Apostila gratuita · 14 páginas

Fotorreceptores, fototransdução, vítreo e embriologia da retina

Cones S, M e L e seus pigmentos, fototransdução pelo ciclo de Wald, bipolares ON e OFF, ganglionares M, P e biestratificadas, porções e epônimos do vítreo e embriologia da retina e do vítreo. Oito questões do CBO comentadas, de 2016 a 2025.

PDF de 2,7 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 14 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Bases
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de fotorreceptores cobre

Fisiologia da visão, anatomia do vítreo e embriologia, com as questões do CBO resolvidas dentro do capítulo.

  • Fototransdução na ordem da cascata

    Do 11-cis ao todo-trans-retinal, transducina, fosfodiesterase, queda do GMPc e fechamento dos canais de Na+, com a ilustração do bastonete e da bipolar no escuro e no claro.

  • Vítreo e embriologia no mesmo capítulo

    Base vítrea, hialoides e epônimos, de Wieger a Martegiani, hialócitos e colágeno tipo II, mais a cronologia da retina fetal e dos vítreos primário, secundário e terciário.

  • Oito questões do CBO comentadas

    Três de 2024 e uma de 2016, 2021, 2022, 2023 e 2025, com gabarito e comentário: fototransdução, neurotransmissão, EPR e cones, fisiologia e células do vítreo.

Sumário

O que tem dentro das 14 páginas

Quatro seções do livro Retina, vítreo e genética, das células da retina à embriologia do vítreo.

  1. 01Células da retina e função visual: os três neurônios até o córtex occipital
  2. 02Fotorreceptores e segmento externo: rodopsina e iodopsina
  3. 03Fototransdução: ciclo de Wald, retina no escuro e no claro
  4. 04Células bipolares ON e OFF, difusas e anãs
  5. 05Células horizontais e amácrinas
  6. 06Ganglionares M, P e biestratificadas e suas sinapses
  7. 07Campos ON e OFF
  8. 08Visão de cores e placas de Ishihara
  9. 09Aprendendo com questões: CBO 2016, 2023 e 2024
  10. 10Anatomia do vítreo: porções e regiões de adesão
  11. 11Córtex vítreo: hialoides, base vítrea e epônimos
  12. 12Vítreo central, bursa pré-macular, hialócitos e ultraestrutura
  13. 13Aprendendo com questões: CBO 2021, 2024 e 2025, com notas de hialose asteroide e sínquise cintilante
  14. 14Embriologia da retina: origem, cronologia e vasculatura
  15. 15Embriologia do vítreo e questão CBO 2022
Página interna da apostila sobre Fotorreceptores, vítreo e embriologia da retina
Página da apostila: fototransdução no escuro e no claro, células bipolares ON e OFF, horizontais e amácrinas.

O que são fotorreceptores e como ocorre a fototransdução?

Fotorreceptores são o 1º neurônio da via visual e fazem a fototransdução, a transformação do fóton luminoso em impulso elétrico: bastonetes na visão escotópica, cones na fotópica e de cores. A luz converte o 11-cis-retinal em todo-trans-retinal, a opsina ativada aciona a transducina, que ativa a fosfodiesterase, o GMPc cai e os canais de Na+ fecham, hiperpolarizando a célula.

No escuro, os canais de Na+ ficam abertos e o fotorreceptor está despolarizado, em cerca de -30 mV. Com a luz, ele hiperpolariza e libera menos glutamato, o neurotransmissor do seu terminal sináptico. A bipolar ON despolariza e a OFF hiperpolariza com a luz, e cada uma tem receptores pós-sinápticos diferentes para o glutamato. Bastonetes se ligam só a bipolares ON.

O pigmento visual deriva da vitamina A, une um cromóforo, o 11-cis-retinal, a uma opsina e fica no segmento externo: rodopsina nos bastonetes e iodopsina nos cones. O segmento interno tem a zona elipsoide, rica em mitocôndrias e essencial ao metabolismo energético, e a zona mioide. O EPR regenera o pigmento, convertendo o todo-trans-retinal de volta em 11-cis-retinal.

