Apostila gratuita · 32 páginas

Hérnias inguinocrurais: a apostila com a classificação de Nyhus para a sua prova

Anatomia do triângulo de Hesselbach e dos trígonos da VLP, classificações de Nyhus e EHS, manobra de Taxe, Lichtenstein, Shouldice e McVay, TEP vs. TAPP e inguinodinia. Quatro questões comentadas: HSL 2024, IAMSPE 2022 e duas da equipe Med-Review.

PDF de 3,4 MB. Gratuito.

Capa da apostila Hérnias inguinocrurais em um tablet
Formato
Apostila · 32 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de hérnias cobre

O tema recortado pelo que as bancas de residência cobram: anatomia, classificação, conduta na urgência e escolha da técnica.

  • Classificação de Nyhus e EHS

    Nyhus do tipo I ao IV, a classificação mais cobrada nas provas brasileiras, e a EHS, feita no intraoperatório por localização, tamanho do defeito e recidiva.

  • Tela na hernioplastia de urgência

    A apostila traz a conduta dos guidelines mais recentes: a tela de polipropileno não é contraindicada na hernioplastia inguinal de urgência com estrangulamento de alça.

  • Quatro questões comentadas

    HSL 2024 e IAMSPE 2022, mais duas questões autorais da equipe Med-Review, resolvidas dentro do conteúdo, alternativa por alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 32 páginas

Da anatomia da virilha à escolha da técnica e ao manejo das complicações do pós-operatório.

  1. 01O que mais cai em prova: tabela de revisão rápida
  2. 02Hérnia encarcerada, estrangulada e cronicamente habitada
  3. 03Triângulo de Hesselbach: defeito direto vs. indireto
  4. 04Anatomia laparoscópica: trígono da dor e trígono do desastre
  5. 05Epidemiologia e fatores de risco por tipo
  6. 06Classificação de Nyhus
  7. 07Classificação da European Hernia Society (EHS)
  8. 08Exame físico, manobra de Landivar e exames de imagem
  9. 09Cirurgia eletiva vs. watchful waiting
  10. 10Encarceramento agudo: quando fazer a Taxe
  11. 11Hérnia estrangulada e viabilidade de alça
  12. 12Técnicas tensionais: Bassini, Shouldice e McVay
  13. 13Lichtenstein e abordagens posteriores (Rives-Stoppa e Wantz)
  14. 14Videolaparoscopia: TEP vs. TAPP, bilaterais e recidivadas
  15. 15Lesões neurais, inguinodinia crônica e outras complicações
  16. 16Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Hérnias inguinocrurais
Página 11: a classificação de Nyhus, do tipo I ao IV, com os subtipos de III e IV.

O que é a classificação de Nyhus das hérnias inguinocrurais?

A classificação de Nyhus, de 1991, organiza as hérnias da região inguinocrural pela anatomia do anel inguinal profundo, pela integridade da parede posterior e pela recidiva. Tipo I: indireta com anel interno preservado. Tipo II: indireta com anel dilatado (acima de 2 cm). Tipo III: fraqueza da parede posterior (A direta, B indireta, C femoral). Tipo IV: recidiva.

A apostila trata Nyhus como o clássico de prova, a classificação mais cobrada nos concursos médicos do Brasil. Na tabela de abertura, a pegadinha apontada é confundir o IIIA, que é a direta, com o IIIB, a indireta com destruição do anel ou da parede posterior, ou mista em pantalona. Qualquer recidiva é tipo IV: A direta, B indireta, C femoral e D mista.

A EHS entra como a tendência atual, adotada pelas bancas alinhadas às diretrizes internacionais. Usa três parâmetros do intraoperatório: localização M (direta), L (indireta) ou F (femoral); tamanho 1 (menos de 1,5 cm), 2 (1,5 a 3 cm) ou 3 (mais de 3 cm); e P ou R, primária ou recidivada. Uma direta primária de 2 cm é M2P.

