMT 2021, PSU/MG 2022, SUS-SP 2020, ENARE 2022, Revalida 2021 e ENARE 2023, resolvidas dentro do capítulo, com gabarito e comentário.
Sumário
Da tabela de critérios ao manejo da HELLP, na ordem em que a apostila ensina.
DHEG, a doença hipertensiva específica da gestação, tem na pré-eclâmpsia a principal forma de apresentação e pode evoluir para eclâmpsia, sineclâmpsia e síndrome HELLP. A apostila classifica também a hipertensão crônica, a gestacional e a pré-eclâmpsia sobreposta. O corte é PA ≥ 140/90 mmHg; antes de 20 semanas, a hipertensão é crônica.
O mecanismo mais aceito em prova é a placentação deficiente: a falha da 2ª onda de invasão trofoblástica mantém as artérias espiraladas com alta resistência e baixo fluxo. A placenta hipóxica libera sFlt-1, que neutraliza VEGF e PLGF. Disfunção endotelial e vasoespasmo explicam hipertensão, edema, hemoconcentração e glomeruloendoteliose. A forma precoce, antes de 34 semanas, é placentária e mais grave; a tardia liga-se a fatores maternos.
AAS 100 mg/dia é a única droga com evidência convincente na prevenção, com cálcio de 1 a 2 g/dia para quem ingere menos de 900 mg/dia e atividade física de pelo menos 150 minutos por semana. Diagnosticada a pré-eclâmpsia, o AAS é suspenso. Dieta hipossódica é contraindicada, e heparina de baixo peso molecular, vitaminas C e E, ácido fólico, vitamina D e ômega-3 não têm eficácia comprovada na prevenção.
A meta de manutenção é PA abaixo de 140x90 mmHg, sempre por via oral: metildopa de 750 mg a 2 g/dia, nifedipino retard ou anlodipino, com betabloqueador como terceira droga. IECA e BRA são contraindicados na gestação por causarem oligoidrâmnio e hipoplasia pulmonar a partir do 2º trimestre, sem efeito teratogênico no 1º. No puerpério, captopril e enalapril são liberados na amamentação.
A síndrome HELLP pode surgir com pressão normal e sem proteinúria; a dor epigástrica ou no hipocôndrio direito vem da distensão da cápsula de Glisson. Exige sulfato de magnésio e resolução da gestação, de preferência por via vaginal. Com plaquetas abaixo de 70.000/mm³, raqui e peridural são contraindicadas e a cesárea é feita sob anestesia geral. O diferencial clássico é a PTT, com mais sintomas neurológicos e lesão renal.
Comparativo
As drogas da manutenção, da crise e da prevenção da eclâmpsia, com a dose, a repetição e o ponto que a prova cobra.
| Droga | Dose inicial | Repetição ou manutenção | Ponto de prova |
|---|---|---|---|
| Metildopa (manutenção) | 750 mg a 2 g/dia VO | Dividida em 2 a 4 tomadas | Ação lenta: nunca para a crise |
| Hidralazina (crise) | 5 mg IV | A cada 20 min, até 30 mg | Pico em cerca de 20 min; na hipotensão, elevar os membros inferiores |
| Nifedipino de liberação rápida (crise) | 10 mg VO | A cada 20 a 30 min, até 30 mg | Nunca sublingual nem mastigado |
| Sulfato de magnésio: Zuspan | 4 g IV em 15 a 20 min | 1 a 2 g/h IV em bomba de infusão | Hospital com estrutura |
| Sulfato de magnésio: Pritchard | 4 g IV lento + 10 g IM (5 g em cada nádega) | 5 g IM profundo a cada 4 h | UBS e transporte sem bomba de infusão |
| Gluconato de cálcio 10% | 1 g IV lento | Suspender a infusão de magnésio | Antídoto: deixar à beira do leito |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da classificação à via de parto.
PA ≥ 140/90 mmHg antes de 20 semanas ou prévia à gestação é hipertensão arterial crônica. Depois de 20 semanas, sem proteinúria nem lesão de órgão-alvo, é hipertensão gestacional; com proteinúria e/ou disfunção de órgãos-alvo, pré-eclâmpsia. Na hipertensa crônica, a piora após 20 semanas define a pré-eclâmpsia sobreposta.
Um fator de alto risco ou dois de risco moderado indicam profilaxia. O rastreamento combinado de 11 a 12 semanas cruza PAM, IP das artérias uterinas, PLGF e PAPP-A, com corte ≥ 1/200 no Brasil. AAS 100 mg à noite, iniciado entre 12 e 16 semanas e mantido até 36, e cálcio.
