Apostila gratuita · 24 páginas

Trauma osteomuscular: síndrome compartimental, fratura exposta de Gustilo-Anderson e trauma vascular de extremidades

Os 5As do trauma de extremidades, antibiótico em até 3 horas, profilaxia do tétano, alinhamento do membro, classificação de Gustilo-Anderson e antibiótico por tipo, os 6 Ps da síndrome compartimental, fasciotomia da perna por dupla incisão, esmagamento e rabdomiólise, sinais hard e soft, angio-TC, shunt temporário, safena contralateral invertida e luxação de joelho. Duas questões comentadas: UNICAMP 2021 e ENARE 2021.

PDF de 3,4 MB. Gratuito.

Capa da apostila Trauma osteomuscular: fratura exposta, síndrome compartimental e trauma vascular em um tablet
Formato
Apostila · 24 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Trauma
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de trauma osteomuscular cobre

Da fratura exposta na sala de trauma à reconstrução arterial, com as condutas que a banca cobra.

  • Síndrome compartimental pelo exame clínico

    Dor desproporcional ao trauma, que piora com o estiramento passivo dos dedos, é o primeiro sinal; o pulso é o último a sumir. A fasciotomia da perna libera as 4 lojas por duas incisões.

  • Antibiótico pela classificação de Gustilo

    Cefazolina nos tipos I e II, cefalosporina com gentamicina ou ceftriaxona no tipo III e penicilina G ou metronidazol a mais na ferida rural, contra o Clostridium.

  • Duas questões comentadas

    UNICAMP 2021, sobre fratura exposta de tíbia sem pulso pedioso, e ENARE 2021, sobre esmagamento, CPK e síndrome de Crush, com gabarito e comentário de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 24 páginas

Do atendimento inicial à luxação de joelho, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela-resumo
  2. 02Atendimento inicial: a sistematização dos 5As
  3. 03ABCDE, analgesia e antibiótico em até 3 horas
  4. 04Antitetânica, alinhamento e imobilização
  5. 05Questão estratégica: manejo inicial e isquemia
  6. 06Fraturas expostas e a classificação de Gustilo-Anderson
  7. 07A escolha do antibiótico por tipo de fratura
  8. 08Síndrome compartimental: os 6 Ps
  9. 09Trauma por esmagamento e rabdomiólise
  10. 10Manejo metabólico e renal: hidratação, potássio e alcalinização
  11. 11Fasciotomia da perna: os 4 compartimentos e a dupla incisão
  12. 12Questão estratégica: trauma musculoesquelético
  13. 13Trauma vascular de extremidades: corte e estiramento
  14. 14Sinais hard e soft e exames na emergência
  15. 15Índice tornozelo-braquial e tempo de isquemia
  16. 16Revascularização antes da ortopedia e shunts temporários
  17. 17Reconstrução com safena contralateral invertida
  18. 18Luxação de joelho e lesão da artéria poplítea
  19. 19Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Trauma osteomuscular: fratura exposta, síndrome compartimental e trauma vascular
Página da apostila: a profilaxia do tétano por estado vacinal e tipo de ferimento, e as três funções do alinhamento do membro fraturado.

O que é síndrome compartimental?

Síndrome compartimental é o aumento da pressão dentro de um compartimento muscular fechado pela fáscia, que não estica, até superar a pressão de perfusão capilar. O resultado é isquemia muscular e nervosa, e o diagnóstico é clínico.

O primeiro sinal é a dor desproporcional ao trauma, que piora com o estiramento passivo dos dedos e não melhora nem com opioide. Os 6 Ps não aparecem juntos: a parestesia é sinal precoce de sofrimento nervoso, a paralisia é tardia e a ausência de pulso é o último sinal, quando a pressão no compartimento já superou a pressão arterial sistólica.

Traumas isolados de membro, sobretudo fraturas de tíbia e esmagamentos, são as causas principais. A fratura exposta não protege: a abertura traumática da pele e da fáscia em geral não descomprime os compartimentos profundos.

A conduta é a fasciotomia. Na perna, a dupla incisão, lateral e medial, libera os 4 compartimentos, e esquecer o posterior profundo é o erro que a banca procura.

Comparativo

Classificação de Gustilo e Anderson: tipo de fratura exposta e antibiótico

Energia do trauma e contaminação pesam mais que o tamanho da ferida, e a classificação decide o antibiótico.

