Regra das 48 horas, etiologia típica e atípica, padrões radiológicos, CURB-65 e CRB-65 com as pegadinhas, critérios de CTI, antibiótico do ambulatório à UTI e falha terapêutica. Quatro questões comentadas, entre elas ENARE 2024 e UNICAMP 2025.
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Para que serve
Do diagnóstico à escolha do antibiótico, com o raciocínio que a banca cobra em cada etapa.
Cada critério do CURB-65 com o ponto de corte, a conduta por faixa de pontos, a versão sem ureia para a UBS e as três situações em que o escore engana.
Hígido, com comorbidade, enfermaria e UTI, com a lógica de cada droga: amoxicilina para o pneumococo, macrolídeo para os atípicos e quando cobrir MRSA e Pseudomonas.
ENARE 2024, UNICAMP 2025, SUS-SP 2022 e USP-SP 2026, resolvidas dentro do capítulo, com o gabarito e o raciocínio de cada alternativa.
Sumário
Da fisiopatologia alveolar ao paciente que não melhora com o antibiótico.
Na pneumonia adquirida na comunidade, o CURB-65 soma 1 ponto por critério: confusão mental, ureia acima de 50 mg/dL, frequência respiratória de 30 irpm ou mais, PAS abaixo de 90 ou PAD de 60 mmHg ou menos e idade de 65 anos ou mais. Com 0 a 1 ponto, ambulatório; 2, internação; 3 a 5, internar e considerar CTI.
A distinção que as bancas cobram é o limite de 48 horas. PAC ocorre em paciente não hospitalizado ou internado há menos de 48 horas; PAH, 48 horas ou mais após a admissão; PAV, 48 horas ou mais após a intubação. Se o paciente internou ontem e hoje começou com febre e tosse, trate como PAC.
O CURB-65 não avalia saturação. Um jovem com escore 0 e SatO2 de 88% em ar ambiente deve ser internado, porque hipoxemia é critério independente. O idoso hígido que pontua só pela idade pode ir para casa, e quem não tem suporte social para tomar a medicação oral é internado. Na UBS, sem ureia, usa-se o CRB-65: 0 ponto, casa; 1 ou mais, avaliação hospitalar.
O pneumococo é a causa bacteriana mais comum e precisa ser coberto em todos os pacientes. Ele resiste aos beta-lactâmicos alterando as PBPs, o que se vence aumentando a dose: amoxicilina 1 g 3 vezes ao dia. Com comorbidade ou antibiótico nos últimos 3 meses, nunca macrolídeo sozinho: beta-lactâmico mais macrolídeo. A quinolona respiratória fica para alérgicos a beta-lactâmicos ou falha terapêutica.
O marco da falha terapêutica é 72 horas. Se o paciente mantém febre, piora a leucocitose ou segue instável após 3 dias de tratamento adequado, a apostila organiza o raciocínio em três perguntas: complicação, cobertura errada ou confusão diagnóstica. A principal causa de febre persistente é o derrame parapneumônico; derrame acima de 1 cm no decúbito lateral pede toracocentese diagnóstica.
Comparativo
O esquema empírico muda com o local de tratamento e os fatores de risco do paciente; o pneumococo entra na cobertura de todos.
| Cenário | Alvo | Esquema de escolha | Alternativa ou ajuste |
|---|---|---|---|
| Ambulatorial: hígido, < 65 anos, sem antibiótico recente | Pneumococo | Amoxicilina em dose alta (1 g 3x/dia) | Azitromicina ou doxiciclina |
| Ambulatorial: comorbidades, > 65 anos ou antibiótico recente | Pneumococo (pode ser resistente), H. influenzae, M. catarrhalis e atípicos | Amoxicilina-clavulanato + azitromicina | Levofloxacino ou moxifloxacino em monoterapia |
| Enfermaria | Germes comunitários típicos e atípicos | Ceftriaxona, cefotaxima ou ampicilina-sulbactam EV + azitromicina ou claritromicina | Quinolona respiratória EV em monoterapia |
| UTI | Germes comunitários típicos e atípicos | Beta-lactâmico potente (ceftriaxona, ampicilina-sulbactam) + macrolídeo | Quinolona respiratória EV em monoterapia |
| Risco de MRSA: pneumonia necrotizante, empiema, DRC dialítica, droga injetável | MRSA | Adicionar vancomicina ou linezolida | Ceftriaxona, meropenem e piperacilina-tazobactam não cobrem MRSA |
| Risco de Pseudomonas: doença pulmonar estrutural, DPOC grave com exacerbações frequentes, corticoide crônico | Pseudomonas aeruginosa | Trocar o beta-lactâmico por piperacilina-tazobactam, cefepime ou meropenem | Colonização conhecida ou antibiótico venoso recente também pesam |
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Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do raio-X à reavaliação em 72 horas.
