Apostila gratuita · 9 páginas

Descolamento posterior do vítreo, degeneração lattice e roturas de retina

O descolamento posterior do vítreo e o risco de rotura com e sem hemorragia vítrea, o tobacco dust, as lesões periféricas que predispõem ou não ao descolamento de retina, os tipos de rotura e quando tratar com laser, considerar ou observar.

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Formato
Apostila · 9 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Descolamento de retina
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila cobre da retina periférica

Para o residente que vai prestar a PNO: o capítulo do Extensive que vai do descolamento do vítreo e das degenerações periféricas da retina à decisão de fotocoagular.

  • DVP, anel de Weiss e rotura

    Regiões de adesão vitreorretiniana, sínquise e sinérese, DVP parcial e total, anel de Weiss, risco de rotura com e sem hemorragia vítrea, tobacco dust, exame com depressão escleral, reexame em 2-4 semanas e sinais de alarme.

  • Lesões periféricas que predispõem ou não

    Lattice, tufos vitreorretinianos, pregas meridionais, baías circunscritas da ora e escavações de um lado; pedra de calçamento, hiperplasia e hipertrofia do EPR e degenerações cistoides do outro, com prevalência e localização das principais.

  • Quando fotocoagular

    Tratar, considerar ou observar na ferradura, na diálise e nos buracos operculado e atrófico, as indicações de laser na lattice, a conduta em olho com DR contralateral, afacia ou pseudofacia, o DR subclínico e o peso da linha de demarcação.

Sumário

Seções do capítulo, na ordem do PDF

São 9 páginas, do descolamento do vítreo posterior ao tratamento profilático das roturas, com 16 figuras.

  1. 01Descolamento do vítreo posterior: regiões de adesão e fisiopatologia
  2. 02DVP parcial, DVP total e anel de Weiss
  3. 03Sinais e sintomas do DVP, hemorragia vítrea e tobacco dust
  4. 04Exame do DVP agudo e reexame em 2-4 semanas
  5. 05Lesões predisponentes para DR: degeneração lattice
  6. 06Lattice e descolamento de retina: quando fotocoagular
  7. 07Tufos vitreorretinianos: não císticos, císticos e tracionais zonulares
  8. 08Pregas meridionais, baías circunscritas da ora e escavação de retina periférica
  9. 09Lesões não predisponentes: degeneração em pedra de calçamento
  10. 10Hiperplasia e hipertrofia do EPR
  11. 11Degeneração cistoide e cistoide reticular
  12. 12Roturas de retina: em ferradura, gigante, buraco operculado, diálise e buraco atrófico
  13. 13Roturas traumáticas
  14. 14Tratamento profilático das roturas: tratar, considerar ou observar
  15. 15DR subclínico e linha de demarcação
Página interna da apostila sobre Descolamento do vítreo posterior, degeneração lattice e roturas
Página da apostila: descolamento do vítreo posterior, com a ilustração original da Oft-Review.

O que é degeneração lattice?

Degeneração lattice é uma degeneração retiniana periférica com graus variáveis de atrofia e desorganização das camadas retinianas internas. O vítreo fica firmemente aderido às margens da lesão e liquefeito sobre ela, o que predispõe a roturas e descolamento de retina. O aspecto clássico é de treliça, e a localização mais comum é temporal superior, anterior ao equador.

A lattice está presente em 5-10% da população, é bilateral em até 50% dos casos e é mais comum em míopes e em pacientes com história familiar positiva. Pode ou não ter hiperpigmentação. Entre os pacientes com descolamento de retina, 20-30% apresentam lattice, o que não significa que ela seja a causa em todos esses casos.

Quando a lattice é a causa do DR, há rotura na margem lateral ou posterior da lesão ou, menos comumente, buraco atrófico. Os DRs secundários a buraco atrófico são mais comuns em jovens, míopes e sem DVP, e costumam ser assintomáticos até envolver a visão central. A simples presença de lattice não indica tratamento: a fotocoagulação entra com rotura em ferradura associada, DR no olho contralateral, afacia ou pseudofacia.

