Fisiopatologia da transição menopausal, diagnóstico, janela de oportunidade, esquema pelo útero, via pelo escore de Framingham, contraindicações absolutas, alternativas não hormonais, síndrome geniturinária e osteoporose. Sete questões comentadas, entre elas UFRJ 2024 e UERJ 2023.
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Para que serve
Da queda da inibina B à prescrição da terapia hormonal na paciente com comorbidades, que é onde as bancas apertam.
Início antes dos 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa; estrogênio com progestagênio em quem tem útero; via transdérmica na hipertensa, diabética, obesa e tabagista.
As contraindicações absolutas da terapia hormonal sistêmica, o estrogênio vaginal na síndrome geniturinária e as opções não hormonais, com a venlafaxina na usuária de tamoxifeno.
UFRJ 2024, IAMSPE 2018, UNESP 2021, UEL 2025, SURCE 2021, USP-RP 2020 e UERJ 2023, com gabarito e comentário dentro de cada seção.
Sumário
Na ordem da apostila, da fisiopatologia da transição menopausal à osteoporose.
A reposição hormonal no climatério é o tratamento mais eficaz dos sintomas da menopausa e deve começar na janela de oportunidade: antes dos 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa. Quem tem útero usa estrogênio com progestagênio; a histerectomizada usa estrogênio isolado. A via depende do risco cardiovascular.
Acima dos 45 anos com sintomas clássicos, o diagnóstico é clínico. FSH acima de 30 mUI/mL com estradiol baixo fica para a dúvida, como na mulher mais jovem ou histerectomizada. A primeira alteração hormonal é a queda da inibina B, que libera o FSH com a mulher ainda menstruando. Antes da TH: mamografia de até 1 ano, glicemia de jejum, perfil lipídico e colpocitologia em dia.
Com útero, estrogênio e progestagênio; a progesterona natural micronizada é a mais segura. Sem útero, estrogênio isolado, porque o progestagênio não traz benefício endometrial e pode aumentar o risco de câncer de mama. A exceção é a histerectomia por endometriose profunda, que pede estrogênio com progesterona para não reativar focos residuais, como na questão IAMSPE 2018 da apostila.
A via oral passa pelo fígado: reduz LDL e aumenta HDL, mas estimula triglicerídeos, fatores de coagulação e o sistema renina-angiotensina. A transdérmica é neutra e preferencial na hipertensa, diabética, obesa, tabagista, com hipertrigliceridemia ou enxaqueca com aura. Pelo escore de Framingham: risco baixo, qualquer via; intermediário, transdérmica; alto ou doença cardiovascular estabelecida, sem TH sistêmica.
Contraindicações absolutas: câncer de mama atual ou passado, câncer de endométrio, sangramento vaginal inexplicado, doença hepática ativa ou grave, evento tromboembólico prévio (TVP, TEP, AVC ou infarto) e porfiria. Antecedente familiar de câncer de mama, tabagismo e melanoma não contraindicam. Sem hormônio, os fogachos vão para venlafaxina, desvenlafaxina, gabapentina, pregabalina ou clonidina; com tamoxifeno, evite paroxetina e fluoxetina, que inibem a CYP2D6.
Comparativo
As situações que as bancas montam em caso clínico, com a conduta e o motivo de cada uma.
| Situação clínica | Conduta | Por quê |
|---|---|---|
| Menos de 60 anos ou menos de 10 anos de menopausa | Pode iniciar a TH | Dentro da janela, o benefício supera o risco; fora dela, aumentam infarto, AVC e tromboembolismo |
| Paciente com útero | Estrogênio + progestagênio | Estrogênio isolado causa hiperplasia e câncer de endométrio |
| Histerectomizada | Estrogênio isolado | Exceção: histerectomia por endometriose profunda, que pede progesterona |
| Hipertensa, diabética, obesa ou tabagista | Via transdérmica | Evita a primeira passagem hepática; não aumenta fatores de coagulação nem ativa o sistema renina-angiotensina |
| Hígida, risco cardiovascular baixo | Qualquer via, oral viável | A via oral melhora LDL e HDL, mas aumenta triglicerídeos |
| Risco alto ou doença cardiovascular estabelecida | Sem TH sistêmica | Risco de instabilizar placa; usar venlafaxina, desvenlafaxina, escitalopram ou clonidina |
| Câncer de mama em uso de tamoxifeno | Venlafaxina para os fogachos | Paroxetina e fluoxetina inibem a CYP2D6 e cortam o efeito do tamoxifeno |
| Só síndrome geniturinária | Estrogênio vaginal (estriol, promestrieno) | Absorção sistêmica mínima; não precisa de progestagênio, mesmo com útero |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da revisão final da apostila, do diagnóstico à via de administração.
