Apostila gratuita · 28 páginas

Diverticulite aguda: classificação de Hinchey e conduta por estágio

Tomografia com contraste, classificação de Hinchey modificada, regra dos 4 cm para drenar o abscesso, Hartmann ou anastomose primária, manejo sem antibiótico e cirurgia eletiva. Questões ENARE R3 CG 2021, IAMSPE 2021 e IAMSPE 2025 comentadas.

PDF de 3,6 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 28 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Abdome agudo
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de diverticulite cobre

Do diagnóstico pela tomografia à cirurgia eletiva, organizado pelo estágio de Hinchey.

  • Hinchey modificada com tradução prática

    Do estágio 0 ao IV, a definição tomográfica de cada estágio e o que ela significa no abdome: flegmão, abscesso pericólico, abscesso pélvico e peritonite purulenta ou fecal.

  • Conduta escalonada por estágio

    Tratamento clínico no Hinchey 0 e no abscesso abaixo de 4 cm, drenagem percutânea no abscesso maior e cirurgia de urgência no III e no IV, com Hartmann ou anastomose primária.

  • Três questões comentadas

    ENARE R3 CG 2021 (diagnóstico pela tomografia), IAMSPE 2025 (abscesso de 5,6 cm) e IAMSPE 2021 (indicação de cirurgia eletiva), com a análise de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 28 páginas

Da fisiopatologia do pseudodivertículo à sigmoidectomia eletiva, na ordem da apostila.

  1. 01O que mais cai em prova: diagnóstico, Hinchey e cirurgia eletiva
  2. 02Introdução: doença diverticular, fisiopatologia e fatores de risco
  3. 03Fluxograma da fisiopatologia
  4. 04Quadro clínico, exame físico e sintomas urinários
  5. 05Tomografia com contraste e por que não fazer colonoscopia na fase aguda
  6. 06Questão estratégica: diagnóstico da diverticulite
  7. 07Não complicada x complicada: as quatro complicações
  8. 08Classificação de Hinchey modificada
  9. 09Microperfuração x pneumoperitônio
  10. 10Onde tratar: ambulatório ou internação
  11. 11Abordagem escalonada por estágio de Hinchey
  12. 12Questão estratégica: abscesso grande (Hinchey II)
  13. 13Cirurgia de Hartmann x anastomose primária
  14. 14Manejo sem antibióticos
  15. 15Situações especiais: fístula colovesical e diverticulite à direita
  16. 16Cirurgia eletiva, revisão final e prescrição na prática
Página interna da apostila sobre Diverticulite aguda do cólon
Página da apostila: tabela da classificação de Hinchey modificada, do estágio 0 ao IV, com a definição tomográfica e a tradução prática de cada estágio.

O que é a classificação de Hinchey modificada?

A classificação de Hinchey modificada estadia a diverticulite aguda pelos achados da tomografia e define a conduta. Vai do estágio 0 (diverticulite leve clínica) ao Ia (inflamação pericólica ou flegmão), Ib (abscesso pericólico ou mesentérico), II (abscesso pélvico ou distante), III (peritonite purulenta generalizada) e IV (peritonite fecal generalizada).

O estadiamento depende da tomografia de abdome e pelve com contraste intravenoso, exame de escolha, com sensibilidade de 94% e especificidade de 99%. A densificação da gordura pericólica é o sinal mais sensível; somam-se espessamento da parede do cólon acima de 4 mm, divertículos e, nos estágios avançados, abscesso ou pneumoperitônio. Colonoscopia e enema opaco são proibidos na fase aguda.

A primeira divisão é entre não complicada (75% dos casos), com inflamação restrita à parede, e complicada (25%). As complicações são abscesso, a mais comum, perfuração livre com peritonite, fístula, sendo a colovesical a mais frequente, e obstrução. Mortalidade e risco de perfuração livre são maiores no primeiro episódio, porque ainda não há fibrose para bloquear a perfuração.

Bolhas de ar pericólicas contidas pelo flegmão são microperfuração (Hinchey I) e respondem bem ao antibiótico. Ar livre subdiafragmático ou líquido livre espalhado indicam peritonite difusa (Hinchey III ou IV) e cirurgia de emergência. No abscesso, o tamanho decide: abaixo de 4 cm, antibiótico venoso; a partir de 4 cm, drenagem percutânea guiada por TC ou USG mais antibiótico.

No Hinchey III e IV, o cirurgião resseca o sigmoide e decide entre Hartmann e anastomose primária pela estabilidade e pela contaminação. Hartmann (colostomia terminal e fechamento do coto retal) é a escolha no instável; 40 a 50% dos pacientes nunca revertem a colostomia. No estável, a anastomose primária, muitas vezes com ileostomia de proteção, evita a colostomia definitiva.

Página da apostila Diverticulite aguda do cólon

Comparativo

Classificação de Hinchey modificada: estágio e conduta

A classificação da diverticulite pela tomografia, com a conduta que a apostila associa a cada estágio.

Estágios da Hinchey modificada pela tomografia e conduta correspondente. Fonte: apostila Med-Review R1, “Diverticulite aguda do cólon”.
EstágioDefinição tomográficaConduta
0Diverticulite leve clínica: inflamação parietal, sem coleçãoSintomáticos e dieta líquida; sem antibiótico no paciente selecionado, ambulatorial
IaInflamação pericólica ou flegmão, com ar pericólico em bolhas, sem abscessoTratamento clínico; ambulatorial se cumprir o checklist de segurança
IbAbscesso pericólico ou mesentérico, bloqueado ao lado do sigmoide< 4 cm: antibiótico venoso; ≥ 4 cm: drenagem percutânea e antibiótico
IIAbscesso pélvico ou distante (fundo de saco ou retroperitônio)Drenagem percutânea guiada por TC ou USG e antibiótico
IIIPeritonite purulenta generalizada, sem fezes na cavidadeCirurgia de urgência: sigmoidectomia, com anastomose primária no estável
IVPeritonite fecal generalizadaCirurgia de urgência: Hartmann, padrão no Hinchey IV e no paciente instável

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir a diverticulite aguda, passo a passo

Do paciente com dor na fossa ilíaca esquerda à decisão sobre cirurgia eletiva.

