Ciclo normal pela FIGO, eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, teoria das duas células, recrutamento folicular, pico de LH, corpo lúteo, leitura do ovário e do endométrio na ultrassonografia, SPM e TDPM. Três questões comentadas: ISCMSP 2022, USP-SP 2021 e UFRJ 2025.
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Para que serve
Da pulsatilidade do GnRH à imagem do endométrio na ultrassonografia, com as correlações que as bancas transformam em pegadinha.
GnRH, FSH, LH, estradiol, progesterona e inibinas na ordem em que agem: recrutamento, dominância, feedback positivo, pico de LH, corpo lúteo e luteólise.
Folículo dominante de 18 a 25 mm, endométrio trilaminar, corpo lúteo com anel de fogo ao Doppler, líquido livre no fundo de saco e endométrio secretor hiperecogênico.
ISCMSP 2022 sobre esteroidogênese, USP-SP 2021 sobre a fase folicular e UFRJ 2025 sobre o corpo lúteo, com gabarito e comentário.
Sumário
Na ordem da apostila, da menarca à síndrome pré-menstrual.
A fisiologia do ciclo menstrual é comandada pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovariano: o GnRH pulsátil libera FSH e LH, que fazem o folículo produzir estradiol. O estradiol alto dispara o pico de LH e a ovulação; o corpo lúteo produz progesterona; sem gravidez, ele regride em 11 a 14 dias e vem a menstruação.
Pela FIGO, o intervalo entre o primeiro dia de uma menstruação e o da seguinte vai de 24 a 38 dias, o sangramento dura até 8 dias, e o ciclo é regular quando a diferença entre o mais longo e o mais curto é inferior a 9 dias. Na adolescência e na perimenopausa, ciclos irregulares com intervalos longos são esperados, pela anovulação.
Na teoria das duas células, a teca tem receptor de LH e transforma colesterol em androgênios (androstenediona e testosterona). A granulosa tem receptor de FSH, recebe esses androgênios por difusão e, pela aromatase estimulada pelo FSH, os converte em estradiol. A questão ISCMSP 2022 da apostila pergunta exatamente a enzima: aromatase.
O recrutamento inicial independe de gonadotrofinas; o FSH só se torna essencial na fase antral. O folículo com mais receptores de FSH vira dominante, e os outros sofrem atresia. Com estradiol acima de 200 pg/ml por cerca de 48h, o feedback vira positivo e dispara o pico de LH, que retoma a meiose I; a ovulação ocorre 10-12 horas após o pico.
Na fase folicular, a ultrassonografia mostra folículos menores que 10 mm, um dominante de 18 a 25 mm e endométrio trilaminar pelo estrogênio, como na questão USP-SP 2021. Após a ovulação, corpo lúteo com bordas irregulares e anel de fogo ao Doppler, líquido livre no fundo de saco e endométrio hiperecogênico indicam fase lútea, gabarito da questão UFRJ 2025.
Comparativo
O que cada hormônio faz e de onde vem, na sequência em que entra no ciclo.
| Hormônio | Origem | Papel no ciclo |
|---|---|---|
| GnRH | Núcleo arqueado do hipotálamo, de modo pulsátil | Pulsos rápidos e baixos na primeira metade, lentos e amplos na fase lútea; liberação contínua dessensibiliza a hipófise |
| FSH | Adeno-hipófise, age na granulosa | Recruta a coorte de folículos e estimula a aromatase, que converte androgênio em estradiol |
| LH | Adeno-hipófise, age na teca | Estimula androgênios na teca; o pico dispara a ovulação e forma o corpo lúteo |
| Estradiol | Granulosa do folículo dominante | Feedback negativo seleciona o dominante; acima de 200 pg/ml por cerca de 48h vira feedback positivo; prolifera o endométrio |
| Progesterona | Corpo lúteo | Endométrio secretor, muco espesso e aumento de 0,3 a 0,5 °C na temperatura basal |
| Inibina B e inibina A | B: folículos em crescimento; A: corpo lúteo | A inibina B sobe antes (before) da inibina A (after) |
| hCG | Gestação | Salva o corpo lúteo da regressão até a placenta assumir a progesterona |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência que a apostila usa para traduzir enunciado e imagem em fisiologia.