PA ≥ 140/90 mmHg em duas medidas com pelo menos 4 horas de intervalo, sentada. Proteinúria: relação P/C ≥ 0,3, urina de 24 horas ≥ 300 mg ou fita ≥ 2+. Sem proteinúria, basta lesão de órgão-alvo: plaquetas abaixo de 150.000/mm³, creatinina ≥ 1,0 mg/dL, transaminases acima de 40 UI/L, edema pulmonar ou sintomas neurológicos.
A divisão em leve e grave saiu de uso. Crise hipertensiva (PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110 mmHg), iminência de eclâmpsia, eclâmpsia, sineclâmpsia, HELLP, oligúria, edema pulmonar e dor torácica definem pré-eclâmpsia com sinais de deterioração e indicam internação imediata.
Hidralazina 5 mg IV ou nifedipino de liberação rápida 10 mg VO, reduzindo a PA em 15% a 25%, sem quedas bruscas. Na crise, o sulfato de magnésio entra mesmo na paciente assintomática, por Zuspan ou Pritchard, e segue por 24 horas após o parto ou a última convulsão.
Reflexo patelar presente, frequência respiratória ≥ 16 irpm e diurese ≥ 25 mL/h. A janela terapêutica é de 4 a 7 mEq/L, e o reflexo some com 8 a 10 mEq/L. Na intoxicação, suspenda a infusão e faça gluconato de cálcio 10%, 1 g IV lento, como na questão Revalida 2021.
Sem deterioração, parto com 37 semanas. HELLP, eclâmpsia, DPP, hipertensão refratária a três drogas, edema pulmonar, insuficiência renal progressiva e vitalidade fetal alterada indicam resolução após estabilização. Com deterioração, entre 23 e 33 semanas e 6 dias, internação, com corticoide se o parto for previsto em 48 horas. A via preferencial é a vaginal.
Perguntas frequentes
Pré-eclâmpsia é a PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas com proteinúria significativa e/ou disfunção de órgãos-alvo. Eclâmpsia é a convulsão tônico-clônica generalizada em paciente com pré-eclâmpsia, sem outra causa neurológica. Sineclâmpsia é o rebaixamento do nível de consciência, até o coma, sem convulsão prévia. As duas indicam resolução da gestação após a estabilização materna.
Hemólise: LDH ≥ 600 UI/L, bilirrubina total ≥ 1,2 mg/dL, haptoglobina abaixo de 25 mg/dL ou esquizócitos no sangue periférico. Enzimas hepáticas: AST ou ALT ≥ 70 UI/L. Plaquetas abaixo de 100.000/mm³. A HELLP pode ocorrer com pressão normal e sem proteinúria, e a dor epigástrica ou no hipocôndrio direito deve levantar a suspeita.
Zuspan, só intravenoso: ataque de 4 g IV em 15 a 20 minutos e manutenção de 1 a 2 g/h em bomba de infusão. Pritchard, misto: 4 g IV lento mais 10 g IM profunda, 5 g em cada nádega, e manutenção de 5 g IM a cada 4 horas, útil sem bomba. O sulfato segue por 24 horas após o parto ou a última convulsão.
A via preferencial nas síndromes hipertensivas, inclusive na HELLP, é a vaginal, porque sangra menos, e a cesárea não é indicação absoluta. A cesárea fica para vitalidade fetal comprometida, instabilidade materna grave, sangramento espontâneo ou colo muito desfavorável com deterioração rápida. Plaquetas abaixo de 70.000/mm³ contraindicam raqui e peridural. A questão ENARE 2023 da apostila cobra esse ponto.
Gestante com 1 fator de alto risco (diabetes, doença autoimune, doença renal, FIV, gemelaridade, hipertensão crônica, pré-eclâmpsia prévia ou IMC acima de 30), com 2 de risco moderado ou com rastreamento combinado ≥ 1/200. Dose de 100 mg/dia à noite, idealmente iniciada entre 12 e 16 semanas e mantida até 36. A questão SUS-SP 2020 cobra o AAS.
Só na suspeita clínica de pré-eclâmpsia entre a 24ª e a 36ª semana e 6 dias, nunca como rastreio. Razão abaixo de 38 exclui a doença por pelo menos uma semana. Acima de 85 antes de 34 semanas, ou acima de 110 depois, indica alta probabilidade de pré-eclâmpsia na paciente com suspeita clínica. Entre 38 e 85, antes de 34 semanas, fica a zona cinzenta.
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Quem ensina
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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