Apostila gratuita · 70 páginas

ICC descompensada: perfis hemodinâmicos e tratamento na emergência

Gatilhos pelo CHAMPS, perfis A, B, C e L pelas três janelas da perfusão, NT-proBNP por idade, radiografia e POCUS, furosemida com bloqueio sequencial, vasodilatadores, VNI, dobutamina e suporte mecânico. Questões SUS/SP 2025, UNIFESP 2025 e IAMSP 2026 comentadas.

PDF de 7,0 MB. Gratuito.

Capa da apostila Insuficiência cardíaca descompensada: perfis e tratamento em um tablet
Formato
Apostila · 70 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Cardiologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de ICC descompensada cobre

Do reconhecimento do perfil à conduta de cada um, com o que as bancas mais cobram no pronto-socorro.

  • Perfis de Stevenson à beira do leito

    Congestão (úmido ou seco) cruzada com perfusão (quente ou frio) pelas três janelas: pele, rim e cérebro. O perfil B responde por 50% a 70% das internações por IC descompensada.

  • Conduta por perfil

    Perfil B: furosemida IV, vasodilatador se PAS acima de 110 mmHg e VNI. Perfil C: dobutamina com furosemida e betabloqueador suspenso. Perfil L: volume em alíquotas de 250 mL.

  • Cinco questões comentadas

    SES/DF 2026, IAMSP 2026, SUS/SP 2025, Dante Pazzanese 2025 e UNIFESP 2025, resolvidas dentro do capítulo, com o raciocínio do perfil e da conduta.

Sumário

O que tem dentro das 70 páginas

Do paciente que chega congesto ao pronto-socorro até a prescrição da alta.

  1. 01O que mais cai em prova: mapa de prioridades
  2. 02Contexto clínico e sintomas da congestão
  3. 03Avaliação inicial e gatilhos: CHAMPS e CHAMPIT
  4. 04Mapa hemodinâmico: pré-carga, pós-carga e as três janelas da perfusão
  5. 05Perfis hemodinâmicos A, B, C e L
  6. 06ECG e radiografia de tórax na ICAD
  7. 07POCUS: linhas B e veia cava inferior
  8. 08Laboratório: NT-proBNP, função renal, sódio, troponina e lactato
  9. 09Ecocardiograma e fração de ejeção
  10. 10Perfil B: furosemida, bloqueio sequencial e metas de peso
  11. 11Vasodilatadores: nitroprussiato e nitroglicerina
  12. 12VNI e o dilema do betabloqueador
  13. 13Perfil C: inotrópicos, vasopressores e suporte circulatório mecânico
  14. 14Perfil L: hidratação parcimoniosa
  15. 15Otimização crônica: o quarteto fantástico na ICFER e na ICFEP
  16. 16Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Insuficiência cardíaca descompensada: perfis e tratamento
Página da apostila: resumo do tratamento do perfil B, com dose de furosemida, metas de diurese e bloqueio sequencial do néfron.

Como é o tratamento da ICC descompensada em cada perfil?

O tratamento da ICC descompensada depende do perfil hemodinâmico. No perfil B (quente e úmido), furosemida intravenosa, vasodilatador se a PAS passar de 110 mmHg e VNI se houver desconforto respiratório com hipoxemia. No perfil C (frio e úmido), dobutamina com furosemida e suspensão do betabloqueador. No perfil L (frio e seco), hidratação venosa em pequenas alíquotas.

Os perfis de Stevenson cruzam dois eixos. Congestão (úmido): estertores, ortopneia, turgência jugular, refluxo hepatojugular e edema. Perfusão: o paciente frio tem extremidades frias, tempo de enchimento capilar lentificado, oligúria abaixo de 30 mL/hora e alteração do sensório. Hipotensão é sinal tardio: no paciente congesto, pele fria, sonolência ou lactato alto já indicam perfil C, qualquer que seja a PA.

