Vasodilatação esplâncnica e vasoconstrição renal, a troca do tipo 1 e do tipo 2 por SHR-IRA e SHR-NIRA, estadiamento KDIGO adaptado pelo International Club of Ascites, creatinina basal, exclusão de choque, nefrotóxicos, lesão estrutural e obstrução, prova de volume em 24 horas, terlipressina ou noradrenalina com albumina, TIPS e transplante. Duas questões comentadas, entre elas UNICAMP 2022.
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Para que serve
Da hemodinâmica do cirrótico à prescrição de terlipressina, com o roteiro de exclusão que a banca cobra na IRA do cirrótico.
SHR-IRA substitui o tipo 1, com aumento da creatinina de pelo menos 0,3 mg/dL em 48 horas ou de 50% em 7 dias; SHR-NIRA substitui o tipo 2, em geral com ascite refratária.
Estágio 1 com aumento de 0,3 mg/dL ou de 1,5 a 1,9 vezes o basal, estágio 2 com 2 a 2,9 vezes e estágio 3 com 3 vezes ou mais, creatinina de 4 mg/dL ou diálise, com o critério de diurese de cada um.
UNICAMP 2022, sobre IRA estágio 2 sem PBE em paciente com diurético, e um caso de IRA estágio 3 sobre o diagnóstico diferencial da lesão renal no cirrótico, com gabarito e comentário.
Sumário
Da hipertensão portal ao transplante, na ordem em que a apostila ensina.
Síndrome hepatorrenal é a falência funcional de um rim estruturalmente saudável no cirrótico, causada pela hipovolemia relativa da vasodilatação esplâncnica. A hipertensão portal libera vasodilatadores, sobretudo óxido nítrico, o sangue fica represado na circulação esplâncnica e o rim percebe pouco volume. SRAA, sistema nervoso simpático e ADH respondem com vasoconstrição extrema das arteríolas renais, em especial da aferente, e a perfusão do rim cai.
Na SHR, o rim é vítima da hemodinâmica. Com o fígado transplantado e a circulação corrigida, ele volta a funcionar; transplantado em outra pessoa, funciona normalmente. Por isso a cura é o transplante hepático.
As diretrizes atuais trocaram o tipo 1 e o tipo 2 por SHR-IRA, com aumento da creatinina de pelo menos 0,3 mg/dL em 48 horas ou de 50% em 7 dias, e SHR-NIRA, a disfunção renal que não preenche critério de agudização, em geral com ascite refratária. A gravidade da IRA é estadiada pelo KDIGO adaptado pelo International Club of Ascites.
É diagnóstico de exclusão: cirrose com ascite e IRA sem choque, sem nefrotóxicos, sem proteinúria acima de 500 mg/dia ou mais de 50 hemácias por campo, com ultrassom renal normal e sem melhora depois de suspender diuréticos e expandir a volemia. Pelo critério atual, basta a ausência de resposta à expansão volêmica adequada em 24 horas, com albumina ou não; o critério clássico exigia albumina 1 g/kg por 2 dias.
Comparativo
A SHR só é diagnosticada depois de afastadas as causas que a apostila lista no roteiro de exclusão.
| Causa | Pista no caso | O que separa | Conduta |
|---|---|---|---|
| Pré-renal | Diurético em dose alta, sangramento, paracentese sem reposição de albumina | A creatinina cai com a expansão volêmica | Suspender diuréticos e repor volume |
| Síndrome hepatorrenal | Sódio urinário baixo e urina concentrada, como na pré-renal, com urina sem achados | Sem melhora após expansão volêmica adequada em 24 horas | Terlipressina ou noradrenalina com albumina |
| Necrose tubular aguda | Choque séptico, infecção como PBE, ITU ou pneumonia, aminoglicosídeo ou contraste | Sedimento urinário com cilindros granulosos | Suporte e retirada do agente agressor |
| Lesão glomerular | Glomerulonefrite associada à hepatite C ou nefropatia por IgA | Proteinúria acima de 500 mg/dia ou mais de 50 hemácias por campo | Investigar o parênquima renal |
| Pós-renal | Bexigoma ou cálculo ureteral | Ultrassom de rins e vias urinárias | Desobstruir |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O roteiro da apostila diante da creatinina que sobe no cirrótico.
