Lesão e função hepática, hipertensão portal pelo ponto de bloqueio, estigmas do exame físico, Child-Pugh pelo mnemônico BEATA e MELD pelo BIC. Cinco questões comentadas, entre elas ENARE 2024 e UERJ 2025.
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Para que serve
Da fisiopatologia ao estadiamento prognóstico, com o que mais cai em prova de residência.
AST/ALT e FA/GGT medem lesão. Albumina, INR e bilirrubina medem função e são os exames que entram no Child-Pugh.
Os cinco critérios do Child-Pugh com os pontos de corte e a classificação A, B e C. Os três parâmetros do MELD e o que o MELD-Na e o MELD 3.0 acrescentam.
AMP 2017, FAMERP 2018, ENARE 2021, ENARE 2024 e UERJ 2025, resolvidas dentro do capítulo, com a alternativa correta e o comentário de cada uma.
Sumário
Do perfil hepático alterado até o escore que organiza a fila de transplante.
Child-Pugh e MELD são escores de estadiamento prognóstico da cirrose com focos diferentes. O Child-Pugh avalia a função hepática com cinco critérios, o BEATA: bilirrubina, encefalopatia, ascite, tempo de protrombina/INR e albumina. O MELD avalia a repercussão sistêmica e organiza a fila de transplante com três parâmetros, o BIC: bilirrubina, INR e creatinina. A creatinina entra só no MELD.
AST/ALT medem lesão do hepatócito, e FA/GGT, lesão canalicular. Nenhuma delas mede função. Na cirrose avançada as transaminases podem estar normais em um fígado terminal, porque não sobram hepatócitos para liberar enzima. Por isso o Child-Pugh ignora AST/ALT e usa albumina, INR e bilirrubina.
Cada critério do BEATA pontua de 1 a 3. Bilirrubina acima de 3 mg/dL, albumina abaixo de 2,8 g/dL e INR acima de 2,3 valem 3 pontos cada. A soma define Child A (5 a 6 pontos, compensada), B (7 a 9) ou C (10 a 15, descompensada). Não existe Child D, e a escala começa em 5.
O MELD clássico usa bilirrubina, INR e creatinina e organiza a fila de transplante. A creatinina é o diferencial: na cirrose avançada pode ocorrer a síndrome hepatorrenal, e a disfunção renal é marcador forte de mortalidade. O MELD-Na acrescenta o sódio; o MELD 3.0, sódio, albumina e sexo. Quando a prova objetiva pede os parâmetros, o BIC segue como resposta padrão.
A clínica da hipertensão portal depende do ponto de bloqueio. Ascite exige pressão alta dentro do sinusoide, então aparece na forma sinusoidal (cirrose) e quando o bloqueio fica depois do sinusoide (Budd-Chiari). Com bloqueio antes do sinusoide, como na trombose de porta e na esquistossomose, a função hepática é preservada e a ascite é rara. A manifestação evidente são varizes esofágicas e esplenomegalia.
Comparativo
Os cinco critérios do BEATA com os pontos de corte. A soma dá Child A (5 a 6 pontos), B (7 a 9) ou C (10 a 15).
| Critério | 1 ponto | 2 pontos | 3 pontos |
|---|---|---|---|
| Bilirrubina total (mg/dL) | < 2 | 2 a 3 | > 3 |
| Encefalopatia | Ausente | Grau 1 a 2 | Grau 3 a 4 |
| Ascite | Ausente | Leve ou facilmente controlada | Moderada a grave ou de difícil controle |
| Tempo de protrombina (INR) | < 1,7 | 1,7 a 2,3 | > 2,3 |
| Albumina (g/dL) | > 3,5 | 2,8 a 3,5 | < 2,8 |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do perfil hepático ao escore de transplante.
AST/ALT e FA/GGT medem lesão do hepatócito e das vias biliares. Função se mede por albumina, INR e bilirrubina. Com bilirrubina alta, FA/GGT elevadas apontam colestase, e AST/ALT elevadas, hepatite. Transaminases normais não afastam cirrose avançada.
