Pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, tórax instável, hemotórax maciço e tamponamento cardíaco na avaliação primária; aorta, diafragma e árvore traqueobrônquica na secundária; drenagem, pigtail e toracotomia. Cinco questões: ISCMSP 2021 e 2022, SURCE 2023, UERJ 2022 e SUS-SP 2020.
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Para que serve
O que mata na hora, o que aparece depois da estabilização e como drenar sem errar a questão de procedimento.
Jugular colabada aponta hemotórax maciço. Jugular túrgida com MV abolido e timpanismo indica pneumotórax hipertensivo; com MV presente e bulhas abafadas, tamponamento cardíaco.
Drenagem inicial acima de 1.500 mL ou de 200 mL/h por 2 a 4 horas para toracotomia, mediastino acima de 8 cm, FC abaixo de 80 bpm e PAS abaixo de 100 mmHg na lesão de aorta.
ISCMSP 2021 e 2022, SURCE 2023, UERJ 2022 e SUS-SP 2020, comentadas passo a passo: descompressão, fratura de costela, lesão de esôfago, tríade de Beck e zona de transição.
Sumário
Da divisão entre avaliação primária e secundária até a retirada do dreno.
No trauma torácico, as lesões letais da avaliação primária são obstrução de via aérea, pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax maciço, tórax instável com contusão pulmonar grave e tamponamento cardíaco. O diagnóstico é clínico, nos passos B e C, sem esperar exame. Cerca de 85% dos traumas torácicos se resolvem com via aérea, agulha, dedo ou dreno.
Com o paciente hipotenso, o exame físico separa as três causas clássicas sem raio-X. Jugular colabada com macicez e MV abolido indica hemotórax maciço, com choque hipovolêmico. Jugular túrgida aponta choque obstrutivo: MV abolido com hipertimpanismo é pneumotórax hipertensivo; MV presente com bulhas abafadas é tamponamento cardíaco.
No pneumotórax hipertensivo, o mecanismo valvular desvia o mediastino, comprime as veias cavas e reduz o retorno venoso. A descompressão com Jelco 14G ou 16G é feita no 5º EIC, entre as linhas axilares média e anterior, ou, no ATLS 11, também no 2º EIC na linha hemiclavicular. Toda descompressão é seguida de drenagem em selo d'água no 5º EIC.
Hemotórax maciço é a perda rápida de mais de 1.500 mL de sangue para a pleura, ou mais de 1/3 da volemia. A conduta é protocolo de transfusão maciça e dreno no 5º EIC; cerca de 85% param de sangrar só com a drenagem. Toracotomia se saírem mais de 1.500 mL de uma vez, mais de 200 mL/h por 2 a 4 horas ou se a instabilidade persistir.
Tórax instável exige fratura de 2 ou mais arcos costais consecutivos, em 2 ou mais pontos cada, com respiração paradoxal. Quem mata é a contusão pulmonar embaixo, que piora em 24 a 48 horas. O tratamento é analgesia potente, de preferência bloqueio epidural ou paravertebral, oxigênio, restrição hídrica e intubação só nos casos graves; faixas compressivas, nunca.
Comparativo
O exame físico que separa as três causas de choque no trauma torácico, sem raio-X.
| Critério | Pneumotórax hipertensivo | Tamponamento cardíaco | Hemotórax maciço |
|---|---|---|---|
| Tipo de choque | Obstrutivo | Obstrutivo | Hipovolêmico |
| Jugulares | Túrgidas | Túrgidas | Colabadas |
| Ausculta pulmonar | Abolida | Normal | Abolida |
| Percussão | Hipertimpânica | Normal | Macicez |
| Bulhas cardíacas | Normais ou inaudíveis | Abafadas | Normais ou taquicárdicas |
| Traqueia | Desviada para o lado oposto | Centralizada | Desviada se muito volumoso |
| Conduta imediata | Descompressão com dedo ou agulha, depois dreno | Toracotomia de urgência; pericardiocentese só alivia | Volume e drenagem, com ou sem toracotomia |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
Do paciente chocado na sala de trauma à retirada do dreno.