Tipos de fratura exposta pela classificação de Gustilo-Anderson e antibiótico de escolha. Fonte: apostila Med-Review R1, “Trauma osteomuscular”.
TipoFerida e energiaPista na provaAntibiótico
Tipo IFerida menor que 1 cm, limpa, com dano mínimo de partes molesFerida pequena e limpaCefalosporina de 1ª geração (cefazolina)
Tipo IIFerida de 1 a 10 cm, sem esmagamento importante nem perda de coberturaOsso ainda coberto por músculo e peleCefalosporina de 1ª geração (cefazolina)
Tipo III AFerida maior que 10 cm ou trauma de alta energiaO próprio tecido do paciente ainda cobre o ossoCefalosporina + aminoglicosídeo (gentamicina) ou ceftriaxona
Tipo III BAlta energia com perda de periósteo ou pelePrecisa de retalho ou enxerto da cirurgia plásticaCefalosporina + aminoglicosídeo (gentamicina) ou ceftriaxona
Tipo III CLesão arterial que precisa de reparo para salvar o membroVale qualquer tamanho de feridaCefalosporina + aminoglicosídeo (gentamicina) ou ceftriaxona
Solo ou ambiente ruralContato com terra, curral, lodo ou água contaminadaConsiderada tipo III mesmo com ferida pequenaAcrescentar penicilina G ou metronidazol, contra o Clostridium

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como atender o trauma de extremidades, passo a passo

Os 5As da apostila, seguidos da busca por isquemia e hipertensão compartimental.

  1. Estabilize antes de olhar o osso

    ABCDE primeiro: de nada adianta cuidar do fêmur com um pneumotórax hipertensivo não diagnosticado. No paciente instável, a fratura entra só como possível foco de sangramento volumoso.

  2. Faça analgesia sem medo

    Opioide endovenoso no paciente monitorizado reduz a descarga adrenérgica e melhora o exame neurovascular. Dor que não cede nem com opioide acende o alerta de síndrome compartimental.

  3. Antibiótico em até 3 horas e tétano

    O tempo até a primeira dose reduz a infecção mais que a escolha do antibiótico. Cheque o status vacinal: em dia, só observe; incerto ou incompleto, vacina e, conforme a ferida, soro ou imunoglobulina.

  4. Alinhe e imobilize o membro

    A tração longitudinal tampona sangramento, protege nervos e artérias da ponta do osso e reduz a dor. Diante de fratura sem pulso, alinhar é a prioridade; se o pulso não voltar, trate como sinal hard.

  5. Separe sinal hard de sinal soft

    Sangramento pulsátil, hematoma expansivo, frêmito ou sopro e isquemia aguda vão para o centro cirúrgico. Pulso diminuído, história de sangramento e lesão perto de trajeto vascular vão para angio-TC, que não deve atrasar a cirurgia quando indicada.

  6. Restaure o fluxo antes de fixar o osso

    A revascularização vem antes da fixação ortopédica, com shunt temporário se o paciente não aguenta o reparo completo. Na ponte, use a veia safena do membro sadio, invertida para as válvulas ficarem a favor do fluxo.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre síndrome compartimental na prova

Quais são os sintomas de síndrome compartimental?

Dor desproporcional ao trauma, que piora com o estiramento passivo dos dedos, é o primeiro. Depois vêm parestesia, palidez, membro frio e paralisia, que já é sinal tardio. A ausência de pulso é o último sinal: esperar por ela é o erro clássico, porque o diagnóstico deve ser feito muito antes.

O que é fasciotomia?

É a abertura cirúrgica da fáscia para descomprimir os músculos de um compartimento hipertenso. Na perna, a incisão lateral, entre a crista da tíbia e a fíbula, libera os compartimentos anterior e lateral; a medial, cerca de 2 cm atrás da borda medial da tíbia, libera o posterior superficial e o profundo. A ferida fica aberta e só é fechada dias depois.

O que é fratura exposta?

É a fratura em que o osso se comunica com o meio externo por uma ferida, e a infecção passa a ser a complicação mais temida. A classificação de Gustilo-Anderson pesa a energia do trauma e a contaminação mais que o tamanho da pele rasgada, e é ela que define o antibiótico.

Qual antibiótico usar na fratura exposta?

Gustilo I e II recebem cefalosporina de 1ª geração, a cefazolina, para Gram-positivos da pele. O tipo III pede cobertura de Gram-negativos: cefalosporina com gentamicina ou ceftriaxona. Ferida com terra ou de ambiente rural soma penicilina G ou metronidazol, para cobrir o Clostridium.

Quais são os tipos da classificação de fratura exposta?

Tipo I tem ferida menor que 1 cm e limpa; tipo II, ferida de 1 a 10 cm sem esmagamento importante. O tipo III é a ferida maior que 10 cm ou de alta energia e se divide em III A, quando o tecido ainda cobre o osso, III B, quando precisa de retalho ou enxerto, e III C, quando há lesão arterial que precisa de reparo.

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    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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