Menopausa é a parada permanente da menstruação após 12 meses consecutivos de amenorreia, em média aos 50 a 51 anos. Antes dos 40 anos é insuficiência ovariana prematura; entre 40 e 45, menopausa precoce. FSH acima de 30 mUI/mL só na dúvida diagnóstica.
Mamografia de no máximo 1 ano, glicemia de jejum, perfil lipídico e colpocitologia oncótica em dia. Afira a pressão arterial: idade, tabagismo, diabetes, pressão sistólica e lipídios entram no escore global de Framingham, que a SBC sugere para mulheres brasileiras.
Câncer de mama atual ou passado, câncer de endométrio, sangramento vaginal inexplicado, doença hepática ativa ou grave, evento tromboembólico prévio (TVP, TEP, AVC ou infarto) e porfiria. Qualquer uma delas contraindica a TH sistêmica e leva às alternativas não hormonais.
Inicie antes dos 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa. Fora da janela, como aos 65 anos, a TH aumenta infarto, AVC e eventos tromboembólicos. Dentro dela, a TH não deve ser indicada só para prevenir doença cardiovascular.
Com útero, estrogênio e progestagênio, de preferência progesterona natural micronizada. Sem útero, estrogênio isolado, salvo histerectomia por endometriose profunda. Tibolona tem efeito estrogênico, progestagênico e androgênico, mas não é recomendada acima dos 60 anos pelo risco de AVC.
Risco baixo: oral ou transdérmica, conforme preferência e perfil lipídico. Risco intermediário, diabetes ou síndrome metabólica: transdérmica. Risco alto ou infarto e AVC prévios: sem TH sistêmica, com venlafaxina, desvenlafaxina, escitalopram ou clonidina para os fogachos.
Queixa só vaginal: estrogênio tópico, sem progestagênio; com contraindicação, hidratante, lubrificante e laser ou radiofrequência. Densitometria universal a partir dos 65 anos. Osteoporose estabelecida na idosa: bisfosfonato, cálcio e vitamina D, sem TH como primeira linha.
Perguntas frequentes
O climatério é a fase inteira de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. A perimenopausa, ou transição menopausal, fica dentro dele, com ciclos irregulares e anovulatórios. A menopausa é um marco retrospectivo: parada permanente da menstruação após 12 meses consecutivos de amenorreia, em média aos 50 a 51 anos.
Na mulher sintomática dentro da janela de oportunidade: antes dos 60 anos ou com menos de 10 anos de menopausa. A questão UEL 2025 da apostila cobra a pegadinha: a janela confere segurança e benefício, mas a TH não deve ser iniciada com a finalidade exclusiva de cardioproteção. Fora da janela, aumenta o risco de eventos cardiovasculares.
Absolutas: câncer de mama atual ou passado (in situ ou não), câncer de endométrio, sangramento vaginal inexplicado, doença hepática ativa ou grave, evento tromboembólico prévio (TVP, TEP, AVC ou infarto) e porfiria. Antecedente familiar de câncer de mama, tabagismo e melanoma não são contraindicação. Na questão UNESP 2021, avó com câncer de mama e hipotireoidismo não impedem a TH sistêmica.
Na hipertensa, diabética, obesa, tabagista, hepatopata leve, com hipertrigliceridemia, enxaqueca com aura ou risco cardiovascular intermediário. A via transdérmica evita a primeira passagem hepática, não aumenta fatores de coagulação e tem impacto neutro nos lipídios. Na questão UNESP 2021 da apostila, a paciente hipertensa com IMC 31 tem a transdérmica como primeira escolha.
Venlafaxina. O tamoxifeno precisa da CYP2D6 para virar endoxifeno, e paroxetina e fluoxetina inibem essa enzima. É o gabarito da questão SURCE 2021. Se houver também síndrome geniturinária, como na questão USP-RP 2020, a resposta junta venlafaxina para os fogachos com hidratante e lubrificante vaginais.
O Ministério da Saúde e a FEBRASGO indicam rastreio universal a partir dos 65 anos. Antes disso, só com fator de risco: fratura por fragilidade, baixo peso, corticoide crônico, tabagismo ou menopausa precoce. A perda óssea vem do aumento do RANKL e da queda da osteoprotegerina e atinge primeiro o osso trabecular, como cobra a questão UERJ 2023.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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