  1. Reconheça o quadro clássico

    Paciente idoso com dor contínua em fossa ilíaca esquerda e febre: o sigmoide é o segmento mais acometido. Constipação aparece em cerca de 50% dos casos, diarreia em 25 a 35%, e sintomas urinários em 10 a 15%, por cistite simpática com leucocitúria estéril.

  2. Peça tomografia, não colonoscopia

    A tomografia de abdome e pelve com contraste intravenoso confirma, exclui diagnósticos diferenciais e estadia. Colonoscopia na fase aguda pode perfurar o cólon inflamado e transformar uma infecção contida em peritonite fecal difusa.

  3. Classifique pela Hinchey modificada

    Defina o estágio pela imagem: 0 e Ia sem abscesso, Ib com abscesso pericólico, II com abscesso pélvico ou distante, III com peritonite purulenta e IV com peritonite fecal. Diferencie microperfuração contida de pneumoperitônio.

  4. Decida onde tratar

    Ambulatório só na doença não complicada (Hinchey 0/Ia), em paciente imunocompetente que tolera a via oral. Interne quem tem doença complicada, sepse, dor refratária, vômitos, idade ≥ 70 anos, imunossupressão ou falha do tratamento em casa após 48-72h.

  5. Trate pelo estágio

    Hinchey 0 selecionado: analgesia e dieta líquida, sem antibiótico de rotina. Ia e abscesso abaixo de 4 cm: repouso intestinal, antibiótico contra Gram-negativos e anaeróbios e analgesia. Abscesso de 4 cm ou mais: drenagem percutânea e antibiótico, que resolvem cerca de 80% dos casos. Hinchey III e IV: cirurgia de urgência.

  6. Escolha entre Hartmann e anastomose

    Na peritonite difusa, o binômio estabilidade do paciente e grau de contaminação decide. Instável ou com muita contaminação: Hartmann. Estável: sigmoidectomia com anastomose primária, muitas vezes com ileostomia de proteção, mais simples de fechar depois.

  7. Programe a colonoscopia e reavalie a cirurgia

    Colonoscopia 6 a 8 semanas após a crise para excluir câncer colorretal. Cirurgia eletiva para complicação prévia, sintomas crônicos (smoldering) ou imunossupressão, 10 a 12 semanas após o episódio; o número de crises não complicadas não a indica.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre classificação de Hinchey e diverticulite na prova

O que é diverticulite aguda complicada?

É a diverticulite em que a microperfuração evolui e a contenção falha, cerca de 25% dos casos. As quatro complicações são abscesso, a mais comum, perfuração livre com peritonite purulenta ou fecal, fístula, sendo a colovesical a mais frequente, seguida da colovaginal, e obstrução, aguda por edema ou crônica por fibrose. Qualquer uma delas muda o estadiamento e obriga a internação.

Quando drenar o abscesso diverticular?

Pela regra dos 4 cm. Abscesso abaixo de 4 cm responde ao antibiótico venoso isolado. A partir de 4 cm, em paciente estável, a conduta é drenagem percutânea guiada por TC ou USG mais antibiótico. Na questão IAMSPE 2025 da apostila, coleção de 5,6 cm sem pneumoperitônio leva à drenagem, gabarito A. Sem janela radiológica para a agulha, a conduta passa a ser cirúrgica.

Por que não fazer colonoscopia na diverticulite aguda?

O cólon inflamado é friável, e a insuflação de ar aumenta a pressão intraluminal e pode romper o divertículo, transformando uma infecção contida em peritonite fecal difusa. A colonoscopia é agendada 6 a 8 semanas após a resolução dos sintomas para excluir câncer colorretal e estenose, porque 3-5% das diverticulites na TC são carcinomas ocultos.

Quando a diverticulite pode ser tratada sem antibiótico?

No Hinchey 0 comprovado por TC, em paciente imunocompetente, com sintomas leves a moderados, sem sinais de sepse e com bom suporte social. A apostila cita os estudos AVOD e DIABOLO: nesse grupo, o antibiótico não acelerou a recuperação nem evitou complicações ou cirurgia. A conduta é analgesia e dieta líquida, com orientações de alarme.

Qual esquema de antibiótico cai na prova de diverticulite?

Cobertura de Gram-negativos e anaeróbios: ciprofloxacino com metronidazol ou ceftriaxona com metronidazol, e piperacilina-tazobactam em monoterapia nos casos mais graves. Na prescrição de enfermaria para Hinchey I da apostila, ceftriaxona 1 g EV de 12/12h e metronidazol 500 mg EV de 8/8h, com dieta líquida sem resíduos e analgesia.

Quando indicar cirurgia eletiva na diverticulite?

Em três grupos: complicação prévia (fístula, estenose, peritonite tratada com conduta conservadora ou drenagem), sintomas crônicos por mais de 6 semanas (smoldering diverticulitis) e imunossuprimidos. Idade e número de episódios não complicados não indicam cirurgia. Na questão IAMSPE 2021, a resposta é dor persistente entre as crises. A sigmoidectomia é feita 10 a 12 semanas após o episódio, com colonoscopia antes.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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