Compare a creatinina com o valor estável mais baixo dos últimos 3 meses, ou de até 12 meses. Duas vezes o basal é estágio 2; três vezes, estágio 3. Na UNICAMP 2022 da apostila, a creatinina que passa de 0,8 para 1,7 mg/dL define o estágio 2.
Suspenda, sem apenas reduzir, diuréticos, betabloqueadores e drogas como AINEs, aminoglicosídeos e contraste iodado. Trate qualquer infecção e afaste choque séptico, hipovolêmico ou cardiogênico.
Calcule os polimorfonucleares: 250/mm³ ou mais é PBE e pede antibiótico. Na UNICAMP 2022, 420 leucócitos com 31% de neutrófilos dão cerca de 130 PMN, sem PBE e sem indicação de ceftriaxona.
Peça urina tipo 1, relação proteína/creatinina e ultrassom de rins e vias urinárias. Proteinúria acima de 500 mg/dia ou mais de 50 hemácias por campo apontam lesão do parênquima; bexigoma ou cálculo, causa pós-renal. Na SHR, a urina é inocente.
Expanda a volemia, classicamente com albumina 1 g/kg; a apostila registra que garantir a euvolemia, mesmo com cristaloide, já basta. Se a creatinina cair, era pré-renal. Sem melhora após expansão adequada em 24 horas, o diagnóstico é SHR.
Terlipressina é a primeira escolha, e a noradrenalina é a alternativa no CTI, com eficácia semelhante, sempre com albumina. Diuréticos e betabloqueadores seguem suspensos até a recuperação renal. Sem resposta, TIPS como ponte; a cura é o transplante hepático.
Perguntas frequentes
A apostila a apresenta como a mesma droga da HDA varicosa, com o mesmo alvo, a vasoconstrição no território esplâncnico; na síndrome hepatorrenal, ela é a droga de escolha, associada à albumina. Na SHR, ela devolve à circulação efetiva o sangue represado no território esplâncnico e restaura a perfusão renal.
A terlipressina é um vasoconstritor esplâncnico. Ao contrair os vasos dilatados pelo óxido nítrico, ela mobiliza o sangue represado e o devolve à circulação sistêmica, disponível para o rim, o que interrompe o ciclo de vasoconstrição renal. A albumina garante a euvolemia e ajuda a restaurar a perfusão do rim.
Só depois de fechado o diagnóstico: suspensos diuréticos e nefrotóxicos, afastadas infecção, lesão estrutural e obstrução, e sem melhora com a expansão volêmica. Na UNICAMP 2022 da apostila, a alternativa que prescreve albumina e terlipressina está errada porque ainda não se provou que o rim não responde a volume; a resposta é suspender os diuréticos e prescrever albumina.
O International Club of Ascites adaptou o KDIGO. Estágio 1: aumento da creatinina de 0,3 mg/dL em 48 horas ou de 1,5 a 1,9 vezes o basal, ou diurese abaixo de 0,5 mL/kg/h por 6 a 12 horas. Estágio 2: 2 a 2,9 vezes o basal, ou essa diurese por 12 horas ou mais. Estágio 3: 3 vezes ou mais, creatinina de 4 mg/dL ou mais com aumento agudo de 0,3, diálise, diurese abaixo de 0,3 mL/kg/h por 24 horas ou anúria por 12 horas.
O valor estável mais baixo dos últimos 3 meses. Sem exame nesse período, pode-se usar um valor de até 12 meses atrás. Sem nenhum valor prévio, a apostila orienta comparar a creatinina da admissão com a evolução nas 48 horas seguintes.
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Quem ensina
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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20 páginas com a fisiopatologia da SHR, SHR-IRA e SHR-NIRA, estadiamento KDIGO, roteiro de exclusão, terlipressina com albumina e duas questões comentadas, em PDF gratuito.
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