Classifique o bloqueio em pré-hepático, pré-sinusoidal, sinusoidal, pós-sinusoidal ou pós-hepático. Ascite exige hipertensão dentro do sinusoide. Varizes e esplenomegalia com função preservada e sem ascite apontam bloqueio antes do sinusoide, como trombose de porta (pré-hepática) ou esquistossomose (pré-sinusoidal).
Na anamnese, inversão do ciclo sono-vigília sugere encefalopatia, e ganho de peso, descompensação edemato-ascítica. No exame, telangiectasias e eritema palmar vêm do hiperestrogenismo; cabeça de medusa, da hipertensão portal. Flapping é sinal de encefalopatia hepática.
Com a progressão para fibrose, a relação AST/ALT se inverte (AST maior que ALT); na etiologia alcoólica, essa inversão, frequentemente 2:1, é precoce. Plaquetopenia costuma ser o primeiro sinal laboratorial de hipertensão portal. Hiponatremia dilucional indica mau prognóstico. FIB-4 baixo permite seguir na atenção primária.
USG com Doppler é o primeiro exame: superfície nodular, atrofia do lobo direito, hipertrofia dos lobos caudado e esquerdo, veia porta acima de 12-13 mm. Clínica, laboratório e imagem compatíveis fecham o diagnóstico; a biópsia fica para etiologia desconhecida ou diagnóstico duvidoso.
Bilirrubina, encefalopatia, ascite, tempo de protrombina/INR e albumina, de 1 a 3 pontos cada. Some: Child A com 5 a 6 pontos, B com 7 a 9, C com 10 a 15. A creatinina fica de fora.
O MELD clássico usa bilirrubina, INR e creatinina e organiza a fila de transplante hepático. O MELD-Na soma o sódio, e o MELD 3.0, também albumina e sexo; quando a prova pede os parâmetros, o BIC segue como resposta padrão. Hepatocarcinoma, colangiocarcinoma, síndrome hepatopulmonar e fibrose cística são situações especiais.
Perguntas frequentes
Pontue de 1 a 3 cada critério do BEATA e some: 5 a 6 pontos é Child A, 7 a 9 é B, 10 a 15 é C. Na questão ENARE 2024 da apostila, bilirrubina de 2,5 mg/dL vale 2 pontos, albumina de 2,6 g/dL vale 3, tempo de protrombina de 2 segundos vale 1, e ascite e encefalopatia ausentes valem 1 cada. Total de 8 pontos: Child B.
B de bilirrubina, E de encefalopatia, A de ascite, T de tempo de protrombina/INR e A de albumina. Bilirrubina mede excreção; albumina e INR medem síntese; encefalopatia reflete o metabolismo de toxinas, e ascite, a hipertensão portal. A creatinina não faz parte do Child-Pugh.
Não. A classificação vai de A a C: Child A com 5 a 6 pontos (compensada), B com 7 a 9 e C com 10 a 15 (descompensada). A escala começa em 5 porque cada um dos cinco critérios pontua no mínimo 1. A apostila aponta esse erro comum ao resolver a questão ENARE 2024, que traz Child-Pugh D entre as alternativas.
O MELD clássico usa bilirrubina, INR e creatinina, o mnemônico BIC. É a resposta padrão em prova objetiva, como na questão UERJ 2025 da apostila. A creatinina é o diferencial em relação ao Child-Pugh: com a síndrome hepatorrenal da cirrose avançada, a disfunção renal vira marcador forte de mortalidade.
O MELD-Na incorpora o sódio, porque hiponatremia indica gravidade hemodinâmica. O MELD 3.0 incorpora sódio, albumina e sexo. Quando a prova objetiva pergunta quais são os parâmetros do MELD, a resposta padrão continua sendo o BIC clássico: bilirrubina, INR e creatinina.
A ascite exige aumento da pressão hidrostática dentro dos sinusoides. Na esquistossomose (pré-sinusoidal) e na trombose de porta (pré-hepática), o bloqueio fica antes dos sinusoides, e a pressão sinusoidal é normal. A função hepática é preservada, a ascite é rara ou inexistente, e a manifestação evidente são varizes esofágicas, com risco de hemorragia digestiva, e esplenomegalia.
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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