Febre e tosse pedem raio-X; infiltrado novo confirma pneumonia. Internado há menos de 48 horas é PAC; há 48 horas ou mais, PAH. Em idosos, a infecção pode aparecer só como confusão mental, e a taquipneia é marcador sensível.
Pneumococo é o campeão. Mycoplasma em jovem com quadro arrastado e tosse seca; Legionella com diarreia, hiponatremia e transaminases elevadas; S. aureus após influenza ou em usuário de droga injetável. Vírus respondem por até 1/3 das PACs.
Consolidação lobar sugere bactéria típica, e infiltrado intersticial, atípica ou vírus, mas a regra falha: Legionella faz consolidação densa, Mycoplasma pode consolidar, S. aureus e Pseudomonas fazem broncopneumonia. O idoso desidratado pode ter raio-X inicial normal.
Confusão, ureia acima de 50 mg/dL, FR de 30 ou mais, PAS abaixo de 90 ou PAD de 60 mmHg ou menos e idade de 65 anos ou mais valem 1 ponto cada. Com 0 a 1, ambulatório; 2, internação; 3 a 5, internação com CTI em vista. Hipoxemia e falta de suporte social internam.
Três ou mais indicam CTI: estado mental alterado, hipotensão que requer volume, hipotermia, FR de 30 ou mais, PaO2/FiO2 de 250 ou menos, ureia de 40 ou mais, leucócitos abaixo de 4.000, plaquetas abaixo de 100.000 e infiltrado multilobar.
Hígido: amoxicilina em dose alta. Comorbidade: amoxicilina-clavulanato mais azitromicina. Internado: ceftriaxona mais macrolídeo. Risco de MRSA: vancomicina ou linezolida; de Pseudomonas: piperacilina-tazobactam, cefepime ou meropenem. Trate por 5 a 7 dias, com o paciente afebril por 48 a 72 horas.
Sem melhora, faça as três perguntas da falha: complicação, como empiema; cobertura errada, como germe resistente, tuberculose ou fungo; ou diagnóstico errado, como TEP, insuficiência cardíaca, neoplasia ou pneumonia organizada criptogênica.
Perguntas frequentes
Some 1 ponto por critério presente: confusão, ureia acima de 50 mg/dL, FR de 30 irpm ou mais, PAS abaixo de 90 ou PAD de 60 mmHg ou menos e idade de 65 anos ou mais. Na questão UNICAMP 2025 da apostila, mulher de 64 anos, lúcida, com ureia de 38, FR de 18 e PA de 122/86 tem CURB-65 de 0: tratamento ambulatorial, com amoxicilina-clavulanato e azitromicina pelas comorbidades.
O CRB-65 é a versão sem a ureia, para a UBS, onde o resultado do exame não sai na hora. Usa confusão, frequência respiratória, pressão arterial e idade. Com 0 ponto, tratamento em casa; com 1 ponto ou mais, considerar avaliação hospitalar ou internação. Nos dois escores, hipoxemia e falta de suporte social indicam internação independentemente da pontuação.
O Streptococcus pneumoniae, em todas as faixas etárias exceto neonatos; é o gabarito da questão ENARE 2024 da apostila (letra A). S. aureus é menos comum e mais grave; Mycoplasma e Chlamydia são comuns, mas não superam o pneumococo; Pseudomonas é germe hospitalar, ligado a doença pulmonar estrutural ou neutropenia. Vírus respondem por até 1/3 das PACs.
Na PAC grave, com isolamento prévio de MRSA ou Pseudomonas ou hospitalização nos últimos 90 dias com antibiótico parenteral; para Pseudomonas, também bronquiectasias ou DPOC muito grave com uso frequente de corticoide ou antibiótico. MRSA pede vancomicina ou linezolida; Pseudomonas, piperacilina-tazobactam, cefepime ou meropenem. Ceftriaxona, meropenem e piperacilina-tazobactam não tratam MRSA.
Não de rotina: na maioria dos pacientes não reduz mortalidade e aumenta o risco de hiperglicemia e sangramento digestivo. A apostila lista três situações: choque séptico refratário, com hidrocortisona; insuficiência respiratória grave em imunocompetente que precisa de ventilação mecânica, invasiva ou não, ou oxigênio de alto fluxo; e PAC com exacerbação de DPOC ou asma. PCR acima de 150 mg/L na PAC grave sugere maior benefício.
De 5 a 7 dias, e o paciente deve estar afebril por 48 a 72 horas antes da suspensão. Se após 72 horas de tratamento adequado ele mantém febre, piora a leucocitose ou segue instável, a apostila trata o caso como falha terapêutica e investiga empiema, germe resistente ou outro diagnóstico.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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