No descolamento posterior do vítreo agudo sintomático, 8-46% dos pacientes têm rotura retiniana. A hemorragia vítrea é marcador de risco: a rotura aparece em 7-12% dos casos sem HV e em 50-70% dos casos com HV. Pigmento no vítreo anterior, o tobacco dust, indica grande possibilidade de rotura. O exame é feito com oftalmoscópio indireto e depressão escleral ou na lâmpada de fenda com lente de 3 espelhos.

Além da lattice, a apostila classifica como predisponentes os tufos vitreorretinianos (os císticos e os tracionais zonulares são os mais associados a DR), as pregas meridionais, as baías circunscritas da ora e a escavação de retina periférica. Entre as degenerações periféricas da retina, não predispõem a DR a degeneração em pedra de calçamento, a cistoide e a cistoide reticular, que pode predispor a retinosquise. A hiperplasia e a hipertrofia do EPR também não predispõem.

Página da apostila Descolamento do vítreo posterior, degeneração lattice e roturas

Comparativo

Fotocoagulação a laser nas roturas e na degeneração lattice

A conduta profilática de cada lesão, na divisão que o capítulo usa: tratar imediatamente, considerar tratamento ou observar. O laser circunda a lesão, inclusive a borda anterior, e cria adesão coriorretiniana para impedir a entrada de fluido no espaço sub-retiniano.

Conduta profilática por tipo de lesão periférica. Fonte: apostila Oft-Review, “Descolamento do vítreo posterior, degeneração lattice e roturas”.
LesãoMecanismo e riscoConduta profilática
Rotura em ferraduraTração vitreorretiniana que puxa a retina anteriormente, em geral por DVP ou trauma; o flap indica tração nas bordas e maior risco de DRSintomática: tratar imediatamente. Assintomática e sem fluido sub-retiniano: observar
DiáliseLesão linear na ora serrata, com a base vítrea aderida à margem posterior; em geral por trauma contuso, mais comum em temporal inferiorSintomática: tratar imediatamente. Assintomática: considerar tratamento
Buraco operculadoA tração arranca um pedaço da retina sem deixar flap; em geral não sobra tração residualSintomático: considerar, sobretudo com tração residual nas margens à biomicroscopia, buraco grande, localização superior ou HV. Assintomático: observar
Buraco atróficoAtrofia das camadas retinianas internas, sem tração e sem risco aumentado de DRObservar
Degeneração latticeVítreo aderido às margens e liquefeito sobre a lesãoA presença isolada não indica laser, nem o buraco atrófico na lattice. Fotocoagular com rotura em ferradura associada, DR no olho contralateral, afacia ou pseudofacia
Qualquer rotura ou buraco em olho de riscoDR no olho contralateral, afacia ou pseudofaciaConsiderar tratamento
DR subclínicoFluido sub-retiniano assintomático, mais de 1 diâmetro de disco além da rotura, sem passar de 2 diâmetros de disco além do equadorTratar: 30% progridem. Linha de demarcação indica menor risco de progressão

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Do descolamento posterior do vítreo ao laser, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do sintoma de DVP à decisão de fotocoagular.

  1. Reconheça o DVP e o anel de Weiss

    A liquefação (sínquise) e o colapso do vítreo central (sinérese) iniciam a separação entre córtex vítreo e MLI. O DVP parcial, na mácula, costuma ser assintomático; a separação nas margens do nervo óptico define o DVP total e produz o anel de Weiss. O vítreo segue aderido à base.

  2. Estratifique o risco de rotura

    Fotopsias, floaters e visão de nuvem no DVP agudo pedem exame urgente, porque 8-46% têm rotura. Sem hemorragia vítrea, a rotura aparece em 7-12%; com hemorragia vítrea, em 50-70%. Tobacco dust no vítreo anterior indica grande possibilidade de rotura.

  3. Examine a periferia e reexamine

    Oftalmoscópio indireto com depressão escleral ou lâmpada de fenda com lente de 3 espelhos. Reexame em 2-4 semanas, porque o DVP evolui e novas roturas podem surgir. Com hemorragia vítrea densa, ultrassonografia para descartar DR e procurar o flap. Oriente sinais de alarme e o risco de DVP no olho contralateral.