A dose inicial de furosemida intravenosa é de 20 a 40 mg em quem não usa diurético, ou de 1 a 2 vezes a dose oral diária no usuário crônico. A meta é diurese acima de 100 a 150 mL/hora nas primeiras 6 horas ou sódio urinário acima de 50 a 70 mEq/L em 2 horas. Com resposta inadequada em 2 a 4 horas, dobre a dose.

Na resistência diurética, o bloqueio sequencial associa tiazídico 30 a 60 minutos antes da furosemida, com risco de hipocalemia grave. A acetazolamida, que age no túbulo proximal, ganhou espaço com o estudo ADVOR (descongestão de 42,2% contra 30,5%) e corrige a alcalose metabólica. Alta de creatinina na faixa de 0,3 mg/dL durante a diurese, com o paciente ainda congesto, não justifica suspender o diurético.

O betabloqueador domiciliar é mantido no perfil B, na mesma dose ou reduzido à metade se a congestão for muito grave; a retirada abrupta aumenta a mortalidade intra-hospitalar. No perfil C, com dobutamina, ele é suspenso. Em paciente virgem de tratamento, o betabloqueador só começa na enfermaria, depois da compensação, de preferência antes da alta.

Página da apostila Insuficiência cardíaca descompensada: perfis e tratamento

Comparativo

Perfil hemodinâmico na ICC descompensada: quadro e conduta

Os quatro perfis de Stevenson, com o quadro que a banca descreve e a conduta inicial de cada um.

Perfis de Stevenson e conduta inicial na emergência. Fonte: apostila Med-Review R1, “Insuficiência cardíaca descompensada: perfis e tratamento”.
PerfilCongestão e perfusãoQuadro típicoConduta inicial
AQuente e secoIC crônica compensada; dispneia sem congestão aponta outra causaOtimização crônica; procurar pneumonia, DPOC ou asma
BQuente e úmido50% a 70% das internações; PA normal ou alta, estertores, turgência jugular e edemaFurosemida IV, vasodilatador se PAS > 110 mmHg e VNI; manter o betabloqueador
CFrio e úmido15% a 25% dos admitidos; extremidades frias, sonolência, oligúria, lactato altoDobutamina e furosemida IV; noradrenalina se hipotensão profunda; suspender o betabloqueador
LFrio e secoBaixo débito sem congestão, quase sempre por excesso de diuréticoCristaloide em alíquotas de 250 mL com reavaliação; pausar diurético e vasodilatador

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Do gatilho à alta hospitalar, passo a passo

O raciocínio da sala de emergência na ordem em que a apostila ensina.

  1. Procure o gatilho pelo CHAMPS

    Causas cardíacas (síndrome coronariana, taquiarritmias, miocardite), hipertensão, anemia, medicamentos e má adesão, pulmonar (TEP) e sistêmico (infecção, tireoide, excesso de sal). Secar o pulmão sem tratar o gatilho leva o paciente de volta ao pronto-socorro em poucos dias.

  2. Classifique o perfil pelas três janelas

    Congestão pulmonar (estertores, ortopneia) e sistêmica (turgência jugular, edema, hepatomegalia). Perfusão pela pele (tempo de enchimento capilar lentificado, extremidades frias), pelo rim (diurese abaixo de 30 mL/hora) e pelo cérebro (confusão, letargia). Cruze os eixos em A, B, C ou L.

  3. Use os exames para excluir e achar a causa

    ECG em até 10 minutos. NT-proBNP abaixo de 300 pg/mL ou BNP abaixo de 100 pg/mL praticamente exclui ICAD; para confirmar, cortes por idade de 450, 900 e 1.800 pg/mL. O ultrassom pulmonar é mais sensível que a radiografia (88% contra 73%).

  4. Perfil B: diurético, vasodilatador e VNI

    Furosemida obrigatoriamente intravenosa, de 20 a 40 mg ou de 1 a 2 vezes a dose oral habitual, dobrando se a resposta for inadequada. Nitroglicerina ou nitroprussiato se PAS acima de 110 mmHg. VNI com frequência respiratória acima de 25 irpm e SpO2 abaixo de 90%.