Na avaliação primária, o diagnóstico das lesões letais é clínico, nos passos B e C. Paciente instável não vai para a tomografia, e pedir raio-X de tórax antes de tratar o pneumotórax hipertensivo é erro de prova.
Jelco 14G ou 16G no 5º EIC, entre as linhas axilares média e anterior, ou no 2º EIC na linha hemiclavicular, como aceita o ATLS 11. Em seguida, drenagem fechada em selo d'água no 5º EIC, obrigatória.
Ferida maior que 2/3 do diâmetro da traqueia aspira ar. O curativo fixado em três lados funciona como válvula; fechado nos quatro, vira pneumotórax hipertensivo. Depois, dreno por incisão nova no 5º EIC, longe da ferida, e fechamento cirúrgico.
Dois acessos calibrosos, protocolo de transfusão maciça e dreno no 5º EIC. Saída inicial acima de 1.500 mL, mais de 200 mL/h por 2 a 4 horas ou instabilidade persistente indicam toracotomia. Conteúdo salivar no dreno sugere lesão de esôfago.
Tríade de Beck: hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas, com MV presente. Ferimento penetrante na zona de Ziedler levanta suspeita de lesão cardíaca. FAST se houver estabilidade ou dúvida; a conduta definitiva é toracotomia anterolateral esquerda.
Mediastino acima de 8 cm sugere lesão de aorta: angiotomografia, FC abaixo de 80 bpm e PAS abaixo de 100 mmHg até o TEVAR. SNG no tórax indica hérnia diafragmática. Fuga aérea persistente sem reexpansão sugere lesão traqueobrônquica, confirmada por broncoscopia.
Entre peitoral maior, grande dorsal, 5º EIC e base da axila, pela borda superior da costela inferior, com exploração digital antes do dreno. No selo d'água, o tubo fica 2 cm abaixo da água; nunca pince o dreno para transporte.
Perguntas frequentes
A ausculta pulmonar. Os dois causam choque obstrutivo com hipotensão e turgência jugular. No pneumotórax hipertensivo, o murmúrio vesicular está abolido, com timpanismo e traqueia desviada; no tamponamento, o MV está presente e simétrico, a percussão é normal e as bulhas são abafadas. A questão UERJ 2022 da apostila cobra esse desempate.
É o pneumotórax com mecanismo valvular: o ar entra na pleura a cada inspiração e não sai. A pressão desvia o mediastino, comprime as veias cavas e causa choque obstrutivo. O quadro é desconforto respiratório, hipotensão, turgência jugular, MV abolido e hipertimpanismo. O diagnóstico é clínico, e a conduta é descompressão seguida de drenagem.
Pelos critérios do ATLS na apostila: drenagem inicial acima de 1.500 mL de sangue, sangramento contínuo acima de 200 mL/h nas 2 a 4 horas seguintes ou instabilidade persistente com necessidade de transfusão. Na questão SURCE 2023, conteúdo espumoso e salivar no dreno com hipotensão mantida após volume e transfusão indica toracotomia pela lesão de esôfago.
Analgesia potente é o pilar, de preferência bloqueio epidural ou paravertebral/intercostal, com oxigênio para SatO2 acima de 90%, VNI em casos moderados e restrição hídrica. A intubação fica para TCE grave ou insuficiência respiratória com PaO2 abaixo de 60. Faixas compressivas pioram a hipoventilação e não devem ser usadas.
Pneumotórax abaixo de 3 cm no ápice ou de 20% do volume, em paciente assintomático, pode ser observado com oxigênio e raio-X repetido em 6 a 24 horas. A exceção é transporte aéreo ou anestesia geral com ventilação com pressão positiva: nesses casos, drene antes, pelo risco de pneumotórax hipertensivo.
Estudos multicêntricos citados na apostila mostram pigtail de 14 Fr com a mesma eficácia de tubo de 32 Fr no hemotórax traumático, com menos dor. Em questão direta e conservadora, o calibre maior (28 a 32 Fr) tende a ser a resposta; no hemotórax maciço, a preferência segue pelo tubo grosso de 32 a 36 Fr.
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