O ciclo começa no 1º dia da menstruação, quando a queda do estrogênio e da progesterona do ciclo anterior tira o feedback negativo e o FSH sobe. O intervalo normal vai de 24 a 38 dias, e o corpo lúteo vive cerca de 11 a 14 dias.
Na fase folicular, FSH e estradiol produzido pela granulosa. Na fase lútea, a progesterona do corpo lúteo, que também produz estradiol e inibina A. Os pulsos de GnRH são rápidos e baixos na primeira metade e lentos e amplos na segunda.
Estradiol acima de 200 pg/ml por cerca de 48h inverte o feedback para positivo e dispara o pico de LH. O pico retoma a meiose I e estimula prostaglandinas; a ovulação ocorre 34–36 horas após o início da elevação e 10-12 horas após o pico.
Fase folicular: múltiplos folículos menores que 10 mm e um dominante de 18 a 25 mm, anecoico, redondo e bem delimitado. Fase lútea: corpo lúteo de bordas irregulares, conteúdo heterogêneo, anel de fogo ao Doppler e líquido livre no fundo de saco.
Endométrio trilaminar, com linha basal anterior, linha central e linha basal posterior, indica efeito estrogênico da fase folicular tardia. Endométrio hiperecogênico e homogêneo indica progesterona. A passagem de trilaminar para hiperecogênico é o marco ultrassonográfico da ovulação.
Sob estrogênio, muco cervical fluido, transparente e elástico, em clara de ovo, e glicogênio no epitélio vaginal para os lactobacilos. Sob progesterona, muco espesso e opaco, barreira aos espermatozoides, e temperatura basal 0,3 a 0,5 °C mais alta após a ovulação.
Ambos ocorrem na fase lútea e melhoram logo após o início do fluxo. O TDPM exige 5 ou mais sintomas, com pelo menos 1 afetivo nuclear. Tratamento em escada: estilo de vida, contraceptivo combinado com drospirenona e ISRS contínuo ou só na fase lútea.
Perguntas frequentes
No ovário, fase folicular, ovulação e fase lútea. No endométrio, fase proliferativa, sob estrogênio, e fase secretora, sob progesterona, seguida da menstruação quando o corpo lúteo regride. A fase folicular é a variável e explica as mudanças de duração do ciclo; a fase lútea é a fixa, com o corpo lúteo durando cerca de 11 a 14 dias.
O 1º dia da menstruação. Nesse momento, o estrogênio e a progesterona do ciclo anterior caíram com a regressão do corpo lúteo, o feedback negativo desaparece e o FSH sobe, recrutando uma coorte de folículos. O intervalo do ciclo é contado do primeiro dia de uma menstruação ao primeiro dia da seguinte.
Intervalo de 24 a 38 dias entre o primeiro dia de uma menstruação e o da próxima, sangramento de até 8 dias e volume inferior a 80 ml. O ciclo é regular quando a diferença entre o mais longo e o mais curto é inferior a 9 dias. Dentro desses números, a conduta é orientação e calendário menstrual.
É a divisão da esteroidogênese folicular. A teca, com receptor de LH, transforma colesterol em androstenediona e testosterona. A granulosa, com receptor de FSH, recebe esses androgênios por difusão e os converte em estradiol pela aromatase, estimulada pelo FSH. Sem aromatase, não há estradiol suficiente para o feedback positivo e a ovulação.
Cerca de 34–36 horas após o início da elevação do LH e aproximadamente 10-12 horas após o pico. O pico é disparado pelo feedback positivo do estradiol, quando o folículo dominante mantém níveis acima de 200 pg/ml por cerca de 48h, e retoma a meiose I do oócito.
Ambos ocorrem na fase lútea, 1 a 2 semanas antes da menstruação, e melhoram logo após o início do fluxo; o diagnóstico é clínico, com pelo menos 2 a 3 ciclos. O TDPM é a forma grave: 5 ou mais sintomas, com pelo menos 1 do grupo afetivo nuclear (humor deprimido, ansiedade, instabilidade afetiva, raiva). Sem sintoma afetivo maior, não é TDPM.
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