  5. Perfil C: inotrópico antes de tudo

    Dobutamina para devolver contratilidade, com furosemida intravenosa para a congestão. Milrinone se o paciente usa betabloqueador em altas doses, com cuidado na disfunção renal. Noradrenalina só como suporte transitório na hipotensão profunda. No choque refratário, balão intra-aórtico ou ECMO.

  6. Perfil L: volume com parcimônia

    Suspenda diuréticos e vasodilatadores e infunda cristaloide em alíquotas de 250 mL, reavaliando ausculta pulmonar e turgência jugular a cada uma. Soro de 1.000 mL correndo aberto transforma o perfil L em B ou C, com edema agudo de pulmão.

  7. Prepare a alta sem congestão

    Meta de perda de peso de 0,5 a 1,0 kg por dia. Passe a furosemida para via oral 24 a 48 horas antes da alta; a biodisponibilidade oral é de cerca de 50%. Na ICFER, otimize o quarteto fantástico: ARNI ou IECA/BRA, betabloqueador, espironolactona e iSGLT2.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre ICC descompensada na prova

O que é ICC descompensada?

É a insuficiência cardíaca aguda descompensada (ICAD), síndrome de sinais e sintomas novos ou de piora aguda dos já existentes. Na maioria das vezes, em prova e no plantão, é a descompensação abrupta de uma IC crônica, e não uma IC de novo. A IC crônica não descompensa sem motivo: há sempre um gatilho a procurar, organizado pelo CHAMPS.

Quais são os sintomas da ICC descompensada?

Congestão pulmonar: dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna e estertores. Congestão sistêmica: turgência jugular, refluxo hepatojugular, hepatomegalia dolorosa e edema de membros inferiores. Baixo débito: extremidades frias, tempo de enchimento capilar lentificado, oligúria, confusão e letargia. Na questão SES/DF 2026 da apostila, a resposta para congestão sistêmica é edema de membros inferiores e estase jugular.

O que é o perfil B na ICC descompensada?

É o paciente quente e úmido: débito mantido, tempo de enchimento capilar rápido, diurese e consciência preservadas, mas congesto, com ortopneia, estertores, turgência jugular e edema. Responde por 50% a 70% das internações. O subfenótipo hipertenso chega com PA muito alta e edema agudo de pulmão. A conduta é furosemida IV, vasodilatador e VNI.

Quando usar dobutamina na ICC descompensada?

No perfil C, frio e úmido, que é o choque cardiogênico. A dobutamina, agonista beta-1 com ação beta-2, aumenta a contratilidade e pode baixar a PA no início; é adequada com PAS entre 85 e 90 mmHg e exige cuidado na hipotensão profunda, quando a noradrenalina entra como suporte transitório. Na questão UNIFESP 2025 da apostila, a resposta é furosemida com dobutamina.

O betabloqueador deve ser suspenso na ICC descompensada?

Em geral, não. No perfil B, mantenha a mesma dose ou reduza à metade se a congestão for muito grave; a retirada abrupta aumentou a mortalidade em registros como o OPTIMIZE-HF. Suspenda no perfil C, com baixo débito marcante, hipotensão sintomática grave ou necessidade de inotrópico. Em quem não usava, não inicie no meio do edema agudo de pulmão.

Para que serve o NT-proBNP na ICC descompensada?

Para excluir o diagnóstico: o valor preditivo negativo é de cerca de 98%, e NT-proBNP abaixo de 300 pg/mL ou BNP abaixo de 100 pg/mL afasta ICAD. Para confirmar, use cortes por idade: acima de 450 pg/mL antes dos 50 anos, de 900 entre 50 e 75 e de 1.800 acima de 75. Com sacubitril-valsartana, dose só o NT-proBNP.

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    Davi Khoury

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    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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