Bipolares de bastonete são todas difusas: 20 a 100 bastonetes convergem para uma única bipolar, o que explica a alta sensibilidade à luz. Na mácula, a bipolar anã recebe um único cone, e 1 cone, 1 bipolar anã e 1 ganglionar anã dão a máxima acuidade visual. Os campos ON e OFF e a modulação por horizontais, amácrinas e interplexiformes aumentam contraste e nitidez ainda na retina.

O espectro visível vai de 380 a 760 nm, e o indivíduo é tricromata, dicromata ou monocromata conforme tenha 3, 2 ou 1 tipo de cone funcionante. O defeito ligado ao X é congênito e atinge o eixo verde-vermelho: protanopsia (cone L) e deuteranopsia (cone M). A tritanopsia, do cone S, costuma ser adquirida, e as placas de Ishihara não detectam o eixo azul-amarelo.

Página da apostila Fotorreceptores, vítreo e embriologia da retina

Comparativo

Cones e bastonetes: visão, pigmento e sinapses

Os dois tipos de fotorreceptor em seis critérios: visão, pigmento, célula bipolar, convergência, saída para as ganglionares e defeito de cor.

Comprimentos de onda dos cones como descritos na apostila. Fonte: apostila Oft-Review, “Fotorreceptores, vítreo e embriologia da retina”.
CritérioBastonetesCones
VisãoEscotópica (noturna), de contraste, sem coresFotópica e de cores
FotopigmentoRodopsinaIodopsina: cianopsina (S, 419 nm), cloropsina (M, 531 nm) e protanopsina (L, 559 nm)
Célula bipolarSempre ON e difusaON ou OFF, difusa ou anã; a anã, com um único cone, só existe na mácula
Convergência20 a 100 bastonetes por bipolar: alta sensibilidade à luzNa mácula, 1 cone, 1 bipolar anã e 1 ganglionar anã: máxima acuidade visual
Saída para as ganglionaresBipolar ON, muitas vezes via amácrina, para ganglionar ON; ganglionar OFF pela amácrina AIION com ON e OFF com OFF; na mácula, de anã para anã
Defeito de corFora da classificação, feita pela atividade dos conesProtanopsia (L) e deuteranopsia (M), congênitas e ligadas ao X; tritanopsia (S), em geral adquirida

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Na prática

Da fototransdução ao vítreo embrionário, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da via visual à formação do vítreo.

  1. Siga os três neurônios da via visual

    Fotorreceptor (1º neurônio), bipolar (2º) e ganglionar (3º). A primeira sinapse fica na plexiforme externa, modulada pelas horizontais; a segunda, na plexiforme interna, modulada pelas amácrinas. Os axônios das ganglionares seguem pelo nervo óptico até o corpo geniculado lateral, de onde as radiações ópticas partem para o córtex occipital.

  2. Encadeie a fototransdução no segmento externo

    O pigmento, derivado da vitamina A, une 11-cis-retinal e opsina. A luz converte o 11-cis em todo-trans-retinal, a opsina ativada aciona a transducina, que ativa a fosfodiesterase, o GMPc cai, os canais de Na+ fecham e a célula hiperpolariza, liberando menos glutamato. O EPR regenera o pigmento.

  3. Separe bipolares ON e OFF

    Bipolares ON despolarizam e OFF hiperpolarizam com a luz, e a divisão se mantém na sinapse com as ganglionares. As de bastonete são sempre ON e difusas; as anãs, exclusivas da mácula, recebem um único cone e sustentam a máxima acuidade visual.

  4. Some a modulação de horizontais e amácrinas

    Horizontais hiperpolarizam com a luz, recebem glutamato e liberam GABA em feedback negativo; H1 contatam cones verdes e vermelhos, e H2, cones azuis. Amácrinas são inibitórias e usam dopamina ou acetilcolina, que na retina vem só da starburst. A AII leva a bipolar de bastonete ON à ganglionar OFF.

  5. Feche a retina com ganglionares e cores

    A retina tem 1,2 milhão de ganglionares, que usam glutamato e cujos axônios formam o nervo óptico. As M, em parassol (20%), seguem a via magnocelular, de movimento; as P, anãs (70%), a parvocelular, de resolução fina e eixo verde-vermelho; as biestratificadas, a koniocelular, azul-amarelo. O Ishihara só detecta defeitos congênitos verde-vermelho.