Para classificar, você precisa separar direta de indireta. O triângulo de Hesselbach tem como limites a borda lateral do reto abdominal (medial), os vasos epigástricos inferiores (superolateral) e o ligamento inguinal (inferior). A direta sai medial aos vasos, dentro do triângulo; a indireta entra pelo anel inguinal profundo, lateral a eles.

A indireta é a hérnia mais comum em qualquer sexo e idade, inclusive na mulher, embora 70% a 80% das femorais ocorram no sexo feminino. A femoral tem o maior risco de encarceramento e estrangulamento, até 30% a 40%, pelo anel rígido: ligamento de Cooper, ligamento lacunar e veia femoral. Por isso não aceita watchful waiting.

Página da apostila Hérnias inguinocrurais

Comparativo

Hérnia direta, indireta e femoral lado a lado

Perfil, anatomia, mecanismo, exame físico, classificação e conduta na hérnia assintomática, tipo por tipo.

Hérnias da região inguinocrural por tipo. Fonte: apostila Med-Review R1, “Hérnias inguinocrurais”.
CritérioIndiretaDiretaFemoral
Perfil típicoJovens e adultos; a mais comum em homens e mulheresIdososMulheres (70% a 80% dos casos); no padrão de prova, a mulher idosa
Relação anatômicaLateral aos vasos epigástricos inferiores; entra pelo anel inguinal profundoMedial aos vasos epigástricos, dentro do triângulo de HesselbachInferior ao ligamento inguinal; anel rígido (Cooper, lacunar, veia femoral)
MecanismoConduto peritoneovaginal patenteFraqueza adquirida da fáscia transversalFraqueza da região femoral
Exame físicoMassa toca a ponta do dedo (Landivar)Massa empurra a polpa do dedo (Landivar); raramente inguinoescrotalMassa dolorosa na raiz da coxa, abaixo do ligamento inguinal
NyhusI (anel preservado), II (anel acima de 2 cm) ou IIIBIIIAIIIC
EHSLMF
Hérnia assintomáticaWatchful waiting possível no alto risco cirúrgicoWatchful waiting possível no alto risco cirúrgicoCirurgia eletiva sempre (risco de encarcerar ou estrangular até 30% a 40%)

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir a hérnia inguinocrural, passo a passo

Do consultório ao pós-operatório, na ordem em que a apostila ensina.

  1. Examine em pé e deitado

    Faça inspeção e palpação dinâmicas com Valsalva, invaginando o escroto até o anel superficial. Na manobra de Landivar, massa que toca a ponta do dedo vem do anel profundo (indireta); massa que empurra a polpa vem da parede posterior (direta).

  2. Peça imagem só na dúvida

    O diagnóstico é clínico. A USG com Valsalva é o exame inicial na dúvida diagnóstica, na dor inguinal sem massa palpável e no obeso. TC ou RM de pelve ficam para a USG inconclusiva, como na pubalgia e na hérnia do esporte.

  3. Na assintomática, separe a femoral

    Hérnia inguinal assintomática ou pouco sintomática em paciente de alto risco cirúrgico aceita watchful waiting: cerca de 70% ficam sintomáticos e precisam de cirurgia em 5 a 10 anos, sem aumento de complicações graves. A femoral fica fora dessa regra e tem cirurgia eletiva sempre indicada.

  4. Na encarcerada, decida se cabe a Taxe

    Taxe só em encarceramento recente, com menos de 6 horas, sem hiperemia, com paciente afebril e estável e abdome indolor. Analgesia, Trendelenburg, flexão da coxa e compressão suave e constante do saco em direção ao anel. Se reduzir, observe por algumas horas e dê alta com cirurgia eletiva prioritária.

  5. Estrangulada: inguinotomia de urgência

    Hiperemia, febre, taquicardia, leucocitose, peritonite ou encarceramento há mais de 6 horas contraindicam a Taxe. Sem peritonite generalizada, a via é a inguinotomia: apreenda a alça antes de cortar o anel; viável volta à cavidade, necrosada exige enterectomia com anastomose primária. Pelos guidelines recentes, o estrangulamento não contraindica a tela de polipropileno.

