Apostila gratuita · 13 páginas

Retinose pigmentar e distrofias difusas da retina e da coroide

Tríade de espículas ósseas, palidez de disco e atenuação vascular, ERG e campo visual, síndromes de Usher, Bardet-Biedl, Refsum e Kearns-Sayre, Luxturna para a mutação no RPE65, distrofia de cones, amaurose congênita de Leber, coroideremia e atrofia girata. Cinco questões do CBO comentadas.

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Formato
Apostila · 13 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Distrofias
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de retinose pigmentar cobre

Da genética ao eletrorretinograma, com as distrofias difusas da coroide e os pontos que o próprio texto marca como cobrados em prova.

  • Tríade e fundo de olho

    Espículas ósseas, palidez de disco e atenuação vascular, com RP sine pigmento, RP setorial, halo dourado no disco e as outras causas de alteração pigmentar semelhante, como sífilis, rubéola e descolamento de retina.

  • O ERG de cada distrofia

    Escotópico reduzido com fotópico normal na RP inicial, ERG extinto na fase avançada, fotópico anormal na distrofia de cones e, no Goldmann-Favre, onda de cones S com a mesma morfologia no escotópico e no fotópico.

  • Cinco questões do CBO comentadas

    CBO 2017 (tríade com ERG), CBO 2021 (mecanismo do Luxturna), CBO 2024 (tratamentos aprovados), CBO 2021 (herança da coroideremia) e CBO 2010 (dieta na atrofia girata), com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 13 páginas

Da classificação anatômica das distrofias até a distrofia cristalina de Bietti, na ordem do capítulo.

  1. 01Classificação anatômica das distrofias de retina e coroide
  2. 02Retinose pigmentar: epidemiologia, genética e fisiopatologia
  3. 03Sintomas e fundoscopia: tríade clássica, RP sine pigmento e RP setorial
  4. 04Edema macular cistoide, autofluorescência, angiofluoresceinografia e OCT
  5. 05Vítreo, segmento anterior e catarata subcapsular posterior
  6. 06Campo visual e eletrofisiologia: ERG e EOG
  7. 07Síndromes associadas: Usher, Bardet-Biedl, Refsum e Kearns-Sayre
  8. 08Tratamento: vitamina A, ômega-3 e ômega-6, edema macular, Argus II e terapia gênica
  9. 09Aprendendo com questões: CBO 2017
  10. 10Distrofia de cones: genética, clínica, maculopatia em bull's eye e ERG
  11. 11Amaurose congênita de Leber e o Luxturna (gene RPE65)
  12. 12Aprendendo com questões: CBO 2021 e CBO 2024
  13. 13Síndrome de Goldmann-Favre (síndrome do cone-S aumentado)
  14. 14Distrofias difusas da coroide: coroideremia e questão CBO 2021
  15. 15Atrofia girata e questão CBO 2010
  16. 16Distrofia cristalina de Bietti
Página interna da apostila sobre Retinose pigmentar e distrofias difusas da retina e da coroide
Página da apostila: questões CBO 2021 e CBO 2024 comentadas, sobre o Luxturna e o gene RPE65, e a abertura da síndrome de Goldmann-Favre.

O que é retinose pigmentar e qual a tríade clássica?

A retinose pigmentar é uma distrofia hereditária e bilateral que afeta predominantemente os bastonetes, mas também os cones desde o início, e progride para atrofia difusa da retina. A tríade clássica do fundo de olho é formada por espículas ósseas, palidez de disco e atenuação vascular. A nictalopia é um dos principais sintomas.

A herança é esporádica em 40% dos casos. Entre os casos hereditários sem síndrome associada, a autossômica recessiva é a mais frequente; a dominante é menos frequente, e a recessiva ligada ao X é muito rara, mais grave e de início mais precoce. Os sintomas costumam começar entre 20 e 30 anos na forma dominante e por volta dos 10 anos na recessiva. A prevalência é de 1:5.000.

O encurtamento dos segmentos externos dos bastonetes é uma das alterações histopatológicas mais precoces. Após a perda dos fotorreceptores, células do EPR migram para a retina interna e formam as espículas ósseas, em geral na região médio-equatorial. A proliferação de astrócitos contribui para a palidez do disco; a atrofia retiniana, com menor demanda metabólica, para o estreitamento arteriolar e a atrofia da coriocapilar.

Quando o ERG é feito precocemente, pode haver resposta escotópica reduzida com fotópica normal; na RP avançada, a maior parte dos pacientes tem ERG extinto. Em geral, a amplitude do ERG cai 16-18,5% por ano, e o EOG é anormal na maior parte dos casos. O campo visual começa com escotomas relativos entre 30 e 50 graus, que coalescem em escotoma em anel.