  4. Separe lesão predisponente de não predisponente

    Lattice, tufos vitreorretinianos, pregas meridionais, baías circunscritas da ora e escavações de retina periférica predispõem a rotura e DR. Pedra de calçamento, hiperplasia e hipertrofia do EPR, degeneração cistoide e cistoide reticular não predispõem; a cistoide reticular pode predispor a retinosquise.

  5. Classifique a rotura

    A localização mais comum é temporal superior. A rotura em ferradura tem flap e tração nas bordas. A gigante passa de 3 horas de relógio, em geral na borda posterior da base vítrea. O buraco operculado não deixa flap. A diálise, linear na ora serrata, predomina em temporal inferior. O buraco atrófico não tem tração.

  6. Reconheça o padrão do trauma contuso

    A compressão anteroposterior expande o globo no sentido laterolateral e traciona a base vítrea. A diálise, em geral temporal inferior, é a rotura traumática mais comum, e a avulsão da base vítrea é patognomônica de trauma. Em jovens, com vítreo não liquefeito, o descolamento pode surgir tarde, de forma lenta e crônica.

  7. Decida a profilaxia com laser

    Trate de imediato ferradura e diálise sintomáticas. Considere em buraco operculado sintomático, diálise assintomática e roturas em olho com DR contralateral, afacia ou pseudofacia. Observe buraco atrófico, buraco operculado e ferradura assintomáticos sem fluido sub-retiniano. Trate o DR subclínico, porque 30% progridem.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre degeneração lattice e DVP na prova

Toda degeneração lattice deve receber fotocoagulação a laser?

Não. A simples presença de lattice não indica tratamento. A apostila indica fotocoagulação quando a lattice vem com outro fator de risco: rotura em ferradura associada, descolamento de retina no olho contralateral, afacia ou pseudofacia. Buraco atrófico na lattice não é indicação. O laser profilático cria adesão coriorretiniana para impedir a entrada de fluido no espaço sub-retiniano.

Qual a relação entre degeneração lattice e descolamento de retina?

Entre 20% e 30% dos pacientes com descolamento de retina apresentam lattice, sem que ela seja a causa em todos os casos. Quando é a causa, há rotura na margem lateral ou posterior da lesão ou, menos comumente, buraco atrófico. Os DRs secundários a buraco atrófico são mais comuns em jovens, míopes e sem DVP, e costumam ser assintomáticos até envolver a visão central.

O que o anel de Weiss indica no descolamento posterior do vítreo?

O anel de Weiss aparece quando o vítreo se separa nas margens do nervo óptico, o que define o DVP total e causa os sintomas. Antes disso, o DVP parcial, com separação do córtex na mácula, pode ficar assintomático por anos. Mesmo no DVP total, o vítreo continua aderido à base, e a tração anormal pode causar rotura, em geral na margem posterior da base vítrea.

Em quais pacientes o descolamento posterior do vítreo ocorre precocemente?

O DVP costuma estar relacionado à idade: menos de 10% dos pacientes com menos de 50 anos o apresentam, contra 66% acima de 65 anos. Pode ocorrer precocemente em míopes, afácicos, pseudofácicos (sobretudo com rotura de cápsula posterior) e após uveíte, trauma ou hemorragia vítrea. Quando relacionado à idade, costuma ser lento e progressivo.

Qual o risco de rotura retiniana no DVP agudo sintomático?

Entre 8% e 46% dos pacientes com DVP agudo sintomático têm rotura retiniana. A hemorragia vítrea muda a estimativa: 7-12% sem HV e 50-70% com HV. Tobacco dust no vítreo anterior também indica grande possibilidade de rotura. Por isso o exame é urgente, com oftalmoscópio indireto e depressão escleral, e se repete em 2-4 semanas.

Qual a diferença entre rotura em ferradura, buraco operculado e buraco atrófico?

A rotura em ferradura tem flap: a tração persiste nas bordas e o risco de DR é maior. No buraco operculado, a tração arranca um pedaço da retina sem deixar flap e, em geral, não sobra tração residual. O buraco atrófico vem de atrofia das camadas retinianas internas, sem tração e sem risco aumentado de DR.

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    Dr. Guilherme Macedo

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  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

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    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

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    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

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    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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