  6. Localize porções e adesões do vítreo

    Córtex (hialoide anterior, base vítrea e hialoide posterior), core e células. A adesão vitreorretiniana é maior na base vítrea, seguida de nervo óptico, mácula e vasos. O descolamento do vítreo posterior começa pela perifóvea. Hialócitos predominam no córtex, e o ácido hialurônico responde pela viscosidade.

  7. Termine pela embriologia da retina e do vítreo

    A retina neurossensorial vem do folheto interno do cálice óptico, e o EPR, do externo. No 4º mês, a retina posterior já tem todas as camadas, e a vascularização da periferia temporal termina após o nascimento. O vítreo primário surge no 1º mês; o secundário, definitivo, no 2º; o terciário, do 4º ao 6º.

Perguntas frequentes

Dúvidas de prova sobre fotorreceptores e vítreo

Qual a diferença entre cones e bastonetes?

Bastonetes fazem a visão escotópica, de contraste e sem cores, usam rodopsina e se ligam só a bipolares ON, todas difusas, com 20 a 100 bastonetes por bipolar. Cones fazem a visão fotópica e de cores, usam iodopsina dos tipos S, M e L e se ligam a bipolares ON e OFF. Na mácula, a via de cone com bipolar e ganglionar anãs dá a máxima acuidade visual.

O que o CBO já cobrou sobre fototransdução?

Na questão CBO 2016, o gabarito é a modificação do cromóforo na fotoisomerização; as alternativas erradas põem a rodopsina também nos cones e citam iodopsina amarela. Na questão CBO 2023, a luz fecha os canais de sódio e hiperpolariza a célula, a ativação da transducina leva à queda do GMPc e o 11-cis vira todo-trans-retinal, e não o inverso. Uma questão CBO 2024 liga o EPR à conversão do all-trans retinol em 11-cis retinol.

Como as células bipolares ON e OFF respondem à luz?

As bipolares ON despolarizam e as OFF hiperpolarizam com a luz, e cada tipo tem receptores pós-sinápticos diferentes para o glutamato. Bastonetes se ligam só a bipolares ON; cones, a ON e OFF. Na sinapse com as ganglionares, a divisão ON e OFF é preservada, gabarito de uma questão CBO 2024. Pela amácrina AII, a bipolar de bastonete ON também gera resposta em ganglionares OFF.

Qual a composição do vítreo e o que define a sua viscosidade?

O vítreo tem 98-99% de água, volume de 4,0 ml, índice de refração de 1,334 e pH de 7,5. O colágeno principal é o tipo II, protegido da degeneração pelo tipo IX. A viscosidade depende sobretudo do ácido hialurônico e é bem maior que a do humor aquoso, como explica o comentário de uma questão CBO 2024. Os hialócitos predominam no córtex, sobretudo na base vítrea.

Por que a vitrectomia aumenta o risco de catarata?

O vítreo tem antioxidantes que impedem que altas concentrações de oxigênio atinjam o cristalino. Após a vitrectomia, o coeficiente de difusão e a tensão de oxigênio na cavidade vítrea aumentam, gabarito de uma questão CBO 2024, e a atividade oxidativa favorece a catarata. O comentário da questão CBO 2021 soma a fragilidade iatrogênica da cápsula posterior. Na alta miopia, com liquefação precoce do vítreo, a catarata também é mais frequente e precoce.

Qual a origem embriológica da retina e do vítreo?

A retina neurossensorial e o EPR são neuroectodérmicos: a primeira vem do folheto interno do cálice óptico, e o EPR, do externo. O vítreo tem origem mesodérmica e neuroectodérmica: o primário, com a vasculatura hialoidea, no 1º mês; o secundário, definitivo e avascular, no 2º; o terciário, que dá origem às fibras zonulares, do 4º ao 6º. O canal de Cloquet e o ligamento de Wieger são remanescentes do primário.

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    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

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    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

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    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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