Edema macular cistoide e catarata subcapsular posterior são complicações frequentes; a catarata incide em 70% dos casos ligados ao X, 50% dos autossômicos dominantes e 40% dos recessivos. Para o edema macular, inibidores de anidrase carbônica e esteroides mostram algum benefício. Não há tratamento curativo, e a mutação no gene RPE65 é a única com terapia gênica aprovada, o Luxturna, cobrado nas questões CBO 2021 e CBO 2024.

Comparativo

Distrofias difusas da retina e da coroide: herança, clínica e ERG

As sete distrofias difusas do capítulo, com a herança, o gene, a clínica e o exame que a apostila usa para separar uma da outra.

Distrofias difusas dos fotorreceptores e da coroide. Fonte: apostila Oft-Review, “Retinose pigmentar e distrofias difusas da retina e da coroide”.
DistrofiaHerança e geneClínica e fundo de olhoExame e ponto de prova
Retinose pigmentarEsporádica em 40%; AR na maioria dos casos hereditários sem síndrome; AD; ligada ao X, mais grave. Rodopsina e periferina/RDSNictalopia; espículas ósseas, palidez de disco e atenuação vascularERG escotópico reduzido no início, extinto na fase avançada; EOG anormal na maior parte dos casos
Distrofia de conesQualquer herança, AR a mais comum. ABCA4 em grande parte dos casosBaixa visual progressiva, deficiência precoce na visão de cores, fotofobia, nistagmo; bull's eyeERG fotópico anormal com escotópico normal ou próximo do normal; flicker mínimo ou indetectável
Amaurose congênita de LeberAR na maior parte dos casos. RPE65, com terapia gênica aprovadaBaixa visual severa desde o nascimento, nistagmo, reflexo oculodigital, alta hipermetropiaERG extinto ou mínimo; Luxturna adiciona cópia funcional do RPE65
Goldmann-Favre (cone-S aumentado)AR. NR2E3Nictalopia, sensibilidade aumentada à luz azul, lesões amareladas nas arcadas, retinosquiseResposta de bastonetes ausente; onda de cones S com a mesma morfologia no ERG escotópico e no fotópico
CoroideremiaRecessiva ligada ao X, mais comum em homens. CHMNictalopia, perda de campo centrípeta, boa acuidade visual até o acometimento centralAngiofluoresceinografia com hipofluorescência por perda da coriocapilar; questão CBO 2021
Atrofia girataAR. OAT (ornitina aminotransferase)Nictalopia na 1ª década; atrofia periférica em pedras de calçamento, bem delimitada; alta miopiaOrnitina plasmática 10-20 vezes maior; restrição de arginina e vitamina B6; questão CBO 2010
Distrofia cristalina de BiettiAR. CYP4V2Nictalopia, escotomas paracentrais e baixa visual entre a 2ª e a 4ª décadasCristais no polo posterior e na córnea periférica, que podem desaparecer na fase avançada

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Na prática

Como reconhecer a retinose pigmentar, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da suspeita clínica ao diagnóstico diferencial com as outras distrofias difusas.

  1. Confirme que o quadro é bilateral

    As distrofias de retina e coroide são hereditárias e bilaterais; quadro unilateral sugere doença inflamatória, infecciosa ou malformação. História familiar negativa não afasta o diagnóstico, por penetrância incompleta, mutação de novo ou falta de informação sobre os familiares. Examine os familiares.

  2. Pergunte por nictalopia e pela idade de início

    Nictalopia é um dos principais sintomas; fotopsias podem estar presentes e tendem a reduzir com a progressão do defeito de campo. Os sintomas costumam começar entre 20 e 30 anos na forma dominante, por volta dos 10 anos na recessiva e ainda mais cedo na recessiva ligada ao X.

  3. Procure a tríade no fundo de olho

    Espículas ósseas médio-equatoriais, palidez de disco, às vezes com halo dourado, e atenuação vascular. Sem pigmento visível, pense em RP sine pigmento e use a autofluorescência. Pigmento em 1 ou 2 quadrantes define RP setorial, que pode evoluir para a forma generalizada.

  4. Documente com ERG, campo visual e OCT

    ERG com resposta escotópica reduzida e fotópica normal no início e extinto na fase avançada; EOG anormal na maior parte dos casos. Campo visual com escotomas entre 30 e 50 graus que evoluem para escotoma em anel. OCT com afinamento da retina externa, com tendência a poupar a fóvea.

  5. Rastreie as síndromes associadas

    Surdez congênita aponta síndrome de Usher, presente em 18% dos pacientes com RP. Obesidade, polidactilia e hipogonadismo, Bardet-Biedl. Ácido fitânico elevado, ataxia e ictiose, Refsum. Oftalmoplegia externa progressiva, ptose e bloqueio de condução cardíaco, Kearns-Sayre, de herança mitocondrial.