  6. Escolha a técnica pela apresentação

    Primária unilateral por via aberta: Lichtenstein, com a tela ultrapassando o tubérculo púbico em 1,5 a 2 cm. Quando não se pode usar tela, Shouldice; femoral aberta sem tela, McVay. Bilateral ou recidiva de cirurgia aberta: videolaparoscopia. Recidiva após vídeo volta para a via aberta.

  7. Relacione a dor pós-operatória à via

    Inguinodinia crônica é dor por mais de 3 meses após a hernioplastia. Na via aberta, o nervo mais lesado é o ilioinguinal; na VLP, o cutâneo femoral lateral. A escada vai de analgésicos, AINE e neuromoduladores a bloqueio com corticoide e, se refratária, neurectomia ou retirada de tela e grampos.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre hérnias inguinocrurais na prova

Qual a diferença entre hérnia inguinal direta e indireta?

A referência são os vasos epigástricos inferiores. A direta sai medial a eles, dentro do triângulo de Hesselbach, por fraqueza da fáscia transversal, e é típica do idoso. A indireta sai lateral aos vasos, pelo anel inguinal profundo, por patência do conduto peritoneovaginal, e é típica do jovem. Na manobra de Landivar, a indireta toca a ponta do dedo e a direta empurra a polpa.

Quais são os limites do triângulo de Hesselbach?

Medialmente, a borda lateral do músculo reto abdominal; superolateralmente, os vasos epigástricos inferiores (artéria e veia); inferiormente, o ligamento inguinal. É a zona de maior fraqueza da fáscia transversal na parede posterior do canal inguinal e o local de saída da hérnia direta.

O que é hérnia inguinal Nyhus 3B e 3C?

São subtipos do tipo III de Nyhus, que reúne as hérnias com fraqueza da parede posterior: IIIA é a direta, IIIB a indireta e IIIC a femoral. Na revisão final, a apostila descreve o IIIB como indireta com anel destruído ou mista, em pantalona. Se a hérnia for recidivada, a classificação passa a ser tipo IV, com subtipos A a D.

Qual a diferença entre hérnia inguinal encarcerada e estrangulada?

Na encarcerada, o conteúdo fica preso no anel e pode obstruir o trânsito intestinal, mas o fluxo sanguíneo se mantém. Na estrangulada, a constrição garroteia os vasos: há isquemia, necrose transmural e risco de perfuração. Dor desproporcional, hiperemia, calor local, febre e taquicardia indicam estrangulamento, que proíbe a Taxe e, sem peritonite generalizada, leva à inguinotomia de urgência.

Como é feita a técnica de Lichtenstein na hérnia inguinal?

É a hernioplastia aberta sem tensão com tela de polipropileno, padrão-ouro da via aberta na hérnia primária unilateral. A tela é fixada medialmente no tubérculo púbico, ultrapassando-o em 1,5 a 2 cm, segue pelo ligamento inguinal até além do anel profundo e, em cima, na aponeurose do oblíquo interno. As duas caudas laterais se cruzam atrás do cordão espermático.

O que são o trígono da dor e o trígono do desastre na videolaparoscopia?

São as duas áreas abaixo do trato iliopúbico, na TEP e na TAPP, onde é proibido fixar grampos, tachas ou suturas. O trígono do desastre fica entre o ducto deferente e os vasos espermáticos e contém os vasos ilíacos externos. O trígono da dor fica entre os vasos espermáticos e o trato iliopúbico e contém o cutâneo femoral lateral, o ramo femoral do genitofemoral e o nervo femoral.

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    Clínica Médica

    Raquel Khoury

    Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

  • Juliana Lacerda

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    Juliana Lacerda

    Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

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    Diego Luz

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

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    Tiarlles Miller

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

  • Davi Khoury

    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

    Cirurgia Geral

    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Phellipe Fabrini

    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Luiz Sposito

    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

    Pediatria

    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

  • Roberto Guimarães

    Pediatria

    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

  • Juliana Araújo

    Ginecologia e Obstetrícia

    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Medicina Preventiva

    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Isabella Zanfra

    Medicina Preventiva

    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Daniel Costa

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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