  6. Trate as complicações e discuta terapia gênica

    No edema macular cistoide, inibidores de anidrase carbônica tópicos ou orais e esteroides têm algum benefício. Após a cirurgia da catarata, opacidade de cápsula posterior e edema macular são frequentes. Palmitato de vitamina A, 15.000 unidades/dia, exige pesar toxicidade hepática, hipertensão intracraniana e teratogenicidade. A única terapia gênica aprovada é para o RPE65, o Luxturna.

  7. Diferencie das outras distrofias difusas

    ERG fotópico anormal com escotópico normal indica distrofia de cones. Baixa visual severa desde o nascimento com nistagmo, amaurose congênita de Leber. Bastonetes ausentes e sensibilidade aumentada à luz azul, Goldmann-Favre. Herança ligada ao X com perda da coriocapilar, coroideremia. Ornitina plasmática elevada, atrofia girata. Cristais na retina e na córnea periférica, Bietti.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre retinose pigmentar na prova do CBO

Qual o padrão de herança da retinose pigmentar?

Pode ser esporádica, em 40% dos casos, autossômica recessiva, autossômica dominante ou recessiva ligada ao X. A recessiva responde pela maior parte dos casos hereditários sem síndrome associada; a dominante é menos frequente; a ligada ao X é muito rara, mais grave e de início mais precoce. Entre as síndromes associadas, a Kearns-Sayre tem herança mitocondrial.

Quais exames entram no diagnóstico da retinose pigmentar?

Eletrorretinograma, autofluorescência, OCT e testes genéticos, além do campo visual. No início, o ERG pode mostrar resposta escotópica reduzida com fotópica normal; na fase avançada fica extinto, com ondas a e b reduzidas e tempo implícito da onda b prolongado. A apostila atribui à autofluorescência papel fundamental no diagnóstico e no acompanhamento da maior parte das distrofias retinianas.

Qual a principal síndrome associada à retinose pigmentar?

A síndrome de Usher: retinose pigmentar com surdez congênita, de herança autossômica recessiva. Está presente em 18% dos pacientes com RP e responde por 50% dos casos de pessoas cegas e surdas. Toda criança com surdez congênita deve ser rastreada com ERG e testes genéticos. Bardet-Biedl, Refsum e Kearns-Sayre completam as síndromes do capítulo.

Existe terapia gênica aprovada para retinose pigmentar?

Só para mutações no gene RPE65, com o Luxturna (voretigene neparvoveque), aprovado pela ANVISA em 2020 e indicado para portadores da mutação com mais de 1 ano. Um vetor viral leva uma cópia funcional do RPE65 às células do EPR: é adição de material genético, sem edição do DNA. As questões CBO 2021 e CBO 2024 cobram essa distinção.

Como diferenciar retinose pigmentar de distrofia de cones no ERG?

Na retinose pigmentar, os bastonetes são os mais afetados: no início, resposta escotópica reduzida com fotópica normal. Na distrofia de cones, o ERG fotópico é anormal ou indetectável, com escotópico normal ou próximo do normal e flicker mínimo ou indetectável. A clínica da distrofia de cones traz deficiência precoce na visão de cores, fotofobia e maculopatia em bull's eye. Em casos avançados, os dois registros podem estar extintos.

Qual o padrão de herança da coroideremia?

Recessiva ligada ao X, por mutações no gene CHM, e por isso mais comum em homens; foi a resposta da questão CBO 2021 da apostila. Mulheres portadoras costumam ser assintomáticas e ter ERG normal, mas podem apresentar alterações pigmentares e atrofia lobular do EPR em idades avançadas. A perda do EPR e da coriocapilar começa na região equatorial e progride de forma centrípeta.

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  • USPDr. Daniel Costa

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    Dr. Daniel Costa

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma pela USP. Bateu recorde de nota na PNO. Co-Fundador do Grupo Med-Review.

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    Dr. Bernardo Moraes

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  • USPUFSCarDra. Ana Letícia Darcie

    Especialista pelo CBO

    Dra. Ana Letícia Darcie

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pela USP. Médica no HU-UFSCar. Médica do setor de estrabismo no Hospital das Clínicas da USP.

  • USPDr. Flávio Moura

    Especialista pelo CBO

    Dr. Flávio Moura

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Catarata e Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • UNIFESPDr. Guilherme Macedo

    Especialista pelo CBO

    Dr. Guilherme Macedo

    Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

  • USPDr. Iago Bastos

    Especialista pelo CBO

    Dr. Iago Bastos

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

    Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

  • UNIFESPDr. Lucas Pereira

    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

    Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

  • USPDra. Marianna Hollaender

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    Dra. Marianna Hollaender

    Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

  • USPDr. João Lucas Libório

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    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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